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Outubro 1998 | Pureza Pessoal

Pureza Pessoal

Outubro 1998 Conferência Geral

Declaramos que aquele que utiliza o corpo de outra pessoa (... ) corpo esse que foi dado por Deus, ofende a alma desse indivíduo, viola os principais propósitos e processos da vida.

Como cada um de nossos jovens e jovens adultos está sujeito às ameaçadoras tentações de imoralidade, preocupo-me com aqueles que podem ficar confusos acerca dos princípios de pureza pessoal e suas obrigações de manter total castidade antes do casamento e estrita fidelidade depois. Para combater o que anda acontecendo no mundo e o que eles vêem e ouvem por aí, e com a esperança de fortalecer os pais em sua tarefa de ensinar padrões mais elevados aos filhos, gostaria de falar hoje sobre pureza moral. Como esse assunto é muito sagrado, oro fervorosamente para que o Espírito Santo me inspire em meus comentários que serão mais diretos do que eu gostaria. Hoje sei o que Jacó, do Livro de Mórmon, sentiu quando, ao falar do mesmo assunto, disse: “( … ) [Entristece-me] ter que usar uma linguagem tão forte”1.

Ao abordar esse assunto, não documentarei uma série de males sociais cujas estatísticas são deprimentes e os exemplos chocantes. Tampouco farei uma lista de coisas que podem e que não podem ser feitas no namoro ou no relacionamento de moças e rapazes. O que quero fazer é mais pessoal: gostaria de responder a certas perguntas que alguns de vocês talvez estejam fazendo a si mesmos, como “por que devo ser moralmente limpo? Por que isso é tão importante para Deus? A Igreja precisa ser tão rígida no que se refere a isso, já que os outros não são? Como é que algo que a sociedade explora tão abertamente e faz parecer tão desejável pode ser muito sagrado ou sério?

Permitam-me começar com uma lição extraída da história da civilização, que é longa e instrutiva. Will e Ariel Durant escreveram:

“Nenhum homem [ou mulher], não importa quão brilhante e bem informado, pode ( … ) seguramente ( … ) menosprezar ( … ) a sabedoria das [lições aprendidas] no laboratório da história. Um jovem fervilhando de hormônios desejará saber por que não pode dar livre vazão a seus desejos sexuais; e se não for reprimido por costumes, princípios de conduta ou leis, poderá arruinar a vida antes que ( … ) venha a entender que o sexo é um rio de fogo que precisa ser represado e esfriado por uma série de restrições; do contrário, ambos, o indivíduo e o grupo, serão consumidos num caos.”2

Nas escrituras, há uma observação mais importante, feita pelo ⌦escritor de Provérbios: “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? ( … ) O que adultera ( … ) destrói a sua alma. Achará castigo e vilipêndio, e o seu opróbrio nunca se apagará”.3

Por que esse tema de relacionamento sexual é tão sério que quase sempre o fogo é usado como metáfora e a paixão retratada vividamente como chamas? O que há nesse fogo potencialmente nocivo que destrói a alma de uma pessoa, ou até o mundo inteiro, se essas chamas não forem controladas e as paixões reprimidas? O que há nisso tudo que inspirou Alma a advertir o filho, Coriânton, de que a transgressão sexual é “uma abominação à vista do Senhor; sim, mais [abominável] que todos os pecados, salvo derramar sangue inocente ou negar o Espírito Santo”?4

Classificando com tal gravidade um apetite físico dado a todas as pessoas universalmente, o que Deus está tentando nos dizer sobre o lugar que esse apetite físico ocupa em Seu plano para todos os homens e mulheres? Digo a vocês que Ele está fazendo exatamente isto: falando sobre o próprio plano da vida. Sem dúvida, uma de Suas maiores preocupações em relação à mortalidade é a de como uma pessoa vem a este mundo e como ela sai dele. O Senhor estabeleceu limites muito rígidos nesses assuntos.

Felizmente, em se tratando de como a vida chega ao fim, a maioria é mais ou menos responsável. Mas no que diz respeito à concepção da vida, às vezes, o que vemos é quase uma irresponsabilidade criminosa. Gostaria de comentar três razões que explicam por que este assunto é de tamanha magnitude e conseqüência no evangelho de Jesus Cristo.

Primeiro, é a doutrina da alma humana, que foi revelada e restaurada.

Uma das verdades “claras e preciosas” restauradas nesta dispensação é a de que “o espírito e o corpo são a alma do homem”5 e de que quando o espírito e o corpo se separam, o homem e a mulher “não [podem] receber a plenitude da alegria”.6 Essa é a razão por que é tão fundalmentalmente importante ganharmos um corpo antes de mais nada, é o motivo pelo qual o pecado de qualquer natureza é um assunto tão sério (ou seja, porque é o pecado que, no final, leva tanto à morte física quanto à espiritual) e por que a ressurreição do corpo é tão importante para o grande triunfo da Expiação de Cristo.

