Outubro 2017 | O plano e a proclamação

    O plano e a proclamação

    Outubro 2017 Conferência Geral

    A proclamação à família é a ênfase nas verdades do evangelho de que precisamos para nos amparar durante os desafios atuais com relação à família.

    Como podemos ver em nossa proclamação da família, os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são abençoados com uma doutrina singular e com maneiras diferentes de ver o mundo. Participamos de atividades no mundo e nos destacamos em muitas delas, mas deixamos de participar de algumas delas por procurarmos seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e Seus apóstolos, antigos e modernos.

    I.

    Em uma parábola, Jesus descreveu aqueles que “[ouvem] a palavra”, mas se tornam [infrutíferos] quando essa palavra é sufocada pelos “cuidados deste mundo e a sedução das riquezas” (Mateus 13:22). Depois, Jesus corrigiu Pedro por não compreender “as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”, dizendo: “Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?” (Mateus 16:23, 26.) Em seus últimos ensinamentos na mortalidade, Ele disse a Seus apóstolos: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, (…) o mundo vos odeia” (João 15:19; ver também João 17:14, 16).

    Da mesma forma, nos registros dos primeiros apóstolos de Jesus, com frequência se usa a imagem do “mundo” para representar oposição aos ensinamentos do evangelho. “Não vos conformeis com este mundo” (Romanos 12:2), o apóstolo Paulo ensinou: “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1 Coríntios 3:19). E, “vede”, ele alertou: “Que ninguém vos faça presa sua (…) segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8). O apóstolo Tiago ensinou que “a amizade do mundo é inimizade contra Deus[.] Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

    No Livro de Mórmon, usa-se com frequência essa imagem da oposição do “mundo”. Néfi profetizou a destruição final dos “que foram [estabelecidos] para se tornarem populares aos olhos do mundo; e [aqueles] que procuram (…) as coisas do mundo” (1 Néfi 22:23; ver também 2 Néfi 9:30). Alma condenou aqueles que foram “ensoberbecidos com as coisas vãs do mundo” (Alma 31:27). O sonho de Leí mostra que aqueles que procuram seguir a barra de ferro, a palavra de Deus, vão se deparar com a oposição do mundo. Os que ocupavam o “grande e espaçoso edifício”, Leí viu que estavam em “atitude (…) de escárnio e apontavam” “com o dedo, zombando” (1 Néfi 8:26–27, 33). Em sua visão da interpretação desse sonho, Néfi aprendeu que esse escárnio e essa oposição vinham das “multidões da Terra[,] (…) [do] mundo e sua sabedoria; (…) [do] orgulho do mundo” (1 Néfi 11:34–36).

    Retrato do presidente Thomas S. Monson

    Qual o significado dessas advertências e desses mandamentos das escrituras, de não ser “do mundo”, ou do mandamento moderno de “[renunciar] ao mundo”? (D&C 53:2.) O presidente Thomas S. Monson resumiu esses ensinamentos, dizendo: “Precisamos estar vigilantes num mundo que se afastou tanto das coisas espirituais. É essencial que rejeitemos tudo aquilo que não condiz com nossos padrões, recusando-nos a desistir daquilo que mais desejamos: a vida eterna no reino de Deus”.1

    Deus criou esta Terra de acordo com Seu plano para proporcionar a Seus filhos espirituais um lugar para vivenciarem a mortalidade como um passo necessário em direção às glórias que Ele deseja para todos os Seus filhos. Embora haja vários reinos e glórias, o maior desejo de nosso Pai Celestial para Seus filhos é o que o presidente Monson chamou de “vida eterna no reino de Deus”, que é a exaltação em família. Há mais além da salvação. O presidente Russell M. Nelson nos lembrou de que, “no plano eterno de Deus, a salvação é um assunto individual; [mas] a exaltação é um assunto de família”.2

    O evangelho restaurado de Jesus Cristo e a inspirada proclamação à família, a respeito da qual falarei mais tarde, são ensinamentos essenciais que guiam a preparação mortal para a exaltação. Embora precisemos viver com leis de casamento e outras tradições de um mundo em decadência, os que se esforçam para alcançar a exaltação devem fazer escolhas pessoais na vida familiar que estejam de acordo com a maneira do Senhor, mesmo sendo diferente da maneira do mundo.

    Nesta vida mortal, não nos lembramos do que precedeu nosso nascimento, e agora enfrentamos oposição. Crescemos e amadurecemos espiritualmente ao escolhermos obedecer aos mandamentos de Deus, em uma sequência de escolhas corretas. Essas escolhas incluem as ordenanças, os convênios e o arrependimento quando nossas escolhas forem erradas. Por outro lado, se nos falta fé no plano de Deus e se somos desobedientes ou deliberadamente não tomamos as ações necessárias, renunciamos a esse crescimento e essa maturidade. O Livro de Mórmon ensina: “Esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para o encontro com Deus” (Alma 34:32).

    II.

