Abril 2014 | Esforça-Te, e Tem Bom Ânimo

    Esforça-Te, e Tem Bom Ânimo

    Abril 2014 Conferência Geral

    Tenhamos — todos nós — a coragem de contrariar o senso comum, a coragem de defender nossos princípios.

    Meus amados irmãos, como é bom estar com vocês novamente. Rogo a ajuda do céu nesta oportunidade de falar para vocês.

    Além deste Centro de Conferências, há milhares de pessoas reunidas em capelas e em outros locais em grande parte do mundo. Um elo em comum nos une a todos, porque nos foi confiado o sacerdócio de Deus.

    Estamos aqui na Terra numa época extraordinária de sua história. Nossas oportunidades são quase ilimitadas, mas também enfrentamos uma multidão de problemas, alguns dos quais são exclusivos de nossos dias.

    Vivemos num mundo em que os valores morais, em grande parte, foram deixados de lado, em que o pecado está explicitamente à mostra e em que as tentações que desviam as pessoas do caminho estreito e apertado estão por toda parte a nosso redor. Vemo-nos diante de constantes pressões e influências perniciosas que corroem a decência e procuram substituí-la pelas fúteis filosofias e práticas de uma sociedade mundana.

    Devido a essas e outras dificuldades, vemo-nos constantemente diante de decisões que podem determinar nosso destino. Para tomarmos decisões corretas, é preciso coragem — a coragem de dizer “não” quando devemos, a coragem de dizer “sim” quando for adequado, a coragem de fazer a coisa certa porque é o certo.

    Como a sociedade está rapidamente tendendo a se afastar dos valores e princípios que o Senhor nos deu, é quase certo que seremos conclamados a defender as coisas em que acreditamos. Será que teremos coragem para fazê-lo?

    O Presidente J. Reuben Clark Jr., que por muitos anos foi membro da Primeira Presidência, disse o seguinte: “Já houve casos de homens supostamente de fé (…) em algum cargo de responsabilidade, acharem que, se declarassem claramente suas crenças poderiam ser alvo da zombaria dos colegas descrentes e suas únicas opções seriam modificar suas crenças ou fazer pouco caso delas para justificarem-se, ou diluí-las de modo destrutivo, ou até fingir repudiá-las. Pessoas assim são hipócritas”.1 Nenhum de nós gostaria de levar esse rótulo, mas será que relutamos em declarar nossa fé em algumas situações?

    Podemos ajudar-nos em nosso desejo de fazer o certo se nos colocarmos em lugares e participarmos de atividades em que nossos pensamentos sejam influenciados para o bem e em que o Espírito do Senhor esteja confortável.

    Lembro-me de ter lido há algum tempo o conselho que um pai deu ao filho quando este partia para a faculdade: “Se algum dia você se encontrar num lugar em que não deveria estar, saia imediatamente!” Dou a cada um de vocês o mesmo conselho: “Se algum dia você se encontrar num lugar em que não deveria estar, saia imediatamente!”

    A conclamação para sermos corajosos chega constantemente a cada um de nós. Todos os dias de nossa vida exigem coragem — não apenas nos momentos dramáticos, porém, mais frequentemente, quando tomamos decisões ou reagimos à situação a nosso redor. O poeta e escritor escocês Robert Louis Stevenson disse o seguinte: “A coragem cotidiana tem poucas testemunhas. Mas a sua não é menos nobre por não haver rufar de tambores nem multidões gritando seu nome”.2

    Há muitas formas de coragem. O escritor cristão Charles Swindoll escreveu: “A coragem não se limita ao campo de batalha (…) ou ao ato destemido de prender um ladrão em sua casa. Os verdadeiros testes de coragem são bem mais serenos. São testes ocultos, como o de permanecer fiel quando ninguém está olhando (…) ou ficarmos isolados quando somos incompreendidos”.3 Eu acrescentaria que essa coragem interior também inclui fazer o certo mesmo que estejamos com medo, defender nossas crenças sob risco de sermos ridicularizados e manter essas crenças quando ameaçados de perder amigos ou nosso status social. Aquele que permanece firme na defesa do que é certo precisa arriscar-se, às vezes, a receber desaprovação ou a tornar-se impopular.

    Enquanto eu servia na marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, ouvi falar de atos de bravura, momentos de destemor e exemplos de coragem. Um que jamais esquecerei foi a serena coragem de um marinheiro de 18 anos — que não era de nossa religião — que não deixou que o orgulho o impedisse de orar. Dentre os 250 marinheiros do contingente, ele era o único que toda noite se ajoelhava ao lado do beliche, às vezes em meio à zombaria dos valentões e gracejos dos descrentes. Com a cabeça baixa, ele orava a Deus. Nunca hesitou. Nunca deixou de fazê-lo. Ele tinha coragem.

    Ouvi há pouco tempo o exemplo de alguém que, sem dúvida, pareceu-me carecer dessa coragem interior. Uma amiga me falou de uma reunião sacramental muito espiritual e inspiradora da qual ela e o marido haviam participado em sua ala. Um rapaz que tinha o ofício de sacerdote no Sacerdócio Aarônico tocou o coração de toda a congregação ao falar das verdades do evangelho e da alegria de cumprir os mandamentos. Ele prestou um testemunho fervoroso e tocante, ali no púlpito, com uma aparência limpa e bem-arrumada com sua camisa branca e gravata.

    Mais tarde, naquele mesmo dia, quando aquela mulher e o marido passaram de carro pela vizinhança, viram aquele mesmo rapaz que os havia inspirado tanto poucas horas antes. Naquele momento, então, ele exibia um quadro totalmente diferente ao caminhar pela calçada com roupas desleixadas — e fumando um cigarro. Minha amiga e seu marido não apenas ficaram decepcionados e entristecidos, mas também bastante confusos pelo modo como ele havia tão convincentemente aparentado ser uma pessoa na reunião sacramental para depois, tão rapidamente, parecer alguém totalmente diferente.

