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Outubro 2003 | “Eu Creio, Senhor! Ajuda a Minha Incredulidade”

“Eu Creio, Senhor! Ajuda a Minha Incredulidade”

Outubro 2003 Conferência Geral

A fé que nos sustém pode ser o maior consolo e segurança desta vida. Todos precisamos adquirir nosso próprio testemunho.

Nesta manhã, quero prestar meu humilde testemunho aos que têm dúvidas e preocupações pessoais a respeito da missão divina d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Muitos de nós somos, às vezes, como o pai que pediu ao Salvador que curasse seu filho que tinha um “espírito mudo”. O pai do menino exclamou: “Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade”.1 Para todos os que têm dúvidas e questões, sempre há uma maneira de ajudar sua descrença. No processo de aceitação e rejeição de informações na busca da luz, verdade e conhecimento, quase todos têm, neste ou naquele momento, algumas dúvidas pessoais. Isso faz parte do processo de aprendizado.

A fé que nos sustém pode ser o maior consolo e segurança desta vida. Todos precisamos adquirir nosso próprio testemunho.

Um testemunho começa com a aceitação pela fé da missão divina de Jesus Cristo, o cabeça desta Igreja, e do profeta da Restauração, Joseph Smith. O evangelho restaurado por intermédio de Joseph Smith ou é verdadeiro ou não é. Para receber todas as bênçãos prometidas precisamos aceitar o evangelho plenamente e com fé. Contudo, essa fé segura geralmente não vem toda de uma vez. Aprendemos espiritualmente, linha sobre linha, e preceito sobre preceito.

Joseph Hamstead, que dava palestras na Universidade de Londres, falou a alguns colegas daquela grande universidade a respeito da Igreja e seus programas para os jovens e para a família. Um deles disse: “Gosto de tudo isso, tudo o que está sendo feito em prol da família, etc. Se você tirasse aquela parte sobre o anjo que apareceu a Joseph Smith, eu bem que poderia fazer parte de sua igreja”. O irmão Hamstead respondeu: “Ah, mas se você tirasse a parte em que o anjo apareceu ao Profeta Joseph, então eu não poderia pertencer a essa Igreja, porque esse é o alicerce dela”.2

Tal como o professor da universidade de Londres, muitas pessoas vêem a maravilha que é esta Igreja e ficam convencidos de que ela tem grande mérito e conteúdo. Valorizam o que a Igreja pode fazer por aqueles que nela crêem. Contudo, carecem da confirmação espiritual de que Joseph Smith realmente teve a visão do Pai e do Filho, e de que um anjo entregou a Joseph Smith as placas das quais foi traduzido o Livro de Mórmon. Conhecer a Deus é o principal dom espiritual que qualquer homem ou mulher pode receber. Joseph Smith recebeu esse conhecimento diretamente de Deus. Muitos anos depois, ainda ponderando sobre a influência que esse e outros acontecimentos tiveram em sua vida, o próprio Joseph disse: “Não culpo ninguém por não acreditar na minha história. Se eu não tivesse vivido o que vivi, eu mesmo não acreditaria”.3

Ninguém estava com o menino Joseph Smith no Bosque Sagrado, em Palmyra, Nova York, quando Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo apareceram. Porém até aqueles que não acreditam que isso aconteceu têm dificuldade em dar uma explicação. Ocorreu muita coisa desde aquela época, tornando difícil negar que isso tenha realmente acontecido.

Para aqueles que como o pai citado na Bíblia dizem: “Eu creio, (…) ajuda a minha incredulidade”, afirmo que vocês podem ter uma confirmação, seguindo a orientação do Livro de Mórmon, que nos desafia a perguntar a “Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo” a respeito da verdade que só pode vir por meio da fé em Cristo e da revelação. Contudo, há dois elementos indispensáveis. Precisamos “[perguntar] com um coração sincero e com real intenção”, então Deus nos “manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas”.4

Fortes evidências além do Livro de Mórmon confirmam as afirmações de Joseph Smith. Para começar, as Três Testemunhas e as Oito Testemunhas, que tiveram as placas nas mãos e viram os caracteres nelas gravados, testificaram que o Livro de Mórmon foi traduzido pelo poder de Deus. Os membros da família de Joseph Smith, que o conheciam melhor que ninguém, também aceitaram sua mensagem e creram nela. Entre os que acreditaram estavam seus pais, seus irmãos e irmãs, e seu tio John Smith. Seu irmão mais velho Hyrum provou sua completa fé no trabalho de Joseph dando a vida juntamente com Joseph. Todas essas testemunhas dignas de confiança confirmam o testemunho do Profeta.

