Crescer Espiritualmente

C. Hales


Minha esperança com relação a vós nesse período importante da adolescência ( . . . ) é de que deixeis de ser crianças dependentes para vos tornardes mulheres de fé, justas e capazes de solucionar problemas.

Há algumas semanas, fui a Nova York conhecer minha nova neta. Quando minha filha e o marido me abriram a porta com seu bebezinho de três dias no colo, havia um brilho radiante naquele apartamento. Ao colocarem Hannah, que recebeu o nome de minha mãe, em meus braços, parecia uma bonequinha de cabelos escuros cacheados. Poucos dias depois, Hannah estava esticando as longas pernas e os pés grandes e finos e comecei a pensar em todas as experiências que ela teria durante seu crescimento. Talvez ela venha a ter alguns temores que eu tive—como medo de ficar sozinha no escuro, aos seis ou sete anos. Com treze ou quatorze, ela talvez tenha certeza, como eu tive, de que jamais haveria rapazes tão altos como ela.

Para mim, essa preocupação foi ainda maior no ano seguinte, quando me convenci de que uma pessoa de pés grandes como os meus, certamente nunca se casaria.

Essas preocupações são muito normais e eu certamente me preocupo com aquilo que preocupa qualquer uma de vós. Minha maior preocupação, contudo, é que cada uma de vós cresça na compreensão espiritual.

Tenho enorme respeito pelas jovens da Igreja. Minha esperança com relação a vós nesse período importante da adolescência, dos doze aos dezoito anos, é que deixeis de ser crianças dependentes para vos tornardes mulheres de fé, justas e capazes de solucionar problemas. O trabalho que executais durante esses anos é imenso, e se o fizerdes bem, estareis estabelecendo os alicerces de uma vida de retidão e responsabilidade.

Na Organização das Moças, quando as líderes vos incentivam a seguir o programa de Progresso Pessoal, espero que compreendais que esse projeto vai muito além de se estabelecer metas e receber um reconhecimento, embora isso seja muito importante. O objetivo maior é que escolhais experiências que vos façam exercitar ou fortalecer a fé no Salvador Jesus Cristo.

O capítulo 32 de Alma parece ter sido escrito especialmente para as jovens. Alma nos ensina como exercitar a fé e aumentar a crença nas palavras do Pai Celestial. Lede esse capítulo em casa e circulai o termo a palavra toda vez que o encontrardes escrito. Em seguida, lede o primeiro versículo do evangelho de João, onde vemos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. (João 1:1, grifo nosso.) (N.T.: A autora faz uma comparação do termo “a palavra”, no Livro de Mórmon, com “o Verbo”, na Bíblia. Em inglês esses termos são exatamente iguais, o que não ocorre em português.) Mais adiante, no versículo 14, lemos : “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. (João 1:14, grifo nosso.)

No evangelho de João, o Verbo refere-se ao Salvador Jesus Cristo. O profeta Alma, ao ensinar-nos sobre fé, ajuda-nos a entender como se fortalece a fé em Cristo. Alma compara a palavra, ou seja, o evangelho, abrangendo a fé no Senhor Jesus Cristo, a uma semente. Ele diz:

“Comparemos, pois, a palavra a uma semente. Se derdes lugar em vossos corações para que uma semente seja plantada, eis que, se for uma semente verdadeira ou boa, e não a rechaçardes por vossa incredulidade, resistindo ao Espírito do Senhor, ela começará a germinar em vosso peito; e quando lhe sentirdes os efeitos começareis a dizer a vós mesmos: Deve realmente ser uma boa semente, ou uma boa palavra, porque começa a dilatar a minha alma e a iluminar o meu entendimento; sim, começa a ser-me deliciosa.

E eis que isso não faria aumentar a vossa fé? Digo-vos que sim; não obstante, não é o suficiente para um perfeito conhecimento.” (Alma 32:28-29, grifo nosso.)

O Progresso Pessoal é semelhante a uma experiência com a palavra. Há experiências com a oração, com o estudo das escrituras, com o fortalecimento das relações familiares e com o serviço ao próximo. Exercitar a fé torna-a maior e mais forte. Ao observar o desempenho de grandes atletas, surpreendo-me ao ver que alguns, apesar de saberem que a aptidão física requer exercícios e treinamento, acham que o crescimento espiritual pode ser conseguido sem esforço.

Ouvi, agora, a promessa maravilhosa dada a quem exerce fé—a quem continuar a nutrir a palavra:

“Mas, se cultivardes a palavra, sim, tratando da árvore à medida que começa a crescer, através de vossa fé, grande esforço e paciência, esperando pelo fruto, ela criará raiz; e eis que será uma árvore que brotará para a vida eterna.” (Alma 32:41, grifo nosso.)

