A Rocha de Nosso Redentor

Wilford W. Andersen

Dos Setenta


Wilford W. Andersen
Testifico que aqueles que guardam Seus mandamentos terão mais fé e esperança e receberão forças para vencer todas as provações da vida.

Há alguns anos, visitei Nauvoo, Illinois com minha família. Os antigos santos foram para lá em busca de refúgio. Muitos haviam perdido casas e fazendas, e alguns tinham perdido entes queridos devido à crescente perseguição. Em Nauvoo, eles se reuniram e construíram uma bela e nova cidade. Mas a perseguição foi implacável, e em 1846, eles foram novamente obrigados a sair de suas casas; dessa vez, no meio do inverno. Enfileiraram seus carroções na Rua Parley, esperando a vez de cruzar as águas geladas do Rio Mississippi rumo a um futuro incerto.

Ao pararmos na Rua Parley, refletindo sobre a situação desesperadora em que se encontravam, minha atenção voltou-se para uma série de tabuletas de madeira pregadas em uma cerca nas quais foram gravadas citações dos diários daqueles santos aflitos. Ao lermos cada citação, para nosso assombro, em suas palavras não vimos desespero nem desânimo, mas confiança, comprometimento e até alegria. Estavam cheias de esperança, como ilustra a seguinte citação do diário de Sarah DeArmon Rich, de fevereiro de 1846: “Começar uma jornada assim no inverno (…) poderia parecer como caminhar para dentro das mandíbulas da morte, mas tínhamos fé (…) e sentíamos alegria pelo fato de que o dia de nossa libertação havia chegado”.1

Aqueles antigos santos de fato estavam sem ter onde morar, mas não estavam sem esperança. Estavam com o coração partido, mas seu espírito era forte. Haviam aprendido uma profunda e importante lição. Aprenderam que a esperança, com as bênçãos de paz e alegria que a acompanham, não depende da situação em que nos encontramos. Descobriram que a verdadeira fonte da esperança é a fé: a fé no Senhor Jesus Cristo e em Sua infinita Expiação, o único alicerce seguro sobre o qual podemos edificar nossa vida.

Atualmente, outro grupo de pioneiros exemplifica esse importante princípio. No dia 12 de janeiro, uma terça-feira, um forte terremoto atingiu o Haiti, deixando sua capital, Porto Príncipe, em ruínas. Seu impacto foi devastador, estimando-se que 1.000.000 de pessoas ficaram desabrigadas e mais de 200.000 morreram.

Enquanto o mundo acompanhava uma mobilização internacional sem precedentes, outro trabalho de resgate extraordinário e inspirador acontecia em Porto Príncipe: um trabalho dirigido por um comitê formado pelos líderes locais da Igreja no Haiti, organizados segundo o padrão do sacerdócio e agindo sob inspiração. Os membros desse comitê incluíam, entre outros, os dois presidentes de estaca e as duas presidentes da Sociedade de Socorro da Estaca Port-au-Prince e o presidente da missão, que com 30 anos de idade preside os 74 missionários da Missão Porto Príncipe, no Haiti. Todos os missionários eram haitianos, e milagrosamente nenhum deles ficou ferido naquele terremoto devastador.

Os recursos da Igreja foram colocados nas mãos desses líderes locais inspirados, inclusive as generosas contribuições de muitos de vocês. Por essas contribuições, o povo do Haiti é profundamente grato. Sob a direção do comitê, quase imediatamente chegaram caminhões carregados de provisões, vindos da República Dominicana. Poucos dias após o terremoto, aviões carregados de alimentos, sistemas de purificação de água, barracas, cobertores e suprimentos médicos, além de uma equipe médica, chegaram ao local.

As nove capelas de Porto Príncipe e arredores ficaram praticamente intactas: outro milagre extraordinário. Nas semanas subsequentes ao terremoto, elas abrigaram mais de 5.000 haitianos e se tornaram pontos de fornecimento de alimentos, água e cuidados médicos. As necessidades básicas foram satisfeitas, e a ordem começou a surgir no meio do caos.

Embora os fiéis santos haitianos tenham sofrido muito, eles estão cheios de esperança no futuro. Tal como os antigos pioneiros de 1846, estão com o coração partido, mas seu espírito é forte. Eles também nos ensinam que a esperança, a felicidade e a alegria não são frutos das circunstâncias, mas sim da fé no Senhor.

O profeta Mórmon, que também passou por situações difíceis, compreendia muito bem e ensinou claramente essa doutrina:

“E novamente, meus amados irmãos, gostaria de falar-vos sobre a esperança. (…)

Eis que vos digo que deveis ter esperança (…) por intermédio da expiação de Cristo (…) e isto por causa da vossa fé nele, de acordo com a promessa. Portanto, se um homem tem fé, ele tem que ter esperança; porque sem fé não pode haver qualquer esperança”.2

A esperança é fruto da fé em Jesus Cristo. Ele já venceu o mundo e prometeu que enxugará nossas lágrimas se simplesmente nos voltarmos para Ele, acreditarmos Nele e O seguirmos.3

Alguns que neste exato momento se sentem desesperados ou desanimados, talvez se perguntem como podem voltar a ter esperança. Mas, se você se sente assim, lembre-se de que a esperança vem da fé. Se quisermos desenvolver esperança, precisamos desenvolver a fé.

