Oração
Irmã Cheryl C. Lant
Presidente Geral da Primária
Serão do SEI para Jovens Adultos • 9 de setembro de 2007 • Universidade Brigham Young
Gostaria de começar nossa discussão esta noite analisando uma história com a qual todos estamos familiarizados. É a respeito de um rapaz que morava numa grande cidade. Sob muitos aspectos, era parecida com a cidade em que moramos agora. Era apinhada e barulhenta, cheia de pessoas que se ocupavam com atividades diárias de trabalho e diversão — pessoas que se sentiam frustradas e estressadas por tentarem manter o tipo de vida que as cercava. Era uma cidade cheia de tentações. Havia muitas vozes que clamavam por sua atenção — vozes que o convidavam a entregar-se a desejos egoístas por coisas, poder, fama e prazer; vozes que o incentivavam a trapacear um pouco aqui, um pouco ali, vozes que zombavam dele e o incitavam para que se unisse a elas, porque todos estavam fazendo isso.
Esse jovem tinha muitas escolhas a fazer. Ele tinha família — uma família que era provavelmente como muitas de nossas famílias. Era uma família que tinha tanto pontos fortes quanto fracos. Seus pais eram boas pessoas, que levavam a sério sua responsabilidade de ensinar princípios corretos aos filhos e queriam que os filhos seguissem o Senhor. Eram pais que provavelmente cometiam erros, de vez em quando, em sua tentativa de serem bem-sucedidos. O pai era um líder do sacerdócio. Ele era diligente no cumprimento de suas responsabilidades com a família e a Igreja. Alguns dos filhos eram respeitosos e obedientes. Os outros queriam seguir as próprias idéias e vontades — assim como em nossa família.
Esse rapaz era como vocês, jovens, que estão aqui esta noite. Ele era inteligente, sério, respeitoso, diligente e obediente. Amava os pais e a família, e amava o Senhor. Queria fazer as escolhas certas. Como a maioria de vocês, escutava o pai. Mas era difícil. E à medida que o tempo passava, tornava-se cada vez mais difícil. As palavras do pai o separavam de seus amigos e do mundo que o cercava. Ele queria e precisava saber por si mesmo se as coisas que o pai lhe ensinava eram verdadeiras.
Lemos nas escrituras como ele agiu e o que aconteceu: “(...) tendo (...) grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera.” (1 Néfi 2:16)
Confrontado por decisões que mudariam sua vida, esse rapaz voltou-se, humildemente, para seu Pai Celestial em oração e recebeu resposta. O nome desse rapaz era Néfi.
Néfi tinha uma escolha a fazer na vida. Era muito semelhante às escolhas que todos nós temos de fazer em nossa vida, todos os dias. Muito embora nosso mundo possa parecer muito diferente do dele, as influências que o puxavam eram muito semelhantes às influências que sofremos. Ele teve de escolher entre as coisas do mundo e as coisas do Senhor. Temos os mesmos tipos de escolhas todos os dias. Néfi decidiu colocar a mente e a vontade nas mãos do Senhor. Ele decidiu buscar, em oração, a única fonte verdadeira de verdade e retidão; decidiu escutar as respostas que o Senhor lhe deu e decidiu obedecer. Esse simples ato da oração não apenas abriu as portas para uma grande vida de oportunidades e bênçãos para Néfi, mas também serve como exemplo para nós, em nossa vida, hoje.
O próprio Néfi ensinou em 1 Néfi 19:23 que devemos “[aplicar] todas as escrituras a nós, para nosso proveito e instrução”. Então, esta noite vamos falar a respeito do grande princípio do evangelho que foi demonstrado por Néfi: vamos conversar a respeito da oração. Vamos consultar as escrituras e os profetas para compreendê-la. Vamos “aplicar” esses ensinamentos a nossa vida.
