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Outubro 2001 | Estender a Mão para Erguer Outra Pessoa

Estender a Mão para Erguer Outra Pessoa

Outubro 2001 Conferência Geral

“Abramos o coração, estendamos a mão para erguer outra pessoa, contribuamos financeiramente e demonstremos mais amor por nosso semelhante.”

Agora, meus queridos irmãos, ao olhar para este grande grupo de homens aqui reunido, sabendo que há mais dezenas de milhares no mundo inteiro, todos com uma só mente e um só coração, todos possuindo a autoridade do sacerdócio do Deus Vivo, sinto-me extremamente humilde. Peço a orientação do Santo Espírito.

Este grupo de homens é único em todo o mundo. Nada há que se compare a ele. Vocês integram o exército do Senhor, homens prontos para batalhar contra o adversário da verdade, homens dispostos a participar, homens que possuem o testemunho da verdade, homens que sacrificaram e doaram muito por esta grande causa. Que o Senhor os abençoe, sustente e magnifique. “Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real.” (I Pedro 2:9)

Irmãos, sejamos dignos do sacerdócio que possuímos. Vivamos mais próximos do Senhor. Sejamos bons maridos e pais.

Todo homem que é um tirano em seu próprio lar é indigno do sacerdócio. Ele não pode ser um instrumento adequado nas mãos do Senhor se não mostrar respeito, bondade e amor pela companheira que escolheu.

Da mesma forma, um homem que é um mau exemplo para seus filhos, que não consegue controlar suas emoções ou que se envolve em práticas desonestas ou imorais torna sem efeito o poder de seu sacerdócio.

Quero lembrar a vocês “que os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão.

Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniqüidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem.” (D&C 121:36–37)

Irmãos, sejamos bons homens, como convém àqueles que foram favorecidos pelo Senhor com a concessão de Seu divino poder sobre nós.

Agora, passando a um assunto diferente porém relacionado.

Em nossa reunião do sacerdócio de abril, anunciei um novo programa. Falei sobre o grande número de nossos missionários da América do Sul, México, Filipinas e outras áreas. Eles aceitaram seu chamado de servir com seus irmãos e irmãs norte-americanos. Desenvolveram um forte testemunho. Aprenderam um novo modo de vida. São altamente eficazes porque falam sua língua natal e conhecem a cultura de sua terra. Desfrutam uma época maravilhosa de trabalho árduo e dedicado.

Depois, são desobrigados e voltam para casa. Sua família vive na pobreza, e muitos deles voltam para as mesmas condições de que saíram, incapazes de progredir por falta de conhecimento e treinamento, tendo, conseqüentemente, muita dificuldade em encontrar um bom emprego.

Falei a vocês a respeito do Fundo Perpétuo de Emigração, que fora estabelecido na época dos pioneiros da Igreja, para auxiliar os pobres que chegavam da Inglaterra e da Europa. Um fundo rotativo foi estabelecido a partir do qual eram feitos pequenos empréstimos, possibilitando que 30.000 pessoas emigrassem de sua terra natal para reunirem-se em Sião.

Eu disse a vocês que aplicaríamos esse mesmo princípio para criar o que seria conhecido como o Fundo Perpétuo de Educação. Com as doações feitas por nosso povo, e não com o dinheiro do dízimo, criaríamos um capital para investimento, cujos rendimentos seriam usados para auxiliar nossos jovens irmãos e irmãs a fre-qüentarem uma escola a fim de qualificarem-se para melhores empregos. Eles poderiam desenvolver suas habilidades de modo a conseguirem ganhar o suficiente para cuidar de sua família e sair da pobreza que eles e seus antepassados conheceram.

Não tínhamos nada no fundo quando ele foi planejado. Mas, seguindo adiante com fé, estabelecemos uma organização, modesta em suas dimensões, para implementar o que achávamos ser necessário. Estou feliz ao anunciar que o dinheiro começou a chegar, dezenas de milhares de dólares, centenas de milhares de dólares, até mesmo milhões. Isso foi doado por membros generosos da Igreja que amam o Senhor e desejam ajudar os menos afortunados de Seu povo a progredir financeiramente. Temos agora uma quantia considerável no fundo. Não é tudo que precisamos. Esperamos que as contribuições continuem a ser feitas. O montante do capital para investimento determinará o número de pessoas que poderão ser ajudadas.

Agora, seis meses depois, quero apresentar-lhes um relatório do que foi realizado. Em primeiro lugar, chamamos o Élder John K. Carmack, que serviu extraordinariamente bem no Primeiro Quórum dos Setenta e se tornou Setenta Emérito nesta conferência. Ele é um advogado de grande gabarito, tem bom senso nos negócios e é uma pessoa extremamente capaz. Ele recebeu o cargo de diretor administrativo e, embora esteja aposentado do serviço dos Setenta, irá trabalhar em tempo integral para a realização desse empreendimento.

