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Apegar-se às Palavras dos Profetas

Élder Neil L. Andersen
Da Presidência dos Setenta
Serão do SEI para os Jovens Adultos • 4 de março de 2007 • Universidade Brigham Young

Élder Neil L. AndersenHá trinta e três anos, quando eu era aluno da Universidade Brigham Young, tive uma pequena parte em um serão como o que estamos realizando hoje à noite. O orador foi o Presidente Spencer W. Kimball e vi-me andando a seu lado enquanto ele se dirigia para a entrada do Marriott Center. Perguntei-lhe se já havia ficado nervoso ao se deparar com uma audiência tão grande. Com um sorriso, ele respondeu: “Irmão Andersen, você sabe o que as escrituras dizem: ‘Se estiverdes preparados, não temereis’ (D&C 38:30) Estou tremendo dos pés à cabeça”. Agora eu sei como ele se sentia.

Expresso meu amor e respeito a todos aqui presentes e a todos os que se encontram reunidos em todo o mundo. Conheço sua bondade e devoção ao evangelho, sua fé e esperança no futuro, assim como seu desejo de agradar ao Pai Celestial. Oro que o Espírito do Senhor abençoe minhas palavras e seu entendimento.

Apegar-se à Barra de Ferro

Quero dizer-lhes que nesta reunião de hoje vemos a mão do Senhor. No início de janeiro, trabalhei para organizar e esboçar o que lhes apresentaria hoje. Como sabia que o Élder David A. Bednar estava designado para falar em fevereiro, perguntei-lhe se já havia finalizado o assunto sobre o qual falaria.

Fiquei surpreso quando ele me respondeu que seu discurso seria sobre “apegar-se à barra de ferro”. Esse era exatamente o título que havia escolhido para meu discurso. O coro já estava ensaiando este hino maravilhoso que acabou de cantar para nós.

Enquanto o Élder Bednar e eu conversávamos a respeito da mensagem que havíamos preparado, ficou claro que tínhamos abordado o assunto de modos diferentes. O Élder Bednar refletiu por um momento e disse: “O Senhor ama os jovens adultos da Igreja. Há um propósito nisto. Essa é a mensagem que o Senhor deseja transmitir”. Decidi então continuar.

Assim, apenas uma semana depois, antes do discurso do Élder Bednar, o presidente Boyd K. Packer, Presidente Interino do Quórum dos Doze Apóstolos, fez um discurso no devocional da BYU com o título “O Sonho de Leí e Você”.1 Ele também incluiu em seu discurso o significado de “apegar-se à barra de ferro”.

Irmãos e irmãs, este é o assunto sobre o qual o Senhor deseja que reflitam.

Vocês se lembram de terem ouvido nos discursos do Presidente Packer e do Élder Bednar e lido em seu estudo pessoal do Livro de Mórmon os elementos-chave do sonho de Leí sobre a árvore da vida. O Élder Bednar ensinou-nos que a árvore da vida, identificada como o amor de Deus, é uma representação de Jesus Cristo, e que a alegria e felicidade recebidas ao comermos do fruto simbolizam as bênçãos da Expiação do Salvador (ver 1 Néfi 8:10; 11:8–9, 21–24).2

Havia também um edifício grande e espaçoso (ver 1 Néfi 11:35–36; 12:18). O discurso do Presidente Packer trouxe-me novas idéias a respeito dessa parte do sonho.

Também havia uma névoa de escuridão no sonho (ver 1 Néfi 12:16–17), representando as tentações do diabo, que obscureciam o caminho que conduzia à árvore (ver 1 Néfi 8:19–22). Finalmente, havia a barra de ferro (ver 1 Néfi 11:24–25) que representava a palavra de Deus e que permitia às pessoas atravessarem a névoa de escuridão e chegarem até a árvore.

O coro cantou maravilhosamente:

“Quem a essa forte barra que reluz
Se apega com valor,
Se apega, sim, à palavra do Senhor
Que à segurança conduz “3

Como foi bom ouvir a música tanto em português como em espanhol, quem nos dera ouvir também em todos os idiomas das pessoas que nos ouvem hoje.

