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Outubro 2000 | O Convênio do Batismo: Estar no Reino e Ser do Reino

O Convênio do Batismo: Estar no Reino e Ser do Reino

Outubro 2000 Conferência Geral

“Nosso batismo e confirmação são a porta de entrada para Seu reino. Quando ingressamos, fazemos o convênio de sermos de Seu reino, para sempre!”

Depois de recuperar-me de três grandes cirurgias que me impediram de discursar nas últimas duas conferências gerais, que alegria é poder estar neste belo Centro de Conferências hoje para ensinar e prestar testemunho para quem desejar ouvir a palavra do Senhor.

Nos últimos dois anos, exerci fé no Senhor para que Ele me ensinasse lições mortais em períodos de dor física, angústia mental e meditação. Aprendi que as dores constantes e intensas são algo que nos consagra, purifica, torna humildes e aproxima do Espírito de Deus. Se ouvirmos e obedecermos, seremos guiados por Seu Espírito e faremos Sua vontade no cotidiano.

Houve momentos em que fiz algumas perguntas diretas em minhas orações, como: “Que lições Tu queres que eu aprenda com essas experiências?”

Ao estudar as escrituras nesse período crítico de minha vida, o véu tornou-se tênue e recebi respostas por meio do que já fora registrado na vida de pessoas que haviam passado por tribulações ainda mais cruciantes. “Meu filho, paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições não durarão mais que um momento;

E então, se suportares bem, Deus te exaltará no alto.” (D&C 121:7–8)

Momentos sombrios de depressão eram logo dissipados pela luz do evangelho à medida que o Espírito trazia paz, consolo e a certeza de que tudo terminaria bem.

Em algumas ocasiões, eu disse ao Senhor que eu certamente já aprendera as lições a serem ensinadas e que eu não precisava passar por mais sofrimentos. Essas súplicas parecem ter sido em vão, porque me foi mostrado com clareza que esse processo de purificação e testes deveria ser suportado no tempo do Senhor e à maneira Dele. Uma coisa é ensinar “faça-se a tua vontade” (Mateus 26:42); outra coisa é viver o princípio. Também aprendi que eu não estaria só ao enfrentar essas provações e reveses, mas que anjos protetores me amparariam. E de fato, algumas pessoas eram quase anjos em forma de médicos, enfermeiras e acima de tudo minha amada companheira, Mary. E em alguns momentos, quando o Senhor assim desejou, fui consolado com visitas de hostes celestiais que me trouxeram consolo e tranqüilidade eterna em minhas horas de necessidade.

Embora meu sofrimento pessoal não possa ser comparado à agonia do Salvador no Getsêmani, adquiri melhor compreensão de Sua Expiação e Seu padecimento. Em Seus momentos de aflição, Ele rogou ao Pai: “Se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”.(Mateus 26:39)O Pai Celestial enviou um anjo para apoiá-Lo e fortalecê-Lo em Suas horas mais difíceis. (Ver Lucas 22:43.)

Jesus só decidiu deixar este mundo depois de perseverar até o fim e concluir a missão que fora enviado para cumprir em prol da humanidade. Na cruz do Calvário, Jesus entregou o Espírito a Seu Pai com uma declaração simples: “Está consumado”.(João 19:30)Após perseverar até o fim, foi liberado da mortalidade.

Nós também precisamos perseverar até o fim. O Livro de Mórmon ensina: “A menos que o homem persevere até o fim, seguindo o exemplo do Filho do Deus vivente, não poderá ser salvo”. (2 Néfi 31:16)

As experiências desses últimos dois anos tornaram-me mais forte em espírito e deram-me coragem para testificar com mais eloqüência ao mundo sobre os profundos sentimentos de meu coração. Estou diante de vocês hoje determinado a ensinar os princípios do evangelho como os profetas da antigüidade: sem temer os homens, falando de modo claro e direto e ensinando as verdades simples do evangelho

Com isso em mente, eu gostaria de discorrer sobre como a ordenança do batismo e o recebimento do dom do Espírito Santo nos separam deste mundo e nos permitem entrar no reino de Deus.

Há uma frase bastante conhecida que diz: Estar no mundo sem ser do mundo. (Ver João 17:11, 14–17.) Nossa existência mortal é necessária para cumprir o plano de salvação. Precisamos, portanto, viver neste mundo, mas devemos também resistir às influências mundanas que sempre nos rodeiam.

Jesus ensinou: “O meu reino não é deste mundo”.(João 18:36)Essas palavras levaram-me a ponderar mais sobre Seu reino. Concluí que quando somos batizados por imersão por alguém com a devida autoridade do sacerdócio e optamos por seguir nosso Salvador, passamos a estar em Seu reino e a ser de Seu reino. Será que realmente sabemos o que significa estar em Seu reino e ser de Seu reino?

