“Se Estiverdes Preparados, Não Temereis”

Gordon B. Hinckley

President of the Church


Gordon B. Hinckley
Devemos viver de modo a podermos invocar o Senhor pedindo Sua proteção e orientação. (…) Não podemos esperar Sua ajuda se não estivermos dispostos a cumprir Seus mandamentos.

Meus queridos irmãos do sacerdócio, onde quer que estejam neste imenso mundo, que magnífico grupo vocês se tornaram, homens e rapazes de todas as raças e famílias; todos fazem parte da família de Deus.

Quão preciosa é a dádiva que Ele nos concedeu: Uma porção de Sua divina autoridade, o sacerdócio eterno, o poder pelo qual Ele leva a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem. Segue-se que quando muito é dado, muito será exigido de nós (ver Lucas 12:48 e D&C 82:3).

Sei que não somos homens perfeitos. Conhecemos o caminho perfeito, mas nem sempre agimos de acordo com o nosso conhecimento. Mas creio que na maior parte das vezes, estamos tentando ser o tipo de homens que o Pai deseja que sejamos. Esse é um objetivo muito elevado, e louvo todos os que estão tentando alcançá-lo. Que o Senhor os abençoe ao procurarem ter uma vida exemplar em todos os aspectos.

Como todos sabemos, a região dos estados do Golfo do México, nos Estados Unidos, recentemente, sofreu de modo terrível com os ventos violentos e as águas. Muitos perderam tudo o que tinham. Os danos foram astronômicos. Literalmente milhões de pessoas sofreram. Muitos foram dominados pelo medo e preocupação. Vidas foram perdidas.

Com tudo isso, houve um grande movimento de ajuda. Muitos abriram o coração e o lar. Os críticos adoram falar sobre os fracassos do cristianismo. Essas pessoas deveriam dar uma olhada no que as igrejas fizeram nessas situações. Pessoas de muitas denominações realizaram coisas maravilhosas. Nossa própria Igreja também não ficou para trás, muito pelo contrário. Um grande número de nossos homens viajou distâncias consideráveis, levando ferramentas, barracas e o brilho da esperança. Homens do sacerdócio doaram milhares e milhares de horas em trabalho de reconstrução. Houve ocasiões em que havia de três a quatro mil trabalhando. Alguns deles estão aqui nesta noite. Não temos como agradecer a essas pessoas. Queremos que saibam de nossa gratidão, nosso amor e nossas orações por vocês.

Dois de nossos Setentas de Área, o irmão John Anderson, que mora na Flórida, e o irmão Stanley Ellis, que mora no Texas, dirigiram grande parte desse trabalho. Mas eles são os primeiros a declarar que todo o mérito deve ser dado ao grande número de homens e rapazes que prestaram assistência. Muitos vestiram a camisa com os dizeres: “Mãos que Ajudam — Mórmons”. Conquistaram o amor e o respeito das pessoas que eles ajudaram. Seu auxílio não foi oferecido apenas aos membros da Igreja necessitados, mas a um grande número de pessoas cuja filiação religiosa não foi identificada.

Eles seguiram o padrão dos nefitas, conforme está escrito no livro de Alma: “Não deixavam de atender a quem quer que estivesse nu ou faminto ou sedento ou doente ou que não tivesse sido alimentado; e o seu coração não estava nas riquezas; portanto eram liberais com todos, tanto velhos como jovens, tanto escravos como livres, tanto homens como mulheres, pertencessem ou não à igreja, não fazendo acepção de pessoas no que se referia aos necessitados” (Alma 1:30).

Mulheres e moças de muitas partes da Igreja realizaram um trabalho hercúleo para prover dezenas de milhares de kits de higiene e limpeza. A Igreja proveu equipamentos, alimentos, água e consolo.

Contribuímos com valores substanciais para a Cruz Vermelha e outras organizações. Doamos milhões de nosso fundo de jejum e fundo de auxílio humanitário. A todos vocês, agradeço em nome de seus beneficiários e em nome da Igreja.

Não estou dizendo, e repito enfaticamente, não estou dizendo nem dando a entender que o que aconteceu foi castigo do Senhor. Havia muitas pessoas boas, inclusive alguns de nossos santos fiéis, entre aqueles que sofreram. Depois de dizer isso, não hesito em dizer que este velho mundo está acostumado a sofrer calamidades e catástrofes. Todos nós que lemos as escrituras e acreditamos nelas estamos cientes das advertências dos profetas acerca de catástrofes que aconteceram no passado e que ainda estão por acontecer.

Houve o grande Dilúvio, quando as águas cobriram a Terra e quando, como Pedro disse, apenas “oito almas se salvaram” (I Pedro 3:20).

Se alguém duvida das coisas terríveis que podem e vão afligir a humanidade, basta ler o capítulo 24 de Mateus. Nele, entre outras coisas, o Senhor diz: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras (…)

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

Mas todas estas coisas são o princípio de dores. (…)

Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! (…)

Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.

E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24:6–8, 19, 21–22).

No Livro de Mórmon lemos sobre a inimaginável destruição ocorrida no hemisfério ocidental na época da morte do Salvador em Jerusalém. Citando novamente:

“E aconteceu que no trigésimo quarto ano, no primeiro mês, no quarto dia do mês, levantou-se uma grande tormenta como nunca antes havia sido vista em toda a terra.

E houve também uma grande e terrível tempestade; e houve terríveis trovões que sacudiram toda a terra como se ela fosse rachar-se ao meio.

E houve relâmpagos tão resplandecentes como nunca vistos em toda a terra.

E a cidade de Zaraenla incendiou-se.

E a cidade de Morôni submergiu nas profundezas do mar e seus habitantes afogaram-se.

