Família Celebra o Legado de Antepassado Que Reservou — e Depois Cancelou — Passagem no Titanic

  Enviado por Melissa Merrill, Notícias e Acontecimentos da Igreja

  • 6 Abril 2012

Em 1912, dias antes de embarcar para os Estados Unidos a bordo do Titanic, o Élder Alma Sonne — que viria a se tornar assistente do Quórum dos Doze Apóstolos — comprou um anel para comemorar a conclusão de sua missão na Inglaterra. Hoje, esse anel serve como uma lembrança à família de Alma da fé de seu antepassado. Fotografia: David Evans.

“Apesar de todas as maravilhas sobre o Titanic, o que trouxe a salvação ao Élder Sonne e seus amigos foi o relacionamento entre eles. Foi uma questão de caráter e espírito assim como ainda deve ser hoje. Isso me leva a ser cuidadoso com o resultado até mesmo de pequenos atos e palavras que afetam outras pessoas (e a mim mesmo). Pequenas decisões podem não ter consequências pequenas” — Alan Sonne, neto do Élder Alma Sonne.

Nesta semana, as pessoas de todo o mundo vão lembrar-se dos viajantes a bordo do fracassado RMS Titanic, o navio que, em sua viagem inaugural de Southampton, Inglaterra à cidade de Nova York, Estados Unidos, desastrosamente atingiu um iceberg em 14 de abril de 1912 e afundou bem cedo na manhã seguinte, resultando na morte de mais de 1.500 passageiros.

Como o mundo marca o 100º aniversário desse trágico acontecimento, os descendentes de Alma Sonne — um antigo assistente do Quórum dos Doze Apóstolos — também se lembrarão do legado de fé que seu antepassado deixou por não embarcar no Titanic.

História de Alma Sonne

O Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze Apóstolos — que era membro da Estaca Logan, Utah, na qual Alma Sonne posteriormente serviu como Presidente de Estaca — contou a história de Alma na conferência geral de outubro de 2011da seguinte maneira:

“Quando Alma era jovem, tinha um amigo, de nome Fred, que era menos ativo na Igreja. Eles tiveram inúmeras conversas sobre a decisão de servir missão e, por fim, Alma Sonne convenceu Fred a preparar-se e a servir. Ambos foram chamados para a Missão Britânica. No término da missão deles, o Élder Sonne, que era o secretário da missão, fez os arranjos de viagem para o regresso deles aos Estados Unidos. Ele reservou uma passagem no Titanic para si mesmo, para Fred e para outros quatro missionários que também tinham terminado sua missão.

Quando chegou a hora de viajar, por algum motivo, Fred se atrasou. O Élder Sonne cancelou todas as seis reservas no novo transatlântico de luxo, em sua viagem inaugural, e reservou passagens em um navio que partiria no dia seguinte. Os quatro missionários que estavam animados com a viagem no Titanic expressaram sua decepção. A resposta do Élder Sonne parafraseava a história de José e seus irmãos no Egito, registrada em Gênesis: ‘Como voltaremos a nossas famílias, se o moço não for conosco?’ Ele explicou a seus companheiros que todos tinham ido para a Inglaterra juntos, e todos deviam retornar para casa juntos. O Élder Sonne posteriormente soube do naufrágio do Titanic e, com gratidão, disse a seu amigo Fred: ‘Você salvou minha vida’. Fred respondeu: ‘Não, fazendo-me vir para a missão, você salvou a minha vida’. Todos os missionários agradeceram ao Senhor por preservar-lhes a vida”.

O Élder Cook continuou: “Às vezes, como aconteceu no caso do Élder Sonne e de seus companheiros missionários, grandes bênçãos advêm aos que são fiéis. Devemos ser gratos por todas as misericórdias que recebemos em nossa vida”.

Lições para as Gerações Futuras

Um dos netos de Alma, Scott Sonne da Califórnia, disse que aprendeu uma importante lição sobre tais ternas misericórdias por meio da história do Titanic , a qual ouve desde o início de sua adolescência.

“Uma coisa que associo [à história do meu avô] é o princípio de que o que parece ruim pode vir a ser bom, e que por causa de nossa perspectiva mortal devemos ser lentos em considerar um acontecimento específico um infortúnio”, disse ele. ”Essa é a mensagem de Gênesis 50:20, onde José descreve os maus-tratos de seus irmãos, dizendo: ‘Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem’.

Tenho certeza de que na época o vovô Sonne talvez tenha achado que perder a viagem do Titanic tinha sido um infortúnio , só para mais tarde perceber que de fato fora para o seu bem.”