O Élder Richard E. Cook, dos Setenta, que também se tornou Emérito, trabalhará com ele, cuidando da parte financeira. O Élder Cook foi controlador adjunto da Ford Motor Company, tem muita experiência em questões financeiras internacionais, é um executivo extremamente competente e um homem que ama o Senhor e Seus filhos.

Nós já esprememos este irmãos de um lado, agora vamos virá-los e espremê-los do outro.

A eles se uniram o irmão Rex Allen, um especialista em organização e treinamento e o irmão Chad Evans, que tem ampla experiência em programas de educação superior.

Todos eles contribuem com seu tempo e experiência sem qualquer remuneração.

O programa está organizado e funcionando. Esses irmãos foram muito cuidadosos em iniciá-lo adequadamente com diretrizes sólidas. No início do programa restringimos sua área de atuação, mas ela será expandida à medida que tivermos os recursos necessários para isso.

Esses irmãos trabalharam muito para utilizar a já existente organização da Igreja. O programa baseia-se no sacerdócio e é por isso que terá sucesso. Começa com os bispos e presidentes de estaca. Envolve o Sistema Educacional da Igreja, os escritórios de Serviços de Empregos e outras organizações, trabalhando juntos num maravilhoso espírito de cooperação. Ele foi implementado em primeiro lugar no Peru, Chile e México — áreas onde o número de missionários que retornaram da missão é grande e há muita necessidade de auxílio. Os líderes locais têm sido entusiásticos e dedicados. Os beneficiados estão aprendendo os verdadeiros princípios da auto-suficiência. Sua visão do próprio potencial foi enormemente ampliada. Estão escolhendo boas escolas locais para receber treinamento e procurando usar o máximo possível os seus próprios recursos, os de sua família e outros recursos locais. Estão dispostos e profundamente gratos pela oportunidade que receberam. Deixem-me contar-lhes dois ou três exemplos.

O primeiro é de um rapaz que serviu na Missão Bolívia Cochabamba. Ele mora com sua fiel mãe e as sobrinhas em um bairro pobre. A casa pequena tem piso de cimento, uma única lâmpada, um telhado com goteira e uma janela quebrada. Ele foi um missionário bem-sucedido e conta:

“Minha missão foi a melhor coisa que já fiz na vida. Aprendi a ser obediente aos mandamentos e a ser paciente em minhas aflições. Também aprendi um pouco de inglês e a administrar melhor o meu dinheiro, meu tempo e minhas habilidades.

Então, quando terminei a missão, foi difícil voltar para casa. Meus companheiros americanos voltaram para a universidade, mas há muita pobreza em meu país. É muito difícil estudar. Minha mãe faz o melhor que pode, mas não tem como ajudar-nos. Ela sofreu muito na vida e eu sou sua esperança.

Quando fiquei sabendo do Fundo Perpétuo de Educação, fiquei muito feliz. O profeta reconheceu nossos esforços. Senti-me muito feliz (…) tinha então a possibilidade de estudar, de tornar-me auto-suficiente, de formar uma família e de ajudar minha mãe.

Estudarei contabilidade numa escola local onde poderei estudar e trabalhar. É um curso curto, de apenas três anos. Terei que continuar trabalhando como zelador, mas isso não tem importância. Assim que me formar e conseguir um emprego como contador, vou esforçar-me para prosseguir os estudos e formar-me em comércio exterior.

Esta é nossa oportunidade, não podemos falhar. O Senhor confia em nós. Li muitas vezes no Livro de Mórmon o Senhor dizer a Seus profetas que, enquanto guardarmos os mandamentos, prosperaremos na terra. Isso está se cumprindo. Sinto-me muito grato a Deus por esta grande oportunidade de receber o que meus irmãos e irmãs não tiveram, de ajudar minha família e de atingir minhas metas. Estou muito entusiasmado em pagar o empréstimo para ver outras pessoas serem igualmente abençoadas. Sei que o Senhor irá abençoar-me se eu assim o fizer.”

Isso não é maravilhoso? Outro exemplo. Um jovem da Cidade do México foi aprovado para receber um empréstimo de aproximadamente mil dólares, que lhe permitirá estudar para tornar-se mecânico de motores a diesel. Ele disse: “Minha promessa é dar o melhor de mim até ficar satisfeito com meus esforços. Sei que esse programa é valioso e muito importante. Por causa disso, estou procurando aproveitá-lo ao máximo para o futuro. Poderei servir e auxiliar os pobres e ajudar a aconselhar meus familiares. Agradeço a meu Pai Celestial por esse programa belo e inspirado.”

Um empréstimo foi aprovado recentemente para outro rapaz da Cidade do México, que serviu na Missão Nevada Las Vegas. Quer tornar-se auxiliar de dentista. Seu treinamento irá exigir 15 meses de trabalho dedicado. Ele disse:

“Minha promessa ao terminar meus estudos na escola técnica, com a ajuda do Fundo Perpétuo de Educação, é pagar o empréstimo para que outros missionários que retornaram da missão possam desfrutar dessas bênçãos.”

