Força Pessoal por Meio da Expiação de Jesus Cristo

Do Quórum dos Doze Apóstolos


Por meio da Expiação de Jesus Cristo, cada um de nós pode tornar-se puro, e o fardo de nossa rebelião será aliviado.

Recentemente tive a bênção de me reunir com um grupo muito impressionante de jovens do Estado de Idaho. Uma moça virtuosa me perguntou qual eu achava ser a coisa mais importante que eles deveriam fazer na vida neste exato momento. Sugeri que eles aprendessem a reconhecer o poder da Expiação de Jesus Cristo em sua vida. Hoje, quero abordar um aspecto desse poder, que é a força pessoal que podemos receber por meio da Expiação de Jesus Cristo.

No Livro de Mórmon lemos a respeito de Amon e seus irmãos que ensinaram o evangelho de Jesus Cristo a um povo que era “selvagem, duro e feroz”.1 Muitas pessoas foram convertidas e decidiram deixar para trás sua conduta pecaminosa. Tão completa foi sua conversão que eles enterraram suas armas e fizeram convênio com o Senhor de que jamais as usariam novamente.2

Mais tarde, muitos de seus irmãos que não haviam sido convertidos caíram sobre eles e começaram a matá-los. Aquele povo, agora fiel, preferiu perecer à espada do que arriscar sua vida espiritual pegando em armas. Seu exemplo de retidão ajudou mais pessoas ainda a ser convertidas e a lançar fora suas armas de rebelião.3

Por meio de Amon, o Senhor os guiou para o refúgio entre os nefitas, e eles se tornaram conhecidos como o povo de Amon.4 Os nefitas os protegeram por muitos anos, mas por fim o exército nefita começou a enfraquecer e passou a necessitar urgentemente de reforços.5

O povo de Amon estava num momento crítico de sua vida espiritual. Eles tinham sido leais a seu convênio de nunca pegar em armas. Mas eles compreendiam que os pais têm a responsabilidade de prover proteção a suas famílias.6 Essa necessidade parecia ser grande o suficiente para que cogitassem quebrar seu convênio.7

Seu sábio líder do sacerdócio, Helamã, sabia que a quebra de um convênio com o Senhor nunca é justificada. Ele sugeriu uma alternativa inspirada. Lembrou a eles que seus filhos nunca tinham cometido os mesmos pecados e, portanto, não necessitavam fazer o mesmo convênio.8 Embora aqueles filhos fossem muito jovens, eles eram fisicamente fortes e, mais importante, eram virtuosos e puros. Os filhos tinham sido fortalecidos pela fé exercida por suas mães.9 Sob direção de seu profeta líder, aqueles jovens tomaram o lugar de seus pais na defesa da família e do lar.10

Os acontecimentos que cercaram essa decisão crítica demonstra como a Expiação de Jesus Cristo proporciona fé e força pessoal na vida dos filhos de Deus. Pensem nos ternos sentimentos daqueles pais. Como eles devem ter-se sentido ao saber que os atos rebeldes de seu passado os impediam de proteger suas esposas e filhos naquele momento de necessidade? Conhecendo pessoalmente as atrocidades que seus filhos enfrentariam, eles devem ter chorado em segredo. São os pais, e não os filhos, que devem proteger a família!11 Seus sofrimentos devem ter sido muito intensos.

Por que seu inspirado líder do sacerdócio deveria temer sua intenção de retomar suas armas, receando que “caso o fizessem, suas almas se [perderiam]”?12 O Senhor declarou: “Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro”.13 Aqueles pais fiéis há muito haviam se arrependido de seus pecados e se tornado limpos por meio da Expiação de Jesus Cristo, então por que foram aconselhados a não defender suas famílias?

É uma verdade fundamental que por intermédio da Expiação de Jesus Cristo podemos ser purificados. Podemos nos tornar virtuosos e puros. Contudo, às vezes, nossas escolhas erradas nos deixam consequências duradouras. Um dos passos para o completo arrependimento é suportar as consequências de curto e longo prazos de nossos pecados passados. As escolhas feitas no passado haviam exposto aqueles pais amonitas a apetites canais que poderiam voltar a tornar-se um ponto de vulnerabilidade que Satanás tentaria explorar.