Seus amigos mais próximos tinham uma crença absoluta na missão divina de Joseph Smith. Dois deles, Willard Richards e John Taylor, estavam com Joseph e Hyrum quando eles foram mortos. Joseph perguntou a Willard Richards se ele estaria disposto a ir com eles. Willard respondeu sem hesitar: “Irmão Joseph, você não me pediu que cruzasse o rio com você — não me pediu que fosse a Carthage — não me pediu que fosse para a prisão com você — e acha que eu o abandonaria agora? Mas digo-lhe o que farei; se você for condenado à forca por traição, eu serei enforcado em seu lugar para que você possa ficar livre”.5

John Taylor testificou: “Joseph Smith, o Profeta e Vidente do Senhor, com exceção apenas de Jesus, fez mais pela salvação dos homens neste mundo do que qualquer outro homem que jamais viveu nele (…)”.6 O pragmático Brigham Young disse: “Tenho vontade de gritar Aleluia, toda vez que penso que conheci Joseph Smith, o Profeta que o Senhor chamou e ordenou, e a quem deu as chaves e o poder para edificar o Reino de Deus na Terra e sustê-lo”.7 Em minha opinião, esses homens fortes e inteligentes não poderiam ter sido enganados.

Também é muito convincente para mim o fato de que nenhuma outra religião alega possuir as chaves para selar o relacionamento familiar para toda a eternidade. O Presidente Hinckley disse: “Todo templo, seja ele grande ou pequeno, novo ou velho, é uma expressão de nosso testemunho de que a vida além da morte é tão real e certa quanto a mortalidade”.8 Aqueles que valorizam e amam sua família têm um forte motivo para desejarem a bênção de serem selados para a eternidade nos templos de Deus. Para todos os avós, pais, maridos, esposas, filhos e netos, esse poder e autoridade de selamento é um princípio de primordial importância, o ponto alto da restauração “de todas as coisas”9 realizada por intermédio do Profeta Joseph Smith. O selamento une as famílias para sempre. Essa bênção pode ser estendida aos que estão vivendo agora, e também de modo vicário para aqueles que morreram, unindo desse modo a família para a eternidade.10

Outra vigorosa evidência da divindade desta obra sagrada é o notável crescimento e força desta Igreja em todo o mundo. Ela é uma instituição sem igual. Não há nada que se compare a ela. Tal como argumentou Gamaliel quando Pedro e os antigos Apóstolos testificavam a respeito da divindade de Jesus Cristo:

“Se (…) esta obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la (…)”.11

No entanto, mesmo sendo tudo isso verdade, toda pessoa precisa ter uma confirmação espiritual pelo poder do Espírito Santo, que é algo mais vigoroso do que todos os sentidos combinados. Para aqueles que dizem “Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade”, gostaria de sugerir que “[olhem] para o futuro com os olhos da fé”.12 Para aqueles que o fizerem, o Senhor prometeu: “(…) eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração”.13

Algumas das justificativas dadas pelas pessoas quando o fogo de sua fé enfraquece e se apaga incluem: As fraquezas humanas e a imperfeição das pessoas; algo na história da Igreja que não conseguem compreender; mudanças nos procedimentos decorrentes do crescimento e da revelação contínua; indiferença; ou transgressão.

Em certa ocasião, o Senhor disse que Se comprazia com Joseph Wakefield.14 Ele era forte e fiel, e ensinou centenas de pessoas a respeito do trabalho profético de Joseph Smith. Mas a partir de 1833 a 1834, foi influenciado por alguns dissidentes de Kirtland. Esteve certa vez na casa de Joseph Smith. Joseph saiu da sala em que estivera traduzindo a palavra de Deus e imediatamente começou a brincar com algumas crianças. “Isso convenceu [o irmão Wakefield] de que [Joseph] não era um homem de Deus, e que [portanto] a obra era falsa”.15 Mais tarde, Joseph Wakefield apostatou, foi excomungado e passou a perseguir a Igreja e os santos.

Uma irmã inativa ficou surpresa ao se dar conta, quando seu filho foi servir em uma missão, de que não tinha sido convertida à Igreja. Comparando-se a outras pessoas que contavam histórias impressionantes a respeito de sua conversão, ela se perguntou: “Por que aquelas pessoas tiveram uma conversão tão vigorosa, ao passo que eu, com minha herança pioneira, continuo sem ter sido convertida?” Ela começou a ler o Livro de Mórmon, embora duvidasse de sua importância e o achasse entediante. Então, uma amiga fez-lhe o seguinte desafio: “Você disse que acredita na oração. Então, por que não ora a esse respeito?”

Foi o que ela fez, e depois de ter orado, começou a ler o Livro de Mórmon novamente. Ele já não lhe era entediante. Quanto mais lia, mais fascinante se tornava, e ela pensou: “Joseph Smith não poderia ter escrito isso — essas palavras vieram de Deus!” Ela terminou de ler e ficou imaginando como Deus lhe diria que o livro era verdadeiro. Ela disse: “Um forte, belo e jubiloso poder tomou totalmente o meu corpo. (…) Eu sabia que Jesus Cristo tinha ressuscitado, (…) que Joseph Smith era um profeta que tinha visto Deus e Jesus Cristo. Eu sabia que ele tinha milagrosamente traduzido registros antigos com a orientação de Deus. Eu sabia que Joseph Smith tinha recebido revelações de Deus”. Isso mudou sua vida, porque ela passou a ser uma pessoa convertida!16

Para aqueles cuja fé enfraqueceu, suas justificativas podem parecer-lhes reais, mas isso não muda a realidade do que Joseph Smith restaurou. O Profeta Joseph Smith disse: “Eu nunca lhes disse que era perfeito; mas não há nenhum erro nas revelações que ensinei”.17 Não é possível atacar a doutrina ou os princípios verdadeiros, porque são eternos. As revelações que nos foram dadas por intermédio do Profeta Joseph Smith continuam sendo corretas! É um erro permitir que as distrações, falhas pessoais ou ofensas derrubem nossa própria fé.

