Aprendizado no Sacerdócio

Henry B. Eyring

Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


Se forem obedientes e diligentes no sacerdócio, sobre vocês serão derramados tesouros de conhecimento espiritual.

Sinto-me grato por estar com vocês nesta reunião do sacerdócio de Deus. Estamos em muitos lugares diferentes nesta noite e em muitos estágios de nosso serviço no sacerdócio. Ainda assim, com toda nossa variedade de circunstâncias temos uma necessidade em comum. É a de aprender nossos deveres no sacerdócio e aumentar nossa capacidade de desempenhá-los.

Quando eu era diácono, senti fortemente essa necessidade. Morava num pequeno ramo da Igreja, em Nova Jersey, na Costa Leste dos Estados Unidos. Eu era o único diácono no ramo — não apenas o único ativo, mas o único nos registros. Meu irmão mais velho, Ted, era o único mestre. Ele está aqui esta noite.

Enquanto eu ainda era diácono, minha família mudou-se para Utah. Aqui, encontrei três coisas maravilhosas que aceleraram meu crescimento no sacerdócio. A primeira foi um presidente que sabia como se sentar em conselho com os membros de seu quórum. A segunda era uma grande fé em Jesus Cristo que nos levou a ter o grande amor de que ouvíramos falar — amor uns pelos outros. E a terceira foi a convicção compartilhada por todos, de que o propósito global do sacerdócio era o de trabalhar pela salvação dos homens.

Não foi a ala bem estabelecida que fez a diferença. O que havia naquela ala pode existir em qualquer lugar, em qualquer unidade da Igreja em que vocês estejam.

Essas três coisas podem ser uma parte tão constante do que vivenciam no sacerdócio, que talvez mal a tenham percebido. Outros talvez não tenham sentido essa necessidade de crescimento, de modo a tornar esses auxílios invisíveis a vocês. Seja como for, oro para que o Espírito me ajude a torná-las claras e atraentes para vocês.

Meu objetivo ao abordar esses três auxílios para o crescimento no sacerdócio é fazer com que vocês os valorizem e usem. Se fizerem isso, seu serviço se tornará muito melhor. E se for magnificado, seu serviço no sacerdócio vai abençoar os filhos do Pai Celestial mais do que vocês possam imaginar ser possível hoje.

Descobri a primeira quando fui recebido calorosamente no quórum de sacerdotes, tendo o bispo como nosso presidente. Pode parecer uma coisa pequena e comum para vocês, mas isso deu-me uma sensação de poder no sacerdócio e mudou meu serviço no sacerdócio desde aquele momento. Começou pelo modo como ele nos liderava.

Pelo que posso lembrar, ele tratava a opinião dos jovens sacerdotes como se fosse a dos homens mais sábios do mundo. Ele esperava até que todos tivessem terminado de falar. Ele ouvia. E quando decidia o que devia ser feito, parecia-me que o Espírito confirmava as decisões para nós e para ele.

Dou-me conta hoje de que senti o que significa a escritura que diz que o presidente deve sentar-se em conselho com os membros de seu quórum.1 E anos mais tarde, com meu quórum de sacerdotes, quando eu era bispo, tanto eles quanto eu fomos ensinados pelo que eu havia aprendido quando era um jovem sacerdote.

Vinte anos depois, também como bispo, tive a oportunidade de ver a eficácia de um conselho, não apenas na capela, mas também nas montanhas. Numa atividade de sábado, um membro de nosso quórum passou a noite perdido na floresta. Pelo que sabíamos, estava sozinho e sem agasalho, comida ou abrigo. Nós o procuramos sem ter sucesso.

Lembro-me que oramos juntos, o quórum dos sacerdotes e eu, e então pedi que cada um falasse. Ouvi atentamente e pareceu-me que eles também o fizeram. Depois de algum tempo, tivemos um sentimento de paz. Senti que o membro perdido de nosso quórum estava seguro e protegido da chuva em algum lugar.