Néfi prometeu-nos que “todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem, jamais pereceriam; nem as tentações (...) do adversário poderiam dominá-los (...) para levá-los à destruição” (1 Néfi 15:24).

A barra de ferro é a palavra de Deus. Gosto de pensar desta forma: A palavra de Deus contém três fortes elementos que se entrelaçam e sustêm um ao outro para formar uma barra inamovível. Esses três elementos incluem: primeiro, as escrituras ou as palavras dos profetas antigos. Vocês devem-se lembrar da pergunta incisiva que o Élder Bednar fez no mês passado: “Estamos, você e eu, diariamente lendo, estudando e pesquisando as escrituras de forma a permitir que nos apeguemos à barra de ferro?”4

O segundo elemento da palavra de Deus é a revelação e inspiração pessoal que nos vêm através do Espírito Santo. O Presidente Packer disse o seguinte:

“Se apegarem-se à barra, poderão perceber o caminho a seguir através do dom do Espírito Santo (...)

Apeguem-se à barra de ferro e não a soltem. Por intermédio do poder do Espírito Santo, [poderão] perceber o caminho a seguir por toda a vida (ver 3 Néfi 18:25; D&C 9:8).“5

O tema de meu discurso desta noite é o terceiro elemento, um acréscimo crucial interligado aos outros dois. Essa terceira parte da barra de ferro representa as palavras dos profetas vivos. Devemos também nos apegar à palavra de Deus conforme a recebemos dos profetas vivos. Oro para que hoje à noite aumentemos nossa atenção ao que os profetas vivos estão ensinando, aceleremos nossa resposta ao que aprendemos e entendamos mais profundamente o significado de apegarmo-nos a suas palavras.

As Palavras dos Profetas Vivos

Há muitos anos, o Presidente George Q. Cannon, na época membro da Primeira Presidência, disse:

“Temos a Bíblia, o Livro de Mórmon e o Livro de Doutrina e Convênios; mas todos esses livros, sem os oráculos vivos e um fluxo constante de revelação do Senhor, não levariam ninguém ao Reino Celestial de Deus. Essa declaração pode parecer estranha, mas, por mais estranha que possa parecer, ela é, ainda assim, verdadeira.

É claro que esses registros têm um valor incalculável. Nenhum preço é alto demais para eles, nem se pode considerá-los completamente compreendidos. Mas por si mesmos, ainda que com toda a luz que transmitem, são insuficientes para guiar os filhos dos homens e levá-los à presença de Deus. Sermos guiados de tal maneira requer um Sacerdócio vivo e revelação constante de Deus para o povo de acordo com as circunstâncias em que povo se encontra.“6

Naturalmente, nós que nos encontramos aqui hoje amamos o Presidente Gordon B. Hinckley, os dois conselheiros na Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos. Mas, em reconhecimento a nosso amor e lealdade, eu pergunto: “Não acham que nossa atenção ao conselho e ensinamento desses homens poderia ser mais atuante e minuciosa?”

Pense como você responderia a estas perguntas:

Você seria capaz de dizer o nome dos três membros da Primeira Presidência e o de cada um dos membros do Quórum dos Doze? Esses são os quinze homens que vocês e eu apoiamos como profetas, videntes e reveladores.

Se eu lhes mostrasse uma foto desses homens, vocês reconheceriam cada um deles? Raramente damos atenção a alguém que não reconhecemos.

Você seria capaz de contar-me o conselho dado pela Primeira Presidência ou Quórum dos Doze Apóstolos na conferência geral de outubro passado? E, seria capaz de identificar as preocupações do Presidente Hinckley, Presidente Monson e Presidente Faust na mensagem da Primeira Presidência de A Liahona nos três primeiros meses deste ano?

