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Abril 1995 | Uma Mesa Rodeada ⌦de Amor


Uma Mesa Rodeada ⌦de Amor


Pensem no potencial de uma família ajoelhada ao redor de uma mesa (sem televisão), orando, rogando ajuda, agradecendo ao Pai as bênçãos recebidas.

Muito se tem escri­to sobre a impor­tân­cia do lar. O Élder Marion G. Romney disse que “no fundo dos males ­fatais da socie­da­de está a ins­ta­bi­li­da­de fami­liar”1 Reconhecemos que algu­mas casas são gran­des, muito bem equi­pa­das e até luxuo­sas. Outras são bem peque­nas e humil­des, com ins­ta­la­ções limi­ta­das. Ainda assim, como nos lem­bra um de nos­sos que­ri­dos hinos, “pode o lar ser como o céu, se nele exis­te amor; ( … ) onde é bom estar” (Hinos, 1991, nº 189).


Um dos ­móveis mais impor­tan­tes encon­tra­dos na maio­ria dos lares é a mesa da cozi­nha. Pode ser peque­na, gran­de, ou ter a forma de um peque­no bal­cão, com pouco espa­ço para a comi­da e os uten­sí­lios. Aparente­mente, sua fun­ção prin­ci­pal é ser o lugar onde os mem­bros da famí­lia se ali­men­tam.


Nesta oca­sião espe­cial, porém, dese­jo cha­mar a aten­ção de todos para uma uti­li­da­de supe­rior da mesa da cozi­nha, onde pode­mos rece­ber bem mais do que ape­nas ali­men­to para nosso bem-estar físi­co.


Uma famí­lia, geral­men­te, é com­pos­ta de duas ou mais pes­soas de ida­des dife­ren­tes, mas seus mem­bros pre­ci­sam reu­nir-se, de pre­fe­rên­cia não só para comer, mas para orar, con­ver­sar, ouvir e rela­tar ocor­rên­cias, apren­der e cres­cer jun­tos. O Presidente Gordon B. Hinckley rea­fir­mou isso cla­ra­men­te: “Meu apelo—e dese­ja­ria ser mais elo­qüen­te ao exter­ná-lo—é para que sal­ve­mos as crian­ças. Há crian­ças ­demais pade­cen­do de dor e medo, de soli­dão e deses­pe­ro. As crian­ças pre­ci­sam da luz do sol. Precisam de ale­gria. Precisam de amor e cui­da­dos. Precisam de bon­da­de, de con­for­to e de afei­ção. Todos os lares, inde­pen­den­te­men­te do valor mone­tá­rio da cons­tru­ção em si, podem pro­ver um ambien­te de amor que se trans­for­ma­rá num ambien­te de sal­va­ção.”2


A maio­ria dos mem­bros da famí­lia está sujei­ta às ­várias for­ças do mundo fora do lar, assim como à influên­cia do rádio, tele­vi­são, ­vídeos, músi­cas e mui­tas ­outras coi­sas que leva­mos para den­tro de casa.


Imaginem uma famí­lia reu­ni­da ao redor de uma mesa, tal­vez a mesa da cozi­nha, con­ver­san­do sobre o evan­ge­lho, comen­tan­do as men­sa­gens da reu­nião sacra­men­tal, falan­do da últi­ma Liahona, con­ver­san­do sobre a esco­la, con­ver­san­do sobre a con­fe­rên­cia geral, dis­cu­tin­do algu­ma lição da Escola Dominical, ouvin­do boa músi­ca, con­ver­san­do sobre Jesus Cristo e Seus ensi­na­men­tos. A lista pode­ria ser maior. Não só os pais, mas todos os mem­bros da famí­lia agi­riam sabia­men­te ao per­mi­tir que todos os pre­sen­tes tives­sem ampla opor­tu­ni­da­de de par­ti­ci­par.


Pensem no poten­cial de uma famí­lia ajoe­lha­da ao redor de uma mesa (sem tele­vi­são), oran­do, rogan­do ajuda, agra­de­cen­do ao Pai as bên­çãos rece­bi­das—ensi­nan­do a pes­soas de todas as ida­des a impor­tân­cia de ter­mos um Pai Celestial amo­ro­so. A ora­ção fami­liar junto com as crian­ças pode muito bem desen­vol­ver adul­tos que algum dia esta­rão oran­do com sua pró­pria famí­lia.


