Ensinamentos das Orações do Salvador

Russell M. Nelson

Of the Quorum of the Twelve Apostles


Nossas orações seguem modelos e ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Ele nos ensinou a orar.

Juntamente com vocês, meus queridos irmãos e irmãs, expresso amor e admiração ao Élder Neil L. Andersen. Seu chamado para o santo apostolado veio do Senhor, como revelado ao Seu Profeta, o Presidente Thomas S. Monson. Durante toda a vida, o Presidente Monson aprimorou sua capacidade de ouvir a vontade do Senhor. Da mesma forma que o Salvador submetia Sua vontade ao Pai Celestial, assim também o profeta submete sua vontade ao Senhor. Obrigado, Presidente Monson, por desenvolver e usar esse poder. Nós o felicitamos, Élder Andersen, e oramos por você!

O Pai Nosso

Nossas orações seguem modelos e ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Ele nos ensinou a orar. Podemos aprender muitas lições importantes com Suas orações. Podemos começar com a oração do Pai Nosso e acrescentar lições extraídas de outras orações que Ele ofereceu. 1

Prestem atenção às lições, enquanto repito a oração do Pai Nosso:

“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

O pão nosso de cada dia nos dá hoje;

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;

E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” 2

A oração do Senhor está registrada duas vezes no Novo Testamento e uma vez no Livro de Mórmon. 3 Encontra-se também na Tradução de Joseph Smith da Bíblia, 4 onde são fornecidos esclarecimentos destas duas sentenças:

1. “Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofendem”; 5 e

2. “Não nos deixes ser levados à tentação, mas livra-nos do mal”. 6

O esclarecimento sobre o perdão é apoiado por outras declarações do Mestre. Disse Ele aos Seus servos: “Como vos tendes perdoado uns aos outros vossas ofensas, assim também eu, o Senhor, vos perdoo”. 7 Em outras palavras, se alguém quiser ser perdoado, deve primeiro perdoar. 8 O esclarecimento sobre a tentação é útil, pois certamente não seríamos induzidos à tentação pela Deidade. O Senhor disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. 9

Embora as quatro versões do Pai Nosso não sejam idênticas, todas elas se iniciam com a saudação ao “Nosso Pai”, indicando um relacionamento íntimo entre Deus e Seus filhos. A frase “santificado seja o teu nome” reflete o respeito e a atitude de adoração que devemos sentir ao orar. “Seja feita a tua vontade” expressa um conceito que debateremos logo mais.

Seu pedido do “pão nosso de cada dia”, também inclui a necessidade de alimento espiritual. Jesus, que Se denominou “o pão da vida”, fez uma promessa: “Aquele que vem a mim não terá fome”. 10 E, quando partilhamos dignamente dos emblemas sacramentais, recebemos ainda a promessa de que podemos ter sempre conosco o Seu Espírito. 11 Esse é um sustento espiritual que não pode ser conseguido de nenhuma outra forma.

Ao encerrar Sua oração, o Senhor reconhece o grande poder e glória de Deus, terminando com “Amém”. Nossas orações também terminam com amém. Embora seja pronunciado diferentemente nos diversos idiomas, seu significado é o mesmo. Significa “fielmente” ou “verdadeiramente”. 12 Acrescentar amém confirma solenemente um discurso ou uma oração. 13 Os que concordam devem adicionar um audível amém, 14 significando “essa é também minha declaração solene”. 15

O Senhor prefaciou Sua oração pedindo primeiro aos Seus seguidores que evitassem “vãs repetições” 16 e que orassem “assim”. 17 Portanto, a oração do Pai Nosso serve como um modelo a ser seguido por Seus discípulos e não como um texto a ser decorado e recitado repetitivamente. O Mestre quer simplesmente que oremos pedindo a ajuda de Deus, enquanto nos esforçamos constantemente para resistir ao mal e viver retamente.

