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Outubro 2013 | Temos Grande Motivo para Nos Regozijar

Temos Grande Motivo para Nos Regozijar

Outubro 2013 Conferência Geral

Quando vocês amam seus semelhantes, cuidam deles e os servem de maneiras pequenas e simples, estão participando ativamente da obra de salvação.

Quando meu sogro faleceu, nossa família se reuniu com outras pessoas que vieram nos dar os pêsames. Ao longo da noite, enquanto conversávamos com familiares e amigos, percebi muitas vezes que nosso neto de 10 anos, Porter, ficava por perto de minha sogra: sua “bisavó”. Às vezes estava de pé atrás dela, olhando para ela. Uma vez percebi que ele estava de braços dados com ela. Vi que ele acariciava-lhe a mão, dava-lhe abraços e ficava a seu lado.

Por vários dias, depois daquilo, não consegui tirar aquela imagem da mente. Senti-me inspirada a enviar um bilhete ao Porter, contando o que tinha observado. Enviei-o por e-mail e disse o que havia visto e sentido. Lembrei ao Porter dos convênios que ele fez quando foi batizado, citando as palavras de Alma, no capítulo 18 de Mosias:

“E agora, sendo que desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

Sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que vos encontreis, mesmo até a morte; (…) para que tenhais a vida eterna—

Se for este o desejo de vosso coração, o que vos impede de serdes batizados em nome do Senhor, como um testemunho, perante ele, de que haveis feito convênio com ele de servi-lo e guardar seus mandamentos, para que ele possa derramar seu Espírito com mais abundância sobre vós?”1

Expliquei ao Porter que Alma ensinou que aqueles que quisessem ser batizados precisavam estar dispostos a servir ao Senhor servindo ao próximo — por toda a vida! Eu disse: “Não sei se você se deu conta disso, mas o modo como demonstrou amor e preocupação pela bisa, mostrava que você guarda seus convênios. Guardamos nossos convênios todos os dias quando somos bondosos, expressamos amor e cuidamos uns dos outros. Eu queria apenas que você soubesse como estou orgulhosa de você por ser um cumpridor dos convênios! Se guardar o convênio que fez quando foi batizado, estará preparado para ser ordenado ao sacerdócio. Esse convênio adicional vai dar a você mais oportunidades de abençoar e servir às pessoas e vai ajudá-lo a preparar-se para os convênios que fará no templo. Obrigada por ser um exemplo tão bom para mim! Obrigada por mostrar-me o que é ser um cumpridor dos convênios!”

Porter respondeu: “Vovó, obrigado pela mensagem. Quando eu estava abraçando a bisa, eu não sabia que estava guardando meus convênios, mas senti um calor no coração e me senti muito bem. Sei que o Espírito Santo estava em meu coração”.

Também senti um calor no coração quando vi que Porter havia relacionado o cumprimento de seus convênios com a promessa de “ter sempre [conosco] o seu Espírito”2 — uma promessa que se tornou possível graças ao dom do Espírito Santo.

Irmãs, ao conversar com vocês no mundo todo, vi que muitas são como o Porter. Vocês serenamente servem de testemunhas de Deus, choram com os que choram, e consolam os que necessitam de consolo sem se dar conta de que estão cumprindo seus convênios — os convênios que fizeram nas águas do batismo e no templo. Quando vocês amam seus semelhantes, cuidam deles e os servem de maneiras pequenas e simples, estão participando ativamente da obra de salvação, a obra de Deus de “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.3

Como filhas no reino do Senhor,4 fizemos convênios sagrados. Estamos trilhando o que Néfi chamou de o “caminho estreito e apertado que conduz à vida eterna”.5 Todas estamos em diferentes pontos desse caminho. Mas podemos trabalhar juntas para ajudar umas às outras a “prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens”.6

Jeanne serve como consultora das Moças. Há vários meses, ficou sabendo de uma atividade que haveria para as jovens de sua ala: escalar uma montanha até um lugar chamado Pico Malan. Ela ficou muito entusiasmada porque havia recentemente feito a meta de fazer aquela escalada.

Quando chegou à trilha, sua boa amiga Ashley foi falar com ela. Tomando Jeanne pelo braço, ela se ofereceu para fazer a caminhada com ela, dizendo: “Vou com você”. Ashley, que estava com 16 anos na época, tinha alguns problemas físicos que lhe dificultavam fazer a caminhada muito rápido. Por isso, ela e Jeanne caminharam lentamente, prestando atenção nas criações do Pai Celestial: as rochas no pico da montanha acima delas e as flores a seu redor. Mais tarde, Jeanne disse: “Realmente não levou muito tempo para que eu me esquecesse da meta de escalar o pico, porque logo aquilo se transformou em outro tipo de aventura — a aventura de apontar as belezas ao longo do caminho, muitas das quais teríamos deixado de perceber se eu tivesse escalado apenas com a meta de chegar ao alto do Pico Malan”.

À medida que Jeanne e Ashley prosseguiram sua escalada, bem atrás do restante do grupo, outra jovem da ala, Emma, juntou-se a elas, tendo decidido esperar e caminhar com elas. Emma fez com que desfrutassem ainda mais a caminhada. Ela lhes ensinou uma canção e lhes deu mais apoio e incentivo. Jeanne relembra: “Nós nos sentamos e descansamos, cantamos, conversamos e rimos. Pude conhecer Ashley e Emma como jamais teria sido capaz de conhecer de outra forma. Não se tratava da montanha, naquela noite, era bem mais do que isso. Tratava-se de ajudar-nos umas às outras ao longo do caminho, um passo por vez”.

