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Conferência Geral
abril de 1999
"Sendo Feito Semelhante ao Filho de Deus"

"Sendo Feito Semelhante ao Filho de Deus"

Élder Ray H. Wood
Dos Setenta

Nunca deve haver descaso, desinteresse ou indiferença a respeito do sacerdócio que possuímos. Uma vez que o aceitamos, jamais devemos ignorá-lo, negligenciá-lo ou deixá-lo de lado. É um manto de honra e poder.

Élder Ray H. Wood

Depois que os filhos de Israel cruzaram o rio Jordão, e que Jericó foi destruída, eles enfrentaram a cidade de Ai. Ai era menor que Jericó e tinha menos defensores, e Josué pensou que conseguiria conquistá-la com apenas três mil soldados. Mas os homens de Ai derrotaram os exércitos de Israel e fizeram-nos fugir. Josué prostrou-se perante o Senhor e perguntou a razão de sua derrota. Veio, então, a resposta, e uma grande lição.

Quando Jericó foi destruída, o Senhor proibiu os israelitas de levarem quaisquer das coisas preciosas que nela fossem encontradas. Mas um certo homem, Acã, pegou e tentou esconder parte dos despojos. "Quando vi", disse ele, "cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda." (Josué 7:21) O Senhor ordenou que fossem destruídos, e Acã foi apedrejado até a morte.

Parece-nos difícil compreender como os efeitos da desonestidade de um único homem tenha sido abrangente a ponto de causar a derrota do exército de Israel e a morte de 36 homens. O Élder James E. Talmage comentou: "Havia sido violada uma lei de justiça e foram introduzidas no campo do povo do convênio coisas que haviam sido amaldiçoadas; essa transgressão resistiu à corrente de ajuda divina, e foi somente quando o povo se purificou que lhes foi restituído o poder." (Regras de Fé, pp. 101­102. Ver também Josué 7:10­13.)

Quando uma pessoa transgride qualquer dos mandamentos de Deus, a menos que se arrependa, o Senhor deixa de protegê-la e ampará-la com Sua influência. Quando perdemos o poder de Deus, com certeza o problema é conosco e não com Deus. "Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma." (D&C 82:10) Nossas faltas resultam em desespero. Entristecem e extinguem o "perfeito esplendor de esperança" oferecido por Cristo. (2 Néfi 31:20) Sem a ajuda de Deus, ficamos sozinhos.

O sacerdócio é a autoridade de agir como representante autorizado do Senhor para realizar ordenanças que proporcionam certas bênçãos espirituais a todas as pessoas. É o poder de governar a Igreja de receber a palavra de Deus por meio da revelação, de pregar o evangelho e de ministrar as ordenanças de exaltação tanto para os vivos quanto para os mortos de acordo com o pensamento e a vontade de Deus. Possuir o sacerdócio de Deus é realmente algo muito grandioso.

Foi-nos dito que "os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão". (D&C 121:36) O Presidente Spencer W. Kimball nos lembra: "Não há limite para o poder do sacerdócio ( . . . ) que vocês possuem. São vocês mesmos que o limitam, caso não estejam vivendo em harmonia com o Espírito do Senhor, de modo a limitarem sua capacidade de exercer esse poder". (The Teachings of Spencer W. Kimball, Edward L. Kimball (org), 1982, p.498; grifo do autor)

Como portadores do sacerdócio de Deus, precisamos lembrar-nos de que somos "a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido". (I Pedro 2:9) Recebemos este mandamento: "Afastai-vos dos iníquos, conservai-vos separados e não toqueis em suas coisas imundas". (Alma 5:57)

Quando um homem, seja ele jovem ou idoso, aceita e recebe o sacerdócio, passa a ter a sagrada responsabilidade de magnificar esse sacerdócio. Isso exige de todos nós que sirvamos diligentemente, ensinemos com fé e testemunho, que incentivemos e fortaleçamos as pessoas que influenciamos. Isso significa que não podemos viver somente para nós mesmos, mas somos também responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento e bem-estar de outras pessoas.

A ordenação a qualquer ofício do sacerdócio não é algo que ocorre automaticamente em virtude da idade ou da situação. Abençoado seja o líder do sacerdócio que conscientemente entrevista todo candidato a um ofício do sacerdócio e ouve do candidato um relatório de seus serviços honrosos, uma declaração de sua pureza e dignidade pessoal e uma confirmação de seus esforços diligentes e sua intenção de cumprir voluntariamente as grandes responsabilidades de seu ofício no sacerdócio.

Nunca deve haver descaso, desinteresse ou indiferença a respeito do sacerdócio que possuímos. Uma vez que o aceitamos, jamais devemos ignorá-lo, negligenciá-lo ou deixá-lo de lado. É um manto de honra e poder que pode ser nosso para sempre.

Ao aceitar um chamado no sacerdócio, todo homem se compromete a agir de certo modo empenhando a própria integridade. Isso gera um senso de responsabilidade, fazendo surgir em cada um de nós um poder que reforça toda ação positiva e combate a preguiça.

Àqueles que agem com leviandade em relação a esse chamado santo e sagrado, o Élder George Q. Cannon faz a admoestação: "Precisamos honrar o sacerdócio que possuímos ou esse sacerdócio, em vez de exaltar-nos, significará nossa condenação. É temeroso receber o sacerdócio de Deus e não magnificá-lo." (Gospel Truth, 1:229.)

Ao pensarmos no sacerdócio, não nos esqueçamos de seu verdadeiro nome: O Santo Sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus. Jesus Cristo é o grande Sumo Sacerdote de Deus. Ele é a fonte de toda a autoridade e poder do sacerdócio nesta Terra. Como nosso Salvador, Mediador e Redentor, é nosso grande exemplo em relação ao caminho que devemos seguir (em palavras, ações, crença, doutrina, fé, ordenanças e nossa retidão pessoal). "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pegadas." (I Pedro 2:21)

Ele prometeu-nos glória, vida eterna, exaltação e tudo o que possui, se formos fiéis portadores de Seu sacerdócio e magnificarmos todos os nossos chamados. Tornar-nos-emos co-herdeiros com Ele no reino de Seu Pai. O Apóstolo Paulo escreveu: "E todos aqueles que são ordenados a esse sacerdócio são feitos semelhantes ao Filho de Deus, permanecendo sacerdotes para sempre". (TJS, Hebreus 7:3)

Presto meu solene testemunho de que podemos alcançar tudo isso, "confiando plenamente nos méritos daquele que é poderoso para salvar" (2 Néfi 31:19), ou seja, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

 
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