E o que talvez seja ainda mais importante, será que poderia contar-me alguma decisão importante que tomou para mudar algo em sua vida por causa do conselho de um desses quinze homens?

A razão pela qual nossas respostas a essas perguntas são tão importantes está no chamado e responsabilidade da Primeira Presidência e dos Doze Apóstolos. Sempre que a Igreja do Senhor foi estabelecida, Ele chamou profetas e apóstolos. O Salvador disse: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei (...)” (João 15:16). Para esses homens a ordenação traz um poder espiritual e uma responsabilidade solene: o poder de conhecer e testificar e a responsabilidade de ensinar e abençoar. Traz também uma responsabilidade e uma promessa para nós. Temos a responsabilidade de ouvir e seguir; e temos a promessa de que seremos abençoados na medida em que crermos e seguirmos seus conselhos.

Quando o Senhor chamou doze discípulos nas Américas após Sua ressurreição, ensinou isto ao povo: “(...) Bem-aventurados sois vós, se derdes ouvidos às palavras destes doze que escolhi dentre vós para exercer o ministério junto a vós e ser vossos servos”(3 Néfi 12:1). Em nossos dias, em uma época muito difícil, o Senhor prometeu aos santos: “E se meu povo der ouvidos a minha voz e à voz de meus servos que designei para guiar meu povo, eis que em verdade vos digo que não serão removidos de seu lugar” (D&C 124:45).

Esse é o padrão do Senhor. Ele chama quinze homens de suas atividades corriqueiras da vida7 e dá-lhes as chaves e o poder para nos guiar e dirigir. Não somos forçados a obedecer; nada nos é forçado. Mas se atendermos a suas palavras, se formos obedientes e tivermos o desejo de mudar nosso comportamento ao recebermos a confirmação do Espírito Santo, não seremos removidos de nosso lugar—o que significa que nos apegaremos à barra de ferro e permaneceremos para sempre firmes no caminho que leva à árvore da vida.

Como podemos procurar o conselho dos profetas vivos e nos apegarmos a eles? Consideremos a pergunta pensando mais profundamente sobre as três palavras que usamos ao apoiarmos esses homens: profetas, videntes e reveladores.

Profetas

Primeiro, a palavra profeta. O apóstolo João disse que “o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse 19:10). Os profetas testificam de Cristo. Seu testemunho firme do Cristo vivo é uma das grandes bênçãos para a Igreja e o mundo. O Senhor declarou que esses homens devem ser “testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo” (D&C 107:23). Acima de tudo, sua voz eleva-se em testemunho de Sua divindade e real existência. Seu testemunho, nascido do aprendizado como discípulos e temperado em sua ordenação, pode ter uma influência significativa sobre o que sentimos.

Seu testemunho é expresso de forma simples, permitindo que o Espírito Santo traga certeza a nosso coração. Por exemplo, podemos ouvi-los testificar com palavras semelhantes a estas: “Tão certo como eu sei que estou aqui e vocês estão aí, eu sei que Jesus é o Cristo. Ele vive!”8, ou “Tenho o conhecimento seguro de que Jesus é nosso divino Salvador, Redentor e o Filho de Deus o Pai. Sei que Ele é real por meio de uma percepção tão sagrada que não tenho como expressar em palavras”9.

Apesar de serem declarações incisivas, é a confirmação espiritual que as acompanha que arde em nosso coração e nos fortalece.

Explicando a função dos anjos, Mórmon ensinou:

“E o ofício de seu ministério (o ministério dos anjos) é (...) preparar o caminho entre os filhos dos homens, declarando a palavra de Cristo aos vasos escolhidos do Senhor, para que dêem testemunho dele.

E assim fazendo, o Senhor Deus prepara o caminho para que o resto dos homens tenham fé em Cristo, a fim de que o Espírito Santo tenha lugar no coração deles“ (Morôni 7:31–32).

A Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos são os vasos escolhidos do Senhor.

