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Abril 2014 | O Custo — e as Bênçãos — do Discipulado

O Custo — e as Bênçãos — do Discipulado

Abril 2014 Conferência Geral

Sejam fortes. Vivam o evangelho com fidelidade mesmo que as pessoas à sua volta não o façam.

Presidente Monson, nós o amamos. Você se dedicou de todo o coração a todo chamado que o Senhor lhe deu, especialmente ao sagrado ofício que agora exerce. Esta Igreja inteira lhe agradece por seu constante serviço e por sua incansável devoção ao dever.

Com admiração e incentivo a todos os que necessitam manter-se firmes nestes últimos dias, digo a todos e especialmente aos jovens da Igreja que, se ainda não foram, certamente um dia serão conclamados a defender sua fé ou talvez até a suportar alguma agressão pessoal simplesmente pelo fato de serem membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Esses momentos exigirão coragem e cortesia da sua parte.

Uma missionária, por exemplo, recentemente escreveu a mim, dizendo: “Minha companheira e eu vimos um homem sentado num banco da praça da cidade comendo seu lanche. Quando nos aproximamos, ele ergueu o rosto e viu nossas plaquetas missionárias. Com uma expressão terrível no rosto, ele se ergueu subitamente e levantou a mão para me bater. Desviei-me bem a tempo, mas ele cuspiu sua comida em mim e começou a nos ofender usando os mais horríveis palavrões. Afastamo-nos sem dizer nada. Eu tentava limpar a comida do rosto quando senti uma porção de purê de batata me acertar a nuca. Às vezes é difícil ser missionária porque naquele momento tive vontade de voltar, agarrar aquele homenzinho e dizer: ‘FAÇA-ME O FAVOR!’ Mas não fiz isso”.

Para aquela devotada missionária, eu digo, querida filha, você passou, à sua própria e humilde maneira, a fazer parte de um círculo muito distinto de mulheres e homens que, tal como disse o profeta Jacó do Livro de Mórmon, “[consideram a] morte [de Cristo] e [carregam] sua cruz e [suportam] a vergonha do mundo”.1

De fato, a respeito do próprio Jesus, o irmão de Jacó, Néfi, escreveu: “E o mundo, devido à iniquidade, julgá-lo-á como uma coisa sem valor; portanto o açoitam e ele suporta-o; e ferem-no e ele suporta-o. Sim, cospem nele e ele suporta-o por causa de sua amorosa bondade e longanimidade para com os filhos dos homens”.2

Tal como o que aconteceu com o próprio Salvador, houve uma longa história de rejeição e um preço dolorosamente alto que foi pago por profetas e apóstolos, missionários e membros de todas as gerações — todos aqueles que tentaram honrar o chamado de Deus de elevar a família humana a um “caminho mais excelente”.3

“E que mais direi [deles]?”, perguntou o autor do livro de Hebreus.

“[Eles que] (…) fecharam as bocas dos leões,

Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, (…) na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos (…).

[Viram a] ressurreição [dos] seus mortos [ao passo que] uns foram torturados (…);

E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados

(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.”4

Sem dúvida os anjos do céu choraram quando eles registraram esse preço do discipulado num mundo que frequentemente é hostil aos mandamentos de Deus. O próprio Salvador derramou Suas próprias lágrimas por aqueles que, por centenas de anos, haviam sido rejeitados e mortos a Seu serviço. E então Ele estava sendo rejeitado e sendo levado à morte.

“Jerusalém, Jerusalém”, clamou Jesus, “que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta”.5

E nisso há uma mensagem para todo rapaz e toda moça desta Igreja. Talvez vocês se perguntem se vale a pena assumir uma postura moral e corajosa na escola ou ir para a missão apenas para ver suas crenças mais queridas serem desprezadas ou esforçar-se contra os muitos da sociedade que às vezes ridicularizam uma vida de devoção religiosa. Sim, vale a pena, porque a alternativa é ver nossas “casas” “desoladas”, pessoas desoladas, famílias desoladas, vizinhanças desoladas e nações desoladas.

Portanto, esse é o fardo daqueles que foram chamados para transmitir a mensagem messiânica. Além de ensinar, incentivar e animar as pessoas (essa é a parte agradável do discipulado), de tempos em tempos esses mesmos mensageiros são conclamados a preocupar-se, a advertir e às vezes a apenas chorar (essa é a parte dolorosa do discipulado). Eles sabem muito bem que o caminho que conduz à terra prometida que “mana leite e mel”6 passa obrigatoriamente pelo Monte Sinai com todos os seus mandamentos.7

Infelizmente os mensageiros dos mandamentos divinos, em geral, não são mais populares hoje do que eram antigamente, como pelo menos duas missionárias sujas de saliva e de purê de batatas podem agora confirmar. Ódio é uma palavra feia, mas hoje há pessoas que diriam junto com o corrupto Acabe: “Odeio [Micaías], porque nunca profetiza de mim o que é bom, senão sempre o mal”.8 Esse tipo de ódio pela sinceridade de um profeta custou a vida de Abinádi. Ele disse ao rei Noé: “Por eu ter dito a verdade, estais irados contra mim. (…) Por ter transmitido a palavra de Deus, julgais que sou louco”9 (ou poderíamos acrescentar caipira, machista, preconceituoso, rude, intolerante, ultrapassado e velho).

