Encontrar Força em Tempos Difíceis

Allan F. Packer

Of the First Quorum of the Seventy


Será necessário ter a capacidade de receber inspiração pessoal nos dias que virão.

Élder Andersen, conte com nosso amor, bênção e apoio em seu novo chamado! Irmãos e irmãs, as pessoas e as famílias em todo o mundo enfrentam desafios devido às condições atuais. Embora acredite que haja grandes desafios pela frente, também sei que é uma época maravilhosa para se viver, especialmente para a juventude. Vejo meus filhos e netos tendo uma vida plena e satisfatória, mesmo com desafios, contratempos e obstáculos a vencer.

É nesta época que as profecias estão sendo cumpridas. Vivemos na dispensação da plenitude dos tempos, que é a época de preparação para o retorno do Salvador. Também é o momento de prepararmos nossa própria salvação.

Quando os ventos sopram e as chuvas caem, sopram e caem sobre todos. Aqueles que edificaram seu alicerce sobre a rocha e não sobre a areia sobrevivem às tempestades. 1 Um modo de edificar sobre a rocha é passar por uma profunda conversão individual ao evangelho de Jesus Cristo e saber como receber inspiração. É preciso saber e ter consciência de que sabemos. Precisamos ser espiritual e fisicamente independentes de todas as criaturas do mundo. 2 Isso começa com a compreensão de que Deus, o Pai, é o Pai de nosso espírito e de que Ele nos ama; de que Jesus Cristo é nosso Redentor e Salvador e de que o Espírito Santo pode comunicar-Se com nosso coração e nossa mente. 3 É assim que recebemos inspiração. Precisamos aprender a reconhecer e aplicar essa inspiração.

Quando eu era jovem, ainda no ensino médio, uma das minhas paixões era o futebol americano. Eu jogava na posição de médio volante. O técnico exigia muito do time e nos ensinava as jogadas básicas. Treinávamos até que as técnicas se tornassem naturais e automáticas. Durante um jogo contra nosso maior rival, tive uma experiência que me tem ajudado ao longo da vida. Estávamos na defensiva. Eu conhecia o oponente que deveria marcar e, no desenrolar do jogo, ele avançou pela minha direita até a linha de disputa. Os jogadores e a torcida faziam muito barulho. Segui as instruções do técnico e persegui meu oponente até a linha, sem saber se ele estava de posse da bola. Para minha surpresa, notei que a bola estava ao meu alcance. Tentei agarrá-la, mas meu adversário não a soltou. Enquanto estávamos naquela disputa, com todo aquele barulho, escutei alguém gritando: “Packer, derruba ele!” Foi o suficiente para eu assumir o controle da situação — derrubei-o de imediato.

Fiquei pensando em como consegui ouvir aquela voz com todo aquele barulho. Eu estava acostumado com a voz do técnico durante os treinos e aprendi a confiar nela. Eu sabia que o que ele ensinava dava certo.

Precisamos acostumar-nos com os sussurros do Espírito Santo e aprender a aplicar os ensinamentos do evangelho até que eles se tornem naturais e automáticos. Esses sussurros tornam-se o alicerce de nosso testemunho — e nosso testemunho nos manterá felizes e seguros em épocas de tribulação.

O Élder Dallin H. Oaks definiu o testemunho da seguinte maneira: “Um testemunho do evangelho é uma confirmação do Espírito Santo a nossa alma de que certos fatos de significado eterno são verdadeiros e que sabemos serem verdadeiros”. 4 Em outra ocasião, o Élder Oaks disse: “Testemunho é saber e sentir; conversão é fazer e tornar-se”. 5

Há várias coisas que podemos fazer para converter-nos profundamente e aprender a receber inspiração divina. Primeiro, precisamos ter o desejo. Alma disse: “Porque sei que ele concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida; (…) segundo seus desejos”. 6

Em seguida, Alma nos desafiou a colocar à prova a palavra de Deus: “Comparemos a palavra a uma semente. Ora, se derdes lugar em vosso coração para que uma semente seja plantada, eis que, se for uma semente verdadeira, ou seja, uma boa semente, se não a lançardes fora por vossa incredulidade, resistindo ao Espírito do Senhor, eis que ela começará a inchar em vosso peito; e quando tiverdes essa sensação de crescimento, começareis a dizer a vós mesmos: Deve ser uma boa semente, ou melhor, a palavra é boa porque começa a dilatar-me a alma; sim, começa a iluminar-me o entendimento”. 7

O passo seguinte é estudar e aprender. Isso inclui a ponderação, que amplia e fortalece nosso testemunho. “Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo.” 8

Podemos aprender a reconhecer as respostas que vêm por inspiração, sejam quais forem suas formas. Elas vêm como pensamentos e sentimentos em nossa mente e em nosso coração. 9 Às vezes, podem vir como um ardor no peito. Elias ensinou que as respostas chegam a nós como uma “voz mansa e delicada”. 10 O Senhor disse: “E, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo”. 11

Joseph Smith disse-nos que ficássemos alerta e prestássemos atenção aos pensamentos e sentimentos que fluem a nossa mente. Com o tempo, aprendemos a reconhecê-los como inspiração.