Ao fazê-lo, pensem sobre a oração em sua vida e, sincera e seriamente, pensem nas respostas a algumas das perguntas que farei. Perguntas como: Sobre o que deveria orar em minha vida? Quando e como posso orar? Quando oro, eu o faço com intensidade e fé? Sinto que minhas orações são ouvidas? Acredito realmente que o Senhor me responderá? Entendo como as respostas às orações chegam? Reconheço e aceito as respostas — mesmo que elas não sejam as que quero ouvir? Entendo o que significa aguardar pacientemente no Senhor? Oro com real intenção, regulando assim minha vida de acordo com as respostas que recebo? Sigo em frente e ajo de acordo com as respostas que recebo?
Antes de responder a essas perguntas, falemos sobre o princípio da oração. A oração é simplesmente o processo pelo qual somos capazes de nos comunicar com nosso Pai Celestial. E é uma comunicação de mão dupla. O Élder Scott nos ensina que a oração é “um dom celestial de nosso Pai no Céu para toda alma” (Conference Report, março/abril de 2007, p. 5; ou Ensign, maio de 2007, p. 8). Não importa quem somos, onde estamos ou quais são as nossas necessidades: não estamos sozinhos. Temos um Pai amoroso no céu, que Se pôs a nossa disposição se apenas nos voltarmos para Ele.
A oração faz muitas coisas. A oração é uma das maneiras pelas quais podemos expressar gratidão. Ela traz consolo e paz. É por meio da oração que podemos receber um testemunho. Ela nos ajuda a colocar nossos sentimentos e pensamentos em ordem, à medida que expressamos nossas preocupações e desejos ao Pai. Pode dar-nos respostas específicas. Nossa mente pode ser iluminada porque a revelação nos chega por meio da oração pessoal. Na oração é onde o arrependimento se inicia; é por meio da oração que podemos saber que fomos perdoados, e a oração pode ajudar-nos a perdoar a nós mesmos e aos outros. A oração pode ajudar-nos a encontrar a direção, e pode orientar nossa tomada de decisões.
Podemos receber ajuda de modo muito específico. É por meio da oração que podemos encontrar força, tanto espiritual quanto física. A oração pode servir de proteção contra todas as fontes de perigo e do mal. Podemos ter acesso a todo dom espiritual, se pedirmos em sincera oração. Encontramos respostas para todas as perguntas da vida, se pedirmos em oração. E sei que existem poderes de cura na oração — cura em termos de necessidades físicas e cura do espírito.
A oração envolve o indivíduo — vocês e eu — e também envolve toda a Trindade. Os três membros da Trindade estão envolvidos desta forma: quando oramos ao nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, que é nosso advogado, as respostas vêm de nosso Pai, por meio do Espírito Santo. É por meio do Espírito Santo que sentimos o amor do Pai e do Filho.
Quero que saibam que eu sei que esses princípios relacionados à oração são verdadeiros. Encontramos esses princípios ensinados nas escrituras e nas palavras dos Profetas. Tenho um testemunho pessoal do poder da oração porque experimentei muitas das bênçãos das orações em minha vida. Mas o que quero realmente falar esta noite é sobre como se sentem a respeito da oração em sua vida — como a usam para acessar os poderes do céu. A fim de fazê-lo, voltemos àquelas perguntas originais.
Sobre o que Devo Orar em Minha Vida?
A primeira pergunta é: Sobre o que devo orar em minha vida?
Pensem sobre como está sua vida agora. Preocupam-se a respeito das coisas? Algumas vezes sentem-se assoberbados e confusos? Tenho certeza de que existem desafios e preocupações. Quais são eles? No Livro de Mórmon, Alma ensina a respeito de algumas coisas sobre as quais devemos orar. Ao lermos as escrituras juntos, tenham em mente as coisas específicas nelas mencionadas (Alma 34:17–26):
“Portanto permita Deus, meus irmãos, que comeceis a exercer vossa fé para o arrependimento, que comeceis a invocar seu santo nome, para que tenha misericórdia de vós.
Sim, clamai a ele por misericórdia, porque ele é poderoso para salvar.
Sim, humilhai-vos e continuai em oração a ele.
