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Abril 2014 | Filhas no Convênio

Filhas no Convênio

Abril 2014 Conferência Geral

O caminho que precisamos trilhar em nossa jornada de volta à presença de nosso Pai Celestial (…) é marcado por convênios sagrados feitos com Deus.

Fomos ensinados com grande poder espiritual nesta noite. Oro para que as palavras proferidas por estas excelentes líderes lhes penetrem o coração como penetraram o meu.

Esta é uma reunião histórica. Todas as mulheres da Igreja com oito anos ou mais foram convidadas para reunir-se conosco nesta noite. Muitos de nós oramos para que o Espírito Santo estivesse conosco. Essa bênção foi concedida ao escutarmos essas irmãs falarem e ao ouvirmos a música inspiradora. Oro para que o Espírito continue conosco enquanto lhes dirijo algumas palavras de incentivo e testemunho, além do que já foi dito — e especialmente para testificar que aquilo que nos foi dito é a vontade do Senhor para nós.

Falarei sobre o caminho — tendo isso sido belissimamente descrito hoje — que precisamos trilhar em nossa jornada de volta à presença de nosso Pai Celestial. Esse caminho é marcado por convênios sagrados feitos com Deus. Falarei a vocês sobre a alegria de fazer e guardar esses convênios e ajudar outros a guardá-los.

Algumas de vocês foram batizadas recentemente e receberam o dom do Espírito Santo pela imposição de mãos. Para vocês, essa lembrança é recente. Outras foram batizadas há muito tempo, portanto a lembrança de seus sentimentos daquele convênio talvez seja menos clara, mas alguns desses sentimentos voltam sempre que vocês ouvem as orações sacramentais.

Não há duas pessoas que têm as mesmas lembranças do dia em que fizeram esse sagrado convênio batismal e receberam o dom do Espírito Santo. Mas, todos nós sentimos a aprovação de Deus. E sentimos o desejo de perdoar e de ser perdoados, e uma maior determinação de fazer o que é certo.

A profundidade com que esses sentimentos penetraram em seu coração foi determinada em grande parte pelo modo com que vocês foram preparadas por pessoas amorosas. Espero que vocês que entraram no reino recentemente tenham hoje a bênção de estar sentadas ao lado de sua mãe. Se estiverem, deem a ela um sorriso de agradecimento agora mesmo. Lembro-me do sentimento de alegria e gratidão que tive ao me sentar atrás de minha mãe quando voltávamos de carro para casa depois do meu batismo na Filadélfia, Pensilvânia.

Minha mãe foi uma das pessoas que cuidadosamente me preparou para fazer aquele convênio e todos os outros que se seguiram. Ela havia sido fiel a este encargo dado pelo Senhor:

“E também, se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado.

Pois isto será uma lei para os habitantes de Sião ou em qualquer de suas estacas que estejam organizadas.

E seus filhos serão batizados para a remissão de seus pecados quando tiverem oito anos de idade; e receberão [o Espírito Santo]”.1

Minha mãe tinha feito a parte dela. Havia preparado seus filhos com palavras muito semelhantes às de Alma, que estão registradas no Livro de Mórmon:

“E aconteceu que ele lhes disse: Eis aqui as águas de Mórmon (pois assim eram chamadas); e agora, sendo que desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves;

Sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que vos encontreis, mesmo até a morte; para que sejais redimidos por Deus e contados com os da primeira ressurreição, para que tenhais a vida eterna—

Agora vos digo que, se for este o desejo de vosso coração, o que vos impede de serdes batizados em nome do Senhor, como um testemunho, perante ele, de que haveis feito convênio com ele de servi-lo e guardar seus mandamentos, para que ele possa derramar seu Espírito com mais abundância sobre vós?

E quando ouviram estas palavras, bateram palmas de alegria e exclamaram: Este é o desejo de nosso coração”.2

Pode ser que vocês não tenham batido palmas quando ouviram pela primeira vez esse convite para o convênio do batismo, mas, sem dúvida, sentiram o amor do Salvador e, por Ele, sentiram-se mais comprometidos em nutrir outras pessoas. Posso dizer “sem dúvida” porque esses sentimentos foram colocados no fundo do coração de todas as filhas do Pai Celestial. Isso faz parte da divina herança que receberam Dele.

