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Abril 2015 | O Senhor É Minha Luz

O Senhor É Minha Luz

Abril 2015 Conferência Geral

Nossa capacidade de permanecer firmes e leais e de seguir o Salvador a despeito dos desafios da vida é grandemente fortalecida pelas famílias que vivem em retidão e pela união, centralizada em Cristo, de nossas alas e nossos ramos.

Nesta época de Páscoa, refletimos e nos alegramos na Redenção oferecida por nosso Salvador, Jesus Cristo.1

O clamor que ressoa por toda a Terra devido à iniquidade do mundo cria sentimentos de vulnerabilidade. Com as comunicações modernas, o impacto da iniquidade, da desigualdade e da injustiça faz com que muitos sintam que a vida é naturalmente injusta. Por mais significativas que sejam essas provações, não podemos deixar que nos desviem do regozijo e da comemoração da sublime intervenção de Cristo em nosso favor. O Salvador literalmente “venceu a morte”. Com misericórdia e compaixão, Ele tomou sobre Si nossas iniquidades e transgressões, redimindo-nos e satisfazendo as exigências da justiça para todos os que se arrependerem e crerem em Seu nome.2

Seu magnífico Sacrifício Expiatório é de importância transcendental, além de nossa compreensão como mortais. Esse ato por meio de Sua graça proporciona uma paz que supera o entendimento.3

Como, então, podemos lidar com as duras realidades que nos rodeiam?

Minha mulher, Mary, sempre adorou girassóis. Ela se alegra muito quando os vê na beira da estrada, em lugares bastante inesperados. Há uma estrada de terra que leva à casa onde meus avós moravam. Assim que começávamos a dirigir naquela estrada, Mary geralmente exclamava: “Você acha que veremos aqueles girassóis maravilhosos hoje?” Ficamos surpresos ao ver que os girassóis florescem em um solo afetado por equipamentos de lavoura e de remoção de neve e pelo acúmulo de materiais não ideais para flores silvestres crescerem.

Uma das características extraordinárias dos tenros girassóis silvestres, além do fato de crescerem em solo não propício, é o modo pelo qual suas flores em botão seguem o Sol que se move no céu. Ao fazê-lo, recebem a energia vital necessária antes de florescerem em sua gloriosa cor amarela.

Assim como os tenros girassóis, quando seguimos o Salvador do mundo, o Filho de Deus, florescemos e nos tornamos gloriosos apesar das muitas circunstâncias terríveis que nos cercam. Ele realmente é nossa luz e nossa vida.

Na parábola do joio e do trigo, o Salvador declarou a Seus discípulos que aqueles que violam as leis e cometem iniquidade serão colhidos e lançados para fora de Seu reino.4 Mas referindo-Se aos fiéis, Ele disse: “Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai”.5 Sendo indivíduos, discípulos de Cristo e vivendo em um mundo hostil que está literalmente em comoção, podemos crescer e florescer se estivermos enraizados no amor do Salvador e humildemente seguirmos Seus ensinamentos.

Nossa capacidade de permanecer firmes e leais e de seguir o Salvador a despeito dos desafios da vida é grandemente fortalecida pelas famílias que vivem em retidão e pela união, centralizada em Cristo, de nossas alas e nossos ramos.6

A Hora Certa em Casa

O papel da família no plano de Deus é “para proporcionar-nos felicidade, para ajudar-nos a aprender princípios corretos em um ambiente amoroso e para preparar-nos para a vida eterna”.7 As belas tradições da prática diligente da religião no lar precisam ser incutidas no coração de nossos filhos.

Meu tio, Vaughn Roberts Kimball, era um bom aluno, aspirante a escritor e quarterback da equipe de futebol americano da BYU. Em 8 de dezembro de 1941, um dia depois do ataque a Pearl Harbor, ele se alistou na Marinha dos Estados Unidos. Enquanto cumpria uma designação de recrutamento em Albany, Nova York, ele enviou um breve artigo para a revista Reader’s Digest. A revista lhe pagou 200 dólares e publicou seu artigo intitulado “A Hora Certa em Casa”, na edição de maio de 1944.

