Confiai no Senhor

Do Quórum dos Doze Apóstolos


Engajem-se e façam tudo o que puderem no trabalho de compartilhar a grande mensagem da Restauração do evangelho de Jesus Cristo.

Minha mulher e eu voltamos recentemente de uma designação em cinco países da Europa. Lá tivemos o privilégio de nos reunir com muitos de nossos missionários, talvez alguns de seus filhos e suas filhas. Desde que o Presidente Thomas S. Monson anunciou a diminuição da idade para que os rapazes e as moças sirvam, tive o privilégio de me reunir com mais de 3.000 deles. A Luz de Cristo emana do rosto deles e eles estão ávidos para levar o trabalho adiante — para encontrar e ensinar, batizar, ativar, fortalecer e edificar o reino de Deus. Ao nos reunir com eles, rapidamente percebemos, porém, que eles não podem realizar esse trabalho sozinhos. Hoje quero falar a todos os membros da Igreja, pois há uma urgência de que cada um de nós se engaje no trabalho de compartilhar o evangelho.

Como já foi dito várias vezes, o Profeta Joseph Smith declarou que “depois de tudo o que foi dito, o maior e mais importante dever é pregar o Evangelho” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 343).

Em 1974, o Presidente Spencer W. Kimball disse o seguinte: “Talvez a maior razão para o trabalho missionário seja proporcionar ao mundo a oportunidade de ouvir e aceitar o evangelho. As escrituras estão repletas de mandamentos, promessas, chamados e recompensas por ensinar o evangelho. Empreguei deliberadamente o termo mandamento, pois me parece uma diretiva insistente da qual não podemos nos eximir, individual e coletivamente” (“Ide por Todo o Mundo”, A Liahona, novembro de 1974, p. 3).

Em julho daquele mesmo ano, minha mulher e eu partimos com nossos filhos para presidir a Missão Canadá Toronto. As palavras do Presidente Kimball estavam soando em nossos ouvidos, especialmente quando ele disse: “Meus irmãos, pergunto-me se estamos fazendo tudo o que podemos. Estamos sendo complacentes em nossa abordagem de ensinar o mundo inteiro? Estamos realizando o trabalho de proselitismo já há 144 anos. Será que estamos preparados para alargar nosso passo? Para ampliar nossa visão?” (A Liahona, novembro de 1974, p. 3).

Ele também nos pediu que apressássemos o passo trabalhando juntos para edificar a Igreja e o reino de Deus.

Em junho passado, o Presidente Thomas S. Monson deu eco exatamente a essa mesma mensagem aos membros da Igreja. O Presidente disse: “Agora é o momento de membros e missionários se unirem (…) [e] trabalharem na vinha do Senhor para trazer almas a Ele. Ele preparou os meios para nós compartilharmos o evangelho de diversas maneiras e Ele vai nos ajudar em nossos labores se agirmos com fé para realizarmos Sua obra” (“Fé no Trabalho de Salvação”, discurso proferido em uma transmissão especial, 23 de junho de 2013; LDS.org/broadcasts).

É bom, irmãos e irmãs, que reflitamos sobre os ensinamentos dos profetas desde a época de Joseph Smith até hoje. Eles incentivaram e conclamaram a liderança e os membros da Igreja a se engajarem avidamente no trabalho de levar a mensagem da Restauração do evangelho a todos os filhos do Pai Celestial no mundo todo.

Minha mensagem nesta tarde é a de que o Senhor está apressando Sua obra. Em nossos dias, isso pode ser feito somente quando todo membro da Igreja estender a mão com amor para compartilhar as verdades do evangelho restaurado de Jesus Cristo. Precisamos trabalhar em parceria com nossos 80.000 missionários. As informações sobre essa grande obra, especialmente as designações para os líderes de conselhos das estacas e alas, estão claramente explicadas no site LDS.org, sob o título “Acelerar o Trabalho de Salvação”.

