Tornar-se Provedores Prudentes Temporal e Espiritualmente

Robert D. Hales

Of the Quorum of the Twelve Apostles


Quando nosso viver é previdente, podemos prover para nós mesmos e para nossa família, e também seguir o exemplo do Salvador de servir e abençoar os outros.

Como somos abençoados em ser guiados por um profeta vivo! Tendo crescido na época da Grande Depressão, o Presidente Thomas S. Monson aprendeu a servir outras pessoas. Com frequência, a mãe pedia-lhe que levasse alimentos aos vizinhos necessitados e dava pequenas tarefas aos sem-teto em troca de refeições caseiras. Mais tarde, quando se tornou um jovem bispo, recebeu o seguinte ensinamento do Presidente J. Reuben Clark: “Trate bem as viúvas e cuide dos pobres” (Thomas S. Monson, “A Provident Plan — A Precious Promise” [Um Plano Previdente — Uma Promessa Preciosa], Ensign, maio de 1986, p. 62). O Presidente Monson visitava 84 viúvas, e cuidou delas enquanto viveram. Com o passar do tempo, seu serviço aos membros e a conhecidos no mundo todo tornou-se uma característica de seu ministério. Somos imensamente gratos por seu exemplo. Obrigado, Presidente Monson.

Falo hoje a todos cuja liberdade de escolha foi prejudicada por más decisões no passado. Falo especificamente a respeito de escolhas que levaram a dívidas excessivas, maus hábitos alimentares, drogas, pornografia e outros padrões de pensamento e ação que diminuem nosso sentido de valor próprio. Todos esses excessos nos afetam como pessoas e minam nossos relacionamentos familiares. É claro que algumas dívidas, como a feita para pagar os estudos, a compra de uma casa modesta ou um carro básico podem ser necessárias a uma família. Mas, infelizmente, o excesso de dívidas ocorre quando não conseguimos controlar nossos desejos compulsivos. E, tanto para as dívidas quanto para o mau hábito, a solução esperada é a mesma — precisamos nos voltar para o Senhor e seguir Seus mandamentos. Devemos desejar, mais do que qualquer outra coisa, mudar nossa vida para quebrar o ciclo da dívida e de nossos desejos descontrolados. Oro para que, nos próximos minutos, e durante toda esta conferência, vocês estejam repletos de esperança em nosso Salvador, Jesus Cristo, e encontrem esperança nas doutrinas de Seu evangelho restaurado.

Precisamos lembrar-nos de que o adversário nos conhece extremamente bem. Ele sabe onde, quando e como nos tentar. Se formos obedientes aos sussurros do Espírito Santo, poderemos aprender a reconhecer as tentações do adversário. Antes de cedermos às tentações, precisamos aprender a dizer com resolução inflexível: “Para trás de mim, Satanás” (Mateus 16:23).

Nosso sucesso nunca é medido pela força com que somos tentados, mas sim pela fé com que reagimos. Precisamos pedir a ajuda de nosso Pai Celestial e procurar forças por meio da Expiação de Seu Filho, Jesus Cristo. Tanto nas coisas temporais como nas espirituais, obter Sua ajuda divina nos capacita a tornar-nos provedores previdentes para nós mesmos e para os outros.

Todos temos a responsabilidade de prover para nós mesmos e para nossa família, tanto temporal como espiritualmente. A fim de prover previdentemente, é necessário exercitar os princípios do viver previdente: viver com alegria dentro de nossas posses — contentar-nos com o que temos, evitar o excesso de dívidas e economizar diligentemente, preparando-nos para as emergências dos “dias de chuva”. Quando nosso viver é previdente, podemos prover para nós mesmos e para nossa família, e também seguir o exemplo do Salvador de servir e abençoar os outros.

Para sermos provedores prudentes, devemos guardar aquele mandamento mais básico: “Não cobiçarás” (Êxodo 20:17). Nosso mundo é cheio de sentimentos de cobiça. Alguns de nós se sentem constrangidos, envergonhados e até desvalorizados, se nossa família não possuir tudo que nossos vizinhos possuem. Como resultado, fazemos dívidas para comprar coisas que não podemos — e coisas de que realmente não precisamos. Sempre que fazemos isso, tornamo-nos pobres tanto temporal como espiritualmente. Deixamos de lado parte de nosso precioso e inestimável arbítrio e nos sujeitamos a uma servidão autoimposta. O dinheiro que poderíamos ter gasto para cuidar de nós mesmos e de outros precisa agora ser usado para pagar dívidas. O que resta quase sempre é apenas o suficiente para satisfazer nossas necessidades físicas mais básicas. Ao viver em um nível de subsistência, tornamo-nos deprimidos, nossa autoestima fica afetada e nosso relacionamento com a família, com os amigos, com os vizinhos e com o Senhor fica enfraquecido. Não temos o tempo, a energia nem o interesse de buscar as coisas espirituais.