    Irmãos, será que vocês são sempre a mesma pessoa, não importa onde se encontrem ou o que estejam fazendo — a pessoa que nosso Pai Celestial deseja que vocês sejam e a pessoa que vocês sabem que devem ser?

    Numa entrevista publicada em uma revista de circulação nacional, foi pedido ao famoso jogador de basquete da NCAA Jabari Parker, que é membro da Igreja, que ele compartilhasse o melhor conselho que recebeu de seu pai. Jabari respondeu: “[Meu pai] disse: Simplesmente seja no escuro a pessoa que você é no claro”.4 Esse, irmãos, é um conselho importante para todos nós.

    Nossas escrituras estão repletas de exemplos do tipo de coragem que todos precisamos ter hoje. O profeta Daniel demonstrou suprema coragem ao defender o que ele sabia ser o certo, tendo a coragem de orar, embora tivesse sido ameaçado de morte se o fizesse.5

    A coragem caracterizou a vida de Abinádi, conforme demonstrado por sua disposição de dar a vida em vez de negar a verdade.6

    Quem não fica inspirado com a vida dos 2.000 jovens guerreiros filhos de Helamã, que ensinaram e demonstraram a necessidade da coragem de seguir os ensinamentos dos pais, sendo castos e puros?7

    Talvez cada um desses relatos das escrituras seja coroado pelo exemplo de Morôni, que teve a coragem de perseverar em retidão até o fim.8

    Por toda a vida, o Profeta Joseph Smith deixou inúmeros exemplos de coragem. Um dos mais dramáticos ocorreu quando ele e outros irmãos foram acorrentados uns aos outros — imaginem, acorrentados uns aos outros — e aprisionados num barraco em construção próximo do tribunal de Richmond, Missouri. Parley P. Pratt, que estava entre os que foram presos, escreveu o seguinte sobre uma noite em particular: “Ficávamos deitados como que adormecidos até depois da meia-noite, com o coração e os ouvidos doloridos, tendo que ficar ouvindo durante horas as pilhérias obscenas, as imprecações horríveis, as blasfêmias medonhas e a linguagem imunda de nossos guardas”.

    O Élder Pratt prosseguiu, dizendo:

    “Fiquei escutando até me sentir tão desgostoso, chocado, horrorizado e tão tomado por um espírito de justa indignação que mal conseguia abster-me de me pôr de pé e repreender os guardas; porém não dissera nada a Joseph ou qualquer dos outros, embora deitado ao lado dele e sabendo que estava acordado. De repente, ele se ergueu e falou com a voz de trovão, como um leão a rugir, proferindo, pelo que me lembro, as seguintes palavras:

    SILÊNCIO! (…) Em nome de Jesus Cristo eu os repreendo e ordeno que se calem; não viverei nem mais um minuto ouvindo esse tipo de linguagem. Parem com essa conversa, ou vocês ou eu morreremos NESTE INSTANTE!’”

    Joseph “continuou de pé, em terrível majestade”, como descreveu o Élder Pratt. Estava acorrentado, desarmado, porém calmo e majestoso como um anjo. Ficou olhando para os guardas que estavam encolhidos num canto ou agachados a seus pés. Aqueles homens aparentemente incorrigíveis pediram-lhe perdão e ficaram quietos.9

    Nem todos os atos de coragem terão um resultado espetacular ou imediato como esse, mas todos lhes trarão paz à mente e o conhecimento de que o certo e a verdade foram defendidos.

    É impossível nos manter eretos se tivermos as raízes plantadas nas areias movediças da opinião e aprovação populares. Precisamos da coragem de um Daniel, um Abinádi, um Morôni ou um Joseph Smith para apegar-nos com força e firmeza ao que sabemos ser o certo. Eles tiveram a coragem de fazer o que não era fácil, mas era o certo.

    Todos enfrentaremos temores, escárnio e oposição. Tenhamos — todos nós — a coragem de contrariar o senso comum, a coragem de defender nossos princípios. A coragem, e não o rebaixamento dos padrões, traz o sorriso da aprovação de Deus. A coragem se torna uma virtude viva e atraente quando é vista não apenas como a disposição de morrer bravamente, mas como a determinação de viver decentemente. Ao seguirmos adiante, esforçando-nos para viver da maneira que devemos, sem dúvida receberemos ajuda do Senhor e poderemos encontrar consolo em suas palavras. Gosto imensamente de Sua promessa registrada no livro de Josué:

    “Não te deixarei nem te desampararei. (…)

    Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares”.10

    Meus amados irmãos, com a coragem de nossas convicções, declaremos tal como o Apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho de Cristo”.11 E então, com essa mesma coragem, sigamos o conselho de Paulo: “Sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.12

    Conflitos catastróficos vêm e vão, mas a guerra travada pela alma dos homens prossegue sem se arrefecer. Tal como um toque de clarim, vem a palavra do Senhor para todos nós, portadores do sacerdócio do mundo todo: “Portanto agora todo homem aprenda seu dever e a agir no ofício para o qual for designado com toda diligência”.13 Assim seremos, como declarou o Apóstolo Pedro, sim, um “sacerdócio real”,14 unidos em propósito e investidos com poder do alto.15

    Que cada um de nós saia daqui esta noite com a determinação e a coragem de dizer, tal como Jó, no passado: “Enquanto em mim houver alento, (…) nunca apartarei de mim a minha integridade”.16 Que assim o façamos é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

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