Para Que Possamos Ter Sempre Conosco o Seu Espírito

David A. Bednar

Of the Quorum of the Twelve Apostles


David A. Bednar
Devemos nos esforçar para discernir “quando nos afastamos do Espírito do Senhor” e prestar atenção e aprender com as escolhas e influências que nos separam do Espírito Santo.

Hoje, faço uma lembrança e uma admoestação àqueles de nós que somos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Oro pelo Espírito Santo e O convido a auxiliar-nos enquanto aprendemos juntos.

O batismo por imersão para a remissão dos pecados é uma ordenança introdutória do evangelho de Jesus Cristo e deve ser precedido pela fé no Salvador e pelo arrependimento sincero e completo. O batismo na água deve ser seguido pelo batismo do Espírito para que seja completo [ver Guia para Estudo das Escrituras: Batismo, p. 26]. Como o Salvador ensinou a Nicodemos, “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5). Minha mensagem esta tarde se centraliza no batismo do Espírito e nas bênçãos que advêm da companhia do Espírito Santo.

A Ordenança e o Convênio Associado ao Batismo

Ao sermos batizados, cada um de nós fez um solene convênio com nosso Pai Celestial. Um convênio é um acordo entre Deus e Seus filhos na Terra e é importante que se compreenda que Deus determina as condições de todos os convênios do evangelho. Nem eu nem vocês determinamos a natureza ou os elementos de um convênio, mas exercendo nosso arbítrio moral, aceitamos os termos e exigências de um convênio da forma como o Pai Eterno os estabeleceu [ver Guia para Estudo das Escrituras: Convênio, p. 43].

A ordenança salvadora do batismo deve ser administrada por quem tenha a autoridade adequada dada por Deus. As condições básicas do convênio que fazemos ao entrar nas águas do batismo são as seguintes: testificamos que desejamos tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, que sempre nos lembraremos Dele e que guardaremos Seus mandamentos. A bênção prometida por honrarmos esse convênio é que poderemos ter sempre conosco o Seu Espírito (ver D&C 20:77). Em outras palavras, o batismo na água autoriza-nos a oportunidade de gozar da companhia constante do terceiro membro da Trindade.

A Confirmação e o Batismo do Espírito

Seguindo-se ao batismo, cada um de nós recebeu a imposição de mãos por quem tinha autoridade do sacerdócio e foi confirmado membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e o Espírito Santo foi-nos conferido (ver D&C 49:14). A declaração “recebe o Espírito Santo” dita na confirmação foi um mandamento de buscarmos o batismo do Espírito.

O Profeta Joseph Smith ensinou: “Pode-se batizar até mesmo um saco de areia como se fosse um homem, se não for feito com vistas à remissão dos pecados e à obtenção do Espírito Santo. O batismo de água é apenas meio batismo e de nada serve sem a outra metade — ou seja, sem o batismo do Espírito Santo” (History of the Church, volume 5, p. 499). Fomos batizados por imersão na água para a remissão dos pecados. Precisamos também ser batizados pelo Espírito do Senhor e ser imersos Nele, “e [receberemos], então, a remissão de [nossos] pecados pelo fogo e pelo Espírito Santo” (2 Néfi 31:17).

Ao nos acostumarmos com o Espírito Santo, aprendemos que a intensidade com que sentimos Sua influência não é sempre a mesma. Impressões espirituais fortes e dramáticas não nos são dadas com freqüência. Mesmo quando nos esforçamos para ser fiéis e obedientes, existem épocas nas quais a orientação, a segurança e a paz de espírito não são percebidas com facilidade em nossa vida. De fato, o Livro de Mórmon descreve lamanitas fiéis que “foram batizados com fogo e com o Espírito Santo e não o souberam” (3 Néfi 9:20).

A influência do Espírito Santo é descrita nas escrituras como “uma voz mansa e delicada” (I Reis 19:12; ver também 3 Néfi 11:3) e uma “voz de perfeita suavidade” (Helamã 5:30). Assim, o Espírito do Senhor geralmente Se comunica conosco de maneira suave, delicada e sutil.