Sua contribuição para o Reader’s Digest, em que ele se retrata como marinheiro, incluía o seguinte trecho:

“A Hora Certa em Casa:

Certa noite, em Albany, Nova York, perguntei a um marinheiro que horas eram. Ele tirou um enorme relógio do bolso e respondeu: ‘São 7 horas e 20 minutos’. Eu sabia que já era mais tarde. ‘Seu relógio parou, não foi?’ perguntei.

‘Não’, disse ele, ‘ainda estou no horário das Montanhas Rochosas. Sou do Sul de Utah. Quando me alistei na Marinha, meu pai me deu este relógio. Disse que me ajudaria a lembrar-me de casa.

Quando o relógio marca 5 horas, sei que meu pai está indo de carro ordenhar as vacas. E toda noite, quando ele marca 19 horas e 30 minutos, sei que toda a família está ao redor de uma mesa bem servida e que meu pai está agradecendo a Deus pelo alimento que está sobre ela e pedindo-Lhe que zele por mim…’, concluiu ele. ‘É muito fácil saber a hora do lugar onde estou. O que quero saber é que horas são em Utah’”.8

Pouco tempo depois de enviar o artigo, Vaughn foi designado a servir em um navio no Pacífico. Em 11 de maio de 1945, quando ele servia no porta-aviões USS Bunker Hill, próximo a Okinawa, o navio foi atacado por dois aviões suicidas.9 Quase todos os 400 tripulantes morreram, inclusive meu tio Vaughn.

O Élder Spencer W. Kimball expressou ao pai de Vaughn sua sincera solidariedade, enfatizando a dignidade de seu filho e a promessa do Senhor de que “aqueles que morrerem [Nele] não provarão a morte, porque lhes será doce.”10 O pai de Vaughn disse com ternura que, embora seu filho tivesse sido sepultado no mar, a mão de Deus o levaria para seu lar celestial.11

Vinte e oito anos depois, o Presidente Spencer W. Kimball falou a respeito de Vaughn na conferência geral. Seu discurso incluía este trecho: “Eu conhecia muito bem essa família. (…) Ajoelhei-me em vigorosa oração com [eles]. (…) A educação no lar resultou em bênçãos eternas para essa grande família”. O Presidente Kimball desafiou todas as famílias “a estarem de joelhos, orando por seus filhos e filhas duas vezes por dia”.12

Irmãos e irmãs, se realizarmos fervorosamente a oração em família, o estudo das escrituras, a noite familiar e guardarmos o Dia do Senhor, nossos filhos saberão que horas são em casa. Estarão preparados para um lar eterno no céu, independente do que lhes acontecer neste mundo difícil. É de importância vital que nossos filhos saibam que são amados e que estão seguros no lar.

O marido e a mulher são parceiros iguais.13 Eles têm responsabilidades diferentes, porém complementares. A mulher pode gerar filhos, o que abençoa toda a família. O marido pode receber o sacerdócio, o que abençoa a família inteira. Mas, no conselho de família, o marido e a mulher, como parceiros iguais, tomam as decisões mais importantes. Eles decidem como os filhos serão ensinados e disciplinados, como o dinheiro será utilizado, onde vão morar e muitas outras decisões da família. Essas decisões são tomadas em conjunto, buscando a orientação do Senhor. A meta é a família eterna.

A Luz de Cristo planta a natureza eterna da família no coração de todos os filhos de Deus. Um de meus escritores favoritos, que não é da nossa religião, expressou esse conceito do seguinte modo: “Muitas coisas na vida são irrelevantes, [mas] (…) a família é real, substancial e eterna. É aquilo pelo que devemos zelar e cuidar e à qual devemos ser leais”.14

A Igreja Ajuda-nos a Concentrar-nos no Salvador Como uma Família Unida

Além da família, o papel da Igreja também é muito importante. “A Igreja proporciona a organização e os meios para que o evangelho de Jesus Cristo seja ensinado a todos os filhos de Deus, e provê a autoridade do sacerdócio para ministrar as ordenanças de salvação e exaltação a todos os que forem dignos e estiverem dispostos a aceitá-las.”15

No mundo há cada vez mais contendas e iniquidade, e uma grande ênfase em culturas divergentes e em desigualdades. Na Igreja, com exceção das unidades onde se fala outro idioma, nossas alas e nossos ramos são geográficos. Não nos dividimos por classe ou posição social.16 Regozijamo-nos no fato de que todas as raças e culturas estão unidas em uma congregação que vive em retidão. A ala é importante para nosso progresso, nossa felicidade e nosso empenho individual em sermos mais semelhantes a Cristo.