Como podemos, então, evitar e superar os padrões de dívida e maus hábitos com relação às coisas materiais? Permitam-me compartilhar com vocês duas lições de viver previdente que podem ajudar a cada um de nós. Essas lições, juntamente com muitas outras importantes lições da minha vida, foram-me ensinadas por minha esposa e companheira eterna. Elas foram aprendidas em duas épocas diferentes de nosso casamento — ambas em ocasiões em que eu queria comprar-lhe um presente especial.

Aprendi a primeira lição quando éramos recém-casados e tínhamos bem pouco dinheiro. Eu estava na Força Aérea e não tínhamos passado o Natal juntos, pois recebera uma missão no estrangeiro. Quando voltei para casa, vi um bonito vestido na vitrine de uma loja e sugeri a minha esposa que, se ela gostasse, eu o compraria. Mary entrou no provador da loja. Depois de algum tempo, a balconista saiu, passou por mim e recolocou o vestido na vitrine. Ao sairmos da loja, perguntei-lhe: “O que aconteceu?” Ela respondeu: “Era um bonito vestido, mas não estamos em condições de comprá-lo!” Aquelas palavras foram direto ao meu coração. Aprendi que as três palavras mais amáveis são “Eu te amo”, e as quatro palavras mais carinhosas para aqueles a quem amamos são “Não estamos em condições”.

A segunda lição eu aprendi muitos anos mais tarde, quando tínhamos maior segurança econômica. Nosso aniversário de casamento estava-se aproximando e eu queria comprar um bonito casaco para Mary, a fim de demonstrar meu amor e apreciação por nossos muitos anos de felicidade juntos. Quando perguntei o que ela achava do casaco que eu tinha escolhido, ela respondeu com palavras que, mais uma vez, penetraram-me o coração e a mente. “Onde é que eu o usaria?” perguntou. (Na ocasião, ela era a presidente da Sociedade de Socorro da ala e ajudava na assistência das famílias necessitadas.)

Ela ensinou-me, então, uma lição inesquecível! Olhou-me nos olhos e perguntou docemente: “Você está comprando isso para mim ou para você?” Em outras palavras, ela estava perguntando: “O propósito deste presente é demonstrar-me seu amor ou mostrar-me que você é um bom provedor, ou provar algo para o mundo?” Ponderei a respeito de sua pergunta e compreendi que estava pensando menos nela e em nossa família e mais em mim.

Depois disso, tivemos uma conversa séria e transformadora a respeito do viver previdente e concordamos que nosso dinheiro seria mais bem gasto no pagamento das prestações da casa e na poupança para a educação de nossos filhos.

Essas duas lições são a essência do viver previdente. Quando se apresenta a oportunidade de comprar, consumir ou de nos dedicarmos a coisas e atividades mundanas, precisamos aprender a dizer um ao outro: “Não estamos em condições, embora o queiramos!” ou “Estamos em condições, mas não precisamos disso — e nem ao menos queremos isso!”

Existe um princípio igualmente importante e básico nessas lições: podemos aprender muito quando nos comunicamos com nosso cônjuge! Ao nos aconselharmos um com o outro e trabalharmos nos conselhos familiares, podemos ajudar-nos mutuamente para que nos tornemos provedores previdentes e ensinemos nossos filhos a também viverem previdentemente.

O alicerce do viver previdente é a lei do dízimo. O principal propósito dessa lei é ajudar-nos a desenvolver a fé em nosso Pai Celestial e em Seu Filho, Jesus Cristo. O dízimo nos ajuda a sobrepujar nossos desejos pelas coisas deste mundo e a fazer, de bom grado, sacrifícios pelos outros. O dízimo é a grande lei equitativa, pois não importa quão ricos ou pobres sejamos, todos nós pagamos a mesma “décima parte [de nossa renda] anual” (ver D&C 119:4), e todos nós recebemos bênçãos tão grandes “que não [há] lugar suficiente para [as recolhermos]” (Malaquias 3:10).