Sabemos por nossas pesquisas que a maioria dos membros ativos da Igreja quer que as bênçãos do evangelho façam parte da vida de outros que eles amam, até daqueles que eles não conhecem. Mas também sabemos que muitos membros hesitam em realizar o trabalho missionário e compartilhar o evangelho por dois motivos básicos:

  • O primeiro é temor. Muitos membros nem sequer oram para ter oportunidades de compartilhar o evangelho, temendo que recebam inspiração divina de fazer algo que eles acham que não são capazes de fazer.

  • O segundo motivo é um entendimento equivocado do que é o trabalho missionário.

Sabemos que, quando alguém se ergue para fazer um discurso na reunião sacramental e diz: “Hoje vou falar sobre o trabalho missionário”, ou talvez quando o Élder Ballard se levanta na conferência geral e diz o mesmo, alguém que esteja ouvindo possa pensar: “Oh, não; de novo não. Já ouvi isso antes”.

Sabemos que ninguém gosta de se sentir culpado. Talvez vocês sintam que lhes será pedido que façam coisas pouco realistas em seu relacionamento com amigos ou vizinhos. Com a ajuda do Senhor, deixem-me afastar quaisquer temores que vocês ou qualquer um de nossos missionários de tempo integral possam ter ao compartilhar o evangelho com as pessoas.

Tomem a decisão de fazer o que Jesus Cristo nos pediu que fizéssemos. O Salvador disse:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.

Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.

E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?

E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?

Se vós (…) sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mateus 7:7–11).

Irmãos e irmãs, o temor é substituído pela fé e a confiança quando os membros e os missionários de tempo integral se ajoelham em oração e pedem que o Senhor os abençoe com oportunidades missionárias. Depois, devemos demonstrar nossa fé e ficar atentos a oportunidades de apresentar o evangelho de Jesus Cristo aos filhos de nosso Pai Celestial e essas oportunidades certamente virão. Essas oportunidades jamais exigirão uma resposta forçada ou obrigada. Elas fluirão como resultado natural do nosso amor por nossos irmãos e nossas irmãs. Simplesmente sejam positivos, e aqueles com quem vocês falam vão sentir seu amor. Eles jamais se esquecerão desse sentimento mesmo que não seja o momento certo para que aceitem o evangelho. Isso também pode mudar no futuro, quando suas circunstâncias mudarem.

É impossível fracassar quando damos o melhor de nós e estamos a serviço do Senhor. Embora o resultado seja fruto do exercício do arbítrio, temos a responsabilidade de compartilhar o evangelho.

Confiem no Senhor. Ele é o Bom Pastor. Ele conhece Suas ovelhas, e Suas ovelhas conhecem Sua voz; e hoje, a voz do Bom Pastor é sua voz e a minha voz. E se não estivermos engajados, muitos que ouviriam a mensagem da Restauração serão negligenciados. Em termos simples, é uma questão de fé e ação de nossa parte. Os princípios são bem simples: orem, individualmente e em família, por oportunidades missionárias. Orem para que o Senhor coloque oportunidades em seu caminho. O Senhor disse em Doutrina e Convênios que muitas pessoas só estão afastadas da verdade “por não saber onde encontrá-la” (D&C 123:12).

Você não precisa ser uma pessoa extrovertida ou um professor eloquente e persuasivo. Se tiverem um amor profundo e uma grande esperança dentro de vocês, o Senhor prometeu o seguinte: “Clamai a este povo; expressai os pensamentos que eu vos puser no coração e não sereis confundidos diante dos homens;

(…) [E] naquele mesmo momento, ser-vos-á dado o que dizer” (D&C 100:5–6).

Pregar Meu Evangelho nos lembra de que “nada acontece no trabalho missionário até que [encontremos] alguém para ensinar. Fale com o maior número de pessoas possível a cada dia. É natural que você fique um pouco apreensivo em relação a falar com as pessoas, mas você pode orar para ter fé e forças para ser mais corajoso ao abrir sua boca para proclamar o evangelho restaurado” (2004, p. 169). Vocês, missionários de tempo integral, se quiserem ensinar mais, precisam falar com mais pessoas todos os dias. O Senhor sempre enviou os missionários para fazerem isso.

