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Abril 2003 | “É Assim que as Coisas São”

“É Assim que as Coisas São”

Abril 2003 Conferência Geral

Precisamos alcançar e manter determinados padrões para participar dos importantes eventos espirituais da vida.

Boa noite. Gosto muito de reunir-me com os portadores do sacerdócio de Deus e de desfrutar da fraternidade mundial que há entre nós e que prezamos. Esse espírito especial vem da expectativa que nos será ensinada nas partes claras e preciosas do evangelho de Jesus Cristo.

Hoje, falarei aos rapazes da Igreja. Os que pertencem a outra faixa etária estão convidados a ouvir.

No último Natal, o repórter Walter Cronkite participou do Concerto de Natal com o Coro do Tabernáculo e com a Orquestra da Praça do Templo. Durante 19 anos, ele foi o âncora do noticiário noturno da CBS. [O sr. Cronkite] ganhou a reputação de ser “o homem em quem mais se confia nos EUA”1. Quando lhe perguntaram como ele gostaria que lembrassem dele, sua resposta foi: “Ah, como um homem que deu o melhor de si”.2 Ao longo de sua carreira notória, o sr. Cronkite concluía todos os noticiários com a frase: “É assim que as coisas são”. Hoje, vamos falar de como são as coisas.

Em uma recente conferência de estaca, o presidente da estaca contou-me uma história. Ele perguntou ao filho qual foi o assunto de um serão de domingo que acontecera recentemente. O rapaz respondeu: “Elevar os padrões”. Ele disse ao pai que estava cansado desse tema porque fora o assunto de todas as aulas e reuniões recentes. A primeira coisa que pensei foi: “Ótimo; as pessoas estão falando da mensagem do profeta, escutando-a e colocando-a em prática”. Depois, pensei em como o rapaz encarava ser lembrado repetidamente da mesma coisa. Às vezes os lembretes repetitivos são irritantes quando estamos empenhados em dar o melhor de nós.

Quando eu era rapaz, fingia não ouvir o lembrete repetitivo de minha mãe: “David, lembre-se de quem você é”. Esse lembrete sempre deu margem a comentários interessantes de meus amigos. Eu ficava irritado quando meu pai apontava repetidas vezes a casa do Presidente George Albert Smith sempre que passávamos pela rua 13 East de Salt Lake City e lembrava-me que ali morava um profeta de Deus que me amava. Hoje, sinto imensa gratidão por esses lembretes repetidos.

A expressão “elevar os padrões” é usada muitas vezes no meio esportivo para falar de quando se atinge um nível de desempenho mais elevado. A utilização de uma metáfora esportiva pode ajudar a descrever o motivo por que é crucial fazer o que o Presidente Hinckley pediu-nos, quando disse o seguinte na última conferência: “Espero que nossos rapazes e nossas jovens estejam à altura do desafio que ele [o Élder Ballard] fez. Precisamos elevar os padrões de dignidade e qualificação daqueles que servem pelo mundo como embaixadores do Senhor Jesus Cristo”.3

Há um ano, tivemos uma Olimpíada de Inverno em Salt Lake City. Na maioria dos esportes olímpicos, os atletas têm de atingir um determinado grau de desempenho a fim de qualificar-se para competir. Nossa vida é semelhante ao processo de qualificação para as Olimpíadas: precisamos alcançar e manter determinados padrões para participar dos importantes eventos espirituais da vida. Os atletas de nível internacional têm uma rotina diária rigorosa. Dominam as habilidades exigidas pelo esporte que praticam. Somente depois disso podem qualificar-se para a competição. É assim que as coisas são.

Rapazes, se querem alcançar o nível internacional e qualificar-se para participar dos eventos verdadeiramente importantes da vida, como, por exemplo, a ordenação aos ofícios do sacerdócio, as bênçãos do templo e a obra missionária, vocês também precisam desenvolver uma rigorosa rotina diária de honestidade, virtude, estudo e oração. É assim que as coisas são.

Os atletas olímpicos conhecem bem o esporte que praticam e compreendem as regras que o governam. Quem quebra as regras pode receber penalidades rigorosas e até ser desclassificado. Nas últimas Olimpíadas, um atleta teve sua medalha cassada por não ter obedecido às regras quanto às drogas que melhoram o desempenho físico. O jogo de golfe tem uma das penalidades mais rigorosas que os atletas podem receber. Basta anunciar o conjunto da pontuação com um erro nos pontos de qualquer um dos 18 buracos para ser desclassificado: A tolerância é zero. Não interessa se o erro beneficiaria ou prejudicaria quem errou; a penalidade é a mesma: a desclassificação.