Quando nos Afastamos do Espírito do Senhor

Em nosso estudo individual e nas aulas, repetidamente enfatizamos a importância de reconhecermos a inspiração e os sussurros recebidos do Espírito do Senhor. E tal abordagem é correta e útil. Devemos buscar com diligência o reconhecimento dos sussurros que chegam a nós e agir de acordo com eles. Entretanto, um aspecto importante do batismo do Espírito pode, geralmente, ser negligenciado no nosso desenvolvimento espiritual.

Devemos também nos esforçar para discernir quando “[nos afastamos] do Espírito do Senhor e não [tem] ele lugar em [nós] para guiar-[nos] pelas veredas da sabedoria, a fim de que [sejamos] abençoados, favorecidos e preservados” (Mosias 2:36). Exatamente porque a bênção prometida é de que poderemos ter sempre conosco o Seu Espírito, devemos prestar atenção e aprender com as escolhas e influências que nos separam do Espírito Santo.

O padrão é claro. Se algo em que pensamos, algo que vemos, ouvimos ou fazemos nos afasta do Espírito Santo, devemos parar de pensar, ver, ouvir ou fazer esse algo. Se aquilo que tem o objetivo de nos divertir, por exemplo, nos aliena do Espírito Santo, é porque com certeza esse tipo de diversão não nos serve. Uma vez que o Espírito não pode tolerar a vulgaridade, a rudeza, ou a falta de recato, então, sem dúvida, tais coisas não são para nós. Se afastamos o Espírito do Senhor quando fazemos o que sabemos ser ruim, então tais coisas não são mesmo para nós.

Reconheço que somos homens e mulheres decaídos e que vivemos em um mundo mortal e que não podemos ter a presença do Espírito Santo conosco a cada segundo de cada minuto ou a cada hora de cada dia. Entretanto, o Espírito Santo pode estar em nós muitas vezes, talvez até a maior parte do tempo e, sem dúvida, a presença desse Espírito é mais constante que sua ausência. À medida que permanecemos cada vez mais imersos no Espírito do Senhor, devemos nos esforçar para reconhecer as impressões quando elas vêm e as influências ou eventos que nos afastam do Espírito Santo.

Tomar “o Santo Espírito [como nosso] guia” (D&C 45:57) é possível e essencial para nosso crescimento e sobrevivência espiritual em um mundo cada vez mais iníquo. Às vezes nós, santos dos últimos dias, falamos e agimos como se o reconhecimento do Espírito Santo em nossa vida fosse algo raro e excepcional. Devemos nos lembrar, no entanto, que a promessa do convênio é de que poderemos ter sempre conosco o Seu Espírito. Essa bênção celestial se aplica a cada membro da Igreja que foi batizado, confirmado e instruído a “receber o Espírito Santo”.

A Liahona como Protótipo e Símbolo para os Nossos Dias

Atualmente, o Livro de Mórmon é a fonte primordial da qual devemos beber para aprender a convidar a companhia constante do Espírito Santo. A descrição feita no Livro de Mórmon sobre a Liahona, como guia ou bússola usada por Leí e sua família em sua jornada pelo deserto, foi especificamente incluída no registro para servir de protótipo ou símbolo para os nossos dias. Foi uma lição essencial sobre o que devemos fazer para desfrutar das bênçãos do Espírito Santo.

Ao nos aplicarmos para alinhar nossas atitudes e ações à retidão, o Espírito Santo Se torna para nós, hoje, o que a Liahona foi para Leí e sua família naquela época. Os mesmos fatores que faziam a Liahona funcionar para Leí também convidarão o Espírito Santo à nossa vida. E os mesmos fatores que faziam com que a Liahona não funcionasse antigamente nos afastarão do Espírito Santo hoje.

A Liahona: Propósitos e Princípios

Quando estudarmos e ponderarmos sobre os propósitos da Liahona e sobre os princípios que a faziam funcionar, testifico-lhes que receberemos inspiração adequada às nossas circunstâncias e necessidades pessoais ou familiares. Podemos ser e seremos abençoados com a orientação contínua do Espírito Santo.

A Liahona foi preparada pelo Senhor e entregue a Leí e sua família quando saíram de Jerusalém e viajavam pelo deserto (ver Alma 37:38; D&C 17:1). Essa bússola ou orientador indicava a direção que Leí e sua caravana deveriam seguir (ver 1 Néfi 16:10), até mesmo o “caminho reto para a terra prometida” (Alma 37:44). Os ponteiros da Liahona operavam “conforme a fé e a diligência e a atenção” (1 Néfi 16:28) que lhes davam os viajantes, e não funcionavam quando os membros da família eram contenciosos, rudes, preguiçosos ou negligentes (ver 1 Néfi 18:12, 21; Alma 37:41, 43).

