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Abril 2015 | Preservar o Arbítrio, Proteger a Liberdade Religiosa

Preservar o Arbítrio, Proteger a Liberdade Religiosa

Abril 2015 Conferência Geral

A fiel utilização de nosso arbítrio depende de termos liberdade religiosa.

Este é o domingo de Páscoa: um dia de gratidão e lembrança em honra à Expiação e Ressurreição de nosso Salvador Jesus Cristo por toda a humanidade. Nós O adoramos, somos gratos por nossa liberdade de religião, liberdade de reunião, liberdade de expressão e pelo nosso direito ao arbítrio concedido por Deus.

Como os profetas previram em relação a estes últimos dias nos quais vivemos, muitos estão confusos sobre quem somos e no que acreditamos. Alguns são “caluniadores (…) [e] sem amor para com os bons”.1 Outros “ao mal chamam bem, e ao bem mal; (…) [e] fazem das trevas luz, e da luz trevas”.2

À medida que as pessoas ao nosso redor fazem escolhas sobre como reagirão a nossas crenças, não devemos esquecer de que o arbítrio moral é uma parte essencial do plano de Deus para todos os Seus filhos. Esse plano eterno, que foi apresentado a nós no Conselho dos Céus pré-mortal, incluiu o dom do arbítrio.3

Naquele Grande Conselho, Lúcifer, conhecido como Satanás, usou seu arbítrio para opor-se ao plano de Deus. E Deus disse: “Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera (…), fiz com que ele fosse expulso”.4

Seu relato continua: “E também uma terça parte das hostes do céu ele afastou de mim por causa do arbítrio que possuíam”.5

Como resultado, os filhos espirituais do Pai Celestial que decidiram rejeitar Seu plano e seguir Lúcifer perderam seu destino divino.

Jesus Cristo, usando Seu arbítrio, disse:

“Eis-me aqui, envia-me”.6

“Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre.”7

Jesus, que exerceu Seu arbítrio para apoiar o plano do Pai Celestial, foi identificado e nomeado pelo Pai como nosso Salvador, preordenado para realizar o Sacrifício Expiatório por todos. Da mesma forma, o exercício de nosso arbítrio para guardar os mandamentos nos possibilita que entendamos plenamente quem somos e recebamos todas as bênçãos que nosso Pai Celestial possui — inclusive a oportunidade de ter um corpo, de progredir, de sentir alegria, de ter uma família e de herdar a vida eterna.

Para guardar os mandamentos, precisamos conhecer a doutrina oficial da Igreja de modo a não sermos desviados da liderança de Cristo pelos caprichos sempre volúveis das pessoas.

As bênçãos que desfrutamos hoje devem-se ao fato de termos feito a escolha de seguir o Salvador antes desta vida. Para todos os que ouvem ou leem estas palavras, sejam vocês quem forem e seja qual for o seu passado, lembrem-se disto: não é tarde demais para fazer essa mesma escolha novamente e segui-Lo.

Por meio de nossa fé em Jesus Cristo, crendo em Sua Expiação, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo batizados, podemos então receber o sublime dom do Espírito Santo. Esse dom proporciona conhecimento e entendimento, orientação e forças para aprender e adquirir um testemunho, poder e purificação para vencer o pecado, consolo e encorajamento para sermos fiéis na tribulação. Essas incomparáveis bênçãos do Espírito aumentam nossa liberdade e nosso poder para fazer o que é certo, porque “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.8

Ao trilharmos o caminho da liberdade espiritual, nestes últimos dias, devemos entender que a fiel utilização de nosso arbítrio depende de termos liberdade religiosa. Já sabemos que Satanás não quer que tenhamos essa liberdade. Ele tentou destruir o arbítrio moral no céu, e agora na Terra está ferozmente minando, opondo-se e disseminando confusão sobre a liberdade religiosa — o que é e por que é essencial para nossa vida espiritual e para nossa salvação.

Há quatro pedras angulares da liberdade religiosa que nós, como santos dos últimos dias, precisamos proteger e das quais dependemos.

A primeira é a liberdade de crer. Ninguém deve ser criticado, perseguido ou atacado por pessoas ou governos pelas coisas nas quais acredita em relação a Deus. É algo muito importante e muito pessoal. Uma antiga declaração de nossas crenças referente à liberdade religiosa declara:

“Nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência (…).

O magistrado civil deve reprimir o crime, mas jamais controlar consciências; (…) [ou] suprimir a liberdade da alma”.9

Essa fundamental liberdade de crença foi reconhecida pelas Nações Unidas em sua Declaração Universal dos Direitos Humanos e por outros documentos de direitos humanos americanos e internacionais.10

A segunda pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade para compartilhar nossa fé e nossas crenças com outros. O Senhor nos ordenou: “Ensinai [o evangelho] a vossos filhos, (…) assentado em tua casa”.11 Ele também disse a Seus discípulos: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.12 Como pais, missionários de tempo integral e membros missionários, dependemos da liberdade religiosa para ensinar a doutrina do Senhor em nossa família e no mundo inteiro.

