“Vinde a Mim”

Presidente Henry B. Eyring

Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


Por meio de Suas palavras e de Seu exemplo, Cristo mostrou-nos como nos achegar a Ele.

Sinto-me grato por estar com vocês nesta conferência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Esta é a Igreja Dele. Tomamos Seu nome sobre nós quando entramos em Seu reino. Ele é Deus, o Criador, e é perfeito. Somos seres mortais sujeitos à morte e ao pecado. Mas em Seu amor por nós e por nossa família, Ele nos convida a achegar-nos a Ele. Aqui estão Suas palavras: “Achegai-vos a mim e achegar-me-ei a vós; procurai-me diligentemente e achar-me-eis; pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto”.1

Nesta época de Páscoa, somos lembrados do motivo pelo qual O amamos e da promessa que Ele faz a Seus fiéis discípulos, de que se tornarão Seus amigos amados. O Salvador fez essa promessa e disse como Ele Se achega a nós no serviço que Lhe prestamos. Um exemplo está em uma revelação dada a Oliver Cowdery, quando ele servia ao Senhor com o Profeta Joseph Smith na tradução do Livro de Mórmon. “Eis que tu és Oliver e falei contigo por causa de teus desejos; portanto entesoura estas palavras no coração. Sê fiel e diligente na observância dos mandamentos de Deus e envolver-te-ei nos braços de meu amor.”2

Senti a alegria de achegar-me ao Salvador e de senti-Lo achegar-Se a mim na maioria das vezes por meio de simples atos de obediência aos mandamentos.

Vocês também tiveram experiências pessoais assim. Pode ter sido quando fizeram a escolha de ir à reunião sacramental. Para mim, foi num domingo, quando eu era bem jovem. Naquela época, recebíamos o sacramento numa reunião realizada à noite. A lembrança de um dia, há mais de 65 anos, em que cumpri o mandamento de reunir-me com minha família e com os santos, ainda hoje me faz achegar-me ao Salvador.

Estava escuro e frio lá fora. Lembro de ter sentido a luz e o calor da capela naquela noite com meus pais. Tomamos o sacramento, servido por portadores do Sacerdócio Aarônico, fazendo convênio com nosso Pai Celestial de sempre nos lembrarmos de Seu Filho e guardar Seus mandamentos.

No final da reunião, cantamos o hino “É Tarde, a Noite Logo Vem”, que inclui estas palavras: “Ó Salvador, vem ao meu lar, comigo vem morar”.3

Senti o amor e a proximidade do Salvador naquela noite. E senti o consolo do Espírito Santo.

Quis reavivar mais uma vez o sentimento de amor e proximidade do Salvador que tive naquela reunião sacramental de minha juventude. Por isso recentemente cumpri outro mandamento. Examinei as escrituras. Nelas, soube que poderia voltar a permitir que o Espírito Santo me fizesse sentir o que dois discípulos do Senhor ressuscitado sentiram quando Ele aceitou o convite deles, de entrar na casa deles e habitar com eles.

Li sobre o terceiro dia após Sua crucificação e Seu sepultamento. Algumas mulheres fiéis e outras pessoas encontraram a pedra movida do sepulcro e viram que o corpo Dele não estava ali. Tinham paraID=o até lá devido a Seu amor por Ele, para ungir-Lhe o corpo.

Dois anjos estavam ali e perguntaram por que elas estavam com medo, dizendo:

“Por que buscais o vivente entre os mortos?

Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galileia,

Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite”.4

O Evangelho de Marcos acrescenta a instrução dada por um dos anjos: “Mas paraID=e, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse”.5

Os apóstolos e os discípulos haviam-se reunido em Jerusalém. Tal como teria acontecido conosco, estavam com medo e se perguntavam, ao conversar uns com os outros, o que a morte e os relatos de Sua Ressurreição significavam para eles.

Dois dos discípulos caminhavam naquela tarde, saindo de Jerusalém, pela estrada para Emaús. O Cristo ressuscitado apareceu na estrada e caminhou com eles. O Senhor tinha paraID=o até eles.