A bússola também lhes proporcionava meios pelos quais Leí e sua família podiam obter maior “entendimento sobre os caminhos do Senhor” (1 Néfi 16:29). Assim, os propósitos básicos da Liahona eram de prover tanto orientação quanto instrução durante a longa e penosa viagem. Aquele dispositivo era um instrumento físico que servia de indicador externo da condição espiritual interior que apresentavam diante de Deus. Ele funcionava de acordo com os princípios da fé e da diligência.

Assim como Leí foi abençoado na Antigüidade, cada um de nós recebeu uma bússola espiritual que pode nos orientar e instruir durante nossa jornada mortal. O Espírito Santo foi-nos conferido ao sairmos do mundo para entrar na Igreja do Salvador por meio do batismo e da confirmação. Pela autoridade do Santo Sacerdócio, fomos confirmados membros da Igreja e admoestados a buscar a companhia constante do “Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (João 14:17).

Ao avançar pelos caminhos da vida, recebemos orientação do Espírito Santo exatamente como Leí foi orientado pela Liahona. “Pois eis que vos digo novamente que, se entrardes pelo caminho e receberdes o Espírito Santo, ele vos mostrará todas as coisas que deveis fazer” (2 Néfi 32:5).

O Espírito Santo opera em nossa vida exatamente como a Liahona funcionava para Leí e sua família, de acordo com nossa fé, diligência e atenção que lhe damos.

“Que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus (…)

O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade” (D&C 121:45–46).

E o Espírito Santo nos concede hoje os meios segundo os quais podemos receber, “por meio de coisas pequenas e simples” (Alma 37:6), maior compreensão a respeito dos caminhos do Senhor. “Mas aquele Consolador, o Espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14:26).

O Espírito do Senhor pode nos guiar e nos abençoar com orientação, instrução e proteção espiritual durante nossa jornada mortal. Convidamos o Espírito Santo à nossa vida por meio da significativa oração pessoal e familiar, banqueteando-nos com as palavras de Cristo, da obediência diligente e precisa, da fidelidade e honra aos convênios e por meio da virtude, da humildade e do serviço. Também devemos evitar com firmeza a falta de recato, a rudeza e a grosseria, o pecado e o mal que fazem com que nos afastemos do Espírito Santo.

Também convidamos a companhia constante do Espírito Santo ao partilharmos dignamente do sacramento no Dia do Senhor. “E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado” (D&C 59:9).

Por meio da ordenança do sacramento, renovamos nosso convênio batismal e podemos receber e reter a remissão de nossos pecados (ver Mosias 4:12, 26). Ademais, somos relembrados semanalmente da promessa de que poderemos ter sempre conosco o Seu Espírito. Ao nos esforçarmos por nos manter limpos e sem as manchas do mundo, tornamo-nos vasos dignos nos quais o Espírito do Senhor pode sempre habitar.

Em fevereiro de 1847, o Profeta Joseph Smith apareceu a Brigham Young em sonho ou visão. O Presidente Young perguntou ao Profeta se ele tinha uma mensagem para os irmãos. O Profeta Joseph respondeu: “Diga às pessoas que sejam humildes e fiéis, procurando manter o Espírito do Senhor, e Ele as conduzirá no caminho correto. Tomem cuidado para não repelir a voz mansa e delicada que as ensinará o que fazer e aonde ir. Ela irá produzir os frutos do Reino” (ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young:1997, p. 41, grifo do autor). De todas as verdades que o Profeta Joseph Smith podia ter ensinado a Brigham Young naquela ocasião sagrada, ele enfatizou a importância de obtermos e mantermos o Espírito do Senhor.

Meus amados irmãos e irmãs, testifico da viva realidade de Deus, o Pai Eterno, e de Seu Filho, Jesus Cristo, e do Espírito Santo. Que cada um de nós viva de maneira a podermos ter sempre conosco Seu Espírito e assim nos qualificarmos para as bênçãos da orientação, instrução e proteção que são essenciais nestes últimos dias. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.