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Conferência Geral
Outubro de 2006
Ele Confia em Nós!

Ele Confia em Nós!

Élder Stanley G. Ellis
Dos Setenta

Um dia, todos teremos de nos apresentar perante Deus e prestar contas de nosso serviço (…) no sacerdócio.

Élder Stanley G. EllisHá vários anos, minha mulher e eu fomos chamados para presidir a Missão Brasil São Paulo Norte. Esse chamado significava que ficaríamos ausentes por três anos. Tendo em vista a situação de nossa família e de nossos negócios, fomos inspirados a manter nossa casa e nossa empresa em Houston em vez de vendê-las.

Quando começamos a fazer os preparativos necessários, ficou evidente que teríamos que pedir a nosso advogado que preparasse uma procuração, um documento legal dando a outra pessoa autoridade para tomar qualquer decisão em nosso nome. A pessoa que ficasse com esse documento poderia vender nossa casa e outras propriedades, pedir dinheiro emprestado em nosso nome, gastar o nosso dinheiro ou até vender nossa empresa. A idéia de dar a alguém tanto poder e autoridade sobre nossos negócios era assustadora.

Decidimos entregar nossa procuração a uma pessoa em que confiávamos, um bom amigo e nosso sócio, que exerceu esse poder e autoridade muito bem: fez o que teríamos feito se estivéssemos ali.

Irmãos, pensem no que o Senhor nos concedeu: Seu poder e autoridade! O poder e autoridade para agir em nome Dele em todas as coisas relativas à Sua obra!

Com esse poder do sacerdócio e, quando necessário, a autorização dos que possuem as devidas chaves, podemos realizar as ordenanças de salvação em nome Dele: batizar para a remissão de pecados, confirmar e conferir o Espírito Santo, conferir o sacerdócio e ordenar outras pessoas aos ofícios do sacerdócio e realizar as ordenanças do templo. Em Seu nome, podemos administrar Sua Igreja. Em Seu nome podemos abençoar, fazer as visitas do ensino familiar e até curar os enfermos.

Que confiança o Senhor depositou em nós! Pensem nisto, irmãos: Ele confia em nós!

Antes de recebermos o sacerdócio, já havíamos sido preparados e provados. Exercemos fé em Jesus Cristo, arrependemo-nos, fomos batizados e recebemos o dom do Espírito Santo. Cada um de nós tinha um grau diferente de experiência ao receber o chamado, mas o procedimento divino foi o mesmo. Oraram a nosso respeito e fomos entrevistados por aqueles que exerciam as chaves do sacerdócio. Fomos apoiados pelo voto dos membros da Igreja de nossa unidade. Fomos ordenados por alguém que tinha autoridade e estava autorizado a fazê-lo.

O Senhor é cuidadoso com Seu sacerdócio: exercer Seu poder e autoridade é uma responsabilidade sagrada.

Como é maravilhoso termos conquistado a confiança de Deus! Ele confia em vocês! Ele confia em mim!

Quando recebemos o sacerdócio, nós o fazemos por convênio. Um convênio é uma promessa mútua. Ele promete abençoar-nos, sob certas condições. Prometemos cumprir essas condições. Quando o fazemos, o Senhor sempre cumpre Sua palavra e nos abençoa. Geralmente, Ele nos dá mais do que havíamos combinado. Ele é muito generoso.

Quando recebemos o Sacerdócio de Melquisedeque, recebemos o assim chamado “juramento e convênio” do sacerdócio. Prometemos duas coisas ao Senhor, e Ele nos promete duas coisas. Prometemos ser “fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios” e “magnificar [nosso] chamado” fielmente. Ele promete que seremos “santificados pelo Espírito”. Então, após termos sido fiéis em todas as coisas até o fim, Ele promete que “tudo o que [Seu] Pai possui [ser-nos-á] dado” (ver D&C 84:33–41).

O Senhor abençoa Seus filhos por meio de nosso serviço no sacerdócio. Para ajudar-nos a ter sucesso ao prestar serviço fiel no sacerdócio, Ele transmitiu-nos instruções e admoestações. Fez isso nas escrituras e continua a guiar-nos por meio de nossos líderes e pelos sussurros do Espírito Santo.

As escrituras contêm muitas passagens de orientação e admoestação para os portadores do sacerdócio. Uma das melhores é a seção 121 de Doutrina e Convênios. Nesses poucos versículos, o Senhor ensina que o sacerdócio só pode ser exercido em retidão. Devemos tratar uns aos outros com persuasão, paciência e bondade. Ele nos relembra a importância da caridade e da virtude para termos a companhia constante do Espírito Santo.