Para sermos do reino de Deus, precisamos dar ouvidos à admoestação do Salvador: “Segui-me”.(2 Néfi 31:10)Néfi ensinou que seguimos Jesus ao guardarmos os mandamentos do Pai Celestial. “Portanto, meus amados irmãos, poderemos nós seguir a Jesus se não estivermos dispostos a guardar os mandamentos do Pai?” (2 Néfi 31:10)

Por ocasião do batismo, fazemos convênio com nosso Pai Celestial de que estamos dispostos a entrar em Seu reino e a guardar Seus mandamentos a partir daquele momento, embora ainda vivamos no mundo. O Livro de Mórmon lembra-nos que, em nosso batismo, nos comprometemos a “servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que [nos encontremos], mesmo até a morte; para que [sejamos] redimidos por Deus e contados com os da primeira ressurreição, para que [tenhamos] a vida eterna”. (Mosias 18:9; grifo do autor)

Quando somos batizados e confirmados membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e recebemos o dom do Espírito Santo, tornamo-nos “concidadãos” com o Salvador no reino de Deus(ver Efésios 2:19)e devemos “[andar] em novidade de vida”. (Romanos 6:4)

Quando compreendermos nosso convênio batismal, nosso batismo modificará nossa vida e estabelecerá nossa total fidelidade ao reino de Deus. Quando as tentações nos confrontarem, se abrirmos os ouvidos, o Espírito Santo nos fará lembrar que prometemos recordar nosso Salvador e guardar Seus mandamentos.

O Presidente Brigham Young declarou: “Todos os santos dos últimos dias fazem o novo e eterno convênio ao filiarem-se a esta Igreja. Fazem o convênio de deixar de apoiar, defender e sustentar o reino do diabo e os reinos deste mundo. Fazem o novo e eterno convênio de apoiar o reino de Deus e nenhum outro. Assumem o compromisso solene, diante dos céus e da Terra, … de que defenderão a verdade e a justiça em vez da iniqüidade e da mentira e que construirão o reino de Deus e não os reinos deste mundo”. (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young [1997], pp. 62–63)

É tão importante entrar no reino de Deus que Jesus foi batizado a fim de mostrar-nos “quão estreito é o caminho e quão apertada é a porta pela qual [deveremos] entrar”.(2 Néfi 31:9)“Mas, embora sendo santo, mostra aos filhos dos homens que, segundo a carne, se humilha ante o Pai e testifica-lhe que lhe será obediente na observância de seus mandamentos.” (2 Néfi 31:7)

Nascido de mãe mortal, Jesus foi batizado para cumprir o mandamento de Seu Pai de que os filhos de Deus devem ser batizados. Ele deixou o exemplo para que todos nos humilhemos diante de nosso Pai Celestial. Ele foi batizado para testificar a Seu Pai que seria obediente na observância de Seus mandamentos. Foi batizado para mostrar-nos que deveríamos receber o dom do Espírito Santo. (Ver 2 Néfi 31:4–9.)

Ao seguirmos o exemplo de Jesus, nós também demonstramos que nos arrependeremos e seremos obedientes aos mandamentos de nosso Pai Celestial. Humilhamo-nos com o coração quebrantado e o Espírito contrito ao reconhecermos nossos pecados e buscarmos o perdão de nossas ofensas. (Ver 3 Néfi 9:20.) Fazemos convênio de que estamos dispostos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo e recordá-Lo sempre.

“Porque a porta pela qual deveis entrar é o arrependimento e o batismo com água; e recebereis, então, a remissão de vossos pecados pelo fogo e pelo Espírito Santo.

E estareis então no caminho estreito e apertado que conduz à vida eterna; sim, havereis entrado pela porta; havereis procedido segundo os mandamentos do Pai e do Filho; e havereis recebido o Espírito Santo, que dá testemunho do Pai e do Filho em cumprimento da promessa que vos fez de que, se entrásseis pelo caminho, receberíeis.” (2 Néfi 31:17–18)

Essa é a promessa que nos foi feita quando entramos para o reino por meio do batismo e quando, por imposição de mãos, nos foi conferido o dom do Espírito Santo e fomos confirmados membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — ou seja, tornamo-nos cidadãos do reino de Deus(ver Efésios 2:19)e devemos “[andar] em novidade de vida”. (Romanos 6:4)

Precisamos ser mais eficazes ao ensinar nossos filhos e netos a compreender o que significa entrar no reino de Deus. Muitos membros da Igreja não entendem plenamente o que aconteceu quando eles entraram nas águas do batismo. É muito importante que compreendamos o maravilhoso dom da remissão dos pecados, mas há muito mais. Vocês e seus filhos compreendem que, quando são batizados, modificam-se para sempre? Os conversos adultos da Igreja costumam ter um melhor entendimento desta transformação porque sentem o contraste ao saírem do mundo e entrarem no reino de Deus.

Quando somos batizados, tomamos sobre nós o sagrado nome de Jesus Cristo. Tomar sobre nós o Seu nome é uma das experiências mais significativas que poderemos ter na vida. Contudo, às vezes passamos por essa experiência sem a compreender plenamente.

Quantos de nossos filhos e quantos de nós realmente compreendemos que quando fomos batizados, tomamos sobre nós não só o nome de Jesus Cristo, mas também a lei da obediência?

Todas as semanas, na reunião sacramental, prometemos recordar o sacrifício expiatório de nosso Salvador ao renovarmos nosso convênio batismal. Prometemos fazer como o Salvador fez — ser obedientes ao Pai e sempre guardar Seus mandamentos. A bênção que recebemos em troca é sempre termos conosco Seu Espírito.