Orações Intercessoras

Outras orações do Senhor também são instrutivas, especialmente Suas orações intercessoras. Elas recebem esse nome porque o Senhor intercedeu por meio de oração ao Seu Pai em benefício de Seus discípulos. Projetem na mente o Salvador do mundo ajoelhado em oração, enquanto eu cito João, capítulo 17:

“Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, (…) glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;

(…) tendo consumado a obra que me deste a fazer. (…)

Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.

Eu rogo por eles”. 18

Aprendemos, por essa oração do Senhor, a intensidade com que Ele sente Sua responsabilidade como nosso Mediador e Advogado junto ao Pai. 19 Com essa mesma intensidade devemos sentir nossa responsabilidade de guardar Seus mandamentos e perseverar até o fim. 20

Uma oração intercessora foi também feita por Jesus pelo povo da América antiga. O registro declara que “ninguém pode calcular a extraordinária alegria que nos encheu a alma na ocasião em que o vimos orar por nós ao Pai”. 21 Então Jesus acrescentou: “Bem-aventurados sois por causa de vossa fé. E agora, eis que é completa a minha alegria”. 22

Em uma oração mais recente, Jesus incluiu um apelo pela união. “Pai”, disse Ele, “rogo-te por eles, (…) para que creiam em mim a fim de que eu esteja neles, como tu, Pai, estás em mim, para que sejamos um”. 23 Nós também podemos orar para sermos unos. Podemos orar para sermos unos de coração e pensamento com o Ungido do Senhor e com nossos entes queridos. Podemos orar por compreensão mútua e respeito entre nós e nosso próximo. Se realmente nos importamos com os outros, devemos orar por eles. 24 “Orai uns pelos outros, (…)” ensinou Tiago, pois “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”. 25

Lições Extraídas de Outras Orações

O Senhor ensinou outras lições a respeito da oração. Ele disse a Seus discípulos: “Deveis sempre orar ao Pai em meu nome”. 26 Além disso, o Senhor acentuou: “Orai ao Pai no seio de vossa família, sempre em meu nome”. 27 Obedientemente, aplicamos essa lição quando oramos ao nosso Pai Celestial em nome de Jesus Cristo. 28

Outra oração do Senhor ensina uma lição que é repetida em três versículos consecutivos:

“Pai, graças te dou por teres conferido o Espírito Santo a estes que escolhi; (…)

Pai, rogo-te que dês o Espírito Santo a todos os que crerem em suas palavras.

Pai, deste-lhes o Espírito Santo porque creem em mim”. 29

Se a companhia do Espírito Santo é tão importante, nós também devemos pedi-la em oração. Devemos, da mesma forma, ajudar todos os conversos e nossos filhos a cultivar o dom do Espírito Santo. Ao orarmos assim, o Espírito Santo pode tornar-se uma força vital para o bem em nossa vida. 30

Aprimorar Nossas Orações

O Senhor ensinou diversas maneiras de aprimorar nossas orações. Ele disse, por exemplo, que “o canto dos justos é uma prece a mim e será respondido com uma bênção sobre sua cabeça”. 31

A oração pode também ser aprimorada pelo jejum. 32 O Senhor disse: “Vos dou um mandamento de que continueis em oração e jejum a partir de agora”. 33 Um apelo relativo à sabedoria ao jejuar foi feito pelo Presidente Joseph F. Smith, que nos acautelou dizendo: “Não há necessidade de excessos. Um homem pode jejuar e orar até morrer, no entanto, isso não é necessário nem sábio. (…) O Senhor poderá atender a uma oração simples, oferecida com fé, com meia dúzia de palavras, e reconhecerá um jejum que não tenha continuado além de vinte e quatro horas, tão pronta e eficientemente quanto responderá a uma oração de mil palavras e um jejum de um mês. O Senhor aceitará aquilo que for suficiente, com muito mais prazer e satisfação do que aquilo que for demasiado e desnecessário”. 34

O conceito de “demasiado e desnecessário” pode também aplicar-se à extensão de nossas orações. Uma oração de encerramento de uma reunião na Igreja não precisa incluir um resumo de cada mensagem e não deve tornar-se um discurso não programado. As orações particulares podem ser tão compridas quanto queiramos, mas as orações públicas devem ser súplicas curtas para que o Espírito do Senhor esteja conosco, ou declarações breves de gratidão pelo que aconteceu.

