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Abril 2004 | “Coração de Mãe”

“Coração de Mãe”

Abril 2004 Conferência Geral

Ao desenvolver um “coração de mãe”, cada menina e cada mulher se prepara para a missão divina e eterna da maternidade.

Com freqüência ouço o papai descrever minha mãe como sendo uma mulher com um “coração de mãe” e isso é verdade. Sua influência maternal tem sido sentida por centenas, talvez milhares de pessoas. e ela aperfeiçoou seu papel de educadora a um alto grau de excelência. Seu testemunho do evangelho restaurado de Jesus Cristo e um forte senso de identidade e propósito guiam sua vida.

Ela levou mais tempo do que a maioria das mulheres para encontrar seu marido, mas durante seus anos de solteira, ela dedicou sua vida ao progresso. Embora isso não fosse comun na época, ela teve uma educação universitária e cresceu profissionalmente. Depois do casamento, os filhos chegaram rapidamente; e, em um curto espaço de tempo, ela tornou-se mãe de uma grande família. Todo o conhecimento que havia adquirido, toda sua capacidade e talento naturais e todas as suas habilidades foram canalizadas para uma organização que não possuía limites terrenos. Como filha de Deus que cumpre os convênios que fez, ela se preparara durante toda a vida para cuidar dos seus filhos.

O que significa ter um “coração de mãe” e como se pode ter um? Aprendemos a respeito de algumas de suas qualidades nas escrituras. Parafraseando Provérbios: “Mulher (…) quem a achará (com um coração de mãe)? [Pois] “seu valor muito excede ao de rubis”. Ela “(…) trabalha de boa vontade com suas mãos. (…) planta uma vinha com o fruto de suas mãos. (…) Abre sua mão ao pobre (…). A força e a honra são seu vestido (…). Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua. Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça”. (Provérbios 31:10, 13, 16, 20, 25–27) Uma mulher com um “coração de mãe” tem um testemunho do evangelho restaurado e ela ensina os princípios do evangelho sem equívoco. Ela cumpre os convênios sagrados feitos nos templos sagrados. Seus talentos e habilidades são compartilhados com abnegação. Ela estuda tanto quanto suas circunstâncias lhe permitem, aperfeiçoando a mente e o espírito com o desejo de ensinar o que ela aprende às gerações que se seguirem.

Se tiver filhos, ela é uma “[boa mãe]” (1 Néfi 1:1) que vive e ensina os padrões de comportamento exatamente na linha dos ensinamentos dos profetas vivos. Ela ensina “seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor”. (D&C 68:28) Em lugar de ouvir as vozes e as meias verdades do mundo, ela sabe que os padrões do evangelho se baseiam nas verdades eternas e imutáveis. Ela acredita que a “responsabilidade primordial da mãe [de] cuidar dos filhos” é uma “[atribuição sagrada]”. (“A Família — Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 1998, p. 24) Cuidar e nutri-los fisicamente é uma honra tão grande quanto o é cuidar e nutri-los espiritualmente. Ela não “[se cansa] de fazer o bem” e se deleita em servir a família, porque sabe que “de pequenas coisas provém aquilo que é grande”. (D&C 64:33)

Quisera que cada menina e cada mulher tivesse um testemunho de seu potencial para a maternidade eterna ao cumprirem seus convênios terrenos. “Cada uma (…) é [uma filha] (…) [de] pais celestiais que [a] amam e como tal, possui (…) destino [divino]”. (“A Família—Proclamação ao Mundo”) Como filhas espirituais de Deus, as mulheres “receberam suas primeiras lições no mundo dos espíritos e foram [preparadas] para nascer” (D&C 138:56) na Terra. Elas estavam entre os “grandes e nobres” (D&C 138:55) que “[jubilaram]” (Jó 38:7) quando da criação da Terra porque receberiam um corpo físico com a oportunidade de serem “[provadas]” (Ver Abraão 3:25.) na esfera mortal. (Ver Abraão 3:25.)

