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Abril 2015 | O Sacerdócio — Um Dom Sagrado

O Sacerdócio — Um Dom Sagrado

Abril 2015 Conferência Geral

A cada um de nós foi confiado um dos mais preciosos dons já concedidos à humanidade.

Uma de minhas lembranças mais vívidas é a de participar de uma reunião do sacerdócio quando eu era um diácono recém-ordenado e cantar o hino de abertura: Ó filhos do Senhor, que tendes recebido do sacerdócio o dom”.1 Nesta noite, para todos os que estão aqui reunidos no Centro de Conferências e, de fato, no mundo inteiro, faço eco ao espírito daquele hino especial e digo a vocês: Vinde, “ó filhos do Senhor, que tendes recebido do sacerdócio o dom”. Ponderemos nossos chamados, reflitamos sobre nossas responsabilidades, determinemos nosso dever e sigamos Jesus Cristo, nosso Senhor. Embora possamos diferir em idade, em costumes ou em nacionalidade, estamos unidos em nossos chamados no sacerdócio.

Para cada um de nós, a restauração do Sacerdócio Aarônico a Oliver Cowdery e Joseph Smith por intermédio de João Batista é extremamente importante. Da mesma forma, a restauração do Sacerdócio de Melquisedeque a Joseph e Oliver, por intermédio de Pedro, Tiago e João é um acontecimento inestimável.

Levemos muito a sério os chamados, as responsabilidades e os deveres que acompanham o sacerdócio que possuímos.

Senti uma grande responsabilidade quando fui chamado para ser o secretário do meu quórum de diáconos. Preparei muito conscienciosamente os registros que anotei, porque queria fazer realmente o melhor que podia naquele chamado. Eu tinha muito orgulho do meu trabalho. Fazer tudo o que posso, dando o máximo de minha capacidade, tem sido minha meta em todos os cargos que ocupei.

Espero que cada jovem que foi ordenado ao Sacerdócio Aarônico receba uma percepção espiritual da santidade do chamado a que foi ordenado e também das oportunidades de magnificar esse chamado. Recebi essa oportunidade como diácono quando o bispado me pediu que levasse o sacramento para um homem que estava confinado ao leito, que morava a quase dois quilômetros de nossa capela. Naquela especial manhã de domingo, bati na porta da casa do irmão Wright e o ouvi chamar-me com sua voz trêmula: “Entre”. Entrei não apenas em sua humilde choupana, mas também em um quarto cheio do Espírito do Senhor. Aproximei-me do leito do irmão Wright e cuidadosamente pus-lhe um pedaço de pão na boca. Depois segurei o copo de água, para que ele pudesse beber. Ao partir, vi lágrimas em seus olhos ao dizer: “Deus o abençoe, meu jovem”. E Deus verdadeiramente me abençoou — com gratidão pelos sagrados emblemas do sacramento e pelo sacerdócio que eu possuía.

Nenhum diácono, mestre ou sacerdote de nossa ala jamais se esquecerá das memoráveis visitas que fizemos a Clarkston, Utah, ao local em que está enterrado Martin Harris, uma das Três Testemunhas do Livro de Mórmon. Ao rodearmos a alta coluna de granito que assinala sua sepultura, e enquanto um dos líderes do quórum lia para nós aquelas pungentes palavras do “Depoimento das Três Testemunhas”, que se encontra no início do Livro de Mórmon, desenvolvemos amor por aquele registro sagrado e pelas verdades nele encontradas.

Naqueles anos, nosso objetivo era tornar-nos como os filhos de Mosias. A respeito deles foi dito:

“Haviam-se fortalecido no conhecimento da verdade; porque eram homens de grande entendimento e haviam examinado diligentemente as escrituras para conhecerem a palavra de Deus.

Isto, porém, não é tudo; haviam-se devotado a muita oração e jejum; por isso tinham o espírito de profecia e o espírito de revelação; e quando ensinavam, faziam-no com poder e autoridade de Deus”.2

Não consigo imaginar uma meta mais digna para um rapaz ter do que a de ser descrito como foram os valorosos e justos filhos de Mosias.

Ao aproximar-se o dia do meu aniversário de 18 anos e ao preparar-me para o serviço militar obrigatório para os rapazes, durante a Segunda Guerra Mundial, fui recomendado para receber o Sacerdócio de Melquisedeque, mas primeiro precisava telefonar para meu presidente de estaca, Paul C. Child, para marcar uma entrevista. Ele era um homem que amava e compreendia as sagradas escrituras, e era sua intenção que todos as amassem e as compreendessem de modo semelhante. Tendo ouvido de alguns de meus amigos que suas entrevistas eram detalhadas e minuciosas, desejei expor o mínimo possível o meu conhecimento das escrituras. Por isso, quando liguei para ele, sugeri que nos encontrássemos no domingo seguinte, em um horário que eu sabia ser apenas uma hora antes da reunião sacramental dele.

