O Milagre da Tradução do Livro de Mórmon

Robert K. Dellenbach


O Livro de Mórmon é uma obra miraculosa, para ser examinada pelo mundo. Essa divina centelha do céu, mais de 165 anos atrás, acendeu uma chama que está fazendo nascer um novo dia.

Queridos irmãos e irmãs, será que nos damos conta do profundo milagre que é a tradução do Livro de Mórmon? Um milagre é “qualquer manifestação da presença ativa de Deus na história humana” (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “Novo Dicionário da Língua Portuguesa” 2ª ed. revista e aumentada Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986.) De acordo com essa definição, a tradução do Livro de Mórmon por Joseph Smith é, na verdade, um milagre de nossos dias.

O Livro de Mórmon está atualmente sendo impresso em mais de oitenta línguas e está sendo traduzido ou preparado para publicação em muitas, muitas mais. Consideremos o processo atual usado na Igreja para a tradução do Livro de Mórmon, do inglês para outras línguas. A Igreja contrata tradutores capazes e experientes, fluentes em inglês e em sua língua natal, que sejam membros íntegros e de elevado caráter moral, de modo que seu trabalho seja guiado por inspiração. Assim como nos dias de Joseph Smith, a capacidade de traduzir escritos sagrados é hoje um dom espiritual de Deus.

Diferentemente dos dias de Joseph Smith, entretanto, muitos de nossos tradutores se utilizam hoje de computadores e processadores de texto, léxicons e enciclopédias para ajudá-los e guiá-los em sua tarefa sagrada. O trabalho hoje é extenso e cada passo precisa ser minuciosamente analisado por especialistas em tradução da Igreja. Sim, mesmo com os mais competentes tradutores e com a avançada tecnologia disponível, o processo total, do início até a publicação, requer aproximadamente quatro anos.

Agora comparemos a tradução do Livro de Mórmon feita pelo jovem Joseph Smith. Joseph foi criado em uma fazenda na parte norte de Nova York e tinha apenas 24 anos de idade quando terminou a tradução deste registro sagrado, do egípcio reformado para o inglês.

Tinha poucos recursos financeiros e sustentava a mulher e a família. Por necessidade, plantava e colhia, cortava lenha, puxava água e cuidava de animais.

As condições nas quais Joseph traduzia eram pouco favoráveis. Sua vida estava ameaçada e turbas tentavam roubar-lhe as placas, o que exigia que ele escondesse os registros antigos e muitas vezes os levasse de um lugar para outro (ver JS–H 1:60). Joseph não tinha telefone nem ditafone, fax, processador de textos, copiadora—nem mesmo luz elétrica.

Joseph tinha pouca educação formal, talvez não mais de três anos de escola primária. Para traduzir, Joseph não freqüentara uma universidade. Não se entregavam revistas literárias nem periódicos acadêmicos a sua porta. Ele nunca visitou a América do Sul ou o Oriente Médio. Não pertencia a qualquer sociedade profissional, não realizara projetos importantes de pesquisa nem tinha colegas eruditos com quem discutir o texto antigo encontrado nas placas. Deve ter aprendido a ler, a escrever, a fazer contas, e talvez conhecesse um pouco da história americana. Sabemos que lia a Bíblia em inglês, mas, pelos padrões do mundo, Joseph não era nem um erudito nem um teólogo, quanto mais um tradutor profissional das santas escrituras.

Que aptidões possuía Joseph para ajudá-lo em sua tradução? Oliver Cowdery, que foi o principal escriba do Livro de Mórmon, disse o seguinte sobre a fonte do poder de tradução de Joseph: O Profeta Joseph Smith ( . . . ) traduziu [o Livro de Mórmon] pelo poder e dom de Deus, com a [ajuda do] Urim e Tumim” [Last Days of Oliver Cowdery,” (Os Últimos Dias de Oliver Cowdery), Deseret News, 13 de abril de 1859, p. 48].

Normalmente, uma obra literária passa por extensas revisões e correções antes da preparação de sua versão final. Por exemplo, Abraham Lincoln reescreveu seu Discurso de Gettysburg cinco vezes, sendo que cada versão variava ligeiramente da outra. (Ver World Book Encyclopedia, 1992, ed., s.v. Gettysburg Address.)

