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    Outubro 2018 | A alegria do serviço abnegado

    A alegria do serviço abnegado

    Outubro 2018 Conferência Geral

    Prometemos a nosso Pai Celestial que serviremos a Ele e a outras pessoas com amor e que faremos Sua vontade em todas as coisas.

    Após a última conferência geral, muitas pessoas vieram até mim com a mesma pergunta: “Aquelas cadeiras são confortáveis?” Minha resposta era sempre a mesma: “Aquelas cadeiras são muito confortáveis se você não precisa discursar”. É verdade, não é? Minha cadeira não está tão confortável nesta conferência, mas sou verdadeiramente grata pela bênção e pela honra de falar a vocês nesta noite.

    Quando servimos, às vezes nos sentamos em cadeiras diferentes. Algumas são bastante aconchegantes e outras não, mas prometemos a nosso Pai Celestial que serviremos a Ele e a outras pessoas com amor e que faremos Sua vontade em todas as coisas.

    Há alguns anos, os jovens da Igreja aprenderam que, “quando você ‘[embarca] no serviço de Deus’ [Doutrina e Convênios 4:2], está unindo-se à jornada mais grandiosa de todas. Está ajudando Deus a acelerar Sua obra, e é uma experiência grandiosa, alegre e maravilhosa”.1 Essa jornada está ao alcance de todos — de todas as idades — e também é uma jornada que nos leva ao que foi chamado por nosso amado profeta de “caminho do convênio”.2

    No entanto, infelizmente vivemos em um mundo egoísta, onde as pessoas constantemente perguntam: “O que ganho com isso?” em vez de perguntarem: “Quem posso ajudar hoje?” ou “Como posso servir melhor ao Senhor em meu chamado?” ou “Estou dando o melhor de mim ao Senhor?”

    Irmã e irmão AntoniettiVictoria Antonietti

    Um grande exemplo de serviço abnegado em minha vida vem da irmã Victoria Antonietti. Victoria era uma das professoras da Primária em meu ramo quando eu era criança na Argentina. Todas as terças-feiras à tarde, quando nos reuníamos na Primária, ela nos trazia um bolo de chocolate. Todos amavam o bolo — bem, todos menos eu. Eu odiava bolos de chocolate. E embora ela tentasse me oferecer um pedaço de bolo, eu sempre o recusava.

    Certo dia, após ela ter dado um pedaço do bolo de chocolate para as outras crianças, perguntei: “Por que você não traz um bolo de sabor diferente, como laranja ou baunilha?”

    Depois de rir um pouco, ela me perguntou: “Por que você não experimenta um pedaço? Este bolo é feito com um ingrediente especial e prometo que, se o experimentar, você vai gostar!”

    Olhei ao redor e, para minha surpresa, todos pareciam estar gostando do bolo. Concordei em experimentar. Conseguem imaginar o que aconteceu? Gostei! Foi a primeira vez que eu havia gostado de um bolo de chocolate.

    Somente alguns anos mais tarde, descobri qual era o ingrediente secreto no bolo de chocolate da irmã Antonietti. Meus filhos e eu visitávamos minha mãe todas as semanas. Em uma dessas visitas, mamãe e eu estávamos comendo um pedaço de bolo de chocolate e contei a ela como comecei a gostar do bolo. Ela então me contou o restante da história.

    “Sabe, Cris”, minha mãe disse, “Victoria e a família dela não tinham muitos recursos, e todas as semanas ela tinha de decidir entre pagar o ônibus para ir à Primária com seus quatro filhos ou comprar os ingredientes para fazer o bolo de chocolate para sua classe da Primária. Ela sempre escolheu o bolo de chocolate em vez do ônibus, e ela e os filhos caminhavam mais de três quilômetros para ir e para voltar a despeito do clima”.

    Naquele dia tive mais apreço por seu bolo de chocolate. O mais importante é que aprendi que o ingrediente secreto no bolo de Victoria era seu amor por aqueles a quem ela servia e seu sacrifício abnegado em nosso favor.

    Pensar sobre o bolo de Victoria me ajuda a lembrar de um sacrifício abnegado nas eternas lições ensinadas pelo Senhor a Seus discípulos quando caminhavam em direção à arca do tesouro do templo. Vocês conhecem a história. O élder James E. Talmage ensinou que havia 13 arcas “e nelas o povo deixava cair suas contribuições, para os diversos propósitos indicados pelas inscrições nas caixas”. Jesus observava as filas dos doadores nas quais havia todos os tipos de pessoas. Alguns davam sua oferta com “sinceridade de propósito”, enquanto outros lançavam “grandes somas de ouro e prata”, esperando serem vistos, notados e elogiados por suas doações.

