Mães e Filhas

M. Russell Ballard

Do Quórum dos Doze Apóstolos


M. Russell Ballard
É essencial ou até premente nestes últimos dias: pais e filhos devem ouvir uns aos outros e aprender uns com os outros.

Irmãos e irmãs, há seis meses, falei na sessão geral do sacerdócio da conferência geral para os pais e os filhos. Como era de se esperar, minhas cinco filhas, 24 netas e um número cada vez maior de bisnetas pediram um tempo equivalente para elas. Portanto, falarei hoje principalmente para as mães e filhas da Igreja.

Minha querida esposa, Barbara, exerceu uma influência eternamente significativa em nossas filhas e netas, e vice-versa. As mães e as filhas têm o papel fundamental de ajudar-se mutuamente a explorar suas infinitas possibilidades, a despeito das influências negativas de um mundo no qual o papel da mulher e da mãe está sendo corrompido e manipulado.

Falando às mulheres da Igreja há quase um século, o Presidente Joseph F. Smith disse: “Vocês não devem ser lideradas pelas mulheres do mundo, vocês devem liderar o mundo (…) em tudo o que seja digno, de louvor, (…) e que purifique os filhos dos homens” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph F. Smith, 1998, p. 184).

Irmãs, nós, seus irmãos, não podemos fazer o que Deus as encarregou de fazer desde antes da criação do mundo. Podemos tentar, mas jamais seremos capazes de reproduzir seus dons especiais. Nada há neste mundo que seja tão pessoal, inspirador e capaz de mudar vidas quanto a influência de uma mulher justa.

Sei que algumas de nossas jovens não têm a mãe com quem possam conversar sobre essas coisas. E muitas de vocês, mulheres, não têm filhas neste momento de sua vida. Mas como todas as mulheres têm em sua natureza divina o inerente talento e mordomia de mãe, a maior parte do que direi se aplica também às avós, tias, irmãs, madrastas, sogras, líderes e outras conselheiras que, às vezes, preenchem a lacuna desse importante relacionamento entre mãe e filha.

Moças, suas mães as adoram. Para elas, vocês são a promessa das gerações futuras. Tudo o que vocês realizam e todo desafio que vencem proporcionam-lhes pura alegria. Mas da mesma forma, suas preocupações e frustrações são as delas também.

Gostaria de deixar com as moças algumas sugestões sobre como tirar pleno proveito de seu relacionamento com sua mãe. E depois, tenho alguns pensamentos a compartilhar com as mães de como elas podem influenciar mais as filhas e os outros membros da família.

Infelizmente, é muito fácil exemplificar a confusão e a distorção do papel da mulher na sociedade contemporânea. Mulheres pouco recatadas, imorais e libertinas invadem os meios de comunicação, monopolizam as revistas e se insinuam pelas telas dos cinemas, sendo veneradas como celebridades pelo mundo. O Apóstolo Paulo falou profeticamente dos “tempos trabalhosos” que viriam nos últimos dias, referindo-se especificamente a algo que lhe parecia particularmente perigoso: “Mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências” (II Timóteo 3:1, 6). A cultura popular atual geralmente faz as mulheres parecerem tolas, inconsequentes, irrefletidas e incapazes. Elas são tratadas como objeto e desrespeitadas, sugerindo-se que somente serão capazes de deixar sua marca na humanidade por meio da sedução. Essa, sem dúvida, é a mensagem mais perigosa que o adversário transmite às mulheres sobre elas mesmas.

Portanto, minhas queridas jovens, do fundo do coração eu lhes peço que não procurem seus modelos e suas conselheiras na cultura contemporânea. Rogo-lhes que olhem para sua mãe fiel como um padrão a seguir. Imitem sua mãe, e não as celebridades cujos padrões não são os do Senhor e cujos valores podem não refletir uma perspectiva eterna. Olhem para sua mãe. Aprendam com seus pontos fortes, sua coragem e sua fidelidade. Ouçam-na. Talvez ela não seja muito hábil em enviar mensagens de texto, talvez nem tenha uma página no Facebook. Mas nos assuntos referentes ao coração e às coisas do Senhor, ela possui um tesouro de conhecimento. Ao aproximar-se o tempo de vocês se casarem e de se tornarem mães, ela será sua maior fonte de sabedoria. Ninguém neste mundo as ama da mesma maneira ou está disposta a sacrificar-se tanto para incentivá-las e ajudá-las a encontrar felicidade nesta vida e na eternidade.