O Presidente Thomas S. Monson rea­fir­mou isso com cla­re­za: “O Senhor orde­nou que faça­mos ora­ção em famí­lia, quan­do disse: ‘Orai ao Pai no seio de vossa famí­lia, sem­pre em meu nome, a fim de que vos­sas mulhe­res e vos­sos ­filhos sejam aben­çoa­dos.’ (3 Néfi 18:21)


Observemos uma típi­ca famí­lia de san­tos dos últi­mos dias ofe­re­cen­do ora­ções ao Senhor. Pai, mãe e todos os ­filhos ajoe­lham-se, bai­xam a cabe­ça e ­fecham os olhos. Um doce espí­ri­to de amor, união e paz enche a casa. Imaginemos o pai ouvin­do seu peque­no filho pedir a Deus que seu pai sem­pre faça o que é certo e seja obe­dien­te aos man­da­men­tos. Será que esse pai acha­rá difí­cil hon­rar a ora­ção de seu pre­cio­so filho? Imaginemos uma ado­les­cen­te ouvin­do sua mãe supli­car ao Senhor que a filha seja ins­pi­ra­da ao sele­cio­nar os ami­gos e que se pre­pa­re para o casa­men­to no tem­plo. Será que essa filha não pro­cu­ra­rá hon­rar a humil­de súpli­ca da mãe que tanto ama? Quando pai, mãe e cada um dos ­filhos oram sin­ce­ra­men­te para que os bons ­filhos ­homens da famí­lia vivam de manei­ra digna, de modo a, no devi­do tempo, rece­be­rem o cha­ma­do de embai­xa­do­res do Senhor no campo mis­sio­ná­rio da Igreja, não come­ça­mos a ver como esses ­filhos cres­cem com um enor­me dese­jo de ser­vir como mis­sio­ná­rios?”3


Como mui­tos já dis­se­ram: “De modo algum ­podeis dei­xar vos­sos ­filhos e pais saí­rem de casa dia­ria­men­te para o mundo, sem se reu­ni­rem para con­ver­sar com o Senhor.” Os pais pru­den­tes devem exa­mi­nar seus horá­rios e esta­be­le­cer que, no míni­mo uma vez por dia, toda a famí­lia se reu­ni­rá para as bên­çãos da ora­ção. Os meno­res apren­dem rapi­da­men­te a fazer a ora­ção e pas­sam a conhe­cer os valo­res pre­cio­sos da ora­ção fami­liar.


Eu já disse antes que “o lar deve ser um lugar feliz, pelo esfor­ço de cada um em mantê-lo assim. Afirma-se que a feli­ci­da­de come­ça em casa, e deve­mos esfor­çar-nos para fazer do lar um lugar feliz e agra­dá­vel para nos­sos ­filhos. Um lar feliz é cen­tra­li­za­do nos ensi­na­men­tos do evan­ge­lho. Isso ­requer esfor­ço e dedi­ca­ção cons­tan­tes de todos os que dele fazem parte.”4


Um ado­les­cen­te que tinha ⌦uma vida bas­tan­te ocu­pa­da, certa vez quei­xou-se do tempo gasto com ora­ções fami­lia­res. A mãe, muito sábia, ao orar no dia seguin­te, ⌦inten­cio­nal­men­te omi­tiu o nome daque­le filho. Ao fim da ora­ção, o filho per­gun­tou: “Mãe, e eu? Fico fora da ora­ção?” A mãe expli­cou que esta­va ape­nas aten­den­do a sua recla­ma­ção. O filho quei­xou-se: “Não me deixe de fora.”


Vizualizemos uma famí­lia em volta de uma mesa, com as escri­tu­ras aber­tas, dis­cu­tin­do diver­sas ver­da­des e ­lições. Essa, de fato, é uma mesa rodea­da de amor!


Os edu­ca­do­res con­cor­dam que as crian­ças pre­ci­sam ler muito mais fora das esco­las. Podemos aben­çoar nos­sos ­filhos lendo as escri­tu­ras com eles dia­ria­men­te—na mesa da cozi­nha.