Ficou claro para mim o que o quórum devia fazer e o que não devia. Quando as pessoas que o encontraram descreveram o lugar no bosque em que ele se abrigara, senti que o reconheci. Mas, para mim, o maior milagre foi ver a fé em Jesus Cristo demonstrada por um conselho do sacerdócio unido, trazendo revelação ao homem que possuía as chaves do sacerdócio. Todos crescemos em poder no sacerdócio naquele dia.

A segunda chave para um maior aprendizado é ter o amor mútuo que resulta de uma grande fé. Não tenho certeza do que vem primeiro, mas parece-me que as duas coisas estão sempre presentes onde quer que haja grande e rápido aprendizado no sacerdócio. Joseph Smith ensinou-nos isso pelo exemplo.

No início da Igreja, nesta dispensação, ele recebeu um mandamento de Deus no qual lhe foi ordenado edificar a força no sacerdócio. Ele foi orientado a criar escolas para os portadores do sacerdócio. O Senhor exigiu que ali houvesse amor uns pelos outros entre aqueles que iriam ensinar e ser ensinados. Eis as palavras do Senhor sobre o estabelecimento de um lugar de aprendizado no sacerdócio e sobre como ele deveria ser para os que fossem aprender ali:

“Organizai-vos (…) e estabelecei uma casa (…) de aprendizado, (…) uma casa de ordem (…).

Dentre vós designai um professor e não falem todos ao mesmo tempo; mas cada um fale a seu tempo e todos ouçam suas palavras, para que quando todos houverem falado, todos sejam edificados por todos, para que todos tenham privilégios iguais”.2

O Senhor descreveu o que vimos ser a força de um conselho ou classe do sacerdócio para proporcionar revelação pelo Espírito. A revelação é a única maneira de sabermos que Jesus é o Cristo. Essa grande fé é o primeiro degrau da escada que subimos para aprender os princípios do evangelho.

Na seção 88 de Doutrina e Convênios, nos versículos 123 e 124, o Senhor salientou que devemos amar uns aos outros e não achar faltas uns nos outros. Cada pessoa entrava na escola do sacerdócio estabelecida pelo profeta do Senhor erguendo a mão para fazer o convênio de ser “amigo e irmão (…) nos laços do amor”.3

Não seguimos essa prática hoje em dia, mas sempre que vejo um aprendizado extraordinário no sacerdócio, lá existem esses laços de amor. Pelo que vi, isso foi tanto causa quanto efeito do aprendizado de verdades do evangelho. O amor propicia a presença do Espírito Santo para confirmar a verdade. E a alegria de aprender verdades divinas cria amor no coração das pessoas que compartilham a experiência de aprendizado.

O contrário também é verdade. A discórdia ou a inveja inibem a capacidade de o Espírito Santo ensinar-nos e inibe nossa capacidade de receber luz e verdade. E o dissabor invariavelmente resultante gera discórdia e críticas ainda maiores, em meio aos que deveriam ter uma experiência de aprendizado que não acontece.

Sempre me parece que entre os portadores do sacerdócio, que aprendem juntos, há grandes pacificadores. Vocês veem isso nas classes do sacerdócio e nos conselhos. É o dom de ajudar as pessoas a encontrar pontos em comum, quando elas têm diferenças de opinião. É o dom do pacificador de ajudar as pessoas a verem que o que a outra disse foi uma contribuição e não uma correção.

Com bastante do puro amor de Cristo e o desejo de ser um pacificador, a união é possível nos conselhos do sacerdócio e nas classes. É preciso paciência e humildade, mas vi isso acontecer mesmo quando as questões são difíceis e as pessoas do conselho ou da classe têm formação muito diferente.