A terceira pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade para formar uma organização religiosa e para adorar pacificamente com outros. A décima primeira Regra de Fé declara: “Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem”. Os documentos de direitos humanos e muitas constituições nacionais apoiam esse princípio.

A quarta pedra angular da liberdade religiosa é a liberdade de viver nossa fé — o livre exercício da religião não apenas no lar e na capela, mas também em locais públicos. O Senhor não nos ordenou apenas a orar em particular13, mas também a ir e fazer “[resplandecer a nossa] luz diante dos homens, para que vejam as [nossas] boas obras e glorifiquem a [nosso] Pai, que está nos céus”.14

Alguns ficam ofendidos quando levamos nossa religião para o debate público, mas essas mesmas pessoas que insistem em dizer que seus pontos de vista e suas ações devem ser tolerados na sociedade geralmente hesitam muito em conceder essa mesma tolerância aos fiéis religiosos que também desejam que seus pontos de vista e suas ações sejam tolerados. A falta de respeito generalizada pelos pontos de vista religiosos está rapidamente se transformando em intolerância social e política pelas pessoas e instituições religiosas.

Ao enfrentarmos uma pressão cada vez maior para curvar-nos aos padrões seculares, abdicar de nossa liberdade religiosa e comprometer nosso arbítrio, reflitam sobre o que o Livro de Mórmon ensina sobre nossas responsabilidades. No livro de Alma, lemos a respeito de Anlici, “um homem muito astuto” e “um homem iníquo”, que procurava tornar-se rei do povo e “privá-los-ia de seus direitos e privilégios”, e “isso foi alarmante para o povo da igreja”.15 Eles tinham sido ensinados pelo rei Mosias a erguer a voz para defender o que achassem direito.16 Portanto, “o povo se reuniu em toda a terra, cada um segundo a sua opinião, a favor ou contra Anlici, em grupos separados, havendo muitas disputas (…) entre eles”.17

Nessas discussões, os membros da Igreja e outros tiveram a oportunidade de reunir-se, sentir o espírito de união e ser influenciados pelo Espírito Santo. “E aconteceu que a voz do povo foi contrária a Anlici, de modo que não foi proclamado rei.”18

Como discípulos de Jesus Cristo, temos a responsabilidade de trabalhar em conjunto com outras pessoas que também acreditam como nós, erguendo a voz para defender o que é certo. Embora os membros jamais devam afirmar ou sequer dar a entender que estejam falando pela Igreja, somos todos convidados, na qualidade de cidadãos, a prestar nosso testemunho pessoal com convicção e amor — “cada um segundo a sua [própria] opinião”.19

O Profeta Joseph Smith disse:

“Declaro destemidamente perante o Céu que estou igualmente pronto para morrer em defesa dos direitos de um presbiteriano, um batista ou um bom homem de qualquer outra denominação [assim como por um mórmon]; porque o mesmo princípio que destruiria os direitos dos santos dos últimos dias também destruiria os direitos dos católicos romanos ou de qualquer outra denominação que venha a ser impopular ou demasiadamente fraca para defender-se.

É o amor pela liberdade que inspira minha alma, a liberdade civil e religiosa para toda a raça humana”.20

Irmãos e irmãs, temos a responsabilidade de salvaguardar esses sagrados direitos e essa liberdade para nós mesmos e para nossa posteridade. O que vocês e eu podemos fazer?

Primeiro, precisamos estar informados. Estejam atentos às questões de sua comunidade que possam ter uma repercussão na liberdade religiosa.

Em segundo lugar, em sua capacidade individual, unam-se a outros que também estão comprometidos a defender a liberdade religiosa. Esforcem-se lado a lado para proteger a liberdade religiosa.

Em terceiro lugar, vivam de modo a ser um bom exemplo daquilo em que acreditam — em palavras e em ações. O modo como vivemos nossa religião é bem mais importante do que dizemos a respeito dela.

A Segunda Vinda de nosso Salvador está se aproximando. Não demoremos em defender esta grande causa. Lembrem-se do capitão Morôni, que ergueu o estandarte da liberdade no qual estavam inscritas as palavras: “Em lembrança de nosso Deus, nossa religião e nossa liberdade e nossa paz, nossas esposas e nossos filhos”.21 Lembremo-nos da reação das pessoas: exercendo seu arbítrio, “o povo se aproximou” com o convênio de agir.22

Meus amados irmãos e irmãs, não andem! Corram! Corram para receber as bênçãos do arbítrio seguindo o Espírito Santo e exercendo a liberdade que Deus nos concedeu para fazermos Sua vontade.

Presto meu testemunho, neste dia especial de Páscoa, de que Jesus Cristo usou Seu arbítrio para fazer a vontade de nosso Pai.

A respeito de nosso Salvador, cantamos: “Seu sangue pelos homens deu e assim nos libertou”.23 E por Ele ter feito isso, temos a oportunidade inestimável de “escolher a liberdade e a vida eterna” por meio do poder e das bênçãos de Sua Expiação.24 Que escolhamos livremente segui-Lo hoje e sempre, é minha oração em Seu santo nome, sim, Jesus Cristo. Amém.

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