Nossa fé no Salvador cresce e desenvolve-se através das fases e estações de nossa vida. Pode haver momentos de dúvida ou desânimo quando nos sentimos como se estivéssemos envolvidos pela névoa de escuridão. Não subestimem o que cada um de nós pode obter do testemunho solene e seguro do Salvador que é prestado por Suas testemunhas especiais. Essa certeza, recebida em espírito de fé, vai-nos fortalecer em momentos de dificuldade e nos levará com passos firmes em direção à árvore da vida. Apeguem-se às palavras dos profetas. Ponderem-nas. Creiam nelas. Confiem nelas. Sigam-nas.

Deixem-me dar-lhes um exemplo. Um jovem amigo meu perdeu a filhinha em um acidente trágico. Nos meses seguintes, com a solidão, a tristeza, e perguntando-se “por quê?”, a dúvida começou a entrar em sua vida. Ele contou-me que não tinha mais certeza em que acreditar. Sugeri que nesse momento difícil ele deveria duvidar um pouco menos e confiar um pouco mais nas palavras do Salvador e dos vasos escolhidos do Senhor. Meu amigo “mergulhou” nas escrituras, nas promessas do Salvador e no testemunho valente dos profetas vivos. Ele apegou-se à barra de ferro. Com o passar do tempo, a escuridão dissipou-se, ele voltou a avistar a árvore e a partilhar do fruto precioso da Expiação.

Videntes

Em seguida, o que é um vidente? No Livro de Mórmon, Amon explicou o papel dos videntes ao rei Lími. “Um vidente, porém, pode saber tanto de coisas passadas como de coisas futuras; e por meio deles todas as coisas serão reveladas (...) e coisas ocultas virão à luz; e darão a conhecer coisas que não são conhecidas (...)” (Mosias 8:17).

Olhem esta linda foto:

O que vocês vêem? Não gostariam de dar um passeio de canoa nessas águas tranqüilas? Não parece atraente?

E se sua visão fosse ampliada e vissem isto?

O passeio de canoa seria bem diferente do que lhes pareceu no início.

Espiritualmente falando, os videntes têm a visão ampliada. Eles vêem o que algumas vezes não podemos ver. Suas palavras e conselhos ajudam-nos a ter a visão mais ampla. Se atendermos a seus conselhos, apegando-nos à barra de ferro, estaremos protegidos.

Deixem-me dar-lhes um exemplo. O Presidente Hinckley tem falado vigorosamente sobre as bênçãos do dízimo. Ele sempre fala disso às autoridades gerais. Ele disse:

“Podemos pagar o dízimo. Não é tanto uma questão de dinheiro, mas muito mais de fé (...)

Eu os aconselho, cada um de vocês, a atender à palavra do Senhor nesse assunto importante”.10

“Reiteramos a promessa do Senhor, feita nos tempos antigos por intermédio do profeta Malaquias, de que abrirá as janelas do céu sobre aqueles que forem honestos com Ele no pagamento dos dízimos e ofertas, e que as bênçãos prometidas serão tantas que não haverá lugar suficiente para recolhê-las “.11

No segundo semestre de 2001, três dos Doze estiveram no Brasil ao mesmo tempo e cada um deles falou sobre as promessas do pagamento honesto do dízimo. Alguns meses depois, uma jovem estudante universitária de São Paulo foi posta à prova. Ela trabalhava e freqüentava a faculdade. Ouçam suas palavras conforme contadas pelo Presidente Hinckley:

“Minha universidade tinha um regulamento que proibia a realização de provas por alunos que estivessem em atraso nas mensalidades. (...)

(...) Enfrentei sérias dificuldades financeiras. Era uma quinta-feira quando recebi meu salário. Ao calcular o orçamento mensal, notei que não haveria o suficiente para pagar o dízimo e a faculdade. Teria de escolher entre um e outro. As provas bimestrais começariam na semana seguinte e, se não as fizesse, poderia perder o ano escolar. Senti uma forte angústia (...) e o coração aflito. Estava diante de um doloroso impasse e não sabia qual decisão tomar.“

Por meio da oração, ela decidiu que iria confiar no Senhor e nas palavras dos profetas. No domingo, pagou o dízimo. No dia seguinte, tentou encontrar uma maneira de fazer as provas, mas não conseguiu encontrar uma solução. Então, ela explicou o que aconteceu.