É como o próprio Senhor lamentou com o profeta Isaías:

“[Esses] filhos (…) não querem ouvir a lei do Senhor.

(…) Dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos.

Desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda; fazei que o Santo de Israel cesse de estar perante nós”.10

Infelizmente, meu jovens amigos, uma característica de nossa época é que, quando as pessoas desejam algum deus, querem que sejam deuses que não exijam muito, deuses confortáveis, deuses suaves, que não apenas não incomodam, mas também não fazem nada, deuses que nos afagam a cabeça e nos fazem rir e depois nos dizem para ir correr e apanhar flores.11

São como o homem criando Deus a sua própria imagem! Às vezes — e essa parece ser a maior ironia de todas — essas pessoas invocam o nome de Jesus como alguém que foi esse tipo de Deus “confortável”. Será mesmo? Ele que disse que devemos não apenas abster-nos de quebrar os mandamentos, mas que jamais devemos sequer pensar em quebrá-los. E que se pensarmos em quebrá-los, já os teremos quebrado no coração. Será que isso soa como uma doutrina “confortável” e fácil de ser aceita por qualquer pessoa?

E o que dizer daqueles que simplesmente querem olhar para o pecado ou tocá-lo à distância? Jesus disse claramente que se seus olhos o ofenderem, arranque-os. Se sua mão ofendê-lo, corte-a fora.12 “Não vim trazer paz, mas espada”13, advertiu Ele aos que achavam que Ele diria somente coisas amenas e agradáveis. Não é de se admirar que, sermão após sermão, as comunidades locais “[rogavam-lhe] que saísse dos seus termos”.14 Não é de se admirar que, milagre após milagre, Seu poder foi atribuído não a Deus, mas ao diabo.15 É óbvio que aquela pergunta de para-choque “O que Jesus faria?” nem sempre terá uma resposta que agrada a todos.

No ápice do Seu ministério mortal, Jesus disse: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”.16 Para certificar-se de que eles compreendiam exatamente qual tipo de amor era aquele, Ele disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”17 e “Qualquer (…) que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será (…) o menor no reino dos céus”.18 O amor cristão é a maior necessidade que temos neste planeta, em parte porque se supõe que ele sempre deva ser acompanhado de retidão. Portanto, se o amor for o nosso lema, como deve ser, então, de acordo com a palavra Dele que é o amor personificado, devemos abandonar a transgressão e toda forma de promovê-la para outras pessoas. Jesus claramente compreendia o que muitos de nossa cultura moderna parecem esquecer: há uma diferença crucial entre o mandamento de perdoar pecados (algo que Ele tem a capacidade infinita de fazer) e a advertência de não tolerá-los (algo que Ele nunca fez, nem sequer uma vez).

Amigos, especialmente meus jovens amigos, tenham bom ânimo. O puro amor de Cristo que flui da verdadeira retidão pode mudar o mundo. Testifico que o evangelho verdadeiro e vivo de Jesus Cristo está na Terra e que vocês são membros da Sua Igreja verdadeira e viva, procurando compartilhá-la. Presto testemunho desse evangelho e dessa Igreja, em especial das chaves restauradas do sacerdócio que liberam o poder e a eficácia das ordenanças de salvação. Estou mais seguro de que essas chaves foram restauradas e de que essas ordenanças estão novamente disponíveis por intermédio de A Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias do que estou seguro de estar de pé diante de vocês neste púlpito e de vocês estarem sentados diante de mim nesta conferência.

Sejam fortes. Vivam o evangelho com fidelidade mesmo que as pessoas à sua volta não o façam. Defendam suas crenças com cortesia e compaixão, mas defendam-nas. Uma longa história de vozes inspiradas, inclusive daqueles que vocês ouvirão nesta conferência e a voz que acabaram de ouvir na pessoa do Presidente Thomas S. Monson, indica-lhes o caminho do discipulado cristão. É um caminho estreito e apertado sem grandes variações em certos pontos, mas que pode ser trilhado com emoção e sucesso, “com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens”.19 Ao seguirem corajosamente esse caminho, vocês encontrarão uma fé inabalável e a segurança contra os ventos malignos, sim, contra os dardos no torvelinho, sentindo forças tal como a da rocha de nosso Redentor; e se sobre essa rocha edificarem um discipulado devotado, não poderão cair.20 No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

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