O livro de Lucas permite que caminhemos com eles:

“E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles.

Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem.

E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?

E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias?”6

Eles expressaram a tristeza que sentiam pelo fato de Jesus ter morrido, quando confiavam que Ele seria o Redentor de Israel.

Deve ter havido muita afeição na voz do Senhor ressuscitado ao conversar com aqueles dois discípulos tristes e chorosos.

“E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!

Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?

E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as escrituras.”7

Então, chega o momento que me aquece o coração desde quando eu era menininho:

“E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe.

E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles”.8

O Salvador aceitou naquela noite o convite de entrar na casa de Seus discípulos, perto da vila de Emaús.

Ele sentou-Se para cear com eles. Tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o a eles. Os olhos deles se abriram para que O reconhecessem. Então, Ele desapareceu de diante deles. Lucas registra para nós o sentimento que tiveram aqueles discípulos abençoados: “E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?”9

Na mesma hora, os dois discípulos voltaram correndo a Jerusalém para contar aos 11 apóstolos o que lhes havia acontecido. Nesse momento, o Salvador apareceu novamente.

Ele recapitulou as profecias de Sua missão de expiar os pecados de todos os filhos de Seu Pai e romper as cadeias da morte.

“E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos,

E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém.

E destas coisas sois vós testemunhas.”10

As palavras do Salvador também são verdadeiras para nós, tal como o foram para Seus discípulos daquela época. Somos testemunhas dessas coisas. E o glorioso encargo que aceitamos quando fomos batizados na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos foi claramente explicado pelo profeta Alma, há vários séculos, nas águas de Mórmon:

“E aconteceu que ele lhes disse: Eis aqui as águas de Mórmon (pois assim eram chamadas); e agora, sendo que desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

Sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que vos encontreis, mesmo até a morte; para que sejais redimidos por Deus e contados com os da primeira ressurreição, para que tenhais a vida eterna —

Agora vos digo que, se for este o desejo de vosso coração, o que vos impede de serdes batizados em nome do Senhor, como um testemunho, perante ele, de que haveis feito convênio com ele de servi-lo e guardar seus mandamentos, para que ele possa derramar seu Espírito com mais abundância sobre vós?

E quando ouviram estas palavras, bateram palmas de alegria e exclamaram: Este é o desejo de nosso coração”.11

Estamos sob o convênio de acudir os necessitados e de ser testemunhas do Salvador enquanto vivermos.

Conseguiremos fazer isso sem falhar somente se sentirmos amor pelo Salvador e o Seu amor por nós. Se formos fiéis às promessas que fizemos, sentiremos nosso amor por Ele aumentar porque sentiremos Seu poder e Sua proximidade de nós, no serviço Dele.

O Presidente Thomas S. Monson com frequência nos relembra a promessa que o Senhor fez a Seus discípulos fiéis: “E quem vos receber, lá estarei também, pois irei adiante de vós. Estarei a vossa direita e a vossa esquerda e meu Espírito estará em vosso coração e meus anjos ao vosso redor para vos suster”.12

Há outro modo pelo qual podemos senti-Lo achegar-Se a nós. Quando Lhe ofertamos dedicado serviço, Ele achega-Se aos que amamos em nossa família. Toda vez que fui chamado a serviço do Senhor para mudar-me ou para deixar minha família, pude ver que o Senhor abençoava minha esposa e meus filhos. Ele preparou Seus servos amorosos e oportunidades para que minha família se achegasse a Ele.

Vocês sentiram essas mesmas bênçãos em sua vida. Muitos de vocês têm entes queridos que se desviaram do caminho da vida eterna. Vocês se perguntam o que mais poderiam fazer para trazê-los de volta. Podem confiar que o Senhor vai achegar-Se a eles, à medida que vocês O servirem com fé.