Arranjar tempo para reu­nir-se à mesa da cozi­nha pode reque­rer da famí­lia con­si­de­rá­veis ajus­tes e um pla­ne­ja­men­to deta­lha­do, mas o que pode­ria ser de maior impor­tân­cia para a união da famí­lia, para seu cres­ci­men­to espi­ri­tual, para as pon­tes que ligam os fami­lia­res enquan­to con­ver­sam, ouvem e opi­nam, todos cer­ca­dos de amor? Nosso maior suces­so resi­de sim­ples­men­te em ten­tar­mos—vez após vez.


Há mui­tas for­ças no mundo hoje pro­cu­ran­do dizi­mar a famí­lia e o lar. Os pais inte­li­gen­tes devem lutar para for­ta­le­cer seus laços fami­lia­res, aumen­tar a espi­ri­tua­li­da­de den­tro de casa e con­cen­trar-se em Jesus Cristo e na fre­qüên­cia ao tem­plo. O Presidente Howard W. Hunter disse-nos:


“Oro para que nos tra­te­mos uns aos ­outros com mais bon­da­de, cor­te­sia, humil­da­de, paciên­cia e per­dão. ( … ) Exorto os mem­bros da Igreja a faze­rem do tem­plo do Senhor o gran­de sím­bo­lo de sua vida e o local supre­mo de seus mais sagra­dos con­vê­nios. O meu mais pro­fun­do dese­jo é que todos os mem­bros da Igreja se tor­nem dig­nos de ­entrar no tem­plo.”5


A orien­ta­ção do Presidente Hunter pode ser real­ça­da pelo ⌦que acon­te­ce em volta da mesa da cozi­nha.


Em nosso lar, deve­mos trei­nar como tra­tar os ­outros. Como Goethe tão bem disse: “Se tra­tas [um indi­ví­duo] como ele é, ele per­ma­ne­ce­rá como é, mas se o tra­tas como ele [pode] e [tem capa­ci­da­de] de ser, ele se tor­na­rá o que deve ser.”6


O Presidente Boyd K. Packer decla­rou: “Introduzir algu­mas coi­sas celes­tiais no lar é garan­tir a trans­for­ma­ção gra­dual dos mem­bros da famí­lia em mem­bros ati­vos da Igreja. A noite fami­liar é, com cer­te­za, des­ti­na­da a esse pro­pó­si­to—uma reu­nião feita no lar, pas­sí­vel de ser pla­ne­ja­da de modo a aten­der às neces­si­da­des de cada um, e que é, ou ­melhor, pode ser, uma reu­nião reli­gio­sa tanto quan­to as reu­niões da cape­la.”7 Este con­se­lho tam­bém con­cor­da com o que o Élder Dean L. Larsen nos disse: “Nossas cape­las não são o único lugar em que se pode ado­rar. Nossa casa deve ser igual­men­te um lugar de devo­ção. Seria bom se todos os dias pudés­se­mos vol­tar para nossa ‘igre­ja domés­ti­ca’. Não deve­ria haver outro lugar em que o Espírito do Senhor fosse mais bem rece­bi­do e mais facil­men­te aces­sí­vel do que em nosso lar.”8


Ao tra­ba­lhar­mos para rea­li­zar tudo isso no lar, seria bom lem­brar-nos da impor­tan­te decla­ra­ção do Presidente Harold B. Lee: “O tra­ba­lho mais impor­tan­te do Senhor que ­fareis, será den­tro das pare­des de vosso pró­prio lar.”9


Meu apelo de hoje é que cada um de nós este­ja aten­to ao pró­prio lar e à mesa da cozi­nha, e esfor­çan­do-se con­ti­nua­men­te para esta­be­le­cer o céu den­tro de sua casa e vindo a Jesus Cristo. Em nome de Jesus Cristo. Amém. 9


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    1. A Liahona, outu­bro de 1972, p. 8.

    2. A Liahona, janei­ro de 1995, p. 63.

    3. Thomas S. Monson, Pathways to Perfection (Caminhos para a Perfeição) (Salt Lake City, Deseret Book Co., 1973, p. 26.

    4. A Liahona, janei­ro de 1991, p. 12

    5. A Liahona, setem­bro de 1994, p. 2.

    6. Emerson Roy West, Vital Quotations (Citações Vitais) (Salt Lake City: Bookcraft, 1968), p. 171.


    7. Ensign, feve­rei­ro de 1972, p. 71.

    8. A Liahona, janei­ro de 1990, p. 71.

    9. A Liahona, julho de 1992, p. 38.