“Já era final do expediente quando meu chefe se aproximou e transmitiu as últimas ordens do dia. Repentinamente, parou e (...) perguntou: ‘Como vai sua faculdade?’ [Fiquei] surpresa. A única coisa que consegui falar (...) foi: ‘Tudo bem!’ Ele me olhou pensativo e despediu-se.

Logo em seguida, [sua] secretária entrou na sala dizendo que eu era uma pessoa afortunada! Quando lhe perguntei o motivo (...) ela simplesmente respondeu: ‘O chefe acabou de comunicar que, a partir de hoje, o escritório vai pagar integralmente sua faculdade e seus livros. Antes de sair passe por minha mesa e informe os valores, pois amanhã mesmo lhe darei o cheque’.“

A estudante, então, disse o que sentiu: “Depois [que a secretária] se retirou, ajoelhei-me ali mesmo onde estava e agradeci ao Senhor por Sua generosidade. [Disse] ao Pai Celestial que não precisava abençoar-me tanto. Eu necessitava somente do valor de uma mensalidade, e o dízimo que havia pago no domingo era tão pequeno em comparação à quantia que estava recebendo!” Depois, contou o seguinte: “Durante aquela oração as palavras registradas em Malaquias [e tão freqüentemente declaradas pelos profetas e apóstolos] vieram-me à mente: ‘(...) fazei prova de mim (...) se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes’ (Malaquias 3:10)”.12

Obscurecida pela névoa de escuridão, a decisão era difícil; o resultado era incerto; mas ela apegou-se à barra de ferro. Sua fé no Senhor e em Seus profetas foi confirmada. Apesar de nem todas as experiências terem uma solução tão imediata, as promessas àqueles que honestamente guardam a lei do dízimo são absolutamente infalíveis.

Ouvi o Presidente Thomas S. Monson dizer a ex-missionários: “Existe uma maneira de permanecerem ativos na Igreja—sejam sempre honestos no pagamento do dízimo”. Que promessa maravilhosa!

Reveladores

Finalmente, revelador. A palavra “revelação” é a tradução da palavra grega apocalipse que significa o ato de “revelar” ou “descobrir”.13 Como reveladores, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos nos dão a conhecer as preocupações específicas do Senhor e o que precisamos fazer em relação a elas. Além disso, com tantas opções e decisões a nossa disposição, os reveladores ajudam-nos a direcionar a atenção para o que é mais importante em nossa jornada pela mortalidade. Eles nos ajudam a manter o foco.

Em agosto de 2005 o Presidente Hinckley convidou-nos a ler o Livro de Mórmon até o final daquele ano. Ele ajudou-nos a focalizar nosso tempo livre naquilo que o Senhor queria que fizéssemos. Como costuma acontecer com os convites dos profetas, o convite do Presidente Hinckley foi acompanhado de uma promessa que tenho certeza ser tão válida hoje quanto era quando ele a fez em agosto de 2005. Isto é o que ele disse: “Prometo-lhes sem reservas que, se seguirem esse programa simples, não importando quantas vezes tiverem lido o Livro de Mórmon antes, haverá em sua vida e em sua casa mais do Espírito do Senhor, uma determinação mais firme de obedecer a Seus mandamentos e um testemunho mais forte da realidade viva do Filho de Deus”.14

Não fomos abençoados exatamente como prometido pelo profeta?