O corpo é uma parte essencial da alma. Essa doutrina da Igreja é clara e muito importante e salienta porque o pecado sexual é tão sério. Declaramos que aquele que utiliza o corpo de outra pessoa sem aprovação divina, corpo esse que foi dado por Deus, ofende a alma desse indivíduo, viola os principais propósitos e processos da vida, “a própria chave”7 da vida, como disse uma vez o Presidente Boyd K. Packer. Ao aproveitar-se do corpo de outra pessoa — o que significa aproveitar-se de sua alma — o indivíduo profana a Expiação de Cristo que salva aquela alma e torna possível o dom da vida eterna. Quando alguém zomba do Filho da Retidão, entra numa esfera de calor, mais quente e mais perigosa do que o sol ao meio-dia. Não se pode entrar nessa esfera sem se queimar.

Por favor, nunca digam: “Quem vai sair prejudicado com isso? Por que não ter um pouco de liberdade? Posso transgredir agora e arrepender-me depois”. Por favor, não sejam tão tolos e tão cruéis. Vocês não podem impunemente “crucificar o Filho de Deus”.8 “Fugi da fornicação”9, clama Paulo, bem como de “[qualquer] coisa semelhante”10, acrescenta Doutrina e Convênios. Por quê? Por uma razão: por causa do incalculável sofrimento de corpo e espírito que o Salvador do mundo suportou para que nós pudéssemos escapar dessa dor.11 Devemos alguma coisa a Ele por isso. Na verdade, devemos tudo. “Não sois de vós mesmos”, diz Paulo. “Fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus, no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”12

Quando o assunto é transgressão sexual é a alma que está em risco; o corpo e o espírito.

Em segundo lugar, gostaria de ressaltar que a intimidade física é para casais casados, pois este é o símbolo supremo da união total, uma união ordenada e definida por Deus. Desde o Jardim do Éden, o casamento foi instituído com o objetivo de criar uma fusão completa entre o homem e a mulher, unindo corações, esperanças, vidas, amor, família, futuro, tudo. Adão disse a Eva que ela era osso dos seus ossos, carne da sua carne e que eles deveriam ser “uma carne” na sua vida juntos.13 Essa união é tão completa que usamos a palavra selar para expressar sua promessa eterna. O Profeta Joseph Smith disse, certa vez, que poderíamos descrever esse elo sagrado como uma espécie de “solda”14 que nos une uns aos outros.

Uma união tão completa como essa, um compromisso tão firme entre um homem e uma mulher, só pode existir por meio da proximidade e continuidade provenientes de um casamento no templo, com promessas solenes e a garantia de todos os bens: o próprio coração e a mente de ambos, todos os dias de sua vida e todos os seus sonhos.

Vocês conseguem ver a esquizofrenia moral daqueles que fingem ser um, fingem que fizeram promessas solenes perante Deus, partilhando dos símbolos físicos e da intimidade física de uma falsa união, e depois fugindo de todos os outros aspectos do que deveria ser uma obrigação total?

Em questões de intimidade vocês devem esperar! Esperem até que possam doar tudo; e vocês não podem doar tudo até que estejam legal e oficialmente casados. Doar ilicitamente o que não é seu (lembrem-se: “não sois de vós mesmos”) e doar apenas parte daquilo que poderia vir acompanhado do seu ser completo é arriscar-se a ser destruído emocionalmente. Se você persistir em buscar satisfação física sem sanção divina, correrá o risco terrível de sofrer tal dano espiritual e psíquico que abale tanto o seu desejo de intimidade física como sua capacidade de entregar-se de todo o coração a um amor mais verdadeiro no futuro. Quando chegar a época de viver esse amor mais verdadeiro e ordenado por Deus, essa união ⌦de fato, você descobrirá que o que você deveria ter preservado já foi usado e que somente a graça de Deus pode restaurar a gradativa desintegração da virtude da qual você se desfez tão levianamente. No dia de seu casamento, o melhor presente que você pode dar a seu companheiro eterno é sua pureza interior, sendo digno de receber em troca semelhante virtude.

Em terceiro lugar, gostaria de comentar que a intimidade física não é somente um símbolo de união entre marido e mulher, uma união de almas, mas também o símbolo do relacionamento entre eles e o Pai Celestial. Ele é imortal e perfeito. Nós somos mortais e imperfeitos; não obstante, procuramos meios, aqui mesmo na mortalidade, que nos mantenham unidos a Ele espiritualmente. Dessa forma, temos algum acesso à graça e à majestade de Seu poder. Esses momentos incluem ajoelhar-se no altar da casa do Senhor, abençoar um bebê recém-nascido, batizar e confirmar um novo membro da Igreja, partilhar dos emblemas da Ceia do Senhor e assim por diante.

Esses são momentos em que nós, quase literalmente, unimos nossa vontade com a do Senhor, nosso Espírito com o Dele, quando a comunhão através do véu torna-se muito real. Nesses momentos, não apenas tomamos consciência de Sua divindade, mas quase literalmente absorvemos alguma coisa dessa divindade em nós. Um aspecto dessa divindade que praticamente todos os homens e mulheres recebem é o uso de Seu poder para criar um corpo humano, a maravilha de todas as maravilhas, um ser genética e espiritualmente único nunca visto antes na história do mundo e que jamais poderá ser duplicado em todas as eras da eternidade. Uma criança, seu filho, com olhos e ouvidos, mãos e pés, e um futuro de inefável grandeza.