    “Entre os muitos ali reunidos havia uma viúva pobre que (…) deixara cair em uma das arcas do tesouro duas pequenas moedas de bronze correspondentes a um quadrante; sua contribuição equivalia a menos de meio centavo em moeda americana. O Senhor reuniu Seus discípulos e mostrou-lhes a viúva paupérrima, chamando a atenção para o seu ato, e dizendo: ‘Em verdade vos digo que esta pobre viúva lançou mais do que todos os que lançaram na arca do tesouro, porque todos ali lançaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, lançou tudo o que tinha, todo o seu sustento’ (Marcos 12:43–44).”3

    As moedas da viúva

    A viúva não parecia ter uma posição de destaque na sociedade de sua época. Na verdade, ela possuía algo mais importante: suas intenções eram puras, e ela deu tudo o que tinha para dar. Talvez ela tenha doado menos que outras pessoas e de modo mais discreto e diferente. Aos olhos de algumas pessoas, o que ela deu foi insignificante, mas, aos olhos do Salvador, que “discerne os pensamentos e as intenções do coração”,4 ela deu tudo o que tinha.

    Irmãs, estamos dando tudo o que temos ao Senhor, sem ressalvas? Estamos sacrificando nosso tempo e nossos talentos para que a nova geração aprenda a amar o Senhor e a guardar Seus mandamentos? Estamos ministrando às pessoas próximas a nós e àquelas a quem somos designadas com cuidado e diligência, sacrificando tempo e energia que poderiam ser utilizados de outra forma? Estamos vivendo os dois grandes mandamentos — amar a Deus e amar a Seus filhos?5 Esse amor é geralmente manifestado pelo serviço.

    O presidente Dallin H. Oaks ensinou: “Nosso Salvador entregou-Se ao serviço abnegado. Ensinou que todos devemos segui-Lo, deixando para trás os nossos interesses egoístas a fim de servir ao próximo”.

    Ele continuou, dizendo:

    “Um exemplo conhecido de dedicar a vida ao serviço ao próximo (…) é o sacrifício que os pais fazem pelos filhos. As mães sentem dor e desistem de prioridades e confortos pessoais para dar à luz e criar cada filho. Os pais adaptam a vida e as prioridades para sustentar a família. (…)

    Também nos regozijamos com aqueles que cuidam de familiares deficientes e pais idosos. Ninguém que presta esse serviço pergunta: ‘O que ganho com isso?’ Todos precisam deixar de lado suas conveniências pessoais para prestar serviço abnegado. (…)

    [E] tudo isso ilustra o princípio eterno de que somos mais felizes e realizados quando agimos e servimos por causa do que doamos, e não pelo que recebemos.

    Nosso Salvador nos ensina a segui-Lo, fazendo os sacrifícios necessários para entregar-nos inteiramente ao serviço abnegado ao próximo”.6

    De modo semelhante, o presidente Thomas S. Monson ensinou que, “quando estivermos face a face com nosso Criador, talvez Ele não nos pergunte: ‘Quantos cargos você teve?’, mas, sim, ‘Quantas pessoas você ajudou?’ Na verdade, só amamos o Senhor se O servimos ao ajudar Seus filhos”.7

    Irmãs, em outras palavras, não fará diferença se nos sentamos em uma cadeira aconchegante ou se tivemos desconforto no decorrer da reunião em uma cadeira dobrável enferrujada, na última fileira. Nem fará diferença se, por necessidade, precisamos sair para o corredor a fim de consolar um bebê que chorava. O que importa é que viemos com um desejo de servir, que identificamos aqueles a quem podemos ministrar e que os cumprimentamos com alegria, e que nos apresentamos àqueles que estavam na mesma fileira de cadeiras dobráveis — estendendo a mão com amizade mesmo àqueles a quem não fomos designadas a ministrar. E o que realmente importa é fazer tudo o que fazemos com o ingrediente especial do serviço, associado ao amor e ao sacrifício.

    Descobri que não precisamos fazer um bolo de chocolate para sermos uma professora da Primária dedicada ou bem-sucedida porque o importante não é o bolo. O importante é o amor por trás da ação.

    Testifico que o amor é santificado pelo sacrifício — pelo sacrifício de uma professora e mais ainda pelo sacrifício final e eterno do Filho de Deus. Presto testemunho de que Ele vive! Eu O amo e pretendo afastar desejos egoístas a fim de amar e de ministrar como Ele ministra. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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