Nossas orações podem ser aprimoradas de outras maneiras. Podemos usar “palavras certas” 35 — pronomes especiais — com referência à Deidade. Enquanto as maneiras mundanas do vestir e do falar diário se tornam mais descuidadas, é-nos pedido que protejamos a linguagem formal e apropriada da oração. Em nossas orações, usamos formas de tratamento respeitosas como “o Senhor” e pronomes correspondentes, bem como os pronomes “Tu, Ti, Teu e Tua” em vez de “você”. 36

Fazer isso nos ajuda a ser humildes. Isso também pode aprimorar nossas orações. As escrituras declaram o seguinte: “Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações”. 37

A oração começa por iniciativa individual. “Eis que”, diz o Senhor, “estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. 38 Essa porta é aberta quando oramos ao nosso Pai Celestial em nome de Jesus Cristo. 39

Quando devemos orar? Sempre que desejarmos! Alma ensinou: “Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele dirigir-te-á para o bem; sim, quando te deitares à noite, repousa no Senhor, (…) e quando te levantares pela manhã, tem o teu coração cheio de agradecimento a Deus; e se fizeres essas coisas, serás elevado no último dia”. 40 Jesus lembrou a Seus discípulos “que não cessassem de orar em seu coração”. 41

O costume dos membros da Igreja é ajoelhar-se na oração familiar de manhã e à noite, e também fazer orações diárias pessoais e abençoar o alimento. 42 O Presidente Monson disse: “Ao elevarmos ao Senhor nossas orações familiares e pessoais, façamo-lo com fé e confiança Nele”. 43 E assim, ao orarmos por bênçãos temporais e espirituais, devemos todos pedir, como fez Jesus na oração do Pai Nosso: “Faça-se a tua vontade”. 44

Jesus Cristo, o Salvador do mundo — Aquele que nos resgatou com Seu sangue — é nosso Redentor e nosso Exemplo. 45 Ao término de Sua missão mortal, Ele orou para que Sua vontade — como o Filho Amado — pudesse ser absorvida pela vontade do Pai. 46 Naquele momento crucial o Salvador clamou: “Não seja como eu quero, mas como tu queres”. 47 Assim, devemos orar a Deus: “Faça-se a Tua vontade”.

E oremos sempre “para que [o] reino [do Senhor] siga pela Terra e seus habitantes (…) estejam (…) preparados para os dias (…) [em que] o Filho do Homem descerá (…) [no] esplendor de sua glória, para encontrar o reino de Deus que está estabelecido na Terra”. 48

Possamos nós, em nossa vida diária e em nossas horas decisivas, aplicar essas lições preciosas do Senhor, é minha oração, no nome sagrado de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. A revista Ensign, de janeiro de 1976, foi publicada como um “Special Issue on Prayer” [Número Especial Dedicado à Oração]. O estudante sincero da oração ganhará muito com o estudo desses artigos.

  2.  

    2. Mateus 6:9–13.

  3.  

    3. Ver Mateus 6:9–13;Lucas 11:2–4; 3 Néfi 13:9–13.

  4.  

    4. TJS [Tradução de Joseph Smith], Matthew 6:9–15 (não disponível em português).

  5.  

    5. TJS [Tradução de Joseph Smith], Matthew 6:13 (não disponível em português).

  6.  

    6. Tradução de Joseph Smith, Mateus 6:14.

  7.  

    7. D&C 82:1.

  8.  

    8. Ver Mateus 18:23–35; D&C 64:10.

  9.  

    9. Mateus 26:41.

  10.  

    10. João 6:35; ver também João 6:48, 51.

  11.  

    11. Ver Morôni 4:3; 5:2; D&C 20:77, 79.

  12.  

    12. Nos idiomas hebraico e grego, amém significa “verdadeiramente”, “certamente”, “exatamente” ou “assim seja”.

  13.  

    13. Ver Apocalipse 1:18; 22:20–21. É também usado para confirmar acordos (ver I Reis 1:36).

  14.  