Ao preparar-me para discursar nesta conferência, tive a gloriosa experiência de examinar várias páginas do manuscrito original de Joseph, que está bem guardado nos arquivos da Igreja. Fiquei maravilhado com a pureza da transcrição, que continha apenas algumas correções insignificantes, como uma palavra grafada erradamente. O manuscrito original de Joseph é tão perfeito que poderia ter vindo apenas de uma fonte—revelação divina. Sobre os ombros de Joseph estavam não apenas a responsabilidade da tradução do Livro de Mórmon, mas também da restauração e do restabelecimento da Igreja de Jesus Cristo. Mesmo enquanto traduzia, Joseph recebeu muitas revelações e visitas de mensageiros celestiais, que lhe deram importantes designações, como a restauração do sacerdócio e a revelação sobre o batismo. (Ver JS–H 1:68–75.) As muitas responsabilidades de Joseph freqüentemente interrompiam o processo de tradução, às vezes durante meses. Entretanto, quando Joseph ficava livre para dedicar-se totalmente à tradução, o trabalho avançava e ele traduzia de oito a dez páginas por dia, completando a maior parte do Livro de Mórmon em aproximadamente sessenta e três dias de trabalho. [Ver John W. Welch e Tim Rathbone, The Translation of the Book of Mormon: Basic Historical Information (A Tradução do Livro de Mórmon: Informações Históricas Básicas) Provo, Utah; F.A.R.M.S., 1986, p. 14.] Oliver, refletindo sobre esse evento maravilhoso, testificou: “Dia após dia eu continuava, ininterruptamente, a escrever as palavras de sua boca, enquanto ele traduzia ⌦( . . . ) a história ou relato chamado ‘Livro de Mórmon’”. (Latter Day Saints’ Messenger and Advocate, out. de 1834, pp. 14–16.)

Joseph foi a primeira pessoa em mais de mil e quatrocentos anos a ler as palavras do Salvador como registradas por Néfi, Alma, Mórmon, Morôni e outros profetas do Livro de Mórmon. Sua habilidade para traduzir era “uma obra maravilhosa e um assombro”. (2 Néfi 25:17)

A tradução inglesa original de Joseph, a não ser por algumas pequenas correções gramaticais e no texto, é o mesmo texto que usamos hoje e que serve de padrão para as traduções do Livro de Mórmon em todas as outras línguas em todo o mundo. [Ver Encyclopedia of Mormonism, (Enciclopédia do Mormonismo) org. Daniel H. Ludlow, 4 vols., Nova York, Macmillan, 1992, s.v. Book of Mormon Manuscripts.) Como Néfi profetizou, suas “palavras silvarão até os confins da Terra, como um estandarte para (seu) povo”. (2 Néfi 29:2)

Poderia um de nós, hoje, produzir tal obra? Poderiam mil dos melhores teólogos e eruditos em línguas antigas do mundo escrever um livro de valor tão divino e transcendente?

Nenhuma outra pessoa, de escolaridade e recursos limitados como Joseph, traduziu sozinha, num período tão curto de tempo, mais de quinhentas páginas de texto escriturístico antigo. Essa tradução está sendo distribuída agora na forma de setenta e três milhões de livros.

A tradução de Joseph dessas escrituras antigas e sagradas enfrentou o escrutínio de muitos céticos. O Livro de Mórmon é uma obra miraculosa para ser examinada pelo mundo. Essa divina centelha do céu, mais de 165 anos atrás, acendeu uma chama que está fazendo nascer um novo dia. Não é de admirar que o Espírito de Deus “tal como um facho de luz (venha) ardendo”! (Hinos, nº 2). Em todo o mundo, as pessoas estão procurando o testemunho de Jesus Cristo como encontrado no Livro de Mórmon. São pessoas de todas as nações, tribos, línguas e povos. Como foi revelado ao Profeta Joseph Smith, “Os confins da Terra inquirirão pelo teu nome”. (D&C 122:1.) E por que estão indagando a respeito do nome de Joseph Smith? Porque o Livro de Mórmon testifica a divindade e a expiação do Salvador Jesus Cristo. Porque Joseph é o profeta da restauração.

Com profunda gratidão pelo milagre que é a tradução do Livro de Mórmon, cantamos:

Hoje ao profeta rendamos louvores,
Foi ordenado por Cristo Jesus ( . . . )
E na mansão celestial para sempre
Entre profetas nomeado será.

Testifico que o milagre da tradução do Livro de Mórmon evidencia claramente que Joseph é um profeta de Deus, chamado para “estabelecer o alicerce desta igreja (de Cristo) e tirá-la da obscuridade e das trevas, a única igreja verdadeira e viva sobre a face da Terra”. (D&C 1:30.) O Livro de Mórmon é a “pedra angular de nossa religião e que um homem chegaria mais próximo a Deus vivendo seus preceitos que os de qualquer outro livro” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 189.) Que apreciemos este milagre de tradução e tenhamos o desejo de conhecer e seguir o Salvador por meio de Seus ensinamentos contidos no Livro de Mórmon, é minha oração humilde em nome de Jesus Cristo. Amém. 9