Notícias da Igreja

Conferência Especial para Mulheres

  Joana Paulo, responsável das Páginas Locais da estaca de Lisboa

  • 18 Setembro 2012

Certamente não foi fácil na manhã enublada do dia 8 de Setembro, chegar à outra margem. As cerca de 200 irmãs da estaca de Setúbal, que se dirigiam ao hotel Lagoas Park estiveram paradas no caminho perto de hora e meia. Mesmo assim, segundo a irmã Telma Peralta, da ala da Costa da Caparica, valeu bem a pena, pois de acordo com o seu testemunho, sentiu o Espírito Santo a tocar no seu coração e indicar-lhe um dos desejos do Pai Celestial para si.

Ao iniciar esta reunião tivemos oportunidade de ouvir o belo hino “Filhas de um Rei”cantado pelo coro de mulheres da estaca de Oeiras e sobre este hino a irmã Ana Hilário do distrito de Santarém disse, “Nesta inspiradora conferência eu relembrei-me de quem realmente sou. Ouvir o emocionante hino “Filhas de um Rei” foi o ponto de partida para eu perceber o que estava fazendo ali.”

O primeiro discurso foi da responsabilidade da irmã Alice Rocha que nos alertou para a necessidade de prepararmos a nossa mente e os nossos corações para as palavras que íamos ouvir. Sugeriu que alimentássemos e meditássemos sobre estes ensinamentos. Tal como Néfi que aplicou as escrituras à sua vida pessoal, desafiou-nos a ponderar sobre a forma como as palavras que ouviríamos, nos poderiam ajudar a melhorar a nossa vida pessoal e os nossos chamados.

Em segundo lugar ouvimos a irmã Marsha Richards. Começou por partilhar as suas impressões sobre o nosso país, referindo-se à beleza dos nossos edifícios, da nossa arte e cultura. Mas concluiu que tudo o que existe de melhor em Portugal somos nós. Mostrou então a fotografia da sua pequenina neta, juntamente com os seus pais. Referiu que a felicidade ali representada se alicerçava no desejo demonstrado desde cedo pela sua filha em ser uma mãe boa e amorosa. Relativamente ao seu genro referiu que este, certa vez, ao ouvir as palavras do presidente Hinckley descrevendo as qualidades da rapariga com quem deveria casar, tomou a decisão de que seria limpo e digno e que estaria atento para encontrar essa rapariga.

Salientou que os convénios que realizámos e o dom do Espírito Santo são como dons do céu que nos ajudam a ser fortes e a não desanimar.

Por fim, convidou-nos a não nos sentirmos presas ao nosso passado, quaisquer que tenham sido as experiências que tenhamos vivido. Afirmou que nada deve impedir o nosso progresso e a nossa felicidade. Sobre as palavras desta irmã, a irmã Ana Hilário do ramo de Santarém declarou, “Após ter ouvido tantas coisas que pareciam ser exclusivas para mim, aprendi também que tenho de ir sempre em frente, por vezes os obstáculos aparecem, mas o nosso objetivo está lá bem no fundo do caminho. Com o Senhor do meu lado tudo posso, nada é impossível e a minha força e alento na vida transformou-se”.

As palavras amorosas da irmã Teixeira deixaram-nos um desafio. Num mundo onde as tantas mulheres procuram obter satisfação na realização profissional, no acompanhamento da moda e das novelas, como podemos nós ter satisfação noutras coisas, nas coisas que são eternas?

Em seguida partilhou connosco aquela que pode ser considerada uma das mais inspiradoras histórias que conhecemos após a restauração da igreja. A história de John Rowe Moyle, o cortador de pedra, um homem que ao sacrificar a sua vida para a construção do Templo de Lago Salgado, se tornou num símbolo de devoção ao Senhor. A irmã Teixeira então pediu-nos que pensássemos na esposa deste irmão e referiu a escritura que está em Doutrina e Convênios 46:33 “ E deveis praticar a virtude e a santidade perante mim continuamente”. Desafiou-nos então a procurar a santidade na nossa vida. Assim, alertou-nos para a necessidade de sermos verdadeiras e genuínas em todas as situações e de não nos “camuflarmos” no mundo. Quando isto acontece perdemos o poder espiritual que nos ajuda a sobrepujar as tentações e que nos faz ganhar satisfação pelas coisas que têm valor para a eternidade.