    Os santos dos últimos dias que compreendem o plano de salvação estabelecido por Deus têm uma visão singular do mundo, que os ajuda a entender a razão por trás dos mandamentos de Deus, a natureza imutável de Suas ordenanças necessárias e o papel fundamental de nosso Salvador, Jesus Cristo. A Expiação do Salvador nos salva da morte e, de acordo com nosso arrependimento, salva-nos do pecado. Com essa visão de mundo, os santos dos últimos dias têm prioridades e práticas diferenciadas e são abençoados com a força para suportar as frustrações e as dores da vida mortal.

    Inevitavelmente, as ações das pessoas que se esforçam para seguir o plano de salvação estabelecido por Deus podem causar mal-entendidos e até conflitos com familiares ou amigos que não acreditam nos princípios do plano. Esses conflitos sempre existirão. Todas as gerações que procuraram seguir o plano de Deus passaram por desafios. Antigamente, o profeta Isaías fortaleceu os israelitas, a quem chamou: “Vós que conheceis a justiça, (…) em cujo coração está a minha lei”. A eles, ele declarou: “Não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias” (Isaías 51:7; ver também 2 Néfi 8:7). Mas, seja qual for a causa do conflito com as pessoas que não entendem ou que não acreditam no plano de Deus, aqueles que entendem sempre estarão sob o mandamento de escolher o caminho do Senhor em vez de o caminho do mundo.

    III.

    O plano do evangelho, o qual toda família deve seguir para se preparar para a vida eterna e a exaltação, está resumido na proclamação da Igreja, escrita em 1995: “A Família: Proclamação ao Mundo”.3 As declarações nesse documento são, é claro, visivelmente diferentes de algumas leis, práticas e argumentos atuais do mundo em que vivemos. Em nossos dias, as diferenças mais evidentes são a coabitação fora do casamento, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a criação de filhos nesses relacionamentos. Aqueles que não acreditam em exaltação, que não a procuram e que são mais persuadidos pelos caminhos do mundo veem a proclamação da família apenas como uma declaração de normas que devem ser mudadas. Por outro lado, os santos dos últimos dias afirmam que a proclamação da família define o tipo de relacionamento familiar no qual a parte mais importante de nosso desenvolvimento eterno pode ocorrer.

    Testemunhamos uma aceitação pública rápida e crescente da coabitação fora do casamento e do casamento de pessoas do mesmo sexo. O apoio, a educação e até as exigências específicas de trabalho propostos pela mídia que defende esses ideais geram desafios para os santos dos últimos dias. Precisamos tentar equilibrar a necessidade de seguirmos a lei do evangelho em nossa vida pessoal e no que ensinamos e, ao mesmo tempo, procurarmos demonstrar amor a todas as pessoas.4 Ao fazê-lo, às vezes enfrentaremos o que Isaías chamou de “o opróbrio dos homens”, mas não precisamos temê-lo.

    Os santos dos últimos dias que são convertidos acreditam que a proclamação da família, publicada há quase 25 anos e traduzida para diversos idiomas, é a ênfase dada novamente pelo Senhor nas verdades do evangelho de que precisamos para nos amparar durante os desafios atuais com relação à família. Dois exemplos são o casamento de pessoas do mesmo sexo e a coabitação fora do casamento. Apenas 20 anos após a proclamação da família, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contrariando milhares de anos de casamento apenas entre um homem e uma mulher. A surpreendente porcentagem de crianças dos Estados Unidos nascidas de uma mãe que não se casou com o pai da criança cresceu gradualmente: 5 por cento em 1960,5 32 por cento em 19956 e, agora, 40 por cento.7

    IV.

    A proclamação da família inicia com a declaração de “que o casamento entre homem e mulher foi ordenado por Deus e que a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos”. Também afirma que o “sexo (masculino ou feminino) é uma característica essencial da identidade e do propósito pré-mortal, mortal e eterno de cada um”. Além disso, declara que “Deus ordenou que os poderes sagrados de procriação sejam empregados somente entre homem e mulher, legalmente casados”.

    A proclamação confirma o dever ainda vigente que marido e mulher têm de se multiplicarem e encherem a Terra, e sua “solene responsabilidade de amar-se mutuamente e amar os filhos”: “Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade”. A proclamação nos alerta solenemente contra o abuso de cônjuge e filhos e declara que “a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo”. Por fim, ela conclama que se promovam “medidas [oficiais] designadas para manter e fortalecer a família como a unidade fundamental da sociedade”.

    Em 1995, um presidente da Igreja e outros 14 apóstolos do Senhor publicaram essas importantes declarações doutrinárias. Como um dos únicos sete desses apóstolos ainda vivos, sinto-me obrigado a compartilhar, para informação daqueles que se importam com a proclamação, o que levou à publicação da proclamação da família.

    A inspiração que identificou a necessidade de haver uma proclamação a respeito da família foi recebida pela liderança da Igreja há mais de 23 anos. Foi uma surpresa para alguns que achavam que as verdades doutrinárias sobre o casamento e a família eram bem compreendidas e não precisavam ser reafirmadas.8 Contudo, sentimos a confirmação e começamos a trabalhar. Assuntos foram identificados e discutidos por membros do Quórum dos Doze Apóstolos por quase um ano. Um texto foi proposto, examinado e revisado. Rogamos continuamente ao Senhor em espírito de oração por Sua inspiração a respeito do que deveríamos dizer e de como dizê-lo. Todos aprendemos “linha sobre linha, preceito sobre preceito”, como o Senhor prometeu (D&C 98:12).