Uma irmã da Ucrânia escreveu: “Todas as manhãs, pedi que o Espírito Santo (...) iluminasse minha vida. Aconteceu um milagre: O Livro de Mórmon novamente me revelou verdades do evangelho. Recebi respostas para dúvidas que tinha havia vários anos”. Um irmão da Alemanha escreveu: “Por ter estudado mais tempo a cada dia, compreendi coisas que não tinha compreendido antes. O Livro de Mórmon está realmente repleto de testemunhos de Jesus Cristo. Graças ao Espírito que senti, meu próprio testemunho a respeito do Redentor cresceu”.15 E que tal este comentário de uma jovem família de Utah: “Tínhamos dúvidas se nosso filho de quatro anos estava ouvindo (quando líamos o Livro de Mórmon), mas um dia, quando perguntamos por que seu quarto estava tão bagunçado, ele respondeu: ‘Alguém andou fazendo pilhagens aqui!’”. 16

Vejam outro exemplo do papel do revelador. O Presidente Hinckley os tem firmemente aconselhado, jovens adultos da Igreja, a obterem o máximo de instrução possível. Na conferência geral de outubro, disse: “Peço a sua atenção para outro assunto que muito me preocupa. Por meio de revelação, o Senhor deu a Seu povo o mandamento de adquirir o máximo de instrução possível. Ele foi muito claro quanto a isso”.17

Qual é a grande preocupação? O estudo. Quem tem sido bem claro a esse respeito? O Senhor. Quem lhes está revelando Sua vontade? O profeta. Sim, e ele está falando para vocês.

Se você vem de uma família com poucos recursos para a educação, pode sentir-se incerto quanto ao que isso significa para você. Quando se sentir inseguro, apegue-se à barra de ferro. Confie nas palavras do profeta. As respostas virão.

Em algumas partes do mundo, como nos Estados Unidos e na Europa, isso pode significar ter de vender o carro ou viver em condições mais humildes para matricular-se [na faculdade] ou voltar para a escola. Em outras partes do mundo, o sacrifício pode ser maior. Em alguns países o Fundo Perpétuo de Educação poderá ajudar. Em quase todos os casos isso vai requerer que tenham fé e confiança no Senhor e no profeta do Senhor—apegando-se à barra de ferro—enquanto trilha o caminho. Se não estiverem certos quanto a como seguir um conselho específico do profeta, orem com todo o coração e falem a respeito de seus temores com seus pais e o bispo. Apesar de requerer paciência e fé, prometo que as respostas virão e um caminho lhes será aberto.

Tenho visto jovens de fé na América Latina receberem respostas. Milhares estão apegando-se à barra de ferro, confiando no Presidente Hinckley e ampliando seu nível de educação.

Instrução profética flui de cada membro da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze Apóstolos, todos os quais apoiamos como profetas, videntes e reveladores. Se tivéssemos tempo, poderíamos rever os conselhos de cada um deles.

Deixe-me dar-lhes o exemplo do conselho de um dos Doze. Há quase dois anos, o Élder Dallin H. Oaks falou-lhes numa noite como esta de hoje. Vocês devem-se lembrar de que ele lhes prendeu a atenção quando levantou a questão de namorar em vez de apenas socializar. Ele disse: “Meus amigos solteiros, nós os aconselhamos a canalizarem suas associações com o sexo oposto em padrões de namoro que tenham o potencial de transformarem-se em casamento, não padrões de socialização que somente têm a perspectiva de se transformarem em times mistos de futebol.”18

Agora vem a pergunta importante: O que fizeram após suas palavras? Alguma coisa mudou? O Élder Henry B. Eyring avisou:

“Se não dermos ouvido ao conselho do profeta hoje, nossa capacidade de acatar conselhos inspirados no futuro será reduzida (...)

Todas as vezes que escolhi procrastinar a obediência a um conselho inspirado ou considerei-me uma exceção, descobri mais tarde que estivera caminhando em terreno perigoso. Todas as vezes que ouvi o conselho dos profetas, senti uma confirmação ao orar e o segui, percebi, depois, que havia caminhado em direção à segurança“.19

Como suas atitudes nesses dois anos mostram que vocês estão-se apegando à barra de ferro? Aqueles que responderam pronta e rapidamente ao conselho do Élder Oaks certamente receberam as bênçãos celestiais que se seguiram. Deixem-me ler algo escrito em uma carta enviada à sede da Igreja por um casal do Arizona pouco mais de um ano após seu discurso:

“Suas palavras tiveram um efeito duradouro em nossa vida (...)