Devem lembrar-se da promessa que o Senhor fez a Joseph Smith e Sidney Rigdon quando eles estavam longe da família, a serviço Dele: “Meus amigos Sidney e Joseph: Vossas famílias estão bem; encontram-se em minhas mãos e eu lhes farei o que me parecer bem; pois em mim todo o poder existe”.13

Tal como Alma e o rei Mosias, alguns pais fiéis serviram ao Senhor por tanto tempo e tão bem, mais ainda assim tiveram filhos que se desviaram do caminho, apesar do sacrifício que os pais fizeram pelo Senhor. Eles fizeram tudo o que puderam, sem que houvesse resultado aparente, mesmo com a ajuda de amigos amorosos e fiéis.

Alma e os santos da época oraram pelo filho de Alma e pelos filhos do rei Mosias. Um anjo apareceu. Suas orações e as orações daqueles que exercem fé vão trazer os servos do Senhor para ajudar seus familiares. Eles vão ajudar seus entes queridos a escolher o caminho de casa para a presença de Deus, mesmo quando estiverem sendo atacados por Satanás e seus seguidores, cujo propósito é destruir as famílias nesta vida e na eternidade.

Lembrem-se das palavras proferidas pelo anjo a Alma, o filho, e para os filhos de Mosias em sua rebeldia: “E disse mais o anjo: Eis que o Senhor ouviu as orações de seu povo e também as orações de seu servo Alma, que é teu pai; porque ele tem orado com muita fé a teu respeito, para que tu sejas levado a conhecer a verdade; portanto vim com o propósito de convencer-te do poder e autoridade de Deus, para que as orações de seus servos possam ser respondidas de acordo com sua fé”.14

Ao curarem as feridas dos necessitados e oferecerem a purificação de Sua Expiação aos que se afligem em pecado, o poder do Senhor vai sustê-los. Seus braços estão estendidos junto com os de vocês para socorrer e abençoar os filhos de nosso Pai Celestial, inclusive os membros de sua família.

Há uma recepção gloriosa preparada para receber-nos de volta ao lar. Veremos, então, o cumprimento da promessa do Senhor a quem amamos. Será Ele quem nos receberá na vida eterna que teremos com Ele e com nosso Pai Celestial. Jesus Cristo descreveu isso desta forma:

“Procura trazer à luz e estabelecer minha Sião. Guarda meus mandamentos em todas as coisas.

E se guardares meus mandamentos e perseverares até o fim, terás vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus”.15

“Porque os que viverem herdarão a Terra e os que morrerem descansarão de todos os seus labores, e suas obras segui-los-ão; e nas mansões de meu Pai, que lhes preparei, receberão uma coroa.”16

Testifico que podemos, pelo Espírito, aceitar o convite do Pai Celestial: “Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”17

Por meio de Suas palavras e de Seu exemplo, Cristo mostrou-nos como nos achegar a Ele. Todo filho do Pai Celestial que fez a escolha de entrar pela porta do batismo nesta que é a Sua Igreja terá a oportunidade nesta vida de aprender Seu evangelho e de ouvir de Seus servos designados o convite Dele, que diz: “Vinde a mim”.18

Todos os Seus servos do convênio em Seu reino na Terra e no mundo espiritual receberão orientação Dele por meio do Espírito, ao abençoar e servir a outras pessoas por Ele. E eles sentirão Seu amor e terão alegria em achegar-se a Ele.

Sou testemunha da Ressurreição do Senhor tão seguramente como se tivesse estado naquela noite com os dois discípulos, na casa junto à estrada de Emaús. Sei que Ele vive tão seguramente quanto Joseph Smith soube, quando viu o Pai e o Filho, naquela manhã radiante, em um bosque de Palmyra.

Esta é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Somente nas chaves do sacerdócio que tem o Presidente Thomas S. Monson está o poder para sermos selados como família a fim de vivermos para sempre com nosso Pai Celestial e o Senhor Jesus Cristo. Estaremos no Dia do Juízo perante o Salvador, face a face. Será uma ocasião jubilosa para aqueles que se achegaram a Ele em Seu serviço nesta vida. Será uma alegria ouvir as palavras: “Bem está, servo bom e fiel”.19 Disso testifico, como testemunha do Salvador e nosso Redentor ressuscitado, em nome de Jesus Cristo. Amém.