Elas queriam trabalhar lado a lado com homens dignos para levarem a cabo metas eternas que nem um deles poderia realizar independentemente. O papel das mulheres não se iniciou na Terra e não terminará aqui. A mulher que considera a maternidade preciosa na Terra, considerará a maternidade preciosa no mundo futuro e “onde estiver o [seu] tesouro, aí estará também o [seu] coração”. (Mateus 6:21) Ao desenvolver um “coração de mãe”, cada menina e cada mulher se prepara para a missão divina e eterna da maternidade. “Qualquer princípio de inteligência que [alcançar] nesta vida, surgirá [com ela] na ressurreição. E se nesta vida, uma pessoa, por sua diligência e obediência, adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro.” (D&C 130:18–19)

Em minha vida, tenho visto que às vezes o mais sincero “coração de mãe” bater no peito de mulheres que não criaram seus próprios filhos nesta Terra, mas elas sabem que: “Todas as coisas, porém, deverão realizar-se a seu tempo” e que elas “[estão] lançando o alicerce de uma grande obra (…)”. (D&C 64: 32–33). Ao cumprirem seus convênios, elas estarão investindo em um futuro grandioso e de prestígio, porque sabem que “(…) os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre”. (Abraão 3:26)

Encontrei, recentemente, em um parque um grupo de mulheres com “coração de mãe”. Elas eram jovens e cumpridoras dos convênios que fizeram. Eram inteligentes e haviam feito cursos de pós-graduação em universidades conceituadas. Mas estavam naquele momento devotando seus talentos consideráveis, ao planejamento do jantar daquela noite e trocando idéias de afazeres domésticos. Estavam ensinando crianças de dois anos de idade a serem gentis umas com as outras. Estavam acalmando bebês, beijando joelhos arranhados e enxugando lágrimas. Perguntei a uma daquelas mães como foi que ela havia transferido seus talentos tão alegremente para o papel de mãe. Ela replicou: “Eu sei quem sou e sei o que devo fazer. O resto vem depois”. Essa jovem mãe edificará a fé e o caráter na próxima geração uma oração por vez, uma sessão de estudos das escrituras. Uma leitura do livro em voz alta, uma canção, uma refeição em família após a outra. Ela está “envolvida em uma grande obra”. Ela sabe que “os filhos são herança do Senhor (…) e [bem-aventurada a mulher] que enche deles a sua aljava”. (Salmos 127:3, 5) Ela sabe que a influência da maternidade justa, conscienciosa, persistente, do dia-a-dia, é muito mais duradoura, muito mais poderosa, muito mais influente do que qualquer posição ou instituição terrena inventada pelo homem. Ela tem a visão que, se for digna, terá o potencial para ser abençoada como Rebeca da antigüidade para ser a “mãe de milhares de milhares”. (Gênesis 24:60)

As mulheres que cumprem os seus convênios com um coração de mãe, sabem que, quer a maternidade chegue cedo ou tarde; quer elas sejam abençoadas com a aljava cheia de filhos aqui na mortalidade ou não; quer sejam solteiras, casadas ou deixadas para carregar a responsabilidade de criar os filhos sozinhas — nos templos sagrados, elas são “[investidas] de poder do alto” (D&C 38:32) e com essa investidura, recebem as bênçãos prometidas “crendo-as e abraçando-as”. (Hebreus 11:13)

Toda menina ou mulher que faz e cumpre os convênios sagrados pode ter um “coração de mãe”. Não existem limites para o que uma mulher com “coração de mãe” pode realizar. Mulheres dignas mudaram o curso da história e continuam a fazê-lo, e sua influência se espalhará e se multiplicará através das eternidades. Como sou grata ao Senhor por confiar às mulheres a divina missão da maternidade. Como a Mãe Eva “[alegro-me]” (ver Moisés 5:11) por saber dessas coisas. Em nome de Jesus Cristo. Amém.