    Retrato do presidente Gordon B. Hinckley

    Durante esse processo de revelação, um texto foi proposto e apresentado para a Primeira Presidência, que supervisiona e promulga a doutrina e os ensinamentos da Igreja. Após a Presidência ter feito mais algumas mudanças, a proclamação da família foi anunciada pelo presidente da Igreja, Gordon B. Hinckley. Na reunião das mulheres, em 23 de setembro de 1995, ele apresentou a proclamação com as seguintes palavras: “Havendo tantas falsidades ensinadas como verdades, tantos enganos quanto aos padrões e valores, tanto incentivo e sedução para que lentamente aceitemos a corrupção do mundo, sentimos a necessidade de advertir e admoestar”.9

    Testifico que a proclamação da família é uma declaração de verdade eterna, a vontade do Senhor para Seus filhos que buscam a vida eterna. Ela tem sido o alicerce dos ensinamentos e das práticas da Igreja nos últimos 22 anos, e assim continuará sendo no futuro. Considerem-na como tal, ensinem a respeito dela, vivam de acordo com ela, e vocês serão abençoados ao prosseguirem rumo à vida eterna.

    Há 40 anos, o presidente Ezra Taft Benson ensinou que “cada geração tem seus testes e a chance de se manter firme e provar a si mesma”.10 Creio que nossa atitude em relação à proclamação da família e o modo como a utilizamos são alguns desses testes para esta geração. Oro para que todos os santos dos últimos dias permaneçam firmes durante esses testes.

    Encerro citando os ensinamentos do presidente Gordon B. Hinckley que foram proferidos dois anos após o anúncio da proclamação da família. Ele disse: “Vejo um futuro maravilhoso em um mundo bastante incerto. Se nos apegarmos a nossos valores, se edificarmos sobre o alicerce que herdamos, se formos obedientes perante o Senhor, se vivermos o evangelho de maneira simples, seremos abençoados de modo magnífico e maravilhoso. Seremos considerados um povo incomum, que encontrou a chave para um tipo incomum de felicidade”.11

    Testifico da veracidade e da importância eterna da proclamação da família, que foi revelada pelo Senhor Jesus Cristo a Seus apóstolos para a exaltação dos filhos de Deus (ver Doutrina e Convênios 131:1–4), em nome de Jesus Cristo. Amém.

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      Notas

      1. Thomas S. Monson, “Permanecer em lugares santos”, A Liahona, novembro de 2011, pp. 83–84.

      2. Russell M. Nelson, “Salvação e exaltação”, A Liahona, maio de 2008, p. 10.

      3. Ver “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.

      4. Ver Dallin H. Oaks, “O amor e a lei”, A Liahona, novembro de 2009, p. 26.

      5. Ver “‘Disastrous’ Illegitimacy Trends” [Tendências desastrosas de ilegitimidade], Washington Times, 1º de dezembro de 2006, washingtontimes.com.

      6. Ver Stephanie J. Ventura e outros, “Report of Final Natality Statistics” [Relatório de estatísticas de natalidade final], 1996, Monthly Vital Statistics Report, 30 de junho de 1998, p. 9.

      7. Ver Brady E. Hamilton e outros, “Births: Provisional Data for 2016” [Nascimentos: Dados provisórios em 2016], Vital Statistics Rapid Release, junho de 2017, p. 10.

      8. Nossa presidente geral das Moças falou acertadamente 20 anos depois: “Não nos demos conta de como precisaríamos desesperadamente, no mundo de hoje, dessas declarações básicas como critério para julgarmos cada nova corrente de dogmas mundanos que vem a nós pela mídia, pela Internet, por estudiosos, pela TV, pelos filmes e até mesmo por legisladores. A proclamação da família tornou-se nossa referência para julgar as filosofias do mundo, e testifico que os princípios estabelecidos nessa declaração são tão verdadeiros hoje como eram quando foram dados a nós por um profeta de Deus há quase 20 anos” (Bonnie L. Oscarson, “Defensoras da proclamação da família”, A Liahona, maio de 2015, pp. 14–15).

      9. Gordon B. Hinckley, “Enfrentar com firmeza as artimanhas do mundo”, A Liahona, janeiro de 1996, p. 114.

      10. Ezra Taft Benson, “Our Obligation and Challenge” [Nossa obrigação e nosso desafio], mensagem proferida no seminário de representantes regionais, 30 de setembro de 1977, pp. 2–3; em David A. Bednar, “Quem segue ao Senhor: Lições do acampamento de Sião”, A Liahona, julho de 2017, p. 14.

      11. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Gordon B. Hinckley, 2016, p. 190; ver também Gordon B. Hinckley, “Olhar para o futuro”, A Liahona, janeiro de 1998, p. 77.