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Outubro 2003 | Um Firme Alicerce

Um Firme Alicerce

Outubro 2003 Conferência Geral

Nosso testemunho (…) precisa estar edificado sobre um firme alicerce, profundamente enraizado no evangelho de Jesus Cristo.

Há vários anos, uma forte tempestade se abateu sobre o lugar em que morávamos. Ela começou com uma chuva torrencial, seguida de um devastador vendaval vindo do leste. Quando a tempestade cessou, fez-se uma estimativa dos danos—As linhas de força tinham sido derrubadas, propriedades foram danificadas e muitas belas árvores que cresciam na região foram arrancadas do chão. Poucos dias depois, eu estava conversando com um amigo que tinha perdido várias árvores de seu jardim. As árvores de um lado da casa estavam intactas. Elas tinham suportado bem a tempestade, ao passo que as árvores que ficavam no lugar que eu considerava o mais bonito de sua propriedade não tinham conseguido suportar os fortes ventos. Ele disse-me que as árvores que sobreviveram à tempestade estavam firmemente plantadas no chão, suas raízes tinham-se aprofundado no solo para receber nutrição. As árvores que ele tinha perdido estavam plantadas ao lado de um pequeno regato, com fácil acesso a nutrientes. As raízes eram superficiais; não eram profundas o suficiente para proteger as árvores da tempestade.

Nosso testemunho, tal como aquelas árvores, precisa estar edificado sobre um firme alicerce, profundamente enraizado no evangelho de Jesus Cristo, de modo que quando os ventos e chuvas chegarem em nossa vida, como certamente virão, seremos suficientemente fortes para suportar as tempestades a nosso redor. Helamã aconselhou o seguinte a seus filhos:

“E agora, meus filhos, lembrai-vos, lembrai-vos de que é sobre a rocha de nosso Redentor, que é Cristo, o Filho de Deus, que deveis construir os vossos alicerces; para que, quando o diabo lançar a fúria de seus ventos, sim, seus dardos no torvelinho, sim, quando todo o seu granizo e violenta tempestade vos açoitarem, isso não tenha poder para vos arrastar ao abismo da miséria e angústia sem fim, por causa da rocha sobre a qual estais edificados, que é um alicerce seguro; e se os homens edificarem sobre esse alicerce, não cairão.”1

No Livro de Mórmon, o profeta Jacó, em seu encontro com o anticristo Serém, fez a seguinte pergunta: “Negas o Cristo que virá? E ele disse: Se houvesse um Cristo, eu não o negaria; sei, porém, que não existe Cristo algum, nem existiu, nem existirá.

E disse-lhe eu: Crês nas escrituras? E ele disse: Sim.

E eu disse: Então não as entendes, porque elas verdadeiramente testificam de Cristo. Eis que te digo que nenhum dos profetas escreveu nem profetizou sem ter falado sobre este Cristo.

E isto não é tudo — (…); foi-me também manifestado pelo poder do Espírito Santo (…)”.2

Jacó indicou três fontes da verdade que prestam testemunho de Cristo: As escrituras, os profetas e o Espírito Santo. Elas nos ajudarão edificar sobre “a rocha de nosso Redentor, que é Cristo, o Filho de Deus”.3

1. As Escrituras

O próprio Salvador disse: “Examinais as Escrituras, porque (…) são elas que de mim testificam”. 4 Quando o Senhor ordenou a Leí que tomasse sua família e fugisse para o deserto, Ele sabia que eles precisariam de um firme alicerce sobre o qual poderiam edificar na nova terra. As escrituras eram tão importantes que para conseguir os registros a voz do Espírito ordenou a Néfi que matasse Labão, dizendo: “(…) Melhor é que pereça um homem do que uma nação degenere e pereça na incredulidade”.5

Nessa mesma época, o Senhor conduziu outro grupo de pessoas de Jerusalém até a terra prometida. Muitas gerações depois, o rei Mosias descobriu seus descendentes. Eles eram conhecidos como o povo de Zaraenla. Sua condição espiritual era muito fraca. Em Ômni, lemos: “(…) seu idioma corrompera-se; e nenhum registro tinham trazido consigo; e negavam a existência de seu Criador (…)”.6 Sem as escrituras, não apenas as nações perecem, mas as famílias e as pessoas caem em descrença. O estudo diário das escrituras ajuda-nos a ancorar nossa fé em Cristo. Elas verdadeiramente testificam a respeito Dele.

2. Os Profetas

Há vários anos, fui designado a reorganizar uma presidência de estaca. Na sessão de domingo da conferência, a esposa do recém-chamado presidente de estaca contou esta história. Ela disse que tinha sido criada num bom lar cristão. Seus pais reuniam a família todos os dias para ler e estudar a Bíblia. Enquanto liam a respeito dos profetas antigos, ela perguntou aos pais por que não havia profetas na Terra atualmente. Eles não conseguiram responder a essa pergunta satisfatoriamente, tampouco seus professores e líderes religiosos.