Clamai a ele quando estiverdes em vossos campos, sim, por todos os vossos rebanhos.
Clamai a ele em vossa casa, tanto de manhã como ao meio-dia e à noite.
Sim, clamai a ele contra o poder de vossos inimigos.
Sim, clamai a ele contra o diabo, que é o inimigo de toda retidão.
Clamai a ele pelas colheitas de vossos campos, a fim de que, por meio delas, prospereis.
Clamai pelos rebanhos de vossos campos, para que aumentem.
Mas isso não é tudo; deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos.”
Isso sugere algumas coisas sobre as quais podemos orar? Para mim, parece sugerir que precisamos orar sobre todas as coisas.
Alma orou por misericórdia para que fosse salvo. Estava pedindo que a Expiação tivesse efeito em sua vida. Ele estava se arrependendo. Orou por sua família, suas posses, sua prosperidade. Pediu proteção contra Satanás e a tentação. Acho que quando lhe foi dito que orasse em seus aposentos e em seus lugares secretos e em seus desertos, o Senhor não estava Se referindo apenas a lugares onde [Alma] poderia orar. Acredito que dizia a ele também que fosse aos lugares secretos de seu coração e de sua vida e orasse por todas as suas dificuldades e fraquezas pessoais.
Se aplicarmos as escrituras a nossa própria vida, poderemos encontrar muitas coisas sobre as quais orar. Pois vocês poderiam incluir coisas como: o trabalho escolar; encontrar uma profissão; como conhecer e encontrar um companheiro eterno digno? E que tal: pelo início de sua família e por seu lar, sua saúde e sua dignidade pessoal? E a respeito de: seu testemunho pessoal, seu desejo de saber como poderia servi-Lo, sua necessidade de arrepender-se, sua necessidade de ser fortalecido contra a tentação? Isso sugere orar para que o Espírito Santo o guie em todas as coisas?
Quando oramos, precisamos ser cuidadosos para não apenas orar pelas coisas que queremos. Precisamos compreender que devemos orar pelas coisas que o Senhor deseja, porque é melhor e mais correto para nós. Ao fazê-lo, estamos, em essência, entregando nossa vida a Ele. Estamos dizendo: “Não posso fazer isso sozinho. Não quero fazer isso por conta própria. Farei do Teu modo”.
Quando e Como Posso Orar?
Isso nos leva à segunda pergunta: Quando e como posso orar?
Naturalmente, fazemos orações regulares como nos foi ensinado: orações pessoais à noite e de manhã. Temos orações familiares e orações que fazem parte de nossas reuniões. Essas são as primeiras orações que aprendemos a fazer. Se não formos cuidadosos, elas podem tornar-se rotineiras e até mesmo repetitivas.
Quantas vezes fazemos a oração pela manhã e levantamos e saímos rapidamente de casa — sem sequer pensarmos no que acabamos de fazer? Quantas vezes dormimos, enquanto fazemos nossa oração à noite, ou mesmo deixamos de fazê-la porque estamos cansados demais? Quando pensamos em com Quem estamos falando ao orar, no quanto Ele tem feito por nós e quão dependentes somos Dele, isso nos oferece uma pausa para pensar. Despender algum tempo ponderando ao orar dará ao Espírito a oportunidade de falar a nós.
As orações familiares podem ter grande influência. Elas podem unir os membros da família, fortalecendo-os nos momentos difíceis. Elas podem proteger-nos. Podem trazer-nos consolo e paz. Quando nossos filhos estavam no campo missionário, costumávamos calcular a diferença entre o horário de casa e o da missão, e depois calcular o horário em que faríamos nossa oração familiar em casa, para que eles soubessem exatamente quando estaríamos orando por eles. Vários deles diziam que sentiam essas orações e que eram fortalecidos por elas de maneiras específicas, no exato momento em que eram necessárias.