A presença da irmã Nelson nesta reunião foi para nós igualmente motivo de grande alegria. Ela começou por descrever o sentimento que algumas vezes temos quando encontramos uma pessoa pela primeira vez, parecendo que já a conhecemos há muito tempo e conseguimos até gostar dela imediatamente. Este foi o seu sentimento ao olhar para nós.

Contou-nos então que estes sentimentos estão associados às nossas memórias na vida pré-mortal. Para exemplificar este princípio partilhou connosco a forma como o hino da Primária “Sou um filho de Deus“ foi criado. Esta responsabilidade foi dada a duas irmãs. Uma escreveria a letra, a outra a música. Ambas trabalharam arduamente mas não tiveram qualquer êxito. Depois de uma noite sem dormir, cada uma delas foi inspirada e comunicou à outra o resultado do seu trabalho. Foi maravilhoso quando descobriram que o trabalho que tinham realizado separadamente tinha encaixado perfeitamente. Esta história não é surpreendente se pensarmos que esta foi uma das músicas que entoamos antes desta vida.

Em seguida cantamos a primeira estrofe deste hino e partilhamos um dos momentos mais emotivos deste evento, tal como descreve a irmã Paula Ferreira da estaca de Lisboa, “senti o Espírito Santo tocar-me de tal maneira que a minha boca não foi capaz de proferir uma única palavra, as lágrimas caíam descontroladamente, e pude no meu âmago ver confirmada a simples mas gloriosa verdade de que sou Sua filha e Ele me ama. Pude, sem a menor dúvida, sentir o amor de um Pai amoroso a envolver as suas filhas especiais que ali se encontravam “

Em seguida a irmã Nelson citou o Elder Holland que costuma nos seus discursos referir-se aos anjos, e disse que devemos nas nossas orações pedir para que eles nos ajudem. Não quer isto dizer que devamos orar aos anjos, mas sim que devemos orar ao Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, pela ajuda de anjos. Este é um privilégio de que podemos usufruir.

Ela enfatizou igualmente a necessidade de nas nossas vidas diárias encontrarmos alegria, cumprindo a medida da nossa criação. Não podemos encontrar felicidade ao comparamos o nosso desempenho com o da outras pessoas, pois cada um de nós cumpre a medida da sua criação.

A irmã Nelson afirmou igualmente que tem conhecimento dos inúmeros problemas e desejos que muitas mulheres sentem. Garantiu-nos com toda a certeza que, se nos pudéssemos lembrar dos convénios e compromissos que fizemos na nossa vida pré-mortal, todas essas provações cairiam por terra e todas as decisões seriam mais fáceis.

Outro dos pensamentos que partilhou connosco relacionou-se com a necessidade de não desperdiçarmos o nosso tempo em coisas erradas, mas orarmos pela orientação do Espírito nas nossas escolhas. A este propósito partilhou uma história pessoal que certamente nenhuma de nós irá esquecer e que mostra a forma notável como o Espírito Santo age na nossa vida, sempre que aplicamos os seus sussurros. Contou-nos que quando tinha 24 anos, parecia ter encontrado o rapaz certo para contrair matrimónio. Porém, veio a desistir do seu casamento porque sentiu de forma clara, durante uma Conferência Geral, que não deveria dar este passo. Na sua mente racional não fazia sentido o que se tinha passado, mas mesmo contra a vontade de todos, manteve a sua decisão. Só alguns anos mais tarde percebeu as razões pelas quais o Senhor lhe tinha dado aquele sentimento percebendo então que tinha tomado a decisão correta.