É possível erguer-nos ao sublime padrão estabelecido pelo Senhor para os portadores do sacerdócio ao tomarem decisões nos quóruns. É possível quando ali existe grande fé e amor, e não há contendas. Eis o que Senhor exige para que Ele endosse nossas decisões: “E toda decisão tomada por um desses quóruns deve sê-lo pelo voto unânime do mesmo; isto é, cada membro de cada quórum deve concordar com suas decisões, a fim de que estas tenham o mesmo poder ou validade entre si”.4

O terceiro auxílio para o aprendizado no sacerdócio advém da convicção que compartilhamos do motivo pelo qual o Senhor nos abençoa com Seu sacerdócio e confia que o portemos e o exerçamos, isto é, trabalharmos para a salvação dos homens. Essa convicção compartilhada proporciona união nos quóruns. Podemos começar a aprender a respeito disso no relato das escrituras sobre como os filhos espirituais foram preparados, antes de nascer, para esta grande honra de possuir o sacerdócio.

Falando daqueles a quem foi confiada a grande responsabilidade no sacerdócio nesta vida, o Senhor disse: “Mesmo antes de nascerem, eles, com muitos outros, receberam suas primeiras lições no mundo dos espíritos e foram preparados para nascer no devido tempo do Senhor, a fim de trabalharem em sua vinha para a salvação da alma dos homens”.5

No sacerdócio, compartilhamos o sagrado dever de trabalhar pela alma dos homens. Precisamos fazer mais do que aprender que esse é nosso dever. Isso precisa penetrar profundamente nosso coração de modo que nem as muitas demandas de nossas atividades na flor da vida nem as provações que vêm com a idade nos desviem desse propósito.

Recentemente, visitei um sumo sacerdote. Ele já não consegue frequentar nossas reuniões de quórum. Mora sozinho. Sua linda esposa faleceu e seus filhos moram longe. A idade e a doença limitam sua capacidade de servir. Ele ainda ergue pesos para manter o que puder de sua força, outrora vigorosa.

Quando entrei em sua casa, ele levantou-se com seu andador para cumprimentar-me. Convidou-me a sentar numa poltrona perto dele. Conversamos sobre nosso feliz convívio no sacerdócio.

Então, com grande emoção, ele perguntou-me: “Por que ainda estou vivo? Por que ainda estou aqui? Não consigo fazer nada”.

Eu disse que ele estava fazendo algo por mim. Estava elevando-me com sua fé e amor. Mesmo em nossa breve visita, ele fez-me querer ser melhor. Seu exemplo de determinação em fazer algo que tenha importância inspirou-me a esforçar-me mais para servir às pessoas e ao Senhor.

Mas pela tristeza que senti em sua voz e por seu olhar percebi que eu não tinha respondido a suas perguntas. Ele ainda se perguntava por que Deus permitia que vivesse com tamanhas limitações em sua capacidade de servir.

Com a generosa atitude que lhe é costumeira, agradeceu-me por ter ido vê-lo. Quando me levantei para sair, a enfermeira que passa algumas horas em sua casa todos os dias entrou na sala, vindo de outro aposento. Em nossa conversa particular, ele contou-me um pouco a respeito dela. Disse-me que ela era maravilhosa. Ela havia morado em meio a santos dos últimos dias durante a maior parte da vida, mas ainda não era membro.

Ela acompanhou-me até a porta. Ele apontou para ela e disse com um sorriso: “Como vê, parece que não consigo fazer nada. Venho tentando fazer com que ela se batize na Igreja, mas não tem dado certo”. Ela sorriu de volta para ele e para mim. Saí da casa dele, e dirigi-me a minha casa.

Percebi, então, que as respostas a suas dúvidas estavam plantadas em seu coração havia muito tempo. Ele era um valoroso sumo sacerdote que procurava cumprir o dever que lhe fora ensinado em décadas no sacerdócio.

Ele sabia que a única maneira pela qual aquela jovem poderia ter a bênção de salvação por meio do evangelho de Jesus Cristo era fazendo um convênio ao ser batizada. Ele tinha sido ensinado de acordo com os convênios, por todos os presidentes de todos os quóruns, desde os diáconos até os sumos sacerdotes.