Provavelmente, apenas um pai ou mãe que já segurou nos braços um bebê recém-nascido compreende a maravilha à qual me refiro. Basta dizer que de todos os títulos que Deus escolheu para Si mesmo, o de Pai é o preferido, e criação é o seu lema — especialmente a criação de seres humanos, feitos à Sua imagem. Vocês e eu recebemos essa característica divina, mas com as mais severas e sagradas restrições. O único controle que temos é o autocontrole derivado do respeito pelo poder divino e sacramental que esse dom ⌦representa.

Meus queridos amigos, principalmente os jovens, vocês conseguem ver por que a pureza pessoal é um assunto tão sério? Vocês entendem por que a Primeira Presidência e o Conselho dos Doze Apóstolos emitiram uma proclamação, dizendo que “o meio pelo qual a vida mortal é criada foi estabelecido por Deus” e que “os poderes sagrados de procriação [devem ser] empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados”?15 Não se enganem e não se destruam. A menos que esses poderes sejam controlados e guardados os mandamentos, seu futuro pode ser destruído; sua vida pode ser arruinada. O castigo pode não vir exatamente no dia da transgressão, mas, com certeza virá. A menos que haja um arrependimento sincero e obediência a um Deus misericordioso, um dia, em algum lugar, a pessoa moralmente descuidada e impura clamará como o homem rico que queria que Lázaro “[molhasse] na água a ponta do seu dedo e [refrescasse a sua] língua, porque [estava] atormentado nesta chama”.16

Declarei aqui a solene revelação de que o espírito e o corpo são a alma do homem e de que, por meio da Expiação de Cristo, o corpo levantar-se-á da sepultura para unir-se ao espírito numa existência eterna. Esse corpo, portanto, deve conservar-se puro e santo. Não tenham medo de sujar as mãos executando um trabalho honesto. Não tenham medo das cicatrizes que podem surgir ao defenderem a verdade ou lutarem pelo que é certo, mas tomem cuidado com as cicatrizes que desfiguram espiritualmente, que surgem quando fazem algo que não deveriam estar fazendo, que aparecem quando vocês estão em lugares onde não deveriam estar. Tomem cuidado com os ferimentos de qualquer batalha em que estiverem lutando, se estiverem do lado errado.17

Se houver uns poucos de vocês com ferimentos desse tipo (e eu sei que há), a paz e a renovação do arrependimento está a seu alcance por meio do sacrifício expiatório do Senhor Jesus Cristo. Em assuntos de tamanha seriedade, não é fácil enveredar pelo caminho do arrependimento, e a jornada é dolorosa; mas o Salvador do mundo caminhará ao seu lado na viagem. Ele os fortalecerá quando vacilarem. Será sua luz quando tudo parecer negro. Pegará sua mão e será sua esperança quando nada mais restar. Sua compaixão e misericórdia, com todo o Seu poder de purificação e cura, são concedidos a todos os que desejarem sinceramente o perdão completo e derem os passos necessários para conseguirem essa graça.

Presto testemunho do grande plano da vida, dos poderes da divindade, da misericórdia, do perdão e da Expiação do Senhor Jesus Cristo, pois tudo isso tem um profundo significado em questões de pureza moral. Testifico que devemos glorificar a Deus em nosso corpo e em nosso espírito. Agradeço aos céus pelas hostes de jovens que agem precisamente dessa forma e ajudam outros a fazer o mesmo. Agradeço aos céus pelas casas em que isso é ensinado. Que a vida com pureza interior seja reverenciada por todos, oro em nome da própria Pureza, o Senhor Jesus Cristo. Amém. 9

Exibir ReferênciasOcultar Referências
    1. Ver Jacó 2 e 3 para o contexto total desse sermão sobre a castidade.

    2. The Lessons of History, 1968, ⌦pp. 35–36.

    3. Provérbios 6:27–28, 32–33.

    4. Alma 39:5.

    5. D&C 88:15.

    6. D&C 93:34.

    7. Conference Report (Relatório da Conferência Geral), abril 1972, p. 139; ou Ensign, novembro de 1995, p. 102.

    8. Ver Hebreus 6:6.

    9. I Coríntios 6:18.

    10. D&C 59:6; grifo do autor.

    11. Ver especialmente D&C 19:15–20.

    12. I Coríntios 6:19–20; grifo do autor; ver também os versículos 13–18.

    13. Ver Gênesis 2:23–24.

    14. Ver D&C 128:18.

    15. A Família: Proclamação ao Mundo, A Liahona, janeiro de 1996, p. 114.

    16. Lucas 16:24.

    17. Ver James E. Talmage, Conference Report, outubro de 1913, p. 117.