As culturas geralmente dividem as pessoas e, às vezes, são uma fonte de violência e discriminação.17 No Livro de Mórmon, algumas das expressões mais assustadoras são usadas para descrever as tradições de pais iníquos que resultaram em violência, guerras, atos malignos, iniquidade e até destruição de povos e nações.18

Não há melhor ponto de partida nas escrituras do que 4 Néfi, que descreve a cultura da Igreja como essencial para todos nós. No versículo 2, lemos este trecho: “O povo de toda a face da terra foi convertido ao Senhor, tanto nefitas como lamanitas; e não havia contendas nem disputas entre eles; e procediam retamente uns com os outros”. No versículo 16, lemos: “E certamente não poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus”. O fato de não haver contendas era atribuído ao “amor a Deus que existia no coração do povo”.19 Essa é a cultura à qual aspiramos.

Valores culturais profundos e crenças são uma parte fundamental de quem somos. A tradição de sacrifício, gratidão, fé e retidão é muito valorizada e preservada. As famílias precisam apreciar e proteger tradições que edifiquem a fé.20

Um dos aspectos mais significativos de qualquer cultura é seu idioma. Na área de São Francisco, Califórnia, onde vivi, há várias unidades que não são de língua inglesa. Nossa doutrina com respeito ao idioma está estabelecida em Doutrina e Convênios, seção 90, versículo 11: “Pois acontecerá nesse dia que todo homem ouvirá a plenitude do evangelho em sua própria língua e em seu próprio idioma”.

Quando os filhos de Deus oram a Ele em sua língua nativa, esse é o idioma de seu coração. É evidente que o idioma do coração é precioso para todos.

Meu irmão mais velho, Joseph, é médico e exerceu a profissão por muitos anos na região da Baía de São Francisco. Um senhor samoano membro da Igreja, que era um paciente novo, foi até seu consultório. Ele sentia dores intensas e debilitantes. Descobriu-se que ele tinha uma pedra no rim, e o devido tratamento foi iniciado. Aquele membro fiel disse que sua intenção inicial era apenas entender o que havia de errado para assim poder orar em samoano a seu Pai Celestial em relação à sua saúde.

É importante que os membros entendam o evangelho no idioma de seu coração para que possam orar e agir de acordo com os princípios do evangelho.21

Mesmo com a diversidade de idiomas e com as belas e inspiradoras tradições culturais, precisamos ter os corações entrelaçados em união e amor.22 O Senhor declarou enfaticamente: “Que todo homem estime a seu irmão como a si mesmo. (…) Sede um; e se não sois um, não sois meus”.23 Embora valorizemos muito a diversidade cultural adequada, nossa meta é a de sermos unidos na cultura, nos costumes e nas tradições do evangelho de Jesus Cristo em todos os aspectos.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Nunca Esteve Tão Forte

Reconhecemos que alguns membros têm dúvidas e preocupações ao procurarem fortalecer a fé e o testemunho. Devemos tomar cuidado para não criticar nem julgar as pessoas que têm essas preocupações — sejam elas grandes ou pequenas. Ao mesmo tempo, aqueles que têm preocupações devem fazer todo o possível para edificar sua própria fé e seu testemunho. O estudo paciente e humilde, a reflexão, a oração, o cumprimento dos princípios do evangelho e o aconselhamento com os devidos líderes são a melhor maneira de resolver dúvidas e preocupações.

Alguns afirmam que mais membros estão deixando a Igreja hoje e que há mais dúvidas e descrença do que no passado. Isso simplesmente não é verdade. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nunca esteve tão forte. O número de membros que remove o nome dos registros da Igreja sempre foi muito pequeno e tem sido significativamente menor nos últimos anos do que no passado.24 O crescimento em áreas mensuráveis, como membros com investidura com uma recomendação válida do templo, membros adultos dizimistas integrais e membros que servem missão, tem sido marcante. Repito: a Igreja nunca esteve tão forte. Mas “lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus”.25 Estendemos a mão para todos.