Ele disse: “É útil perceber os primeiros sinais do espírito de revelação. Por exemplo, quando uma pessoa sente um influxo de inteligência pura, que pode manifestar-se como uma corrente repentina de idéias, observando-as, é possível que as veja cumprirem-se no mesmo dia ou dentro em breve; (isto é) as coisas que o Espírito de Deus revelou a sua mente acontecerão; e, assim, se aprendermos a reconhecer e a compreender o Espírito de Deus, poderemos desenvolver-nos quanto ao princípio da revelação até chegar a ser perfeitos em Cristo Jesus”. 12

Desenvolver essa capacidade ajuda-nos a ganhar um testemunho e torna-se o meio pelo qual obteremos mais inspiração no futuro.

Embora o testemunho possa vir em forma de manifestações grandiosas, normalmente isso não acontece. Às vezes as pessoas acham que precisam ter uma experiência como a visão de Joseph Smith para ganhar um testemunho. Se tivermos expectativas irreais sobre como, quando e onde Deus responde às orações, corremos o risco de não reconhecer as respostas que surgem como sentimentos e pensamentos calmos e tranquilizadores, que quase sempre vêm depois de orarmos, enquanto estamos fazendo outra coisa qualquer. Essas respostas podem ser igualmente convincentes e intensas.

Com o tempo, vamos receber respostas e aprender como surge a inspiração. Isso é algo que cada pessoa aprende por si mesma.

Em seguida, pedir um testemunho da verdade abre as janelas da inspiração. A oração é a forma mais comum e eficaz de preparar-se para receber inspiração. Só o fato de fazer uma pergunta, 13 mesmo que em pensamento, começará a abrir o caminho. As escrituras ensinam: “Pedi, e dar- se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á”. 14

Jesus também nos ensinou a aplicar a doutrina a nossa vida: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo”. 15

Chegará o momento em que receberemos um testemunho pessoal, vamos saber, e teremos consciência de que sabemos. Então seremos independentes de todas as coisas do mundo, pois “pelo poder do Espírito Santo [podemos] saber a verdade de todas as coisas” 16 que são justas 17 e que forem para o nosso bem. 18 Receberemos forças, consolo e ajuda para tomar decisões corretas e agir com confiança em épocas de tribulação. 19

Esse testemunho não se limita aos líderes, está à disposição de todos os homens, mulheres, jovens e até das criancinhas. Será necessário ter a capacidade de receber inspiração pessoal nos dias que virão.

Quando jovem, aprendi que meu testemunho poderia crescer se cumprisse os deveres do sacerdócio. Eu tinha o desejo de saber. Estudei e ponderei; orei pedindo respostas. Um dia, enquanto estava à mesa do sacramento quando era sacerdote, eu senti e soube.

Esta é uma época extraordinária para se viver! O Senhor precisa de cada um de nós. Este é o nosso dia, é a nossa vez! Lemos em um de nossos hinos:

“Erguei-vos, ó homens [e eu acrescentaria mulheres] de Deus!
Deixai de lado o que é menor,
Colocai o corpo, a alma, a mente e o coração
A serviço do Rei dos Reis.” 20

Presto testemunho do Pai Celestial, o Pai de nosso espírito; de Jesus Cristo, nosso Redentor e Salvador; e do Espírito Santo, que é o meio pelo qual recebemos orientação divina. Presto testemunho de que cada um de nós pode receber inspiração. Que saibamos reconhecer a voz pela qual recebemos essa inspiração, eu oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. Ver Mateus 7:24–27.

  2.  

    2. Ver D&C 78:14.

  3.  

    3. Ver D&C 8:2–3.

  4.  

    4. Dallin H. Oaks, “Testemunho”, A Liahona, maio de 2008, p. 26.

  5.  

    5. Dallin H. Oaks, citado por Kenneth Johnson em “Coming to Know for Ourselves”, Ensign, julho de 2008, p. 29.

  6.  

    6. Alma 29:4.

  7.  

    7. Alma 32:28.

  8.  

    8. D&C 9:8.

  9.  

    9. Ver D&C 8:2–3.

  10.  

    10. I Reis 19:12.

  11.  

    11. D&C 9:8.

  12.  

    12.  History of the Church, vol. 3, p. 381.

  13.  

    13. Richard G. Scott, “To Learn and to Teach More Efficiently”, Brigham Young University 2007–2008 Speeches, 2008, p. 7.

  14.  

    14. Lucas 11:9, ver também Mateus 7:7; 3 Néfi 14:7, D&C 88:63–65.

  15.  

    15. João 7:17.

  16.  

    16. Morôni 10:5.

  17.  

    17. Ver 3 Néfi 18:20.

  18.  

    18. Ver D&C 88:64.

  19.  

    19. Ver Alma 48:15–16

  20.  

    20. “Rise Up, O Men of God”, Hymns, nº 323.