A fé no Salvador exige mais do que a mera crença Nele. O Apóstolo Tiago ensinou que até o diabo crê e estremece.4 Mas a fé verdadeira exige obras. A diferença entre o diabo e os membros fiéis desta Igreja não é a crença, mas sim o trabalho. A fé aumenta pelo cumprimento dos mandamentos. Precisamos empenhar-nos em guardar os mandamentos. No Bible Dictionary lemos: “Os milagres não produzem a fé, mas uma fé forte é desenvolvida pela obediência ao evangelho de Jesus Cristo. Em outras palavras, a fé é fruto da retidão.”5

Quando nos esforçamos por guardar os mandamentos de Deus, arrependendo-nos de nossos pecados e prometendo fazer o máximo de esforço para seguir o Salvador, sentimos crescer nossa confiança de que graças à Expiação tudo ficará bem. Esses sentimentos são confirmados pelo Espírito Santo, que afasta de nós o que nossos antepassados pioneiros chamavam de nossas preocupações inúteis. Apesar das provações, temos uma grande sensação de bem-estar e sentimos vontade de cantar com eles que está “tudo bem”.6

Não quero minimizar a realidade da depressão clínica. Para alguns, a solução para a depressão e as ansiedades será encontrada por meio de uma consulta com profissionais competentes. Mas para a maioria de nós, a tristeza e o temor começam a se dissipar e são substituídos pela felicidade e paz, quando depositamos nossa confiança no Autor do plano de felicidade e desenvolvemos fé no Príncipe da Paz.

Recentemente um querido amigo meu morreu de câncer. Ele e a família eram pessoas de muita fé. Foi inspirador ver como a fé que possuíam os ajudou a suportar aqueles momentos difíceis. Tinham o coração cheio de uma paz interior que os susteve e os fortaleceu. Com a permissão deles, gostaria de ler parte de uma carta de um membro da família, escrita poucos dias antes da morte do pai:

“Os últimos dias têm sido especialmente difíceis. (…) Na noite passada, reunimo-nos junto ao leito do papai, e o Espírito do Senhor estava presente de modo muito tangível, agindo como um verdadeiro consolador para nós. Estávamos em paz. (…) Foi a coisa mais difícil pela qual já passamos, mas sentimos paz por saber que (…) nosso Pai Celestial prometeu que voltaremos a viver juntos em família. Depois de dizer a meu pai, no hospital, que nada restava a fazer, o médico olhou para todos nós com perfeita fé e perguntou de modo bem direto: ‘Alguém aqui neste quarto não acredita no plano de salvação?’ Todos acreditamos e sentimo-nos gratos por ter um pai e uma mãe que nos ensinaram a ter plena confiança nesse plano”.

Dirijo-me a todos os que sofrem, a todos os que choram, a todos que enfrentam ou enfrentarão provações e desafios nesta vida. Minha mensagem é para todos os que estão preocupados, temerosos ou desanimados. Minha mensagem é apenas um eco, um lembrete deste constante conselho consolador de um Pai amoroso para Seus filhos, desde o princípio do mundo.

“Lembrai-vos, lembrai-vos de que é sobre a rocha de nosso Redentor, que é Cristo, o Filho de Deus, que deveis construir os vossos alicerces; para que, quando o diabo lançar a fúria de seus ventos, sim, seus dardos no torvelinho, sim, quando todo o seu granizo e violenta tempestade vos açoitarem, isso não tenha poder para vos arrastar ao abismo da miséria e angústia sem fim, por causa da rocha sobre a qual estais edificados, que é um alicerce seguro; e se os homens edificarem sobre esse alicerce, não cairão.”7

Presto testemunho Dele, de que Ele venceu o mundo, de que nunca vai esquecer-Se de nós ou nos abandonar, porque estamos gravados nas palmas de Suas mãos.8 Testifico que aqueles que guardam Seus mandamentos terão mais fé e esperança e receberão forças para vencer todas as provações da vida. Eles gozarão de paz que excede todo o entendimento.9 Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. Sarah DeArmon Rich, Carol Cornwall Madsen, Journey to Zion: Voices from the Mormon Trail,1997, pp. 173–174.

  2.  

    2. Morôni 7:40–42.

  3.  

    3. Ver Apocalipse 7:14–17.

  4.  

    4. Ver Tiago 2:19.

  5.  

    5. Bible Dictionary, definição de “Faith” [fé].

  6.  

    6. Ver “Vinde, Ó Santos”, Hinos, no 20.

  7.  

    7. Helamã 5:12.

  8.  

    8. Ver 1 Néfi 21:16.

  9.  

    9. Ver Filipenses 4:7.