Pais Corajosos

Larry R. Lawrence

Dos Setenta


O mundo realmente precisa de pais e mães corajosos que não tenham medo de abrir a boca para defender aquilo em que acreditam.

Quero falar hoje aos pais de adolescentes. Seus jovens brilhantes e cheios de energia são o futuro da Igreja, e por esse motivo, eles são um dos principais alvos do adversário. Muitos de vocês, pais e mães fiéis, ouvem a conferência hoje, orando por respostas que os ajudem a guiar seus filhos através dessa importante fase da vida. Meus netos mais velhos se tornaram adolescentes, por isso tenho esse assunto no coração. Não há pais perfeitos nem respostas fáceis, mas há princípios de verdade nos quais podemos confiar.

O tema da Mutual dos Rapazes e das Moças para 2010 foi tirado do livro de Josué e começa assim: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas” (Josué 1:9). Essa frase das escrituras seria um bom tema para os pais também. Nestes últimos dias, o mundo realmente precisa de pais e mães corajosos que não tenham medo de abrir a boca para defender aquilo em que acreditam.

Imaginem por um momento que sua filha estivesse sentada nos trilhos e vocês ouvissem o apito do trem. Será que a avisariam para sair dos trilhos? Ou hesitariam, com receio de que ela os considerasse super protetores? Se ela ignorasse seu aviso, vocês a levariam rapidamente para um lugar seguro? É claro que levariam! O amor que têm por sua filha falaria mais alto que tudo. Vocês dariam muito mais valor à vida dela do que à boa vontade dela em obedecer.

Os desafios e tentações chegam até nossos adolescentes com a velocidade e a força de um trem de carga. Conforme somos lembrados na proclamação da família, os pais são responsáveis pela proteção dos filhos. 1 Isso significa tanto espiritual quanto fisicamente.

No Livro de Mórmon, lemos como Alma, o filho, aconselhou seu filho rebelde. Coriânton cometeu erros graves enquanto servia em uma missão entre os zoramitas. Alma o amou o suficiente para abordar o problema de modo bem direto. Expressou sua profunda decepção pelo filho ter sido imoral e explicou-lhe as graves consequências do pecado.

Sinto-me inspirado toda vez que leio estas corajosas palavras de Alma: “E agora o Espírito do Senhor me diz: Ordena a teus filhos que pratiquem o bem, (…) por conseguinte eu te ordeno, meu filho, no temor de Deus, que te abstenhas de tuas iniquidades” (Alma 39:12). Essa intervenção imediata do pai foi um ponto de transição para Coriânton. Ele se arrependeu e serviu fielmente depois disso (ver Alma 42:31; 43:1–2).

Comparem o exemplo de Alma com o de outro pai, nas escrituras: Eli, do Velho Testamento. Eli servia como sumo sacerdote em Israel quando Samuel, o profeta, era criança. As escrituras explicam que o Senhor o repreendeu severamente “porque, fazendo-se os seus filhos execráveis, não os repreendeu” (I Samuel 3:13). Os filhos de Eli nunca se arrependeram, e toda a Israel sofreu por causa da insensatez deles. A história de Eli nos ensina que os pais que amam os filhos não podem dar-se ao luxo de ficar intimidados por eles.

Há vários anos, numa conferência geral, o Élder Joe J. Christensen nos lembrou do seguinte: “A criação dos filhos não é um concurso de popularidade”. 2 Nesse mesmo espírito, o Élder Robert D. Hales observou: “Às vezes sentimos medo de nossos filhos — medo de aconselhá-los com receio de ofendê-los”. 3

Há alguns anos, nosso filho de dezessete anos queria viajar no fim de semana com os amigos, todos bons rapazes. Pediu permissão para fazer a viagem. Eu queria dizer sim, mas por algum motivo me senti incomodado com aquilo. Compartilhei os sentimentos com minha mulher, que me deu todo o apoio. “Precisamos dar ouvidos a essa voz de advertência”, disse ela.

É claro que nosso filho ficou desapontado; perguntou por que não queríamos que ele fosse. Respondi sinceramente que não sabia o motivo. “Simplesmente não me sinto bem a respeito disso”, expliquei, “e amo você demais para ignorar esses sentimentos que tive”. Fiquei muito surpreso quando ele disse: “Está bem, pai, compreendo”.

Os jovens compreendem mais do que imaginamos, porque eles também têm o dom do Espírito Santo. Eles procuram reconhecer quando o Espírito fala, e observam nosso exemplo. Conosco, eles aprendem a prestar atenção aos sussurros do Espírito, de modo que, quando “não se sentem bem em relação a algo”, é melhor não fazer aquilo.

É extremamente importante que o marido e a mulher sejam unidos ao tomar decisões como pais. Se um deles não se sentir bem a respeito de algo, então a permissão não deve ser dada. Se um de vocês se sentir incomodado com um filme, um programa de televisão, um videogame, uma festa, um vestido, um traje de banho ou uma atividade na Internet, tenham a coragem de apoiar um ao outro e dizer “não”.