Satanás tentará usar nossa lembrança de quaisquer culpas anteriores para seduzir-nos de volta a sua influência. Precisamos estar vigilantes para evitar suas seduções. Esse foi o caso daqueles pais amonitas fiéis. Mesmo após anos de sua vida fiel, era imperativo para eles se protegerem espiritualmente de qualquer coisa que os atraísse à lembrança de seus pecados passados.

Em meio a muitas batalhas, o capitão Morôni dirigiu a fortificação das cidades mais fracas. “E fez com que eles construíssem um parapeito de madeira sobre a borda interior do fosso; e eles atiraram a terra desse fosso contra o parapeito de madeira; (…) até cercar a cidade (…) com uma forte muralha de madeira e terra, de grande altura.”14 O capitão Morôni compreendia a importância de fortificar as áreas fracas para criar força.15

Aqueles pais amonitas eram muito semelhantes. Precisavam de fortificações mais altas e mais largas separando sua vida fiel e o comportamento iníquo de seu passado. Seus filhos, que foram abençoados com tradições justas, não eram tão vulneráveis às mesmas tentações. Eles eram capazes de defender fielmente suas famílias sem comprometer seu bem-estar espiritual.

As alegres notícias para todos os que desejam se livrar das consequências das escolhas erradas do passado é que o Senhor encara de modo diferente a fraqueza e a rebelião. Embora o Senhor admoeste que a rebelião sem arrependimento trará o castigo,16 quando Ele fala de fraquezas, é sempre com misericórdia.17

Sem dúvidas, um atenuante é o fato de que foram ensinadas àqueles pais amonitas as falsas tradições de seus pais, mas todos os filhos do Pai Celestial vêm à mortalidade com a Luz de Cristo. Independentemente da causa de suas ações pecaminosas, o resultado foi o desenvolvimento de uma vulnerabilidade espiritual que Satanás tentaria explorar.

Misericordiosamente, eles aprenderam o evangelho, se arrependeram e, graças a Expiação de Jesus Cristo, tornaram-se espiritualmente bem mais fortes do que as seduções de Satanás. É provável que não se sentissem tentados a voltar a seu passado brutal, mas por seguirem a seu profeta líder, eles não deram a Satanás a chance de “[enganar] suas almas e os [conduzir] cuidadosamente ao inferno”.18 A Expiação do Salvador não apenas os purificou do pecado, mas, graças a sua obediência ao conselho de seu líder do sacerdócio, o Salvador foi capaz de protegê-los de suas fraquezas e fortalecê-los. Seu compromisso humilde, por toda a vida, de abandonar seus pecados fez mais para proteger suas famílias do que qualquer coisa que pudessem ter feito no campo de batalha. Sua submissão não os privou das bênçãos. Ela os fortaleceu e abençoou a eles e a muitas gerações futuras.

O final da história esclarece como a misericórdia do Senhor faz com que “as coisas fracas se tornem fortes”.19 Esses pais fiéis enviaram seus filhos sob os cuidados de Helamã. Embora os filhos tenham travado batalhas ferozes nas quais receberam pelo menos algum tipo de lesão, nenhuma vida se perdeu.20 Os rapazes provaram ser um reforço vital para o enfraquecido exército nefita. Eram fiéis e espiritualmente mais fortes quando voltaram para casa. Suas famílias foram abençoadas, protegidas e fortalecidas.21 Em nossos dias, incontáveis estudantes do Livro de Mórmon foram edificados pelo exemplo daqueles filhos puros e justos.

Na vida de cada um de nós, há momentos em que fazemos escolhas erradas. Todos necessitamos desesperadamente do poder redentor da Expiação de Jesus Cristo. Todos nós precisamos nos arrepender de todo tipo de rebelião. “Pois eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância.”22 Ele não pode fazer isso porque sabe o que é preciso para nos tornarmos semelhantes a Ele.

Muitos de nós permitiram que fraquezas se desenvolvessem em nosso caráter. Por meio da Expiação de Jesus Cristo, nós, tal como os amonitas, podemos edificar fortificações espirituais entre nós e quaisquer erros passados que Satanás tente explorar. A proteção espiritual edificada ao redor dos pais amonitas abençoou e fortaleceu a eles próprios, a suas famílias, a seu país e às futuras gerações. O mesmo pode acontecer conosco.

