Lares Sagrados, Templos Sagrados

Gary E. Stevenson

Of the First Quorum of the Seventy


Compreender a natureza eterna do templo vai aproximá-lo de sua família; compreender a natureza eterna da família vai aproximá-lo do templo.

Que conferência maravilhosa estamos tendo! Como somos abençoados por ouvir os conselhos da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze, a quem apoiamos como profetas, videntes e reveladores!

Lembro-me de uma tarde ensolarada, quando a primavera tentava despontar ao fim de um longo inverno em Cache Valley, Utah. Meu pai, cujos sábados eram sempre tomados pelos netos, passou por nossa casa e convidou-nos para “dar uma volta”. Sempre radiantes por passearem na caminhonete do vovô, nossos filhos de quatro e seis anos correram para o assento de trás, enquanto eu fiquei na frente, com meu pai. Nosso passeio nos levou para as ruas do centro de Logan, que circunda o Templo de Logan, majestosamente situado numa colina, bem no coração da cidade. Ao nos distanciarmos de Logan, saímos das ruas calçadas e movimentadas para estradas poeirentas e pouco usadas onde cruzamos velhas pontes, serpenteando entre árvores, mata adentro. Estávamos longe de qualquer tráfego e completamente sozinhos.

Percebendo que os netos estavam num lugar onde nunca tinham estado antes, meu pai parou a caminhonete. “Vocês acham que estamos perdidos?” perguntou aos meninos que estavam de olhos arregalados e olhavam o vale atentamente pelo para-brisa. Após um momento de avaliação silenciosa, ouviu-se a resposta profunda de um garotinho. “Olha”, disse ele apontando com o dedo. “Vovô, você nunca está perdido, se consegue ver o templo.” Nossos olhos se voltaram para a mesma direção que os dele, vendo o sol refletir nas torres do Templo de Logan, do outro lado do vale.

Vocês nunca estão perdidos quando conseguem ver o templo. O templo dará orientação a vocês e a sua família num mundo repleto de caos. Ele é um marco eterno que os ajudará a não se perderem na “névoa de escuridão”. 1 É a “casa do Senhor”. 2 É um lugar onde fazemos convênios e realizamos ordenanças eternas.

No Livro de Mórmon, o rei Benjamim orientou seu povo (os santos da época) a se reunir: “cada homem com a porta de sua tenda voltada para o templo”. 3 Como membros da Igreja, recebemos, há pouco, conselhos de profetas modernos que, se seguidos, voltarão as portas de nosso lar mais plenamente na direção do templo.

A Primeira Presidência convidou “os membros adultos a terem uma recomendação atualizada para o templo e a visitarem-no com mais frequência” nos lugares em que o tempo e as circunstâncias permitirem e incentivou os membros a “trocarem algumas horas de lazer pelo serviço no templo”. Também incentivou “os membros batizados recentemente e os jovens da Igreja com idade a partir de 12 anos a viverem de modo digno para auxiliarem nesse grande trabalho, servindo como procuradores para batismos e confirmações”. 4 Até as crianças pequenas foram incentivadas a visitar a área em volta do templo e até a tocá-lo. 5 O Presidente Monson certa vez aconselhou: “Ao tocarmos no templo, o templo tocará em nós”. 6

Somos abençoados por viver numa dispensação em que se constroem templos, em que 146 deles foram dedicados ou anunciados 7 . No verbete “Templo”, no Bible Dictionary, lemos o seguinte: “É o lugar de adoração mais sagrado da Terra”, seguido por esta declaração perspicaz: “Somente o lar se compara ao templo quanto à santidade”. 8 Para mim, isso sugere uma relação sagrada entre o templo e o lar. Podemos não somente voltar a porta do nosso lar para o templo, ou para a “casa do Senhor”, como também fazer de nosso lar uma “casa do Senhor”.

Recentemente, numa conferência de estaca, todos os presentes foram convidados pela autoridade visitante, o Élder Glen Jenson, Setenta de Área, a fazer uma visita virtual a sua casa usando os olhos espirituais. Gostaria de convidar cada um de vocês a fazer o mesmo. Onde quer que esteja o seu lar, seja qual for sua forma, a aplicação dos princípios eternos do evangelho entre suas paredes é universal. Vamos começar. Imaginem que estão abrindo a porta da frente e entrando em sua casa. O que estão vendo e como se sentem? É um lugar de amor, paz e um refúgio do mundo, como o templo? É uma casa limpa e arrumada? Ao andarem pelos cômodos da casa, vocês veem imagens edificantes, como gravuras do templo e do Salvador? O quarto ou o local onde vocês dormem é um lugar de oração pessoal? O local de reunião ou a cozinha é um lugar onde o alimento é preparado e as refeições são feitas em conjunto, onde há conversas edificantes e pode-se passar algum tempo em família? As escrituras estão num local onde a família pode estudar, orar e aprender em conjunto? Vocês têm um lugar para fazer seu estudo pessoal do evangelho? A música que vocês escutam ou as diversões que veem, on-line ou de outra forma, ofendem o Espírito? As conversas são edificantes, sem brigas? Isso conclui nossa visita. Talvez vocês, como eu, tenham encontrado alguns pontos que precisam de uma pequena “melhoria” — espero que não de “uma grande reforma”.

Quer a casa seja grande ou pequena, humilde ou suntuosa, há lugar para cada uma dessas prioridades do evangelho em nosso lar.