O irmão de Scott Alan Sonne, também da Califórnia, reconhece que sua existência hoje é o resultado das ternas misericórdias do Senhor e da fé de seu avô.

“Não sei quanto tempo levou para Alma Sonne decidir cancelar a passagem doTitanic ”, disse Alan. “Deve ter sido uma questão de apenas algumas horas ou talvez até de minutos, pois o Titanic partiria no dia seguinte.”

“Mas o poder daquela pequena decisão afetou a vida e a própria existência de cerca de 100 descendentes”, continuou ele. “Sem essa decisão, nós não existiríamos.” (Esse número, observa o irmão Sonne, aumenta significativamente quando a posteridade dos amigos de Alma também é considerada.)

“Apesar de todas as maravilhas sobre o Titanic, o que trouxe a salvação ao Élder Sonne e seus amigos foi o relacionamento entre eles. Foi uma questão de caráter e espírito assim como ainda deve ser hoje”, disse Alan. Isso me leva a ser cuidadoso com o resultado até mesmo de pequenos atos e palavras que afetam outras pessoas (e a mim mesmo). Pequenas decisões podem não ter consequências pequenas.”

Um Lembrete de um Antepassado Fiel

As lições decorrentes da história de Alma ficaram ainda mais concretas para Alan há quatro anos, quando ele recebeu um pequeno pacote pelo correio de um tio, Alma Sonne Jr. O pacote continha um anel de ouro com as iniciais AS gravadas por fora e as palavras “12 de abril de 1912 Liverpool ” por dentro. Com ele havia uma explicação escrita à máquina que Alan confirmou com parentes.

Ele ficou sabendo que antes de Alma e seus companheiros partirem da Inglaterra e perderem a viagem no Titanic, Alma havia comprado aquele anel e mandado gravar aquelas informações para comemorar o término de sua missão. Depois disso, disse Alan, o anel tornou-se um símbolo para ele da importância de ouvir os sussurros do Espírito, de ter devoção aos amigos e de ter fé.

Alan relata que os filhos de Alma nunca o viram sem o anel em seu dedo até seu falecimento em 1977. Seu filho, Alma Sonne Jr. usou-o durante os 30 anos seguintes e, em seguida, o enviou para Alan, único neto de Alma que compartilhava as iniciais AS. Alan se sente humilde, disse ele, por ter o privilégio de usá-lo hoje em dia.

Para ele, é muito mais do que um artefato interessante. “Anéis são símbolos de promessa, votos matrimoniais e gratidão”, disse ele, “assim sendo tenho em minha mão um lembrete diário de tornar-se um elo de gerações de antepassados fiéis e santos”.

Alan compartilhou a história do anel na Igreja, mas também já o mostrou a colegas do trabalho e outras pessoas porque ele faz parte de uma história de interesse geral. Ao fazê-lo, ele teve a oportunidade de abrir as portas para conversas sobre a Igreja e os princípios que Alma guardava — princípios esses que ele e sua família tentam seguir atualmente.

“Não tenho nenhuma qualidade especial que me faça merecer essa lembrança”, disse ele. “Ele me faz sentir humildade e gratidão por ter algo que me lembra do evangelho, o qual proporciona a mim e minha família tudo que é bom e maravilhoso em nossa vida.”

“Há Milhares de Histórias por Aí”

Embora a história de seu avô e o Titanic fascine desde a infância Jackie Shelline, cujo pai era Alma Sonne Jr., ela disse que na fase atual de sua vida, ela está aprendendo a valorizar a história da família mais do que as histórias que capturam a imaginação.

“Acho que estou ficando cada vez mais interessada em ter todas as histórias de nossa família organizadas e acessíveis”, disse ela. “Essa é a chave para que as gerações futuras compreendam como essas pessoas eram. Quero que as gerações futuras lembrem-se do vovô Sonne — não só por causa da história do Titanic mas também por causa de outras experiências que ele teve. Por exemplo, ele estava muito envolvido com a reconstrução da Alemanha e a revitalização da Igreja na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Esse é o tipo de coisa que todos nós — descendentes ou não — podemos apreciar — ou seja, ter o conhecimento do grande trabalho que as pessoas fizeram e o quanto sua vida influencia o que desfrutamos hoje.”

Ela também ressalta que tais experiências não precisam ser grandiosas para serem importantes.

“Cada família conecta-se com muitas histórias — há milhares de histórias por aí”, disse ela. “Algumas podem ser mais famosas do que outras, mas há muitas que são comoventes por si próprias. Há algo quando somos ligados a uma pessoa por sangue que faz com que a história torne-se especialmente vigorosa, e por meio do estudo da história da família, podemos encontrar grande significado em suas histórias para nossa vida.”