Mas como edificamos essas fortificações eternas? O primeiro passo deve ser o arrependimento sincero, total e completo. Por meio da Expiação de Jesus Cristo, cada um de nós pode tornar-se puro, e o fardo de nossa rebelião será aliviado. Lembrem-se, o arrependimento não é um castigo. É o caminho cheio de esperanças para um futuro mais glorioso.

O Pai Celestial nos deu ferramentas que ajudam a edificar fortificações entre nossas vulnerabilidades e nossa fidelidade. Pensem nas seguintes sugestões:

  • Fazer convênios e receber ordenanças próprias. Depois trabalhar constantemente para prover as ordenanças do templo para seus próprios antepassados.

  • Compartilhar o evangelho com não membros, membros de famílias menos ativas ou amigos. Ao compartilhar essas verdades, podemos sentir renovado entusiasmo em nossa própria vida.

  • Servir fielmente em todos os chamados da Igreja, especialmente como mestres familiares e professoras visitantes. Não ser um mestre familiar e uma professora visitante de apenas 15 minutos por mês. Em vez disso, estender a mão para cada membro da família. Conhecê-los pessoalmente. Ser um verdadeiro amigo. Por meio de atos de bondade, mostrar a eles o quanto vocês se importam com eles individualmente.

  • Mais importante, servir os membros de sua própria família. Fazer do desenvolvimento espiritual de seu cônjuge e de seus filhos a mais alta prioridade. Estar atento às coisas que vocês podem fazer para ajudar a cada um deles. Dedicar generosamente seu tempo e sua atenção.

Em cada uma dessas sugestões, há um tema comum: preencher a vida com o serviço ao próximo. À medida que vocês perdem sua vida a serviço dos filhos do Pai Celestial,23 as tentações de Satanás perderão o poder em sua vida.

Como o Pai Celestial ama vocês profundamente, a Expiação de Jesus Cristo torna essa força possível. Não é maravilhoso? Muitos de vocês sentiram o fardo das escolhas erradas e cada um de vocês pode sentir o poder inspirador do perdão, da misericórdia e da força do Senhor. Eu o senti e testifico que está ao alcance de cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Exibir Referências

  1.  

    1. Alma 17:14; ver também Alma 17–27.

  2.  

    2. Ver Alma 23:4–7; 24:5–19.

  3.  

    3. Ver Alma 24:20–27.

  4.  

    4. Ver Alma 27.

  5.  

    5. Ver Alma 53:8–9; 56:10–17.

  6.  

    6. Ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.

  7.  

    7. Ver Alma 53:10–13.

  8.  

    8. Ver Alma 53:14–16.

  9.  

    9. Ver Alma 56:48.

  10.  

    10. Ver Alma 53:17–22; 56:3–10, 30–57.

  11.  

    11. Ver A Liahona, novembro de 2010, p. 122.

  12.  

    12. Alma 53:15.

  13.  

    13. Doutrina e Convênios 58:42.

  14.  

    14. Alma 53:4.

  15.  

    15. Ver Éter 12:27.

  16.  

    16. Ver I Samuel 12:15; Isaías 1:20; 1 Néfi 2:23; Mosias 15:26; Alma 9:24; Doutrina e Convênios 76:25; Moisés 4:3.

  17.  

    17. Ver Provérbios 28:13; I Coríntios 2:3; 15:43; II Coríntios 13:4; Tiago 3:17; 2 Néfi 3:13; Jacó 4:7; Alma 34:17; 3 Néfi 22:8; Éter 12:26–28; Doutrina e Convênios 24:11; 35:17; 38:14; 62:1.

  18.  

    18. 2 Néfi 28:21.

  19.  

    19. Éter 12:27.

  20.  

    20. Ver Alma 57:25; 58:39.

  21.  

    21. Ver Alma 58:40.

  22.  

    22. Doutrina e Convênios 1:31.

  23.  

    23. Ver Mateus 16:25; Doutrina e Convênios 88:125.