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Abril 2017 | O Maior dentre Vós

O Maior dentre Vós

Abril 2017 Conferência Geral

Deus concede Sua maior recompensa às pessoas que servem sem esperar recompensa.

Meus queridos irmãos, queridos amigos, sou imensamente grato por estar com vocês nesta inspiradora reunião mundial do sacerdócio. Presidente Monson, agradecemos por sua mensagem e por sua bênção. Sempre levaremos a sério suas palavras de orientação, seu conselho e sua sabedoria. Nós o amamos e o apoiamos, e sempre oramos por você. Você é realmente o profeta do Senhor. Você é nosso presidente. Nós o apoiamos e o amamos.

Há quase duas décadas, o Templo de Madrid Espanha foi dedicado e começou a funcionar como uma casa sagrada do Senhor. Harriet e eu nos lembramos bem porque, na época, eu estava servindo na Presidência da Área Europa. Com muitos outros irmãos, passamos inúmeras horas cuidando dos detalhes do planejamento e da organização dos eventos que levaram à dedicação.

À medida que a data da dedicação se aproximava, notei que ainda não tinha recebido um convite. Isso foi um tanto inesperado! Afinal, em minha responsabilidade como presidente da Área, eu estava muito envolvido nesse projeto de preparação do templo e me sentia um pouco responsável por ele.

Perguntei a Harriet se ela tinha visto um convite. Ela disse que não.

Passaram-se os dias e minha ansiedade aumentou. Pensei que nosso convite tivesse sido extraviado, ou talvez estivesse escondido entre as almofadas do sofá. Talvez tivesse sido jogado fora com os folhetos de propaganda que vêm pelo correio. Nossos vizinhos tinham um gato que gostava de mexer em tudo, e até comecei a suspeitar dele.

Finalmente fui forçado a aceitar o fato: Eu não tinha sido convidado.

Mas como aquilo era possível? Será que eu tinha ofendido alguém? Será que tinham simplesmente presumido que morávamos muito longe? Será que tinham esquecido de mim?

Por fim, percebi que essa linha de pensamento estava me levando a um caminho que eu não queria trilhar.

Harriet e eu dissemos a nós mesmos que a dedicação do templo não se tratava de nós. Não era uma questão de quem merecia ou não ser convidado. Não tinha nada a ver com nossos sentimentos ou com o fato de que achávamos que tínhamos direito de participar.

Tratava-se da dedicação de um edifício sagrado, um templo do Deus Altíssimo. Era um dia de alegria para os membros da Igreja na Espanha.

Se eu tivesse sido convidado a participar, teria ido com muito prazer. Mas, se não fosse convidado, minha alegria não seria menos profunda. Harriet e eu nos alegraríamos de longe com nossos amigos, nossos amados irmãos e irmãs, mas à distância. Louvaríamos a Deus por essa maravilhosa bênção com o mesmo entusiasmo, quer estivéssemos em nossa casa em Frankfurt, quer estivéssemos em Madri.

Filhos do Trovão

Entre os Doze que Jesus chamou e ordenou, havia dois irmãos: Tiago e João. Vocês se lembram do nome que Ele deu aos dois?

Filhos do Trovão (Boanerges).1

Não se recebe um nome como esse sem uma razão especial. Infelizmente, as escrituras não nos dão muitas explicações sobre a origem desse nome. No entanto, temos pequenos vislumbres da personalidade de Tiago e de João. Eles eram os mesmos irmãos que sugeriram fazer descer fogo dos céus sobre uma aldeia em Samaria por não terem sido convidados a entrar no vilarejo.2

Tiago e João eram pescadores — provavelmente não muito refinados —, mas acredito que eles conheciam bastante sobre os elementos da natureza. Certamente eram homens de ação.

Em certa ocasião, enquanto o Salvador Se preparava para fazer Sua última viagem a Jerusalém, Tiago e João aproximaram-se Dele com um pedido especial — talvez um pedido digno do apelido que receberam.

“Queremos que nos faças o que pedirmos”, disseram eles.

Posso imaginar que Jesus estava sorrindo para eles quando respondeu: “Que quereis que vos faça?”

“Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro, à tua esquerda.”

O Salvador naquele momento os convidou a pensar um pouco mais profundamente sobre o que estavam pedindo e disse: “Mas o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, senão àqueles para quem está preparado”.3

Em outras palavras, não se recebem honras no reino dos céus fazendo campanha. Nem se obtém a glória eterna com bajulação.