Crescer espiritualmente exige fé, grande esforço e paciência. Esperar por alguma coisa cuja conseqüência seja eterna, requer maturidade.

Na infância, a pequena Hannah reagirá positivamente a vozes carinhosas, fraldas secas e alimento quando sentir fome. Levará algum tempo até que ela perceba que sua mãe está lendo as escrituras para ela enquanto a alimenta. Levará muitos meses até que ela compreenda por que, antes do jantar, as pessoas abaixam a cabeça e oram à mesa. Sua fé, contudo, começará a criar raízes nesse ambiente de confiança. Uma criancinha pode aprender a reagir positivamente a bons sentimentos, mas vós estais aprendendo a ser responsáveis por vossa fé.

Ouvi as palavras de três jovens, relatando as experiências que lhes deram a oportunidade de exercer fé:

[Foi mostrado um vídeo no qual várias jovens falaram de experiências e desafios que tiveram na vida e quais os efeitos disso em sua fé.]

Cada uma dessas jovens teve uma experiência diferente, mas todas decidiram exercitar e aumentar a fé. Sarah desprezou um sentimento de que o que estava fazendo era errado, por causa da ânsia de aprender a dirigir. Depois de passar por maus momentos, a fé motivou-a, ou deu-lhe coragem para avaliar aquela experiência assustadora e fazer mudanças. Haveis notado que a princípio ela se sentiu indigna e com a auto-estima fraca por ter feito essa má escolha? Disse que se sentira um tanto sem valor. Esses sentimentos são normais depois de cometermos um erro, mas ela avaliou sabiamente o que aconteceu e por que tudo ocorreu daquela forma. Lembrou-se do amor do Pai Celestial por ela e do que Ele gostaria que ela tivesse feito. Ela aprendeu a ouvir os pais, agradeceu a admoestação e reconheceu como poderia usar esse discernimento em outra circunstância. Dessa forma, toda experiência pode tornar-se edificante. O Pai Celestial quer que superemos as experiências ruins e não fiquemos presos a um sentimento de indignidade.

A segunda jovem, Carly, passou por uma situação difícil na família devido à transferência de seu pai no emprego, o que acarretou uma mudança para outro Estado. Ela aprendeu o valor do relacionamento familiar e da união da família. Por meio de fé e orações conjuntas, teve a bênção de sentir o amor e apoio do Pai Celestial, que reuniu a família novamente. Sua fé foi fortalecida.

Na terceira história, Paulette teve uma experiência diferente ao aprender a aceitar um resultado pelo qual não esperava. Ela conhecia o grande poder da fé, um poder capaz de mover montanhas, e quando a mãe de sua amiga morreu, ela exerceu fé, confiando no plano do Pai Celestial para nós. Crescer espiritualmente requer que enxerguemos além de nossos próprios interesses e ampliemos nosso modo de ver as coisas. Devemos não somente nos desfazer do egoísmo mas, às vezes, deixar de lado coisas que desejamos muito, para compreender o ponto de vista do Pai Celestial.

É extremamente importante que todos nós, hoje, desenvolvamos um núcleo de espiritualidade interior. Ao exercitardes fé e sentirdes essa espiritualidade crescer, começareis a sentir-vos mais seguras e confiantes. Pouco a pouco, chegaremos a um conhecimento mais completo do que significa confiar plenamente no Pai Celestial e servir de testemunha de Deus. (Ver Mosiah 18:9.) Ao nos tornarmos mulheres de fé, justas e capazes de solucionar problemas, aprenderemos a representá-Lo e a fazer Sua obra.

Há três anos, tive outra netinha que recebeu meu nome, Emily Janette. No dia de sua bênção, desejei muito o seu bem-estar; que ela recebesse as boas coisas da vida. Naquele instante, pensei no que representa tomarmos sobre nós o nome de Jesus Cristo por meio do convênio batismal. Pensei no quanto Ele deseja o nosso bem-estar. Senti o amor que Ele tem pelas jovens de Sua Igreja. Pensei também no Seu grande amor e apreço por vós, líderes, que ensinais a doutrina, que sois exemplos de boa conduta e criais um ambiente de confiança onde outros podem desenvolver fé e praticar a retidão. Tenho um testemunho do amor de Cristo por nós. Ele compreende nossos desafios e nos ajudará. Precisávamos de experiências que nos ajudassem a distinguir o bem do mal. Muitas de nós cometemos erros. Não podemos ser perfeitas sozinhas. O dom da expiação de Jesus Cristo permite que nos livremos das fraquezas e sejamos fortalecidas pela Sua perfeição. Presto testemunho de Sua expiação em nosso favor, em nome de Jesus Cristo. Amém.