Depois de mais de 50 anos, ainda posso ouvir as palavras do árbitro do torneio: “Desculpe, filho, mas tenho que desclassificá-lo por anunciar a pontuação errada”. Minha desclassificação decorreu do fato de ter mencionado ao árbitro que eu precisava corrigir minha pontuação. Passei semanas perguntando-me: “Por que não fiquei calado? Aliás, foi um erro inocente. A pontuação total estava certa”. Apesar de meu desempenho ter sido bom o suficiente para eu vencer, saí de mãos vazias da cerimônia de premiação. É assim que as coisas são.

Meus jovens amigos, as regras são importantes, chegam a ser cruciais. Na vida também somos punidos, talvez até desclassificados quando desobedecemos às regras. Nossa participação nos eventos mais importantes da vida pode ser colocada em risco se deixarmos de seguir as regras contidas nos mandamentos do Pai Celestial. Quando nos envolvemos com os pecados sexuais, as drogas, desobedecemos às leis civis ou nos envolvemos com o abuso e os maus-tratos, podemos ter de ficar de fora nos momentos importantes. Seria bom que vocês encarassem as regras como medidas de segurança e não como algemas. A obediência promove a força. É assim que as coisas são.

Em 1834, o Profeta Joseph Smith escreveu: “Não houve mês algum em que eu estivesse mais atarefado do que novembro; mas como em minha vida sempre havia uma tarefa atrás da outra e responsabilidades sem fim, estabeleci esta regra: Quando o Senhor mandar, faça”.4

Para algumas pessoas o esporte é uma profissão. A diferença entre ganhar e perder pode ser uma soma vultosa em dinheiro. Os atletas contratam agentes para cuidar das questões de negócios. Os agentes, treinadores particulares, técnicos e administradores ajudam o atleta a melhorar o desempenho.

Nosso Pai Celestial providenciou para Seus amados filhos jovens uma equipe de apoio excelente, até melhor que as dos atletas. Os nossos pais são agentes excelentes. Eles cuidam do que é melhor para nós. Não apenas se interessam por nós, como também, devido ao amor que nos têm, são consultores fora de série.

O Apóstolo Paulo, quando ensinava os Colossenses, disse: “Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor”. (Colossenses 3:20) Além de nossos pais, pensem na vasta rede de auxílio que nos foi dada para melhorar o nosso desempenho espiritual. O bispo faz o trabalho do treinador particular e utiliza as chaves sagradas do sacerdócio de que dispõe para abençoar nossa vida. O professor do seminário, o consultor do quórum e os mestres familiares completam a equipe de apoio que foi montada pelo Senhor para ajudar-nos a preparar-nos para os grandes jogos da vida. Se seguirem e forem obedientes, o seu desempenho melhorará continuamente. Quando o Senhor mandar, faça. É assim que as coisas são.

Uma das coisas que diferenciam o bom do excelente é o que os psicólogos do esporte chamam de “concentração”. Os competidores que têm a habilidade de colocar as coisas sem importância de lado e concentrar-se totalmente no que é essencial conseguem melhorar seu desempenho. A concentração é um elemento decisivo para o sucesso.

Ouvi casualmente uma conversa entre Arnold Palmer, jogador profissional de golfe, e um jovem “caddie” (n.t. auxiliar que carrega os tacos) que estava trabalhando para ele pela primeira vez. O jovem “caddie”, ao entregar o taco para o jogador, disse-lhe que a distância até a bandeira era de 150m, e que havia um riacho escondido à esquerda e uma grande área de terreno acidentado e traiçoeiro à direita. Com bastante bondade, mas com firmeza, o sr. Palmer lembrou ao rapaz que a única informação que lhe pedira era a distância até o buraco. Depois acrescentou que não queria perder a concentração por preocupar-se com o que havia à esquerda ou à direita.

É fácil perder de vista os objetivos verdadeiramente importantes da vida. Há muitas coisas que desviam nossa atenção. Algumas pessoas movem-se com dificuldade em meio aos obstáculos de água à esquerda, outras acabam no intransponível terreno acidentado à direita. Conseguimos ficar em segurança e ter sucesso quando permanecemos concentrados nas oportunidades importantes que descobrimos ao concentrarmo-nos no que está bem diante de nós: o avanço no sacerdócio, a dignidade para entrar no templo e o serviço missionário. É assim que as coisas são.

Que o Pai Celestial abençoe cada um de vocês. Testifico a todos que Jesus é o Cristo e o amor que tem por nós é perfeito. Sou grato por haver um grande profeta que nos ajuda a compreender que quando o Senhor ordena, devemos obedecer, pois é assim que as coisas são. Em nome de nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo. Amém.

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    1. “Walter Cronkite: A Lifetime Reporting the News”; d. Internet, http://www.smith sonianassociates.org/programs/cronkite/ cronkite.htm.

    2. Kira Albin, “That’s the Way It Is… with Walter Cronkite”, Grand Times, Internet, http://www.grandtimes.com/cronkite.html.

    3. “Aos Homens do Sacerdócio”, A Liahona, novembro de 2002, p. 57.

    4. History of the Church, 2:170.