Os outros dez apóstolos ficaram aborrecidos quando ouviram sobre o pedido feito pelos Filhos do Trovão. Jesus sabia que não tinha muito tempo e deve ter ficado perturbado com a contenda entre aqueles que iriam continuar a Sua obra.

Ele explicou aos Doze a natureza do poder e como ele afeta aqueles que o buscam e o possuem. “As pessoas influentes do mundo”, disse Ele, “usam sua posição de autoridade para exercer poder sobre os outros”.

Quase consigo visualizar o Salvador olhando com infinito amor para o rosto daqueles discípulos fiéis e fervorosos. Quase sou capaz de ouvir Sua voz suplicante: “Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso servo; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos”.4

No reino de Deus, grandeza e liderança significam ver as pessoas como elas realmente são — como Deus as vê — e então, ajudá-las e servir a elas. Significa regozijar-se com os que estão felizes, chorar com os que estão sofrendo, consolar os aflitos e amar o próximo como Cristo nos ama. O Salvador ama todos os filhos de Deus, seja qual for sua condição socioeconômica, raça, religião, língua, opinião política, nacionalidade ou qualquer outra condição. E é assim que devemos fazer!

Deus concede Sua maior recompensa às pessoas que servem sem esperar recompensa. A recompensa vai para aqueles que servem sem precisar de elogios; para os que silenciosamente procuram maneiras de ajudar o próximo; para os que servem simplesmente porque amam a Deus e Seus filhos.5

Não Se Deixe Levar

Pouco tempo depois de ter sido chamado como Autoridade Geral, tive o privilégio de acompanhar o Presidente James E. Faust em uma reorganização de estaca. Enquanto eu dirigia o carro para cumprirmos nossa designação na bela região sul de Utah, o Presidente Faust teve a gentileza o suficiente de usar o tempo que passamos juntos para me instruir e ensinar. Uma lição que jamais esquecerei foi a seguinte. Ele disse: “Os membros da Igreja são gentis com as Autoridades Gerais. Eles vão tratá-lo com bondade e dizer coisas boas a seu respeito”. Então, fez uma pequena pausa e disse: “Dieter, seja sempre grato por isso, mas não se deixe levar”.

Essa importante lição sobre o serviço na Igreja aplica-se a todo portador do sacerdócio em todos os quóruns.Aplica-se a todos nós nesta Igreja.

Quando o Presidente J. Reuben Clark Jr. aconselhava os que eram chamados para posições de autoridade na Igreja, ele lhes dizia que não se esquecessem da regra número seis.

Inevitavelmente a pessoa perguntava: “Qual é a regra número seis?”

“Não leve a si mesmo muito a sério”, dizia ele.

Claro que isso levava a uma segunda pergunta: “Quais são as outras cinco regras?”

Com um olhar divertido, o Presidente Clark respondia: “Elas não existem”.6

Para sermos líderes eficazes da Igreja, devemos aprender esta lição essencial: a liderança na Igreja não se caracteriza tanto por orientar pessoas, mas em termos o desejo de receber orientação de Deus.

Chamados Como Oportunidades de Serviço

Como santos do Deus Altíssimo, devemos “lembrar-[nos] dos pobres e necessitados, dos doentes e dos aflitos, porque aquele que não faz estas coisas não é meu discípulo”.7 As oportunidades de fazer o bem e de servir ao próximo são ilimitadas. Podemos encontrá-las em nossa comunidade, em nossa ala e nosso ramo, e certamente em nossa casa.

Além disso, cada membro da Igreja recebe oportunidades formais e específicas de servir. Referimo-nos a essas oportunidades como “chamados” — um termo que deve nos lembrar de quem nos chama para servir. Se considerarmos nossos chamados como oportunidades para servir a Deus e ajudar ao próximo com fé e humildade, cada ato de serviço será um passo no caminho do discipulado. Dessa forma, Deus edifica não apenas Sua Igreja, mas também Seus servos. A Igreja foi concebida para nos ajudar a tornar-nos verdadeiros e fiéis discípulos de Cristo, bons e nobres filhos de Deus. Isso acontece não apenas quando vamos às reuniões e ouvimos os discursos, mas também quando pensamos no próximo e o servimos. É assim que nos tornamos “grandes” no reino de Deus.