Vocês foram ensinadas por Ele antes de virem para esta vida. Ele as ajudou a compreender e a aceitar o fato de que teriam provações, testes e oportunidades perfeitamente escolhidos, especialmente para vocês. Aprenderam que nosso Pai tinha um plano de felicidade para conduzi-las em segurança através dessas provações e que vocês ajudariam outras pessoas a trilhar, também em segurança, o caminho delas. Esse plano é marcado por convênios feitos com Deus.

Temos a livre escolha de fazer e guardar esses convênios. Somente umas poucas filhas do Pai Celestial têm a oportunidade nesta vida de conhecer esses convênios. Vocês são algumas dessas poucas pessoas favorecidas. Vocês, queridas irmãs, cada uma de vocês é uma filha no convênio.

O Pai Celestial, antes de vocês terem nascido, as ensinou a respeito das experiências que teriam ao deixá-Lo e virem para a Terra. Foi-lhes ensinado que o caminho de volta à presença Dele não seria fácil. Ele sabia que lhes seria bem difícil fazer essa jornada sem ajuda.

Vocês tiveram a bênção não apenas de encontrar meios de fazer esses convênios nesta vida, mas também de estar cercadas de outras pessoas que vão ajudá-las e que, tal como vocês, são filhas do convênio de nosso Pai Celestial.

Todas vocês sentiram nesta noite a bênção de estar na companhia de filhas de Deus que também estão sob o convênio de ajudar e de orientá-las, como prometeram fazer. Vi o que vocês viram quando essas filhas do convênio cumprem esse compromisso de consolar e de ajudar — fazendo isso com um sorriso no rosto.

Lembro-me do sorriso da irmã Ruby Haight. Ela era a esposa do Élder David B. Haight, que foi membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Quando jovem, ele serviu como presidente da Estaca Palo Alto, na Califórnia. Ele orava e se preocupava com as jovens da classe das Meninas-Moças de sua própria ala.

Então, o Presidente Haight foi inspirado a pedir ao bispo que chamasse Ruby Haight para dar aulas para aquelas moças. Ele sabia que ela seria uma testemunha de Deus que inspiraria, consolaria e amaria as moças daquela classe.

A irmã Haight tinha pelo menos 30 anos a mais do que as moças que ela ensinava. Mas, 40 anos depois de tê-las ensinado, toda vez que ela se encontrava com minha esposa, que tinha sido uma das moças da sua classe, ela estendia a mão, sorria e dizia para a Kathy: “Oh! Minha Menina-Moça!” Eu vi mais do que o sorriso dela. Senti o profundo amor que ela tinha por uma irmã com a qual se preocupava como se fosse sua própria filha. Seu sorriso e seu caloroso cumprimento decorriam do fato de ela ver que aquela irmã e filha de Deus ainda estava no caminho do convênio de volta para casa.

O Pai Celestial sorri para vocês também, sempre que as vê ajudando uma filha Dele a progredir no caminho do convênio rumo à vida eterna. E Ele fica contente toda vez que vocês tentam escolher o certo. Ele vê não apenas o que vocês são, mas também o que vocês podem se tornar.

Pode ser que vocês tenham tido um pai ou uma mãe terrenos que achavam que vocês poderiam ser melhores do que vocês imaginavam que eram. Tive uma mãe assim.

O que eu não sabia, quando jovem, era que meu Pai Celestial, o seu Pai Celestial, vê um potencial maior em Seus filhos do que nós vemos ou até do que nossa mãe terrena pode ver em nós. E sempre que vocês progridem nesse caminho rumo a seu potencial, isso proporciona felicidade a Ele. E vocês podem sentir a aprovação Dele.

Ele vê esse glorioso potencial em todas as Suas filhas, onde quer que elas estejam. Agora, isso coloca uma grande responsabilidade nos ombros de cada uma de vocês. Ele espera que vocês tratem cada pessoa que vocês encontrarem como um filho de Deus. Esse é o motivo pelo qual Ele nos ordena a amar nossos semelhantes como amamos a nós mesmos e a perdoá-los. Seus sentimentos de bondade e perdão em relação aos outros vêm por causa da herança divina que receberam Dele como Suas filhas. Cada pessoa que vocês conhecem é um amado filho espiritual Dele.

Ao sentirmos essa grande irmandade, as coisas que achávamos que nos dividiam se desfazem. Por exemplo: as irmãs mais jovens e as mais velhas compartilham seus sentimentos com a expectativa de serem compreendidas e aceitas. Vocês são mais semelhantes entre si como filhas de Deus do que diferentes.