    14. Ver I Coríntios 14:16.

  15.  

    15. Ver Salmos 106:48; Apocalipse 5:13–14; 19:4; D&C 88:135.

  16.  

    16. Mateus 6:7; 3 Néfi 13:7.

  17.  

    17. Mateus 6:9; 3 Néfi 13:9.

  18.  

    18. João 17:1, 4, 8–9.

  19.  

    19. Ver I Timóteo 2:5; I João 2:1; D&C 29:5; 45:3; 110:4.

  20.  

    20. Ver D&C 14:7.

  21.  

    21. 3 Néfi 17:17.

  22.  

    22. 3 Néfi 17:20.

  23.  

    23. 3 Néfi 19:23.

  24.  

    24. Ver Mateus 5:44; Alma 34:27; 3 Néfi 18:21.

  25.  

    25. Tiago 5:16.

  26.  

    26. 3 Néfi 18:19.

  27.  

    27. 3 Néfi 18:21.

  28.  

    28. Ver 2 Néfi 32:9; 33:12; 3 Néfi 18:23, 30; 19:6–7; 20:31; 28:30.

  29.  

    29. 3 Néfi 19:20–22.

  30.  

    30. Ver João 10:27–28 (compare com D&C 84:43–47); 2 Néfi 31:17–20; Alma 5:38. E podemos convidar a companhia do Espírito, que intercederá por nós e nos ajudará a saber pelo que devemos orar (ver Romanos 8:26).

  31.  

    31. D&C 25:12.

  32.  

    32. Ver Atos 14:23; I Coríntios 7:5; Ômni 1:26; Alma 5:46; 6:6; 17:3; 17:9; 28:6; 45:1; 3 Néfi 27:1; 4 Néfi 1:12; Morôni 6:5.

  33.  

    33. D&C 88:76.

  34.  

    34. Joseph F. Smith, Conference Report, outubro de 1912, pp. 133–134.

  35.  

    35. Joseph Smith Translation, Psalm 17:1.

  36.  

    36. Ver Spencer W. Kimball, Faith Precedes the Miracle [A Fé Precede o Milagre], (1972), p. 201; Stephen L. Richards, em Conference Report, outubro de 1951, p. 175; Bruce R. McConkie, “Why the Lord Ordained Prayer [Por que o Senhor Ordenou a Oração], Ensign, janeiro de 1976, p. 12; L. Tom Perry, “Our Father Which Art in Heaven” [Pai Nosso, Que Estás nos Céus], Ensign, novembro de 1983, p. 13; e Dallin H. Oaks, “The Language of Prayer” [A Linguagem da Oração], Ensign, maio de 1993, pp. 15–18. Detalhes dessa linguagem são explicados por Don E. Norton Jr., “The Language of Formal Prayer” [A Linguagem da Oração Formal], Ensign, janeiro de 1976, pp. 44–47.

  37.  

    37. D&C 112:10; ver também Salmos 24:3–4; Mateus 6:12; Helamã 3:35; D&C 64:8–10.

  38.  

    38. Apocalipse 3:20.

  39.  

    39. Ver 3 Néfi 18:20; D&C 88:64.

  40.  

    40. Alma 37:37; ver também Filipenses 4:6; Alma 34:18–27; D&C 10:5; 93:49.

  41.  

    41. 3 Néfi 20:1.

  42.  

    42. Ver Ensign, janeiro de 1976, p. 11.

  43.  

    43. Thomas S. Monson, “Um Sacerdócio Real”, A Liahona, novembro de 2007, p. 61.

  44.  

    44. Ver Mateus 26:42; Jacó 7:14; Éter 12:29; D&C 109:44; Moisés 4:2.

  45.  

    45. Ver 3 Néfi 27:13–15, 21–22.

  46.  

    46. Ver Mosias 15:7.

  47.  

    47. Mateus 26:39 ; ver também Moisés 4:2, onde se percebe a atitude humilde de nosso Salvador desde o início.

  48.  

    48. D&C 65:5.