O dom do Espírito Santo, conferido a nós na confirmação, confere-nos a capacidade de discernir a diferença entre a abnegação do reino de Deus e o egoísmo do mundo. O Espírito Santo concede-nos força e coragem para conduzirmos nossa vida à maneira do reino de Deus e é a fonte de nosso testemunho do Pai e do Filho. Ao obedecermos à vontade de nosso Pai Celestial, esse dom inestimável do Espírito Santo estará conosco continuamente.

Precisamos do Espírito Santo como nosso companheiro constante para ajudar-nos a fazer escolhas melhores nas decisões com que nos deparamos no dia-a-dia. Nossos rapazes e moças são bombardeados com as coisas vis do mundo. A companhia do Espírito lhes dará forças para resistir ao mal e, quando necessário, para arrependerem-se e voltarem ao caminho estreito e apertado. Nenhum de nós está imune às tentações do adversário. Todos precisamos do fortalecimento proporcionado pelo Espírito Santo. As mães e os pais devem, em espírito de oração, convidar o Espírito Santo a habitar em seu lar dedicado. Com o auxílio do Espírito Santo, os membros da família poderão fazer escolhas sábias, escolhas que os ajudarão a regressar juntos para a presença do Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo para viverem com Eles eternamente.

As escrituras confirmam que as pessoas verdadeiramente convertidas fazem mais do que apenas ignorar os apelos do mundo. Elas amam a Deus e ao próximo. A mente e a alma delas estão centradas no sacrifício expiatório do Salvador. A partir de sua conversão, Enos, Alma, o filho, Paulo e outros dedicaram-se integralmente ao trabalho de trazer a si próprios e a seus semelhantes a Deus. O poder e os bens do mundo perderam a importância para eles. Os filhos de Mosias abriram mão de um reino terreno e arriscaram a própria vida pelo bem-estar alheio. Esses filhos fiéis eram motivados pela esperança de conseguirem salvar ainda que fosse uma alma e assim conquistar para si mesmos e para seus irmãos um lugar no reino eterno de Deus.

Ao optarmos por estar em Seu reino, nós nos separamos (e não nos isolamos) do mundo. Passaremos a primar pelo recato no vestir e nossos pensamentos e palavras serão puros. Os filmes e programas de televisão a que assistirmos, as músicas que ouvirmos, os livros, as revistas e jornais que lermos serão edificantes. Escolheremos amizades que nos incentivarão a atingir nossas metas eternas e trataremos uns aos outros com bondade. Manteremos distância dos vícios da imoralidade, dos jogos de azar, do fumo, da bebida e das drogas ilícitas. Nossas atividades dominicais refletirão o mandamento do Senhor de lembrar-nos de Seu dia para o santificar. Seguiremos o exemplo de Jesus Cristo na forma de tratarmos uns aos outros e levaremos uma vida digna para podermos entrar na casa do Senhor.

Seremos exemplos dos “fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”. (I Timóteo 4:12)

Passaremos por uma “vigorosa mudança … [no coração], de modo que não [teremos] mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente”. Guardaremos nosso “convênio com nosso Deus, de cumprir a sua vontade e obedecer a seus mandamentos em todas as coisas que ele nos ordenar, para o resto de nossos dias”. (Mosias 5:2, 5)

Demonstraremos que “[desejamos] … ser chamados seu povo; e … [estamos] dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

Sim, e [estamos] dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo”. (Mosias 18:8–9)

Exorto todos os pais a prepararem os filhos e os missionários a prepararem os conversos para a sagrada ordenança do batismo. Ensinem sobre o significado dela para que fique gravada na memória espiritual deles para o restante da vida. Levem-nos à reunião sacramental semanalmente para renovarem os convênios batismais por meio da ordenança do sacramento. Sejam um bom exemplo para eles. Ensinem-lhes que, por causa do batismo e do dom do Espírito Santo, nossa maneira de enxergar as coisas do mundo deve mudar. Uma vigorosa mudança deve ocorrer em seu coração e em sua mente para que eles consigam desviar-se das tentações do mundo e, a partir de então, dedicarem todo o “coração, poder, mente e força”(D&C 4:2)para estarem no reino de Deus.

Sinto uma enorme gratidão por meu batismo e confirmação em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sou grato pela força e orientação espiritual que o Espírito Santo me proporcionou ao longo de minha vida. Sou grato por pais e professores bondosos que incutiram em mim o significado do batismo de tal forma que as lembranças e sentimentos daquela ocasião continuam a ser uma influência duradoura em toda a minha vida.

Presto testemunho da divindade do evangelho, restaurado nestes últimos dias. Testifico da Expiação de Jesus Cristo e da eficácia e poder do sacerdócio e suas ordenanças do evangelho. Oro para que cada um de nós, como membros de Seu reino, compreenda que nosso batismo e confirmação são a porta de entrada para Seu reino. Quando ingressamos, fazemos o convênio de sermos de Seu reino, para sempre! Em nome de Jesus Cristo. Amém.