Mas é-nos ensinado nas escrituras que essas orações formais não são o único meio de que dispomos para nos achegar ao Pai Celestial. Novamente citando Alma 34:27, lemos: “Sim, e quando não clamardes ao Senhor, deixai que se encha o vosso coração, voltado continuamente para ele em oração pelo vosso bem-estar (...)”.
Sempre podemos ter uma prece no coração. O que isso significa?
Acho que é uma atitude de nossa alma elevar-se ao céu — ao Pai Celestial. É um sentimento passageiro, mas intenso de: “Obrigado”, “Por favor, me ajude”, “Qual é a melhor coisa para eu fazer?”, “O que devo dizer?”, “Sinto muito”. É o anseio por consolo, força e orientação, quando se está em meio a uma situação. É o sentimento de contentamento e alegria por algo lindo. É o reconhecimento do Espírito Santo agindo em sua vida. É abrir nosso coração à comunicação contínua. Esse tipo de oração pode ser mais ou menos constante e depende de nós. Nós a controlamos com nossas atividades, nosso ambiente e a condição de nosso coração.
Quais são algumas das coisas que podem impedir que isso ocorra? Música alta e constante, mesmo que seja boa música, pode tornar-se o ruído que reprime uma prece antes mesmo que ela se forme em nossa mente. Cercar-se com caos, desordem e confusão pode sufocar o espírito. Tornar-se ocupado demais e estressado pela vida diária pode desviar nossa mente do céu. Permitir que estejamos em lugares onde sabemos que o espírito não pode habitar obstruirá nossas orações. Permitir que imagens impróprias e feias entrem em nossa mente por meio de coisas que vemos na Internet, em filmes, na televisão ou pela leitura, destruirá nossa conexão com o céu. Ficar zangado, irritado ou aborrecido com outras pessoas pode obstruir o nosso coração.
“Mas”, vocês dirão: “essas coisas são parte da nossa vida diária, como podemos evitá-las?” Creio que essas coisas poderão tornar-se parte de nossa vida diária se o permitirmos. Estamos no controle — ou pelo menos podemos estar no controle.
É muito importante que consideremos nossa vida e o que precisamos fazer para nos qualificar para as bênçãos do céu. Saberemos quão próximo o céu está, quando nos elevarmos para alcançá-lo. E o simples fato de nos elevarmos pode ajudar-nos a colocar nossa vida em equilíbrio com as coisas do espírito. Quanto mais perto estivermos do Espírito, mais o nosso coração se abrirá e fluirá para o nosso Pai no Céu. Para mim, a oração do coração me mantém mais perto do Senhor do que qualquer coisa que eu faça. E eu posso fazer isso em qualquer lugar e a qualquer hora. É uma corda salva-vidas para mim.
Quando Oro, Faço-o com Intensidade e Fé?
Nossa próxima pergunta é: Quando oro, faço-o com intensidade e fé?
Abram novamente Alma 34. Toda essa passagem de escritura indica que precisamos ter tanto intensidade quanto fé. Observem as palavras: “exercer vossa fé”, “invocar seu santo nome”, “clamai por ele”, “abrir vossa alma”, “[voltar-se] em oração”. Isso é bem mais que uma oração rotineira feita às pressas.
Todas as orações precisam vir de dentro da mente e do coração. Como deve ser ofensivo ao Senhor, que nos ofereceu tanto, que está pronto a dar-nos todas as bênçãos que forem para o nosso “bem-estar”, que nos apressemos em nossas orações, ou que durmamos enquanto as fazemos, ou que deixemos nossa mente vagar, ou usemos palavras informais ou desrespeitosas — que usemos palavras tais como você e seu, em vez de Tu e Teu. Com que freqüência nos esquecemos Dele completamente, até que tenhamos uma necessidade urgente?
Às vezes, nossas orações são uma súplica urgente por ajuda. Lembro-me de uma oração que fiz quando meu filho de três anos havia desaparecido. Ele estava brincando com outras crianças em nosso jardim. Eu havia tirado os olhos momentaneamente dele para olhar o bebê. Mas, de repente, ele desapareceu.