Podemos ter um testemunho seguro de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e Redentor da humanidade, e de que Joseph Smith foi um profeta chamado para restaurar a Igreja em nossos dias, sem termos uma compreensão completa de todos os princípios do evangelho. Mas quando pegamos um bastão, ele vem por inteiro. O mesmo acontece com o evangelho. Como membros da Igreja, precisamos aceitar o evangelho por inteiro. Até a limitada confirmação espiritual de alguns aspectos do evangelho é uma bênção, e com o tempo, os outros aspectos dos quais vocês ainda estão inseguros podem vir por meio da fé e da obediência.

O espaço que separa aquilo que é popular do que é correto e justo está aumentando. Conforme foi profetizado por Isaías, muitos “ao mal chamam bem, e ao bem mal”.18 As revelações de Deus não são como as opções de um refeitório, onde algumas são escolhidas e outras rejeitadas. Temos uma grande dívida para com o Profeta Joseph Smith pelas muitas grandiosas revelações que recebemos por intermédio dele. Ele foi uma pessoa inigualável na restauração do conhecimento espiritual.19 A revelação dada a Joseph Smith em março de 1839 foi cumprida:

“Os confins da Terra indagarão a respeito de teu nome e tolos zombarão de ti e o inferno se enfurecerá contra ti;

Enquanto os puros de coração e os prudentes e os nobres e os virtuosos procurarão conselho e autoridade e bênçãos sob tuas mãos constantemente”.20

Para aqueles que acreditam mas desejam que sua crença seja fortalecida, peço-lhes que caminhem com fé e confiem em Deus. O conhecimento espiritual sempre exige o exercício da fé. Adquirimos um testemunho dos princípios do evangelho procurando obedientemente vivê-los. O Salvador disse: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá (…)”.21 O testemunho da eficácia da oração vem por meio da oração humilde e sincera. O testemunho do dízimo vem por meio do pagamento do dízimo. Não deixem que suas dúvidas pessoais os afastem da fonte divina de conhecimento. Sigam em frente em espírito de oração, buscando humildemente a luz eterna, e sua incredulidade será dissipada. Testifico que se prosseguirem com determinação em seu processo de busca e aceitação da luz espiritual, verdade e conhecimento, essas coisas certamente virão. Prosseguindo com fé vocês descobrirão que sua fé será aumentada. Como uma boa semente, se ela não for lançada fora por sua descrença, a fé irá crescer dentro de seu peito.22

Creio que para todas as pessoas o testemunho individual de que Jesus é o Cristo vem como um dom espiritual. Ninguém pode desafiá-lo ou negá-lo porque é um dom extremamente pessoal para aquele que o recebe. Ele sempre será como um recarregador espiritual para manter nossa luz espiritual acesa, mostrando-nos o caminho para a felicidade eterna. Testifico, porém, que ele pode ser muito mais que isso. Ao fazermos o convênio “(…) com nosso Deus de cumprir a sua vontade e obedecer a seus mandamentos em todas as coisas que ele nos ordenar, para o resto de nossos dias”, nosso “coração [é transformado] pela fé [no nome de Cristo]”. Desse modo “[nascemos] dele (…) e [nos tornamos] seus filhos e suas filhas”.23 Tenho um conhecimento seguro disso e declaro essas coisas no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

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    1. Marcos 9:17,24.

    2. Carta particular.

    3. History of the Church, vol. 6, p. 317.

    4. Morôni 10:4-5, grifo do autor.

    5. History of the Church, vol. 6, p. 616.

    6. D&C 135:3.

    7. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997, p. 98.

    8. “This Peaceful House of God”, Ensign, maio de 1993, p. 74.

    9. Atos 3:21.

    10. Ver D&C 110:15-16.

    11. Atos 5:38-39.

    12. Alma 5:15.

    13. D&C 8:2.

    14. D&C 50:37.

    15. George A. Smith, Deseret News, janeiro de 1858, p. 364.

    16. Ver Grace Jorgensen, “Every Member a Convert”, Ensign, abril de 1980, p. 70–71.

    17. History of the Church, vol. 6, p. 366.

    18. Isaías 5:20.

    19. Ver D&C 135:3.

    20. D&C 122:1–2.

    21. João 7:17.

    22. Ver Alma 32:28.

    23. Mosias 5:5, 7.