E a terra cobriu a cidade de Moronia, de modo que em lugar da cidade apareceu uma grande montanha. (…)

Toda a face da terra foi mudada por causa da tempestade e dos furacões e dos trovões e relâmpagos e dos violentos tremores de toda a terra.

E romperam-se os caminhos, desnivelaram-se as estradas e muitos lugares planos tornaram-se acidentados.

E muitas cidades grandes e importantes foram tragadas e muitas se incendiaram e muitas foram sacudidas até que seus edifícios ruíram; e seus habitantes foram mortos e os lugares ficaram devastados” (3 Néfi 8:5–10, 12–14).

Que catástrofe terrível deve ter sido aquela.

A peste negra do século XIV ceifou milhões de vidas. Outras doenças pandêmicas, como a varíola, causaram sofrimento inexprimível e morte ao longo dos séculos.

No ano 79 d.C. a grande cidade de Pompéia foi destruída pela erupção do Vesúvio.

Chicago foi devastada por um terrível incêndio. Ondas gigantescas inundaram várias regiões do Havaí. O terremoto de San Francisco, em 1906, arruinou a cidade e ceifou 3.000 vidas. O furacão que atingiu Galveston, Texas, em 1900, matou 8.000 pessoas. E mais recentemente, como sabem, houve o terrível tsunami, no Sudeste Asiático, onde milhares de vidas foram perdidas e ainda se faz necessário muito trabalho de auxílio.

Quão proféticas são as palavras da revelação encontrada na seção 88 de Doutrina e Convênios a respeito das calamidades que virão depois do testemunho dos élderes. O Senhor disse:

“Pois depois de vosso testemunho vem o testemunho de terremotos, que farão gemer a Terra em seu âmago; e homens cairão por terra e não poderão ficar de pé.

E vem também o testemunho da voz de trovões e da voz de relâmpagos e da voz de tempestades e da voz das ondas do mar, arremessando-se além de seus limites.

E todas as coisas estarão tumultuadas; e certamente o coração dos homens lhes falhará; pois o temor tomará conta de todos” (D&C 88:89–91).

Quão interessantes são as descrições do tsunami e dos recentes furacões em termos da linguagem desta revelação, que diz: “A voz das ondas do mar, arremessando-se além de seus limites”.

A desumanidade do homem para com o homem vista nos conflitos do passado e nos atuais causou e continua a causar um sofrimento inexprimível. Na região de Dafur, no Sudão, dezenas de milhares de pessoas foram mortas e bem mais de um milhão ficaram desabrigadas.

As coisas que aconteceram no passado foram todas preditas e o fim ainda não chegou. Assim como houve calamidades no passado, esperamos mais no futuro. O que devemos fazer?

Alguém disse que não estava chovendo quando Noé construiu a arca. Mas ele a construiu, e as chuvas vieram.

O Senhor disse: “Se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30).

A principal preparação também está declarada em Doutrina e Convênios, onde lemos: “Portanto permanecei em lugares santos e não sejais movidos até que venha o dia do Senhor” (D&C 87:8).

Cantamos este hino:

Ao sentir tremer a terra,
Dá-nos forças e valor.
E chegando o julgamento,
Ergue o braço protetor.
(Jeová, Sê Nosso Guia, Hinos, no 40)

Devemos viver de modo a podermos invocar o Senhor pedindo Sua proteção e orientação. Essa é uma prioridade essencial. Não podemos esperar Sua ajuda se não estivermos dispostos a cumprir Seus mandamentos. Nós, membros desta Igreja, temos prova suficiente do castigo da desobediência nos exemplos das nações jaredita e nefita. Cada uma delas foi da glória para a destruição por causa da iniqüidade.

Sabemos, é claro, que a chuva cai tanto sobre justos quanto sobre injustos (ver Mateus 5:45). Mas mesmo que os justos morram, eles não estão perdidos, mas, sim, salvos pela Expiação do Redentor. Paulo escreveu aos romanos: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos” (Romanos 14:8).

Podemos dar ouvidos às advertências. Foi-nos dito que muito foi feito em relação à vulnerabilidade de Nova Orleans. Foi-nos dito pelos sismólogos que o Vale do Lago Salgado é uma zona de terremotos em potencial. Esse é o principal motivo porque estamos reformando amplamente o Tabernáculo da Praça do Templo. Aquele edifício histórico e notável precisa se tornar resistente a abalos sísmicos.

Construímos celeiros e armazéns, e neles estocamos necessidades vitais para o caso de calamidades. Mas o melhor armazém é o armazém da família. Nas palavras da revelação, o Senhor disse: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias” (D&C 109:8).

Por três quartos de século nosso povo tem sido aconselhado e incentivado a fazer esses preparativos a fim de garantir a sobrevivência, caso haja uma calamidade.

Podemos reservar um pouco de água, alimentos básicos, medicamentos e roupas para manter-nos aquecidos. Devemos ter um pouco de dinheiro reservado para os dias difíceis.

Mas o que eu estou dizendo não deve provocar uma corrida aos supermercados ou coisa semelhante. Não estou dizendo nada que já não venha sendo declarado há muito tempo.

Não devemos nos esquecer do sonho do faraó referente às vacas gordas e magras, as espigas cheias e as miúdas. José interpretou o significado desse sonho como indicativo de anos de fartura e anos de escassez (ver Gênesis 41:1–36).

Tenho fé, meus queridos irmãos, que o Senhor nos abençoará, cuidará de nós e nos ajudará, se formos obedientes à Sua luz, Seu evangelho e Seus mandamentos. Ele é nosso Pai e nosso Deus, e nós somos Seus filhos, e precisamos merecer em todos os aspectos o Seu amor e cuidado. Que façamos isso, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.