Fiz imediatamente uma oração desesperada pedindo ajuda. Um pensamento veio a minha mente, de que ele estava na piscina de um conjunto de apartamentos a uns três quarteirões de distância.
Ele nunca havia ido àquela piscina. Nunca esteve naqueles apartamentos. A piscina ficava dentro de um edifício e ficava sempre trancada. Ele nem sabia que ela existia. Mas o sentimento era forte.
Correndo, chamei meu filho de dez anos de idade, que estava em sua bicicleta, e mandei-o ir até a piscina o mais rápido possível. Quando ele chegou lá, encontrou o irmãozinho e outro garotinho da mesma idade, que conhecia a piscina, entrando na parte rasa dela. Eles estavam vestidos e calçados — e não havia mais ninguém na área.
Algumas orações são intensas e precisam de resposta imediata! Ainda bem que nem todas as orações são assim. Se formos ao Senhor em oração de forma consistente, Ele estará lá quando precisarmos Dele com urgência.
Orar com intensidade indica ter fé em que a oração será respondida. A fé é simples e inocente para alguns de nós. Pode ter nascido do amor, ou do fato de nunca tê-la colocado à prova. Para a maioria de nós a fé é algo pelo qual precisamos trabalhar constantemente. Podemos conseguir muita fé por meio de uma única experiência, mas na próxima vez em que a fé for testada, pode ser que tenhamos de começar tudo de novo para realmente confiar no Senhor. Mas prometo-lhes que, se orarem acreditando que o Pai Celestial está a seu lado, que Ele os ama e que pode responder a suas orações, sua fé crescerá e se tornará mais forte e você será capaz de chegar a um ponto de sua vida em que saberá que essas coisas são verdadeiras. Crer é o princípio da fé.
Eu Realmente Acredito que Minhas Orações São Ouvidas e que o Pai Celestial Me Responderá?
Pergunta seguinte: Eu realmente acredito que minhas orações são ouvidas e que o Pai Celestial me responderá?
Deixem-me contar-lhes a respeito da oração de um garotinho. O nome dele é Brayden. Ele era muito pequeno — cinco ou seis anos de idade. Ele estava lendo o Livro de Mórmon com a família. A família lia alguns versículos por dia e, depois, faziam a oração em família.
Certo dia leram o versículo de Morôni 10:4: “E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo”.
Era a vez do Brayden orar naquele dia. Ele começou a oração como sempre, utilizando as palavras de sempre, mas então disse algo diferente. Ele disse: “Pai Celestial, o Livro de Mórmon é verdadeiro?” E ficou em silêncio.
Ele parou por tanto tempo que o pai deu uma olhada para ver se ele precisava de ajuda para terminar a oração. Mas ele não precisava de nenhuma ajuda. Ele encerrou dizendo simplesmente: “Obrigado, Pai Celestial” e encerrou a oração. O Espírito entrou naquele lar e prestou testemunho, a toda a família, da veracidade das escrituras. Sua oração foi uma oração repleta de uma fé simples e bela.
Vocês são filhos de Deus, assim como o Brayden. Vocês têm grande valor para Ele. Ele nos ordena repetidamente nas escrituras para “[orarmos] sempre”. Ele providenciou a Expiação para levar-nos de volta para casa. Por que Ele não responderia a suas orações? Ele responderá, prometo que Ele o fará! Mas talvez não seja o Senhor que queiramos questionar. Talvez queiramos questionar a nossa própria dignidade. Talvez o que nos faça questionar seja a nossa falta de entendimento sobre como Deus responde a nossas orações.
Para melhor explicar como o Pai Celestial responde as nossas orações, juntemos essa pergunta às três perguntas seguintes, que são:
Será que eu entendo como é que nos chegam as respostas às orações?
Reconheço e aceito as respostas, mesmo que elas não sejam exatamente as que quero ouvir?
Entendo o que significa aguardar pacientemente no Senhor?