Contou-nos igualmente uma história passada aquando da rededicação do Templo de Tonga. Ela reparou que durante a verificação do edifício faltavam as palavras “Santidade ao Senhor”, “Casa do Senhor” e assim a rededicação teve que ser atrasada. Este acontecimento levou-a a ponderar sobre a importância destas palavras, não só para este lugar mas também nas nossas vidas. Desafiou então as suas amigas a escolherem uma tarefa diária a qual deveriam desenvolver com santidade. Seguidamente partilhou várias experiências que demonstraram a mudança de atitudes destas mulheres nas situações mais comuns do dia-a-dia. Convidou-nos igualmente a aceitarmos este desafio dos três dias, escolhendo uma tarefa e agindo da forma como uma mulher santa agiria, para assim abençoarmos as nossas vidas, a das nossas famílias e das outras pessoas. A irmã Joelma Marinho da estaca de Oeiras aceitou este desafio e escreveu, “sem dúvida que a partir de agora, cada vez que estiver numa situação que me tente esquecer de meu real valor, farei a mim mesma esta pergunta: O que uma mulher santa faria?”.

A irmã Nelson exortou-nos a reconhecer as nossas fraquezas e igualmente procurar os dons do Espírito que necessitamos para as superarmos, mesmo quando não é fácil.

No final do seu discurso esta irmã mostrou 2 fotografias do Templo da Ucrânia uma antes e a outra depois da dedicação. A primeira mostrava o templo envolto em nevoeiro e a segunda o mesmo templo banhado pelo sol reluzente. Comparou então a falta de nitidez e os tons cinzentos da primeira foto com a nossa vida quando nos deixamos levar pelo mundo e as cores e luminosidade da segunda foto quando procuramos ter as palavras “Santidade ao Senhor” gravadas na nossa vida.

Ao terminar a reunião tivemos o privilégio de ouvir a irmã Melanie Rasband. Nas suas palavras enfatizou o poder que temos na condução das nossas vidas quando conhecemos quem somos. Ilustrou este pensamento partilhando uma história pessoal de quando servia como esposa do presidente de missão em Nova Iorque. Ela contou-nos como o momento em que se preparava para uma reunião no Templo de Kirtland, foi importante na sua vida. Nessa ocasião e durante alguns minutos ela desejou não ser chamada para discursar nessa reunião. Por momentos pareceu ter-se esquecido dos ensinamentos dos seus pais e líderes e procurou não dar ouvidos à voz do Espírito do Senhor. Contudo, ao reconhecer quem era e a deceção que Deus estava a sentir naquele momento, lamentou estes seus sentimentos. Foi convidada então, para fazer uma oração e ao cumprir esta sua designação compreendeu o seu propósito; ao fazer isto, venceu a sua timidez e abençoou a vida de outras pessoas.

A irmã Rasband solicitou que não nos deixássemos distrair pelas coisas do mundo que nos impedem de ver o Templo, mas que, conduzamos a nossa vida retamente para que os nossos sonhos se tornem realidade.

A irmã Maria José Gonçalves da estaca de Lisboa afirmou que ao sair desta reunião, “sentiu que deveria ter mais confiança em si própria e ter fé em que, se formos fiéis em guardar os mandamentos do Senhor, Ele com a sua infinita bondade manda os seus santos anjos nos guardar.”

De acordo com a irmã Andréa Pereira, da estaca de Oeiras, esta foi uma das melhores reuniões que já assistiu na igreja, “pois as palavras que podemos ouvir foram muito inspiradas e marcantes.”

A irmã Maria João Fernandes da estaca de Oeiras escreveu “Apesar de sempre ter servido na Igreja com dedicação, durante a conferência, senti fortemente que me deveria aproximar do meu Pai Celestial e do nosso Salvador, de servi-los ainda com mais dedicação e de colocar a minha vida à sua disposição. Também senti uma enorme gratidão pelo evangelho em minha vida e por ter na Igreja os líderes que me ajudam a voltar para junto do Pai e de nosso irmão Jesus Cristo.”

Ao sair desta reunião podemos contemplar o sol, o sol que irradiava lá fora - o mesmo que tinha enchido os nossos corações.