Enquanto Jeanne, Ashley e Emma escalavam e caminhavam, descansavam e riam juntas, provavelmente não estavam pensando: “Ei, estamos cumprindo nosso convênio neste momento”. Mas elas estavam cumprindo seus convênios. Estavam servindo umas às outras com amor, compaixão e comprometimento, e estavam fortalecendo mutuamente sua fé ao incentivarem e ministrarem umas às outras.

O Élder Russell M. Nelson ensinou: “Quando nos damos conta de que somos filhos do convênio, sabemos quem somos e o que Deus espera de nós. Sua lei está escrita em nosso coração”.7

Maria Kuzina é uma filha do convênio que sabe quem ela é e o que Deus espera dela. Quando me recebeu em sua casa, em Omsk, Rússia, achei que eu ia servi-la, mas logo percebi que estava lá para aprender com ela. Tendo-se convertido à Igreja, Maria segue a instrução que se acha em Lucas 22: “Quando te converteres, confirma teus irmãos”8. Ela tem fé nas palavras de nosso profeta vivo, o Presidente Thomas S. Monson, que disse:

“Agora é o momento de membros e missionários se unirem, trabalharem juntos, trabalharem na vinha do Senhor para trazer almas a Ele. (…)

Quando agimos com fé, o Senhor nos mostra como fortalecer Sua Igreja nas alas e nos ramos onde moramos. Ele vai estar conosco e vai Se tornar um parceiro ativo em nosso trabalho missionário.

Exerçam fé (…) ao considerarem em espírito de oração quais dos seus familiares, amigos, vizinhos e conhecidos você gostaria de convidar para ir a sua casa a fim de conhecer os missionários e ouvir a mensagem da Restauração”.9

Maria segue esse conselho cuidando e ministrando às irmãs que lhe pediram que visitasse e vai além dessa designação. Ela tem muitas amigas que são menos ativas ou que ainda não ouviram a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo. Todos os dias, ela exerce fé e ora para saber quem precisa de sua ajuda, e depois coloca em prática a inspiração que recebe. Faz telefonemas, expressa seu amor e diz a suas amigas: “Precisamos de vocês”. Ela realiza noites familiares em seu apartamento todas as semanas e convida vizinhos, membros e missionários — e os nutre. Convida-os à Igreja, cuida deles, senta-se com eles quando chegam.

Maria compreende o recente lembrete do Élder Jeffrey R. Holland de que “um convite que é fruto do amor ao próximo e ao Senhor Jesus Cristo (…) jamais será visto como ofensivo ou condenatório”.10 Ela tem uma lista de pessoas que dizem que foram ofendidas, e continua a ministrar a elas. Como sabem que ela as ama, ela pode lhes dizer: “Não fiquem ofendidas. Isso é ridículo!”

Maria é uma discípula de Jesus Cristo que cumpre convênios. Embora não haja um portador do sacerdócio em sua casa, ela sente o poder de Deus a cada dia no cumprimento de seus convênios do templo, ao prosseguir pelo caminho, perseverando até o fim e ajudando outras pessoas a participar da obra de salvação ao longo do percurso.

Depois que compartilhei essas experiências com vocês, conseguiram ver a si próprias participando na obra de salvação? Reservem um momento para pensar em outra filha de Deus que precisa de incentivo para voltar ao caminho do convênio ou de um pouco de ajuda para permanecer no caminho. Perguntem ao Pai Celestial o que fazer por ela. Ela é filha Dele. Ele a conhece pelo nome. Ele também conhece vocês e vai dizer-lhes do que ela precisa. Sejam pacientes e continuem a orar com fé por ela, e coloquem em prática a inspiração que receberem. Ao agir de acordo com essa inspiração, o Espírito vai confirmar que sua oferta é aceitável para o Senhor.

“A irmã Eliza R. Snow (…) reconheceu com gratidão os esforços das irmãs em fortalecerem-se mutuamente. (…) Disse-lhes que, embora a Igreja não tivesse um registro de todas as doações que elas fizeram para ajudar os necessitados, o Senhor mantinha um registro perfeito de sua obra de salvação:

‘O Presidente Joseph Smith disse que esta sociedade foi organizada para salvar almas. O que [estamos] [fazendo] para trazer de volta aqueles que se perderam? — Para aquecer o coração daqueles que esfriaram no evangelho? — Outro livro registra sua fé, sua bondade, suas boas obras e palavras. Outro registro é mantido. Nada foi esquecido.’”11

No Livro de Mórmon, Amon fala da grande razão que temos para nos regozijar. Ele disse: “E agora pergunto: Quais as grandes bênçãos que ele nos concedeu? Podeis dizer?”

Em seu entusiasmo, Amon não esperou a resposta. Ele disse: “Eis que respondo por vós; (…) esta é a bênção que nos foi concedida: que fomos transformados em instrumentos nas mãos de Deus, para realizar esta grande obra”.12

Somos filhas que cumprem convênios no reino do Senhor e temos a oportunidade de ser instrumentos em Suas mãos. Ao participarmos do trabalho de salvação a cada dia de maneiras pequenas e simples — cuidando, fortalecendo e ensinando umas às outras — seremos capazes de unir-nos a Amon, que declarou:

“Eis que minha alegria é completa, sim, meu coração transborda de alegria e regozijar-me-ei em meu Deus.

Sim, sei que nada sou; quanto a minha força, sou débil; portanto não me vangloriarei de mim mesmo, mas gloriar-me-ei em meu Deus, porque com sua força posso fazer todas as coisas”.13

Disso testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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