Quando nos qualificamos por meio da dignidade pessoal, o Pai Celestial sempre responde a nossas orações. Notem a palavra: qualificar. Temos de nos esforçar muito para sermos dignos das bênçãos do Senhor.
O Presidente Harold B. Lee disse: “Se quiserem uma bênção, não se ajoelhem simplesmente e orem a respeito dela. Preparem-se de todas as maneiras possíveis e imagináveis a fim de tornarem-se dignos de receber a bênção que buscam” (Stand Ye in Holy Places, [1974], p. 244).
Temos de estar próximos do Espírito para saber pelo que orar e ser capazes de discernir Suas respostas. Mas isso não significa que temos de ser perfeitos ou quase perfeitos a fim de orar e obter respostas. Isso ocorre porque a oração é uma das formas pelas quais podemos nos arrepender e pelas quais podemos nos tornar perfeitos.
O Pai Celestial não apenas responde a nossas orações, mas Ele sempre as responde da maneira que nos abençoará eternamente. Esse é um princípio absolutamente verdadeiro. Mas há muitas maneiras de termos nossas orações respondidas. Ele pode dizer: sim. Ele pode dizer: não. Ele pode dizer: agora, não. Às vezes, sentimos que Ele não nos está respondendo de modo algum, porque não conseguimos discernir a resposta. Precisamos confiar no Senhor, confiar no momento do Senhor. Precisamos aprender a reconhecer as respostas quando elas chegarem.
Algumas respostas vêm aos pouquinhos, para fortalecer nossa fé. O Élder Dallin H. Oaks disse: “Não podemos forçar as coisas espirituais. Deve ser assim. O propósito de nossa vida, de obter experiência e desenvolver a fé, seria frustrado caso [o] Pai Celestial esclarecesse imediatamente cada pergunta ou nos orientasse em cada ação” (The Lord’s Way, Dallin H. Oaks, p. 36).
Algumas respostas já nos foram dadas, e o Senhor confia que agiremos de acordo com elas. Às vezes, perguntamos a respeito de duas coisas igualmente boas, e o Senhor nos dá a chance de usarmos o poder do arbítrio que Ele nos concedeu.
Talvez, em nosso desejo premente de receber uma resposta específica a uma oração, não estejamos dispostos a colocar nossa vida nas mãos do Senhor e aceitar a resposta que nos é dada. Queremos o que queremos, e queremos agora!
Talvez nosso problema repouse em não reconhecer de que maneira recebemos as respostas. Sabemos que algumas orações são respondidas de forma espetacular, tal como foi a Primeira Visão de Joseph Smith, mas freqüentemente as respostas vêm de forma mais silenciosa. Em D&C 8:2–3 lemos, a respeito de como o Senhor responde às orações:
“Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração.
Ora, eis que este é o espírito de revelação (...).”
A primeira forma mencionada é em nossa “mente”. Essas respostas nos chegam por meio da voz suave e mansa do Espírito Santo, sob forma de pensamentos, idéias — conhecimento. Elas podem ser lampejos de inspiração que reconhecemos imediatamente, ou podem ser idéias que temos e com as quais nos ocupamos e desenvolvemos com o passar do tempo. Elas são normalmente acompanhadas de um sentimento bom.
A segunda forma é em nosso “coração”. Ela tem a ver mais com nossos sentimentos. Talvez tenhamos sentimentos negativos e confusos que nos advertem que a resposta é não. Ou os sentimentos podem ser doces, mansos, pacíficos e confortantes. Esses tipos de sentimentos nos fazem saber que a resposta é sim. Eles são, algumas vezes, semelhantes a uma sensação intensa de calor, ou o sentimento é muito sutil.