Quero ler para vocês a carta de uma mãe inconsolável. Seu filho adolescente perdeu gradualmente o Espírito e se afastou da atividade na Igreja. Ela explicou como isso aconteceu: “Durante toda a adolescência de meu filho, preocupei-me e tentei fazer com que parasse de jogar videogames violentos. Conversei com meu marido e mostrei-lhe artigos nas revistas da Igreja e em jornais que advertiam a respeito desses jogos. Meu marido, porém, achou que não havia problema. Disse que nosso filho não estava nas ruas usando drogas e que eu devia parar de me preocupar. Houve ocasiões em que escondi os controladores de jogo, e meu marido os devolveu a ele. Para mim, passou a ser mais fácil ceder (…) do que combater. Eu sentia realmente que os videogames viciavam tanto quanto as drogas. Faria qualquer coisa para impedir que outros pais tivessem essa mesma experiência”.

Irmãos e irmãs, se seu marido ou mulher não se sentir bem a respeito de algo, respeitem esse sentimento. Se tomarem o caminho fácil de não dizer nem fazer nada, podem estar permitindo um comportamento destrutivo.

Os pais podem impedir muito sofrimento ensinando os filhos a adiar relacionamento românticos até o momento em que eles estiverem prontos para o casamento. Começar precocemente a sair com um namorado ou uma namorada é muito perigoso. Quando eles formam um “casal”, isso cria uma intimidade emocional que geralmente conduz às intimidades físicas. Satanás conhece essa sequência e a usa para seus propósitos. Ele fará tudo o que puder para impedir que os rapazes sirvam em uma missão e para impedir os casamentos no templo.

É vital que os pais tenham a coragem de abrir a boca e intervir, antes que Satanás tenha sucesso. O Presidente Boyd K. Packer ensinou: “Quando a moralidade está envolvida, temos tanto o direito quanto a obrigação de erguer a voz de advertência”. 4

Sempre acreditei que nada realmente de bom acontece, quando é tarde da noite, e que os jovens precisam saber a que horas se espera que voltem para casa.

Os pais demonstram muita sabedoria quando ficam acordados para esperar os filhos que voltam para casa. Os rapazes e as moças tomam decisões bem melhores quando sabem que os pais os esperam acordados para saber como foi a noite deles e dar-lhes um beijo de boa noite.

Quero expressar minha advertência pessoal sobre uma prática muito comum em várias culturas. Refiro-me à prática de “pernoitar” ou “passar a noite” na casa de um amigo. Como bispo, descobri que um número muito grande de jovens quebrou a Palavra de Sabedoria ou a lei da castidade, pela primeira vez, quando dormia na casa de um amigo. Muito frequentemente, sua primeira exposição à pornografia — ou até seu primeiro encontro com a polícia — ocorreu quando passava a noite fora de casa.

A pressão dos colegas se torna mais forte quando nossos filhos estão afastados de nossa influência e quando suas defesas estão enfraquecidas, tarde da noite. Se já se sentiram incomodados em relação a uma atividade com pernoite, não tenham medo de atender à voz interior de advertência. Mantenham sempre o espírito de oração quando se trata de proteger seus preciosos filhos.

A coragem dos pais nem sempre envolve dizer “não”. Os pais também precisam ter coragem de dizer “sim” ao conselho dos profetas modernos. Nossos líderes da Igreja nos aconselharam a estabelecer padrões de retidão em nosso lar. Pensem nestas cinco práticas fundamentais que têm o poder de fortalecer nossos jovens: oração familiar; estudo das escrituras em família; reunião familiar; jantar em família; e entrevistas individuais regulares com cada filho.

É preciso coragem para tirar os filhos de qualquer coisa que estejam fazendo e reuni-los para ajoelharem-se juntos como família. É preciso coragem para desligar a televisão e o computador e guiar sua família pelas páginas das escrituras todos os dias. É preciso coragem para recusar outros convites na noite de segunda-feira, para que possam reservar essa noite para a família. É preciso coragem e força de vontade para abster-nos de marcar compromissos demais, de modo que a família possa estar em casa para o jantar.

Um dos modos mais eficazes pelos quais podemos influenciar nossos filhos e filhas é aconselhá-los em entrevistas particulares. Se ouvirmos atentamente, podemos descobrir o desejo do coração deles, ajudá-los a estabelecer metas dignas e também compartilhar com eles as impressões espirituais que recebemos em relação a eles. O aconselhamento exige coragem.

Tentem imaginar no que a nova geração pode-se tornar, se esses cinco padrões justos forem aplicados constantemente em todos os lares. Nossos jovens podem tornar-se como o exército de Helamã: invencíveis (ver Alma 57:25–26).

A tarefa criar filhos adolescentes nos últimos dias é algo que nos faz reconhecer nossa necessidade de inspiração. Satanás e seus seguidores esforçam-se para derrubar esta geração. O Senhor conta com pais valorosos para erguê-los. Pais: Esforcem-se e tenham bom ânimo; não temam (ver Josué 1:9). Sei que Deus ouve e atende a nossas orações. Testifico que o Senhor apoia e abençoa os pais corajosos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1.  Ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, última contracapa.

  2.  

    2. Joe J. Christensen, “Rearing Children in a Polluted Environment”, Ensign, novembro de 1993, p. 11.

  3.  

    3. Robert D. Hales, “Com Todo o Sentimento de um Terno Pai: Uma Mensagem de Esperança às Famílias”, A Liahona, maio de 2004, p. 90.

  4.  

    4. Boyd K. Packer, “Our Moral Environment”, Ensign, maio de 1992, p. 67.