Aceitamos os chamados com dignidade, humildade e gratidão. Quando somos desobrigados desses chamados, aceitamos a mudança com a mesma dignidade, humildade e gratidão.

À vista de Deus, não há nenhum chamado no reino que seja mais importante do que outro. Nosso serviço — seja grande ou pequeno — refina nosso espírito, abre as janelas do céu e libera as bênçãos de Deus, não apenas sobre aqueles a quem servimos, mas sobre nós também. E quando ajudamos os outros, podemos saber com humilde confiança que Deus reconhece nosso serviço com louvor e alegria. Ele sorri para nós quando oferecemos esses sinceros atos de compaixão, especialmente os que não são vistos e passam despercebidos pelas outras pessoas.8

 Cada vez que damos de nós mesmos ao próximo, ficamos mais perto de nos tornarmos bons e verdadeiros discípulos Daquele que deu tudo por nós: nosso Salvador.

Da Presidência para o Desfile

Na época do 150º aniversário da chegada dos pioneiros no Vale do Lago Salgado, o irmão Myron Richins estava servindo como presidente de estaca em Henefer, Utah. A celebração incluía uma reconstituição da passagem dos pioneiros por sua cidade.

O Presidente Richins estava profundamente envolvido com os planos para a celebração, participando de muitas reuniões com autoridades gerais e com outras pessoas para discutir os eventos. Ele estava totalmente envolvido.

Pouco antes de a celebração acontecer, a estaca do Presidente Richins foi reorganizada, e ele foi desobrigado como presidente. Em um domingo subsequente, ao participar da reunião do sacerdócio na ala, os líderes pediram voluntários para ajudar na celebração. O Presidente Richins, com outros irmãos, levantou a mão e recebeu instruções para vestir roupas de limpeza, vir com sua pick-up e trazer uma pá.

Finalmente, a manhã do grande evento chegou, e o Presidente Richins apresentou-se para seu serviço voluntário.

Apenas algumas semanas antes, ele tinha sido um contribuinte influente para o planejamento e a supervisão desse grande acontecimento. Naquele dia, no entanto, seu trabalho era ir atrás dos cavalos no desfile e limpar a sujeira que eles fizessem.

O Presidente Richins fez isso com alegria e de bom grado.

Ele entendia que um tipo de serviço não está acima de outro.

Ele conhecia e praticava as palavras do Salvador: “O maior dentre vós será vosso servo”.9

Exercer o Discipulado Corretamente

Como os Filhos do Trovão, às vezes desejamos posições de proeminência. Esforçamo-nos para receber reconhecimento. Procuramos liderar e deixar uma contribuição memorável.

Não há nada de errado em querer servir ao Senhor, mas, quando procuramos ganhar influência na Igreja para benefício próprio — para receber o louvor e a admiração dos homens —, recebemos a nossa recompensa. Quando “nos deixamos levar” pelo louvor das outras pessoas, esse louvor será a nossa recompensa.

Qual é o chamado mais importante da Igreja? É o que você tem atualmente. Não importa quão humilde ou proeminente possa parecer, o seu chamado atual é o que lhe permitirá não só ajudar ao próximo, mas também tornar-se um homem de Deus para cumprir o propósito de Sua criação.

Meus queridos amigos e irmãos no sacerdócio, magnifiquem seu chamado!

Paulo ensinou aos filipenses: “Nada façais por contenda ou por vanglória; mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo”.10

Servir com Honra

Buscar a honra e a celebridade na Igreja à custa do serviço verdadeiro e humilde para com os outros é igual à troca feita por Esaú.11 Podemos receber uma recompensa terrena, mas ela vem com um grande custo — a perda da aprovação celestial.

Sigamos o exemplo de nosso Salvador, que foi manso e humilde, que não buscou o louvor dos homens, mas veio para fazer a vontade de Seu Pai.12

Sirvamos humildemente ao próximo — com energia, gratidão e honra. Mesmo que nossos atos de serviço possam parecer humildes, modestos ou de pouco valor, aqueles que ajudam os outros com bondade e compaixão vão conhecer um dia o valor de seu serviço pela eterna e abençoada graça do Deus Todo-Poderoso.13

Meus queridos irmãos, queridos amigos, espero que meditemos, compreendamos e vivamos esta importante lição de liderança da Igreja e da ministração do sacerdócio: “O maior dentre vós será vosso servo”. Essa é minha oração e minha bênção, no sagrado nome de nosso Mestre, nosso Redentor, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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