E assim demos início a esse trabalho de possibilitar que nossos fiéis e capazes jovens progridam de modo a assegurarem seu sucesso econômico. Tendo muito mais oportunidades, eles conseguirão sair do ciclo de pobreza no qual eles próprios e seus antepassados conviveram por tanto tempo. Eles serviram numa missão e continuarão a servir na Igreja. Tornar-se-ão líderes desse grande trabalho em sua terra natal. Pagarão seus dízimos e ofertas, possibilitando que a Igreja expanda seu trabalho em todo o mundo.

Esperamos que no final deste ano tenhamos cerca de 1.200 pessoas no programa. Daqui a três anos, estima-se que haverá mais de 3.000. As oportunidades estão aí. A necessidade é urgente. Talvez fracassemos em alguns casos. Mas a grande maioria, tanto de rapazes quanto de moças, terá o desempenho esperado.

Nossa única limitação será o montante que teremos no fundo. Convidamos novamente todos aqueles que desejem participar a fazerem sua contribuição, seja ela grande ou pequena. Poderemos então ampliar esse grande trabalho, que permitirá que aqueles que tiverem fé e potencial alcancem a independência econômica como membros fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Compreendem o significado do grandioso trabalho desta Igreja? Deixem-me dar-lhes uma idéia. Uma dupla de missionários bate à porta de uma casinha, em algum lugar do Peru. Uma mulher abre a porta. Ela não entende muito bem o que os missionários desejam, mas os convida a entrar. Eles combinam de voltar quando o marido e os outros membros da família estiverem em casa.

Os missionários ensinam a família. Tocados pelo poder do Espírito, a família aceita a mensagem de verdade eterna e são batizados.

A família é ativa na Igreja. Pagam um dízimo honesto, mas bem pequeno. Eles têm um filho ou filha na família, que está nos últimos anos da adolescência. No devido tempo, o filho ou a filha é chamado para servir em uma missão. A família faz todo o possível para sustentar o filho ou a filha e o restante é complementado pelo fundo missionário, que vem de contribuições dos santos.

O filho ou a filha trabalha com um companheiro ou companheira dos Estados Unidos ou Canadá. Aprende inglês, ao passo que o espanhol do companheiro melhora muito. A dupla trabalha com amor, gratidão e respeito mútuo, representando duas culturas muito diferentes.

Ao terminar a missão, o norte-americano retorna ao lar e volta para a faculdade. O peruano retorna para casa e, com muita sorte, consegue apenas um emprego de trabalho braçal. O salário é sempre muito baixo. O futuro é desanimador. O rapaz ou a moça não tem as aptidões necessárias para conseguir um emprego melhor. Surge então um raio de esperança. Bem, vocês devem ter compreendido a situação. Não preciso explicar mais. O caminho à frente está bem claro, a necessidade é imensa e o Senhor indicou o rumo.

O Élder Carmack encontrou recentemente um velho livro contábil, que veio me mostrar. Descobrimos que há muito tempo, em 1903, um pequeno fundo foi estabelecido para ajudar futuros professores a qualificarem-se para melhores oportunidades de trabalho por intermédio de pequenos empréstimos que os ajudaria enquanto estudavam.

O fundo continuou a ser utilizado durante 30 anos, até que finalmente foi encerrado durante a Grande Depressão.

Fiquei impressionado com os nomes registrados naquele antigo livro-razão. Dois deles tornaram-se presidentes de universidade. Outros se tornaram educadores muito conhecidos e altamente qualificados. O livro-razão mostrava o pagamento de $10,00 dólares, $25,00 dólares, $3,10 dólares de juros, e coisas assim. Um dos beneficiados desse programa tornou-se bispo, presidente de estaca, depois Apóstolo e, por fim, conselheiro na Primeira Presidência.

Irmãos, precisamos cuidar mais diligentemente uns dos outros. Precisamos fazer um pouco mais para ajudar aqueles que estão em situação financeira menos privilegiada. Precisamos dar incentivo e estender a mão para aqueles homens e mulheres de fé, integridade e capacidade, que irão progredir muito com um pouco de ajuda.

Esse princípio se aplica não apenas ao nosso empreendimento atual, nesse fundo de auxílio à educação, mas de modo mais abrangente. Abramos o coração, estendamos a mão para erguer outra pessoa, contribuamos financeiramente e demonstremos mais amor por nosso semelhante.

O Senhor abençoou-nos muito. Mas as necessidades são imensas. Ele disse: “Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. (Mateus 25:40)

Lemos no livro de Atos:

“E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.

O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.

E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.

E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa.

E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.

E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram.

E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.” (Atos 3:2–8)

Observem que Pedro o tomou pela mão direita e o levantou.

Pedro estendeu a mão para erguer o homem coxo. Devemos também estender a mão para erguer a outros.

Deus os abençoe, meus queridos irmãos, tanto jovens quanto idosos. Continuem fiéis. Ministrem com amor. Criem sua família no caminho do Senhor. “Confiem em Deus e vivam.” (Ver Alma 37:47.)

É minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

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