A fim de santificar e dignificar o templo e aqueles que o frequentam, o Senhor estabeleceu padrões por meio de Seus servos, os profetas. Seria bom que conversássemos, em conselhos de família, sobre os padrões a serem adotados em nosso lar para mantê-lo sagrado e torná-lo uma “casa do Senhor”. A admoestação de “[estabelecer] uma casa, sim, uma casa de oração, uma casa de jejum, uma casa de fé, uma casa de aprendizado, uma casa de glória, uma casa de ordem, uma casa de Deus” 9 dá-nos uma percepção divina do tipo de lar que Senhor gostaria que tivéssemos. Fazer essas coisas dá início à construção de uma “mansão espiritual” em que todos podemos residir, sejam quais forem as circunstâncias do mundo — um lar cheio de tesouros que “nem a traça nem a ferrugem consomem”. 10

Lá existe uma união justa entre o templo e o lar. Compreender a natureza eterna do templo vai aproximá-lo de sua família; compreender a natureza eterna da família vai aproximá-lo do templo. O Presidente Howard W. Hunter declarou: “Nas ordenanças do templo, constroem-se os alicerces da família eterna”. 11

O Presidente Boyd K. Packer aconselhou: “Pronunciem a palavra templo. Digam-na de modo calmo e reverente. Repitam-na muitas e muitas vezes. Templo. Templo. Templo. Acrescentem a palavra ‘sagrado’. Templo Sagrado. Digam-na como se estivesse escrita com a letra inicial maiúscula, não importa em que lugar da frase ela apareça. Templo.

Outra palavra igualmente importante para os santos dos últimos dias é Lar. Juntem as palavras templo sagrado e lar, e vocês terão a descrição da casa do Senhor!” 12

No ano passado, as crianças da Primária de cada ala e ramo (são milhares no mundo inteiro), cantaram para seus familiares e para os membros de sua própria ala na apresentação da Primária na reunião sacramental. Cantaram hinos que falavam sobre desejo, promessas e preparação. A música que cantaram começa com “lar sagrado” e continua com “templos sagrados”. Acho que vocês conseguem ouvir a melodia mentalmente enquanto leio a letra:

Eu gosto de ver o templo,
Ali eu hei de entrar,
Sentindo o Santo Espírito,
Vou escutar e orar.
Porque o templo é a Casa do Senhor,
Lugar santificado.
Devo preparar-me desde já —
É meu dever sagrado.
Eu gosto de ver o templo,
Ali eu entrarei.
Com Deus farei convênios,
Que obedecerei.
As famílias podem se selar
Pra toda a eternidade.
Agradeço ao Pai por me ensinar
Bem cedo essa verdade. 13

O Presidente Boyd K. Packer declarou: “O propósito maior de tudo o que ensinamos é unir pais e filhos na fé do Senhor Jesus Cristo, para que sejam felizes em seu lar, selados em um casamento eterno, ligados a suas gerações passadas e futuras e seguros de sua exaltação na presença de nosso Pai Celestial”. 14

Testifico-lhes que a aplicação desses princípios ajudará a abrir as portas do seu lar para o templo, ou a casa do Senhor, permitindo mais plenamente que seu lar sagrado se torne uma casa do Senhor.

Termino onde comecei, com as palavras de uma criança inocente: “Você nunca está perdido se consegue ver o templo”, e acrescento meu testemunho da natureza sagrada de nosso lar e dos templos do Senhor. Sei que Deus é nosso amoroso Pai Celestial. Presto testemunho de Jesus Cristo e de Seu papel como nosso Salvador e Redentor, e dos profetas vivos autorizados para exercerem todas as chaves do sacerdócio, de Joseph Smith a Thomas S. Monson. E isso faço no nome sagrado de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. 1 Néfi 8:24.

  2.  

    2. Ver Topical Guide, “Templo, A Casa do Senhor”, p. 519; Guia para Estudo das Escrituras “Templo, A Casa do Senhor, p. 205.

  3.  

    3. Mosias 2:6.

  4.  

    4. Carta da Primeira Presidência, 11 de março de 2003.

  5.  

    5. Ver Thomas S. Monson, Mensagem da Primeira Presidência, “Encontrar a Paz”, A Liahona, março de 2004, pp. 3–7.

  6.  

    6. JohnAnn Jolley, “A Shining Beacon on a Hill:Jordan River Temple Is Dedicated”, Ensign, janeiro de 1982, p. 77: “No começo da semana, o Élder Thomas S. Monson, do Quórum dos Doze, sugeriu que havia um significado espiritual na presença física do templo. Ele contou a história do falecido Élder Matthew Cowley sobre um avô que levou sua netinha para visitar o terreno do Templo de Salt Lake no aniversário dela. Com a permissão do zelador, eles foram até as grandes portas do templo. Ele sugeriu que ela colocasse a mão na parede do templo e depois na porta, dizendo-lhe com ternura: ‘Lembre-se de que hoje você tocou o templo. Um dia você entrará por esta porta.’ Seu presente especial à netinha era seu apreço pela Casa do Senhor. Da mesma forma, o Élder Monson aconselhou: “Ao tocarmos no templo, seremos tocados por ele”.

  7.  

    7. Ver “Temples around the World”, no site temples.lds.org. Clique em Chronological.

  8.  

    8.  Bible Dictionary, “Temple”, p. 781.

  9.  

    9. D&C 88:119.

  10.  

    10. Ver Mateus 6:19–20; 3 Néfi 13:19–20.

  11.  

    11. Howard W. Hunter, “Um Povo Motivado pelo Templo”, A Liahona, maio de 1995, p. 4.

  12.  

    12. Boyd K. Packer, “O Templo, o Sacerdócio”, A Liahona, julho de 1993, p. 21.

  13.  

    13. “Eu Gosto de Ver o Templo”, Músicas para Crianças, p. 99.

  14.  

    14. Boyd K. Packer, “O Escudo da Fé”, A Liahona, julho de 1995, p. 8.