O Senhor nos conhece. Ele sabe que temos nossos desafios. Sei que alguns de vocês podem se sentir sobrecarregados, mas oro para que ninguém sinta que estender a mão de modo normal e agradável para compartilhar o evangelho seja um fardo. Pelo contrário, é um privilégio! Não há maior alegria na vida do que estarmos avidamente engajados no serviço do Senhor.

O ponto-chave é que sejamos inspirados por Deus, que peçamos orientação Dele e depois saiamos e façamos o que o Espírito nos inspirar a fazer. Quando os membros veem o trabalho de salvação como uma responsabilidade somente deles, pode ser intimidador. Quando eles veem isso como um convite para seguir o Senhor e trazer almas para Ele, a fim de serem ensinadas pelos élderes e pelas sísteres de tempo integral, é inspirador, revigorante e motivador.

Não estamos pedindo que todos façam tudo. Estamos simplesmente pedindo que todos os membros orem, sabendo que, se cada membro, jovem e idoso, estender a mão para apenas “um” entre hoje e o Natal, milhões sentirão o amor do Senhor Jesus Cristo. E que presente maravilhoso para o Salvador.

Há seis semanas, recebi uma carta de uma família de membros missionários muito bem-sucedida, a família Munns, da Flórida. Eles escreveram:

“Querido Élder Ballard, 30 minutos depois da transmissão mundial sobre acelerar o trabalho de salvação, realizamos nosso conselho missionário da família. Ficamos entusiasmados ao descobrir que nossos netos adolescentes queriam ser incluídos. Temos o prazer de relatar que, desde nossa reunião de conselho, expandimos o grupo de ensino de nossa família em 200%.

Nossos netos trazem amigos para a Igreja, desfrutamos a reunião sacramental com alguns de nossos amigos menos ativos e fazemos com que alguns de nossos novos contatos assumam o compromisso de ouvir as lições missionárias. Uma de nossas irmãs menos ativas não apenas voltou para a Igreja, mas trouxe novos pesquisadores com ela.

Ninguém recusou o convite de ouvir as lições dos missionários. Que época emocionante de ser membro desta Igreja” (carta pessoal, 15 de agosto de 2013).

Atendam aos sussurros do Espírito. Supliquem ao Senhor em vigorosa oração. Engajem-se e façam tudo o que puderem no trabalho de compartilhar a grande mensagem da Restauração do evangelho de Jesus Cristo.

Vou citar as palavras de outro membro missionário bem-sucedido, Clayton Christensen: “Toda vez que tomamos figurativamente alguém pela mão e o apresentamos a Jesus Cristo, sentimos profundamente o quanto nosso Salvador nos ama e ama a pessoa que tomamos pela mão” (The Power of Everyday Missionaries: The What and How of Sharing the Gospel, 2013, p. 1).

Deus os abençoe, irmãos e irmãs, para que sintam a grande alegria que advém de vivenciar milagres por meio de sua fé. Como nos é ensinado no capítulo 7 de Morôni:

“E Cristo disse: Se tiverdes fé em mim, tereis poder para fazer tudo quanto me parecer conveniente. (…)

Porque é pela fé que os milagres são realizados; e é pela fé que os anjos aparecem e ministram entre os homens; portanto, ai dos filhos dos homens se estas coisas tiverem cessado, porque é por causa da descrença; e tudo é vão” (Morôni 7:33, 37).

Por experiência própria, posso lhes testificar que o Senhor ouvirá suas orações e vocês terão muitas oportunidades, agora e nos anos vindouros, de apresentar o evangelho de Jesus Cristo aos preciosos filhos do Pai Celestial. Presidente Monson, nós o ouvimos. Nós todos procuraremos [os filhos do Pai]. Oro para que todos experimentemos a grande alegria que advém do trabalho missionário. No sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.