Seu conselho direto e claro ajudou-nos a entender que o namoro seria uma oportunidade de conhecermos um ao outro melhor e não um compromisso imediato de um relacionamento longo ou casamento”. 20

O resultado foi que eles se casaram em maio no Templo de Washington D.C.

Gostaria de convidar minha esposa, Kathy, que ensinou esses princípios tão bem à nossa família, para falar de seus sentimentos sobre a importância das palavras dos profetas.

Palavras da Irmã Kathy Andersen

Caros, irmãos e irmãs, tenho uma experiência de 20 anos atrás que causou uma profunda impressão em mim. Vivíamos na Flórida. Tínhamos levado as crianças conosco à sede da estaca para assistirmos à conferencia geral juntos. Pouco tempo depois recebemos pelo correio a revista Ensign com os discursos da conferência. Resolvemos que todas as semanas na noite familiar estudaríamos um discurso de um membro da Primeira Presidência ou do Quórum dos Doze Apóstolos.

Nossos filhos ainda eram crianças, mas já sabiam ler e queríamos que cada membro da família tivesse uma cópia dos discursos para que pudéssemos ler, estudar e marcá-los juntos. Na Flórida não havia loja onde pudéssemos comprar exemplares extras da Ensign, então peguei a revista que recebemos pelo correio e fui a uma papelaria para fazer cópias dos discursos para toda a família.

Quando terminei, a moça do caixa calculou o preço das cópias que eu fizera e anunciou que eu devia US$50, aproximadamente. Fico envergonhada em dizer que me senti um pouco arrependida e pensei: “Isto é muito dinheiro para fazer essas cópias para nossos filhos”. Aí, irmãos e irmãs, este pensamento penetrou meu coração: “Quanto vale para você e sua família ter as palavras dos profetas de Deus?”

Eu soube então e sei com uma certeza ainda maior agora que isso vale tudo para mim e para nossa família. Elas valem tudo para vocês e suas famílias no futuro. Disso presto meu testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

“Como de Minha Própria Boca”

Que bênção maravilhosa é ser casado com alguém que tem uma fé pura e invariável. Amo você, Kathy, e sou grato por tê-la comigo.

Dentro de um mês teremos a oportunidade de participar da conferência geral da Igreja e ouvir as mensagens dos homens de quem falamos nesta noite. A conferência geral é o momento de pararmos o que estamos fazendo para ouvirmos os servos do Senhor e, em espírito de oração, traçarmos nosso curso para os meses seguintes. Por favor, considerem estas perguntas:

• Já marquei a data da conferência geral no calendário para poder assistir a cada uma das sessões que estiverem disponíveis?
• Como me prepararei durante o próximo mês de forma a estar espiritualmente pronto para receber as mensagens?

E ao término da conferência geral podemos nos perguntar:

• Que impressões específicas vieram a mim durante a conferência?
• Que mudanças deverei fazer em minha vida?

A barra de ferro é a palavra de Deus. As escrituras, as palavras dos profetas vivos e o dom do Espírito Santo são poderosos em sua capacidade de nos manterem seguros. Apeguemo-nos às palavras dos profetas. Apeguemo-nos à barra de ferro.

Gostaria de encerrar com uma experiência pessoal que tivemos em março de 2000, a irmã Andersen e eu fomos convidados para assistir à dedicação do templo em Albuquerque, Novo México. Eu sabia que seria convidado para falar e que deveria ser breve.

Entramos na sala celestial vestidos de branco. O Presidente Hinckley sentou-se na cadeira do meio, com um membro dos Doze a sua direita e eu a sua esquerda. Enquanto aguardávamos reverentemente a primeira sessão, senti uma impressão clara e específica de que deveria fazer alguns ajustes nas palavras que havia preparado. A impressão era: “Fale das chaves. Fale das chaves”.