Além de nosso dízimo, devemos também ser exemplos no pagamento de nossas ofertas de jejum. Uma oferta de jejum é, pelo menos, o custo de duas refeições consecutivas das quais nos “privamos” mensalmente. Ao não fazermos essas duas refeições, aproximamo-nos do Senhor em humildade e oração, além de participarmos da doação anônima para abençoar nossos irmãos e irmãs no mundo todo.

Outra importante maneira de ajudar nossos filhos a aprenderem a ser provedores prudentes é elaborando um orçamento familiar. Precisamos examinar regularmente nossos “rendimentos, economias e gastos” em reuniões de conselho da família. Isso ensinará nossos filhos a reconhecerem a diferença entre o desejado e o necessário, e a planejarem com antecedência o emprego significativo dos recursos da família.

Quando nossos filhos eram pequenos, realizamos um conselho familiar para elaborar a meta das “férias de nossos sonhos” no Rio Colorado. Quando qualquer um de nós queria comprar alguma coisa durante o ano seguinte, perguntávamos uns aos outros: “Queremos realmente comprar isso agora, ou será que queremos fazer a viagem dos nossos sonhos mais tarde?” Essa foi uma maravilhosa experiência didática na escolha de um viver previdente! Por não termos atendido cada um de nossos desejos imediatos, obtivemos uma recompensa mais agradável de unidade familiar e lembranças felizes para os anos vindouros.

A qualquer momento que desejemos experimentar ou possuir algo que causará impacto em nós ou em nossos recursos, podemos perguntar: “O benefício será temporário?” ou “Isso terá valor e significado eternos?” Na verdade, responder a essas perguntas pode ajudar-nos a evitar o excesso de dívidas e outros comportamentos que viciam.

Ao procurar sobrepujar as dívidas e o vício, devemos lembrar-nos de que os vícios são os desejos do homem natural e nunca se satisfazem. Trata-se de um desejo insaciável. Quando nos sujeitamos ao vício, buscamos as posses mundanas ou os prazeres físicos que parecem seduzir-nos. Mas, como filhos e filhas de Deus, nosso anseio mais secreto e o que deveríamos estar procurando é aquilo que só Deus pode fornecer — Seu amor, Seu senso de dignidade, Sua segurança, Sua confiança, Sua esperança no futuro e a certeza de Seu amor, que nos traz alegria eterna.

Precisamos querer, mais do que qualquer outra coisa, fazer a vontade de nosso Pai Celestial e prover prudentemente para nós e para outros. Precisamos dizer, como disse o pai do rei Lamôni: “Abandonarei todos os meus pecados para conhecer-te” (Alma 22:18). Podemos então ir a Ele com firme determinação e prometer-Lhe: “Farei o que for preciso”. Por meio da oração, jejum, obediência aos mandamentos, bênçãos do sacerdócio e Seu Sacrifício Expiatório, sentiremos Seu amor e poder em nossa vida. Receberemos Sua orientação e força espiritual por meio dos sussurros do Espírito Santo. Somente pela Expiação de nosso Senhor podemos obter uma vigorosa mudança de coração (ver Mosias 5:2; Alma 5:14) e experimentar uma poderosa mudança em nosso comportamento vicioso.

Com todo amor que sinto em mim, e com o amor do Salvador que consigo expressar, convido-os a achegarem-se a Ele e ouvir Suas palavras: “Portanto não despendais dinheiro naquilo que não tem valor, nem vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer. Ouvi-me atentamente e lembrai-vos das palavras que disse; e vinde ao Santo de Israel e fartai-vos daquilo que não perece nem pode ser corrompido” (2 Néfi 9:51).

Testifico-lhes que o apetite para possuir coisas do mundo só pode ser vencido se nos voltarmos ao Senhor. A fome do vício só pode ser substituída pelo nosso amor por Ele. Ele permanece pronto a ajudar cada um de nós. “Não temais”, disse Ele, “porque sois meus e eu venci o mundo” (D&C 50:41).

Presto meu testemunho especial de que, por meio da Expiação, Ele sobrepujou todas as coisas. Que cada um de nós também possa vencer as tentações do mundo, achegando-se ao Senhor e tornando-se provedor previdente, temporal e espiritualmente, de si mesmo e de outros, é minha humilde oração. Em nome de Jesus Cristo. Amém.