Amem sua mãe, minhas jovens irmãs. Respeitem-na. Ouçam-na. Confiem nela. Ela quer o melhor para vocês do fundo do coração. Ela se preocupa com sua segurança e felicidade eternas. Por isso, sejam bondosas com ela. Sejam pacientes com suas imperfeições, pois ela as tem. Todos temos.

Gostaria agora de compartilhar alguns pensamentos com vocês, mães, sobre o papel especial que desempenham na vida de suas filhas. Temos uma amiga da família que viaja muito com os parentes. O principal comentário que faz, depois de cada viagem, é o quanto as moças imitam o comportamento das respectivas mães. Se a mãe é econômica, as filhas também são. Se a mãe é recatada, as filhas também são. Se a mãe vai de chinelo de dedo e outras roupas informais para a reunião sacramental, as filhas também o fazem. Mães, seu exemplo é extremamente importante para suas filhas; mesmo que elas não reconheçam isso.

Ao longo de toda a história do mundo, as mulheres sempre foram professoras de valores morais. Essa educação começa no berço e acompanha os filhos por toda a vida. Hoje em dia, a sociedade vem sendo bombardeada por mensagens perigosas, e perversamente erradas, sobre o papel da mulher e mãe. Se seguirem essas mensagens, suas filhas estarão no caminho do pecado e da autodestruição. Suas filhas talvez não compreendam isso a menos que vocês lhes digam, ou melhor, que lhes mostrem como fazer boas escolhas. Como mães em Israel, vocês são a primeira linha de defesa de suas filhas contra as ciladas do mundo.

Mães, sei que, às vezes, parece que nossas filhas não prestam atenção às lições que lhes tentamos ensinar. Acreditem no que eu digo, já vi aquele olhar de impaciência no rosto de adolescentes, principalmente quando chegamos à parte que consideramos a melhor de nossa instrução. Asseguro-lhes, mães, que mesmo quando acham que sua filha não está ouvindo nada do que dizem, ela ainda assim estará aprendendo com vocês ao ver que suas ações condizem com suas palavras. Como declara a frase atribuída a Ralph Waldo Emerson: “O que você faz fala tão alto que não consigo ouvir o que você diz” (ver Ralph Keyes, The Quote Verifier, 2006, p. 56).

Ensinem suas filhas a ter alegria em educar crianças. É nisso que o amor e os talentos delas podem ter o maior significado eterno. Reflitam nesse contexto o que o Presidente Harold B. Lee disse: “O trabalho mais importante (…) será aquele que [realizarão] entre as paredes do [seu] próprio lar” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, 2000, p. 134). Isso é verdade para todos nós, é claro, mas especialmente vigoroso quando pensamos no relacionamento entre mãe e filha.

Mães, ensinem suas filhas que uma fiel filha de Deus evita a tentação de fofocar ou de julgar os outros. Em um sermão para a Sociedade de Socorro de Nauvoo, o Profeta Joseph aconselhou às irmãs que “a língua é um mal que não se pode refrear — contenham a língua em relação a coisas sem importância” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 478).

Recentemente, houve uma série de artigos, livros e filmes escritos sobre mulheres e moças que fofocam e que são “más”. Satanás está sempre tentando corromper o mais precioso elemento da natureza divina da mulher: sua natureza de educar e criar.

É no relacionamento entre mãe e filha que a filha aprende a nutrir e ser nutrida. Ela é amada. Aprende e experimenta como é ter alguém que se preocupa o suficiente com ela a ponto de corrigi-la, mas ao mesmo tempo continua a incentivá-la e a fazer com que acredite em si mesma.

Lembrem-se, irmãs: Deus é a fonte de todo o poder moral e espiritual. Podemos ter acesso a esse poder fazendo convênios com Ele e guardando esses convênios. Mães, ensinem a suas filhas a importância de fazer convênios, e depois mostrem a elas como guardar esses convênios de modo que desejem ser dignas de entrar no templo.