Se as duras realidades que vocês enfrentam nesta época parecem tenebrosas e pesadas e quase insuportáveis, lembrem-se de que, nas trevas angustiantes do Getsêmani e na incompreensível tortura e dor do Calvário, o Salvador realizou a Expiação, que soluciona o mais terrível fardo que pode ocorrer nesta vida. Ele fez isso por vocês e por mim. Ele fez isso porque nos ama e porque obedece e ama a Seu Pai. Seremos resgatados da morte — até das profundezas do mar.

Nossa proteção nesta vida e na eternidade estará na retidão individual e em família, nas ordenanças da Igreja e em seguir o Salvador. Esse é nosso refúgio da tempestade. Aqueles que se sentem solitários podem permanecer firmes na retidão sabendo que a Expiação vai protegê-los e abençoá-los além de sua capacidade de entender plenamente.

Devemos lembrar-nos do Salvador, guardar nossos convênios e segui-Lo como os tenros girassóis seguem a luz do Sol. Seguir a luz e o exemplo do Salvador nos proporciona alegria, felicidade e paz. Como o Salmo 27 e um hino favorito proclamam: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação”.26

Neste fim de semana de Páscoa, como um dos apóstolos do Salvador, presto solene testemunho da Ressurreição de Jesus Cristo. Sei que Ele vive. Conheço Sua voz. Presto testemunho de Sua divindade e da realidade da Expiação. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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    Notas

    1. Ver 2 Néfi 9:20–22.

    2. Ver Mosias 15:8–9.

    3. Ver Filipenses 4:7.

    4. Ver Mateus 13:41.

    5. Mateus 13:43.

    6. Ver Doutrina e Convênios 115:5–6.

    7. Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 1.1.4.

    8. Vaughn R. Kimball, “The Right Time at Home” [A Hora Certa em Casa], Reader’s Digest, maio de 1944, p. 43.

    9. Ver carta do Capitão G. A. Seitz, Marinha dos Estados Unidos, USS Bunker Hill, datada de 25 de maio de 1945, para o pai de Vaughn Kimball, Crozier Kimball, Draper, Utah.

    10. Ver carta de Spencer W. Kimball, datada de 2 de junho de 1945, a Crozier Kimball; Doutrina e Convênios 42:46.

    11. Ver Crozier Kimball, Marva Jeanne Kimball Pedersen, Vaughn Roberts Kimball: Um Memorial, 1995, p. 53.

    12. Spencer W. Kimball, “The Family Influence” [A Influência da Família], Ensign, julho de 1973, p. 17. O Presidente Spencer W. Kimball servia na época como Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos.

    13. Ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.

    14. Carla Carlisle, “Pray, Love, Remember” [Orar, Amar, Lembrar], Country Life, 29 de setembro de 2010, p. 120.

    15. Manual 2, 1.1.5.

    16. Ver 4 Néfi 1:26.

    17. A cultura é muito debatida no mundo atual. No ano de 2014, a palavra cultura foi até nomeada palavra do ano pelo site Merriam-Webster.com.

    18. Ver Alma 9; Helamã 5.

    19. 4 Néfi 1:15.

    20. Uma frase famosa do filósofo alemão Goethe é: “O que tomaste emprestado do legado de teus pais, adquire-o novamente para realmente possuí-lo!” (Johann Wolfgang von Goethe, Faust, trans. Bayard Taylor, 1912, vol. 1, p. 28.)

    21. Esse é um dos motivos pelos quais a Igreja ensina o evangelho em 50 línguas e traduz o Livro de Mórmon em 110 idiomas. Contudo, um dos desafios que há no mundo todo é o de aprender o idioma do país em que moramos. Como pais, precisamos sacrificar-nos para ajudar a nova geração a aprender o idioma do país onde moramos atualmente. Ajudem-nos a fazer dessa língua o idioma de seu coração.

    22. Ver Mosias 18:21.

    23. Doutrina e Convênios 38:25, 27.

    24. Nos últimos 25 anos, o número real de membros que deixam a Igreja diminuiu e a Igreja quase dobrou de tamanho. A porcentagem dos que deixam a Igreja reduziu consideravelmente.

    25. Doutrina e Convênios 18:10.

    26. Salmos 27:1; ver também “Jesus, Minha Luz”, Hinos, nº 44.