Rapidamente abri as escrituras para localizar a passagem que explica que as chaves do sacerdócio retornaram à Terra. Então—e lembro-me disso como se fosse ontem—uma forte impressão espiritual veio-me à mente e ao coração. O sentimento que ardia em meu peito era: “Esse que se assenta a seu lado é aquele que porta todas as chaves do sacerdócio na Terra. Esse que se assenta a seu lado é aquele que porta todas as chaves do sacerdócio na Terra”.

Respirei profundamente e olhei para o Presidente Hinckley. Não podia negar a forte manifestação do Espírito. Pensei na escritura:

“Pois suas palavras recebereis como de minha própria boca (...).

Porque, assim fazendo, as portas do inferno não prevalecerão contra vós; sim, e o Senhor Deus afastará de vós os poderes das trevas e fará tremerem os céus para o vosso bem (...)“ (D&C 21:5–6).

Deus, nosso Pai Celestial, vive e nos ama. Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo é nosso Salvador. Ele ressuscitou. Ele vive. Juntos, apareceram ao Profeta Joseph Smith. O Presidente Gordon B. Hinckley é o profeta ungido do Senhor em nossos dias, investido de todas as chaves do sacerdócio na Terra. Isso testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.

NOTAS

1. Ver o discurso do devocional da Universidade Brigham Young do dia 16 de janeiro de 2007. O discurso do Presidente Packer “Lehi’s Dream and You” encontra-se na internet em speeches.byu.edu.

2. Um Reservatório de Água Viva, serão do SEI para jovens adultos, 4 de fevereiro de 2007, p. 6.

3. “The Iron Rod”, Hymns, nº 274.

4. Um Reservatório de Água Viva, p. 7.

5. Lehi’s Dream and You, pp. 3–4.

6. Gospel Truth, org. Jarreld L. Newquist, 2 vols., 1974, vol. 1, p. 323. A respeito da importância dos profetas vivos, o Presidente Wilford Woodruff, quarto Presidente da Igreja, disse: “Mesmo que tivéssemos diante de nós todas as revelações que Deus já concedeu ao homem; mesmo que tivéssemos o Livro de Enoque, as placas não traduzidas perante nós no idioma inglês, os registros de João, o Revelador, que foram selados e todas as demais revelações, e mesmo que eles formassem uma pilha de mais de trinta metros de altura, a Igreja e o reino de Deus não poderiam crescer, nesta e em nenhuma outra época do mundo, sem os oráculos vivos de Deus” (Discourses of Wilford Woodruff, org. Homer Durham, 1946, pp. 53).

7. Boyd K. Packer, A Liahona, janeiro de 1997, p. 6.

8. Boyd K. Packer, A Liahona, julho de 2000, p. 10.

9. James E. Faust, Conference Report, abril de 1995, p.83; Ensign, maio de 1995, p. 63.

10. Conference Report, outubro de 1985, p. 110; Ensign, novembro de 1985, p. 85.

11. Gordon B. Hinkley, Conference Report, abril de 1984, p. 69; Ensign, maio de 1984, p. 47.

12. A Liahona, julho de 2002, p. 80.

13. “Apocalipse do Apóstolo João”, Guia para Estudo das Escrituras, p.19.

14. “Um Testemunho Vibrante e Verdadeiro” A Liahona, agosto de 2005, p. 6.

15. “Algo Admirável: Testemunho das Bênçãos”, A Liahona, dezembro de 2006, p. 37.

16. “[Aceitar o Desafio]“, A Liahona, dezembro de 2006, p. 34.

17. A Liahona, novembro de 2006, p. 59.

18. A Dedicação de Toda uma Vida, (serão do SEI para jovens adultos, 1° de maio de 2005) pp. 5–6.

19. A Liahona, julho de 1997, p. 28.

20. Carta datada de 19 de novembro de 2006.

 
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