Certo dia, quando cursava a universidade, ela encontrou dois rapazes que usavam camisa branca e gravata. Ela conseguiu ver o nome “Jesus Cristo” na plaqueta preta que usavam. Foi conversar com eles e perguntou se eram ministros religiosos. Sim, nós somos! Somos missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

“Posso lhes fazer uma pergunta, então?” disse ela. “O Senhor ama as pessoas de hoje tanto quanto as de antigamente?”

“Sim, Ele ama”, foi a resposta deles.

“Então, por que não temos profetas na Terra hoje em dia?”

Podem imaginar como os missionários ficaram entusiasmados quando ouviram uma pergunta assim? Eles disseram: “Nós temos, temos profetas na Terra hoje em dia. Podemos falar-lhe a respeito deles?”

Nossa mensagem para o mundo é a mesma: “Temos profetas na Terra hoje em dia”. Hoje mesmo, à tarde, ergueremos a mão para apoiar o Presidente Gordon B. Hinckley, seus conselheiros e o Quórum dos Doze como profetas, videntes e reveladores. Eles são testemunhas especiais do nome de Jesus Cristo. No documento, O Cristo Vivo – O Testemunho dos Apóstolos, eles declaram: “Prestamos testemunho, como Apóstolos Seus, devidamente ordenados, de que Jesus é o Cristo Vivo, o Filho imortal de Deus. (…) Ele é a luz, a vida e a esperança do mundo. Seu caminho é aquele que conduz à felicidade nesta vida e à vida eterna no mundo vindouro”.7 Irmãos e irmãs, Deus ama-nos a ponto de enviar-nos profetas, portanto precisamos amá-Lo a ponto de segui-los. Ao seguirmos os profetas, seremos protegidos contra as intempéries da vida e conduzidos a Cristo.

3. O Espírito Santo

Quando Cristo Se reuniu com Seus Apóstolos na última ceia antes de Sua Crucificação, Ele disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.8

Quando recebemos a imposição das mãos em nossa cabeça depois do batismo, somos confirmados como membros de Sua Igreja e recebemos o dom do Espírito Santo. Se vivermos em retidão e permanecermos dignos, recebemos a promessa de termos a Sua companhia constante. Ele guiará nossa vida, ensinar-nos-á verdades e testificará que Jesus é o Cristo. No convênio que fizemos como membros da Igreja do Senhor, prometemos servi-Lo e guardar Seus mandamentos “(…) para que ele possa derramar seu Espírito com mais abundância sobre [nós]”.9

Na África Ocidental, onde estamos servindo atualmente, sentimos Seu Espírito ser derramado com grande abundância sobre os santos fiéis. Em 1989, uma tempestade se abateu sobre Gana — não uma tempestade de chuva ou vento, mas de perseguição, calúnias e intolerância. Foi uma época difícil; a Igreja ainda era nova ali. Todos os nossos missionários não-africanos foram obrigados a sair do país. Nossas capelas foram trancadas e vigiadas para que não fossem usadas pelos membros. Os santos não podiam reunir-se, por isso adoravam em família em suas próprias casas. Alguns membros foram perseguidos e até encarcerados. Esse período ficou conhecido como “congelamento”. Os membros tiveram pouco contato com a Igreja de fora do país e pouco apoio dela, mas não foram abandonados à própria sorte para enfrentar a tempestade. Eles tinham as escrituras e as palavras dos profetas; eles depositaram confiança e sua fé no Senhor, e Ele derramou Seu Espírito sobre eles. Um membro da Igreja disse: “Tivemos o Espírito do Senhor conosco, podíamos senti-Lo guiando-nos e orientando-nos. Ficamos mais próximos uns dos outros e nos achegamos mais ao Salvador”.

Durante dezoito meses, os santos jejuaram e oraram pelo fim do congelamento. Em novembro de 1990, a proibição foi suspensa. O pior da tempestade já havia passado, mas as conseqüências foram severas. Alguns se afastaram. Suas raízes eram pouco profundas e seu alicerce era fraco. O alicerce da Igreja em Gana, hoje em dia, está edificado sobre a fé daqueles que suportaram a tempestade. Eles estavam firmemente enraizados no evangelho de Jesus Cristo.

Irmãos e irmãs, as escrituras, os profetas vivos e o Espírito Santo testificam a respeito de Cristo. Eles nos ajudarão a edificar sobre “um alicerce seguro; e se os homens edificarem sobre esse alicerce, não cairão”.10 Disso presto humilde testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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    1. Helamã 5:12.

    2. Jacó 7:9–12.

    3. Helamã 5:12.

    4. João 5:39.

    5. 1 Néfi 4:13.

    6. Ômni 1:17.

    7. O Cristo Vivo — O Testemunho dos Apóstolos”, A Liahona, abril 2000, p. 3.

    8. João 14:15–16.

    9. Mosias 18:10.

    10. Helamã 5:12.