Sua resposta: “Oh, irmão Monson, isso não nos deixará tempo suficiente para examinarmos as escrituras”. Ele então sugeriu um horário três horas antes de sua reunião sacramental e instruiu-me a trazer comigo um conjunto de escrituras nas quais eu tivesse pessoalmente marcado e anotado referências.

Quando cheguei à sua casa no domingo, fui recebido calorosamente, então a entrevista teve início. O Presidente Child disse: “Irmão Monson, você possui o Sacerdócio Aarônico. Já recebeu a ministração de anjos?” Respondi que ainda não tinha recebido. Quando ele perguntou se eu sabia que tinha esse direito, de novo respondi negativamente.

Ele então me ensinou: “Irmão Monson, repita de cor a seção 13 de Doutrina e Convênios”.

Eu comecei: “‘A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos…’”

“Pare”, ordenou o Presidente Child. Então, com uma voz calma e bondosa, ele me aconselhou: “Irmão Monson, nunca se esqueça de que como portador do Sacerdócio Aarônico você tem o direito de receber a ministração de anjos”.

Foi quase como se houvesse um anjo na sala naquele dia. Nunca me esquecerei daquela entrevista. Ainda sinto o espírito daquele solene momento quando lemos juntos as responsabilidades, os deveres e as bênçãos do Sacerdócio Aarônico e do Sacerdócio de Melquisedeque — bênçãos que advém não apenas a nós, mas à nossa família e a outros a quem teremos o privilégio de servir.

Fui ordenado élder e, no dia de minha partida para o serviço militar na Marinha, um membro do bispado da minha ala estava com minha família e meus amigos na estação ferroviária para se despedir de mim. Pouco antes do horário de partida, ele colocou um livro em minha mão: o Manual do Missionário. Dei uma risada e comentei que não estava indo para a missão.

Ele respondeu: “Leve-o assim mesmo. Pode vir a ser útil”.

E de fato foi. Eu precisava de um objeto duro e retangular para colocar no fundo da minha sacola de marinheiro, para que minhas roupas ficassem firmes e amarrotassem menos. O Manual do Missionário era justamente do que eu precisava, e serviu muito bem na minha sacola de marinheiro por 12 semanas.

Na noite anterior à nossa licença de Natal, nossos pensamentos se voltaram para o lar. Os dormitórios estavam quietos, mas então o silêncio foi interrompido pelo meu amigo no beliche ao lado, um rapaz mórmon, Leland Merrill, que começou a gemer de dor. Perguntei o motivo, e ele me disse que estava passando muito mal. Ele não queria ir para a enfermaria da base, porque sabia que isso o impediria de ir para casa no dia seguinte.

Ele parecia piorar à medida que as horas passavam. Por fim, sabendo que eu era um élder, pediu-me que lhe desse uma bênção do sacerdócio.

Eu nunca tinha dado uma bênção do sacerdócio, nunca tinha recebido uma bênção e nunca tinha visto alguém dar uma bênção. Quando orava em silêncio pedindo ajuda, lembrei-me do Manual do Missionário no fundo da minha sacola de marinheiro. Rapidamente esvaziei a sacola e levei o livro para a luz da noite. Li nele como abençoar os enfermos. Com muitos marinheiros curiosos olhando, dei a bênção. Antes que eu terminasse de guardar as minhas coisas, Leland Merrill dormia como uma criança. Ele acordou na manhã seguinte sentindo-se muito bem. A gratidão que cada um de nós sentiu pelo poder do sacerdócio foi imensa.

Os anos me proporcionaram mais oportunidades de dar bênçãos aos necessitados do que consigo contar. Cada oportunidade me fez sentir profundamente agradecido por Deus ter-me confiado esse sagrado dom. Reverencio o sacerdócio. Testemunhei seu poder repetidas vezes. Senti sua força. Maravilhei-me com os milagres que ele possibilitou.

Irmãos, a cada um de nós foi confiado um dos mais preciosos dons já concedidos à humanidade. Se honrarmos nosso sacerdócio e vivermos nossa vida de modo que estejamos sempre dignos, as bênçãos do sacerdócio fluirão por nosso intermédio. Gosto imensamente das palavras que se encontram na seção 121 de Doutrina e Convênios, versículo 45, que nos dizem o que precisamos fazer para ser dignos: “Que tuas entranhas (…) sejam cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu”.

Como portadores do sacerdócio de Deus, estamos engajados no trabalho do Senhor Jesus Cristo. Atendemos a Seu chamado. Estamos a serviço Dele. Aprendamos com Ele. Sigamos Seus passos. Vivamos de acordo com Seus preceitos. Ao fazê-lo, estaremos preparados para qualquer serviço que Ele nos chamar para realizar. Esta é a Sua obra. Esta é a Sua Igreja. De fato, Ele é nosso capitão, o Rei da Glória, sim, o Filho de Deus. Testifico que Ele vive e presto esse testemunho em Seu santo nome, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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    Notas

    1. “Ó Filhos do Senhor”, Hinos, nº 201.

    2. Alma 17:2–3.