No mundo atual, isso significa conversar com suas filhas sobre questões sexuais. Suas filhas, e seus filhos também, estão crescendo num mundo que adota abertamente a promiscuidade precoce, descompromissada e irrefletida. As mulheres imorais e pouco recatadas são glamourizadas, frequentemente reverenciadas como celebridades e imitadas. Embora haja medidas que possamos tomar em nossa casa e em nossa família para reduzir a exposição a esses elementos repugnantes da vida contemporânea, suas filhas não podem evitar inteiramente as mensagens e tentações explicitamente sexuais que as cercam. Vocês precisam conversar frequentemente com elas de modo aberto, para ensinar-lhes a verdade em relação a essas questões.

Elas precisam, por exemplo, compreender que quando vestem roupas muito apertadas, curtas ou decotadas, podem não apenas enviar a mensagem errada para os rapazes com quem convivem, mas também perpetuar na própria mente a ilusão de que o valor da mulher depende inteiramente de seu charme sensual. Isso nunca foi nem nunca será a definição justa de uma fiel filha de Deus. Elas precisam ouvir isso, de modo claro e frequente, de seus lábios, e precisam ver um exemplo correto e constante disso em seus padrões pessoais de vestuário, aparência e vida recatada.

É mais provável que todas as jovens façam e guardem convênios se aprenderem a reconhecer a presença e a voz do Espírito. Ensinem a suas filhas as coisas do Espírito. Conduzam-nas para as escrituras. Proporcionem experiências que as ajudem a valorizar a bênção do poder do sacerdócio na vida delas. Por meio do cumprimento dos convênios, elas aprenderão a ouvir a voz do Senhor e a receber revelação pessoal. Deus realmente ouve e atende a suas orações. O tema da Mutual para 2010 se aplica a todos os nossos jovens e a todos nós: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares” (Josué 1:9). Isso vai conduzi-las em segurança às bênçãos da casa do Senhor.

Certifiquem-se de que elas saibam que o cumprimento dos convênios é o caminho mais seguro para a felicidade eterna. E se necessário, ensinem a elas como se arrependerem e como permanecerem puras e dignas.

Se isso soar familiar, meus irmãos e irmãs, é porque tenho-me dirigido aos pais e aos filhos nas últimas três conferências. Em abril passado, incentivei os jovens a “Aprender as Lições do Passado”. Quero citar algo daquele discurso: “Quando vocês estão dispostos a ouvir e aprender, alguns dos ensinamentos mais significativos da vida vêm daqueles que viveram antes de vocês. (…) Como a vida de vocês será muito melhor se seguirem o nobre exem- plo dos fiéis seguidores de Cristo” (Aprender as Lições do Passado, A Liahona, maio de 2009, pp. 31, 33).

Em outubro passado, falei aos pais e aos filhos na reunião do sacerdócio, e hoje falei principalmente para as mães e as filhas. Em cada discurso, minha mensagem foi diferente, mas semelhante. Espero que estejam atentos e vejam um padrão e ouçam uma mensagem firme e constante que é essencial ou até premente nestes últimos dias: pais e filhos devem ouvir uns aos outros e aprender uns com os outros. Não falei apenas de conceitos abstratos e impalpáveis. Eles são a essência, o cerne do plano de Deus para nossa felicidade e paz eterna.

A Igreja vai ajudar em tudo o que puder. Estamos aqui para apoiá-los e sustê-los como pais e como filhos. Mas o lar é o lugar mais importante na preparação dos jovens de hoje para conduzir as famílias e a Igreja de amanhã. Cabe a cada um de nós, como pais e mães, fazer tudo o que pudermos para preparar nossos jovens para que sejam homens e mulheres fiéis e justos. É no lar que precisamos ensinar o evangelho por preceito e pelo exemplo.

Encerro meu conselho com este resumo profético do Presidente Joseph F. Smith: “Nosso relacionamento [familiar] não se destina exclusivamente a esta vida, este tempo, em contraste com a eternidade. Vivemos nesta vida e na eternidade. Criamos relacionamentos para esta vida e para a eternidade. (…) Quem, além dos santos dos últimos dias, imaginaria que além da morte continuaremos fazendo parte de uma organização familiar? O pai, a mãe e os filhos reconhecendo-se mutuamente no relacionamento que têm uns com os outros (…) essa organização familiar é uma unidade da grande e perfeita organização do trabalho de Deus, e todas se destinam a continuar por esta vida e por toda a eternidade!” (Ensinamentos: Joseph F. Smith, pp. 385–386.)

Que Deus nos abençoe para que ensinemos, nutramos e preparemos uns aos outros no lar para a grande obra que precisa ser feita por todos nós agora e no futuro. É minha oração, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.