Essa seção também nos adverte acerca das atitudes e ações que nos farão perder o poder do sacerdócio. Se “[aspirarmos] as honras dos homens”, tentarmos “encobrir nossos pecados”, “[satisfizermos] nosso orgulho” ou “vã ambição,” ou procurarmos “exercer controle” sobre os outros, perderemos o poder do sacerdócio (ver versículos 35 a 37). A partir daí, estaremos praticando artimanhas sacerdotais. Teremos deixado o serviço de Deus e nos colocado a serviço de Satanás.

Seria bom que os portadores do sacerdócio estudassem regularmente a seção 121 de Doutrina e Convênios. É fácil entender por que os profetas modernos salientaram a necessidade de nos mantermos dignos e por que nos deram o livreto Para o Vigor da Juventude como um guia para ajudar-nos.

Um dos motivos pelos quais precisamos manter-nos dignos é que nunca sabemos quando seremos chamados a usar o sacerdócio.

Quando nosso filho Matthew estava com cinco anos, ele caiu do trampolim mais alto da piscina comunitária. Caiu no piso de concreto e sofreu fratura de crânio e concussão cerebral. Foi levado às pressas pelo helicóptero do resgate até o Centro Médico de Houston para tratamento de emergência. Precisei imediatamente do auxílio do sacerdócio. O nosso mestre familiar e o nosso líder do sacerdócio estavam ambos dignos e preparados naquele momento. Eles ajudaram a dar uma bênção em Matthew, e ele se recuperou completamente.

Precisamos estar preparados a qualquer momento. Como dizemos no Escotismo: “Sempre alerta”.

Sem dúvida precisamos abster-nos das artimanhas sacerdotais. Mas o Apóstolo Paulo nos advertiu contra outro perigo. Ele disse que em nossos dias haveria pessoas com “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (II Timóteo 3:5).

Como portadores do sacerdócio, de que modo podemos ter aparência de piedade, mas negar a eficácia dela? Poderia ser possuindo o sacerdócio, mas deixando de exercê-lo? Apenas visitando as famílias, em vez de ensiná-las como mestres familiares? Orando por uma pessoa, numa ordenança ou ordenação, em vez de abençoá-la? Fazendo o trabalho do Senhor da melhor maneira que podemos, sem antes suplicar para conhecer e fazer a vontade Dele, à maneira Dele?

Lembrem-se do conselho que o Senhor nos deu por intermédio de Néfi de que “(…) nada [devemos] fazer para o Senhor sem antes orar ao Pai (…)” (2 Néfi 32:9).

Há vários anos, fui chamado para servir como conselheiro na presidência da Estaca Houston Texas Norte. Estava estudando a parábola dos talentos. Vocês se lembram dessa história. Um homem precisou viajar, por isso confiou seus bens a seus servos. Um recebeu cinco talentos, outro recebeu dois, e o último recebeu um. Ao retornar, ele pediu que prestassem contas do que fizeram.

O servo que recebeu cinco e devolveu dez, bem como o que recebeu dois e devolveu quatro foram considerados servos bons e fiéis. Mas o que chamou a minha atenção foi o servo que recebeu um talento, cuidou dele e devolveu-o em segurança a seu senhor. Fiquei surpreso com a resposta do mestre: “Mau e negligente servo (…) tirai-lhe pois o talento (…) lançai (…) o servo inútil nas trevas exteriores (…)”! (Ver Mateus 25:14–30.)

Essa me parecera uma reação exagerada contra alguém que parecia estar procurando cuidar do que lhe fora confiado. Mas o Espírito ensinou-me esta verdade: o Senhor espera uma diferença! Soube naquele momento que, um dia, todos teremos de nos apresentar perante Deus e prestar contas de nosso serviço e mordomia no sacerdócio. Será que fizemos alguma diferença? Em meu caso, será que a Estaca Houston Texas Norte estava melhor na época de minha desobrigação do que estava quando fui chamado?

Felizmente, o Senhor nos ensinou a termos sucesso, a fazermos a diferença. “Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto” (João 15:5). Se exercermos Seu sacerdócio à maneira Dele, seguindo a orientação que recebemos de Seus servos e de Seu Espírito, seremos servos bons e fiéis!

Meus queridos irmãos do sacerdócio, o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor, vive! Ele nos conhece; Ele nos ama. Ele depositou Sua confiança em nós concedendo-nos o poder e a autoridade do Seu sacerdócio. Sou testemunha dessa verdade. Que usemos esse poder e essa autoridade para fazer Sua vontade à maneira Dele é minha oração.

Ao ouvirmos as palavras do Presidente Hinckley, do Presidente Monson e do Presidente Faust, presto meu testemunho pessoal de que cada um deles é um profeta, vidente e revelador. Estou ansioso para ouvir seus conselhos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 
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