Os princípios-chave aqui correspondem ao que nos foi ordenado, isto é, a orar a nosso Pai Celestial. Ele ouve toda oração. Ele responderá a nossa oração com o que for melhor para nós. Quando soubermos disso desde o fundo de nosso coração, não ficaremos desanimados nem nos afastaremos Dele. Quando não reconhecermos as respostas imediatamente, permaneceremos fiéis e constantes — orando continuamente para descobrir Seus caminhos. O espírito pode ajudar-nos, e nós aprenderemos a discernir como as respostas nos chegam e quais são essas respostas. Isso pode ser diferente para cada pessoa, e diferente até em cada experiência. Sei que ao nos qualificar para ter o Espírito Santo conosco constantemente, poderemos ver com mais clareza e entendimento as respostas a nossas orações.
Prossigo e Ajo de Acordo?
Nossa última pergunta é: Organizo minha vida de acordo com as respostas que recebo em minhas orações? Prossigo e ajo de acordo com elas?
Sei que o Senhor ouve e responde às orações. Mas também acredito que, se orarmos continuamente e depois nos recusarmos a escutar e a seguir, Ele não será tão acessível a nós no futuro. Em D&C 101:7–8 lemos:
“Foram vagarosos em atender à voz do Senhor seu Deus; portanto o Senhor seu Deus é vagaroso em atender a suas orações, em responder-lhes no dia de suas tribulações.
No dia de sua paz, trataram com leviandade meus conselhos; mas, no dia de suas tribulações, buscaram-me por necessidade.”
Quando recebemos respostas do Senhor, precisamos prosseguir com fé e confiança. Não acredito que Ele Se sinta feliz quando continuamente procuramos outra resposta, quando já recebemos uma. Precisamos nos lembrar daquilo que Ele nos respondeu e precisamos agir com fé.
Já Se Sentiram sem Vontade de Orar?
Agora, se me perdoarem, quero fazer mais uma pergunta. Já se sentiram sem vontade de orar?
Em 2 Néfi 32:8, lemos: “(...) Porque, se désseis ouvidos ao Espírito que ensina o homem a orar, saberíeis que deveis orar; porque o espírito mau não ensina o homem a orar, mas ensina-lhe que não deve orar”.
O Presidente Brigham Young nos ensinou: “Não importa se sentem ou não vontade de orar: quando chegar o momento de orar, orem. Se não sentirmos vontade de fazê-lo, devemos orar até que a vontade chegue!” (Discourses of Brigham Young, p. 44)
Meus queridos jovens irmãos e irmãs, vocês estão no início de sua vida. É um novo ano escolar, um período de novas experiências, novos relacionamentos — talvez de relacionamentos eternos. Vocês estão iniciando sua vida de muitas maneiras. Há muitas decisões a serem tomadas no futuro. No que se refere a essas decisões, o Pai Celestial espera muito de nós. Ele espera que façamos tudo o que pudermos — para pensar, para trabalhar e para expandir nossa habilidade. Mas se estivermos dispostos a fazer tudo a Sua maneira, colocando nossa vida em Suas mãos, será muito mais fácil. E o faremos do jeito certo.
No Guia para Estudo das Escrituras aprendemos (p. 158): “O propósito da oração não é o de alterar a vontade de Deus, mas de obtermos para nós mesmos e para os outros as bênçãos que Deus já está disposto a conceder, mas que devemos pedir para obter”.
Tudo o que temos de fazer é nos voltarmos humildemente para Ele e pedir; depois, escutar e obedecer. Resumindo: a vida simplesmente não precisa ser tão dura quanto às vezes a tornamos. Em 3 Néfi 18:18–20, lemos:
“Eis que em verdade, em verdade vos digo que deveis vigiar e orar sempre para não cairdes em tentação; porque Satanás deseja ter-vos para vos peneirar como trigo.
Portanto deveis sempre orar ao Pai em meu nome.
E tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado.”
Sigamos o exemplo de Néfi. Voltemo-nos a nosso Pai no Céu, em humilde oração. Que recebamos as bênçãos incalculáveis que Ele reservou apenas para nós e para nossa família.
Sei que Deus vive. Jesus Cristo vive. Eles conhecem cada um de nós. Eles amam cada um de nós. Eles esperam por nós. Que respondamos logo, voltando-nos a Eles em humilde oração. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
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