Tendo isso em vista, as moças devem ansiar por entrar na Sociedade de Socorro como uma oportunidade de ampliar o círculo de irmãs que passarão a conhecer, a admirar e a amar.

Essa mesma capacidade de ver o que podemos ser está aumentando nas famílias e na Primária. Está acontecendo nas noites familiares e nos programas da Primária. As criancinhas estão sendo inspiradas a dizer coisas grandiosas e maravilhosas, como fizeram quando o Salvador lhes soltou a língua ao ensiná-las depois que Ele ressuscitou.3

Embora Satanás esteja atacando as irmãs em uma idade mais jovem, o Senhor as está elevando a um nível cada vez mais alto de espiritualidade. Por exemplo: as moças estão ensinando suas mães a usar o FamilySearch para encontrar e salvar antepassados. Algumas jovens irmãs que conheço estão decidindo ir bem cedo pela manhã realizar batismos no templo, sem nenhum outro incentivo além do espírito de Elias.

Nas missões no mundo todo, as irmãs estão sendo chamadas para servir como líderes. O Senhor criou a necessidade do serviço delas tocando o coração de um número cada vez maior de irmãs para que sirvam. Muitos presidentes de missão perceberam que as missionárias se tornam cada vez mais poderosas no proselitismo e especialmente no papel de líderes que nutrem.

Quer tenham servido ou não como missionárias de tempo integral, vocês podem adquirir essa mesma habilidade para enriquecer seu casamento e desenvolver a capacidade de criar filhos nobres, seguindo o exemplo de grandes mulheres.

Pensem em Eva, a mãe de todos os viventes. O Élder Russell M. Nelson disse o seguinte a respeito de Eva: “Nós, bem como toda a humanidade, somos abençoados para sempre por causa da grande coragem e sabedoria de Eva. Ao partilhar do fruto em primeiro lugar, ela fez o que deveria ser feito. Adão foi sábio ao agir de maneira semelhante”.4

Toda filha de Eva tem o potencial de proporcionar a sua família a mesma bênção que Eva proporcionou à dela. Ela foi tão importante no estabelecimento das famílias que temos este relato de sua criação: “E os Deuses disseram: Façamos uma adjutora adequada para o homem, porque não é bom que o homem esteja só; portanto formaremos uma adjutora adequada para ele”.5

Não conhecemos toda a ajuda que Eva prestou a Adão e sua família. Mas conhecemos a grande dádiva que ela concedeu, e que cada uma de vocês também pode conceder: ela ajudou sua família a ver o caminho de volta para casa, quando ele parecia difícil. “E Eva, sua mulher, ouviu todas essas coisas e alegrou-se, dizendo: Se não fosse por nossa transgressão, jamais teríamos tido semente e jamais teríamos conhecido o bem e o mal e a alegria de nossa redenção e a vida eterna que Deus concede a todos os obedientes.”6

Vocês têm o exemplo dela para seguir.

Por revelação, Eva reconheceu o caminho de volta à presença de Deus. Ela sabia que a Expiação de Jesus Cristo tornou possível a vida eterna em família. Ela estava segura, como vocês podem estar, de que, ao cumprir seus convênios feitos com o Pai Celestial, o Redentor e o Espírito Santo cuidariam para que ela e sua família conseguissem suportar quaisquer sofrimentos e desapontamentos que surgissem. Ela sabia que podia confiar Neles.

“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”7

Sei que Eva enfrentou tristezas e desilusões, mas também sei que ela encontrou alegria no conhecimento de que sua família poderia voltar a viver com Deus. Sei que muitas de vocês hoje enfrentam tristezas e decepções. Deixo com vocês minha bênção de que, tal como Eva, possam sentir a mesma alegria que ela sentiu ao fazerem sua jornada de volta para casa.

Tenho um testemunho seguro de que Deus, o Pai, zela por vocês com amor. Ele ama cada uma de vocês. Vocês são Suas filhas no convênio. Por amá-las, Ele vai providenciar a ajuda de que necessitam para progredir e para auxiliar outras pessoas ao longo do caminho de volta à presença Dele.

Sei que o Salvador pagou o preço de todos os nossos pecados e que o Espírito Santo presta testemunho da verdade. Vocês sentiram esse consolo nesta reunião. Tenho testemunho de que todas as chaves que tornam válidos os convênios sagrados foram restauradas. Nosso profeta vivo, Thomas S. Monson, as possui e as exerce hoje. Deixo com vocês, amadas filhas do convênio do Pai Celestial, essas palavras de consolo e esperança, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

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