Ele lembrava e sentia seu próprio juramento e convênio do sacerdócio. Ainda o estava cumprindo.

Era uma testemunha e um missionário para o Salvador, aonde quer que a vida o levasse. Já estava em seu coração. O desejo de seu coração era que o coração dela fosse mudado por meio da Expiação de Jesus Cristo e pelo cumprimento de convênios sagrados.

Seu tempo na escola do sacerdócio nesta vida será relativamente breve comparado com a eternidade. Mas, mesmo nesse curto período de tempo, ele aprendeu bem o currículo eterno. Ele vai levar consigo, aonde quer que o Senhor o chamar, lições do sacerdócio de valor eterno.

Vocês devem não apenas estar ávidos para aprender suas lições do sacerdócio nesta vida, mas também ser otimistas sobre o que é possível. Alguns talvez bloqueiem mentalmente a possibilidade de aprender aquilo que o Senhor coloca diante de nós em Seu serviço.

Um rapaz deixou sua pequena vila galesa no início da década de 1840, ouviu os apóstolos de Deus e entrou para Seu reino na Terra. Viajou de navio com os santos para a América e conduziu um carroção para o oeste, atravessando as planícies. Ele esteve na companhia que seguiu para este vale após a companhia de Brigham Young. Seu serviço no sacerdócio incluiu o preparo e a aragem da terra para uma fazenda.

Ele vendeu a fazenda por bem menos do que ela valia, a fim de servir uma missão para o Senhor, nos desertos, onde hoje é Nevada, cuidando de ovelhas. Foi chamado após esse encargo para outra missão além-mar, na própria vila que ele havia deixado em sua pobreza, para seguir ao Senhor.

Em tudo isso, ele encontrou um meio de aprender com seus irmãos do sacerdócio. Sendo um missionário destemido, caminhou por uma estrada do País de Gales até a casa de verão de um homem que havia sido quatro vezes primeiro-ministro da Inglaterra, para oferecer-lhe o evangelho de Jesus Cristo.

Aquele grande homem permitiu que ele entrasse em sua mansão. Era formado no Eton College e na Universidade de Oxford. O missionário conversou com ele sobre as origens do homem, sobre o papel central de Jesus Cristo na história do mundo e até sobre o destino das nações.

No final de sua discussão, o anfitrião declinou a oferta de aceitar o batismo. Mas, ao se despedirem, aquele líder de um dos grandes impérios do mundo perguntou ao humilde missionário: “Onde foi que você adquiriu sua instrução?” Sua resposta: “No sacerdócio de Deus”.

Pode ser que vocês tenham imaginado, alguma vez, quão melhor seria sua vida se tivessem sido aceitos para estudar em alguma escola. Oro para que vejam a grandiosidade do amor de Deus por vocês e a oportunidade que Ele lhes deu de entrarem em Sua escola do sacerdócio.

Se forem obedientes e diligentes no sacerdócio, sobre vocês serão derramados tesouros de conhecimento espiritual. Vocês vão crescer em sua capacidade de resistir ao mal e de proclamar a verdade que conduz à salvação. Terão alegria na felicidade daqueles que vocês conduzirem à exaltação. Sua família vai tornar-se um lugar de aprendizado.

Testifico que as chaves do sacerdócio foram restauradas. O Presidente Thomas S. Monson possui e exerce essas chaves. Deus vive e conhece vocês perfeitamente. Jesus Cristo vive. Vocês foram escolhidos para terem a honra de possuir o santo sacerdócio. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. Ver Doutrina e Convênios 107:87.

  2.  

    2.  Doutrina e Convênios 88:119, 122.

  3.  

    3.  Doutrina e Convênios 88:133.

  4.  

    4.  Doutrina e Convênios 107:27.

  5.  

    5.  Doutrina e Convênios 138:56.