Uma Mulher Eleita

L. Tom Perry


Em meio a toda a confusão existente no mundo atual acerca do papel da mulher, a irmã Hinckley se ergue como exemplo digno para aquelas que ainda estão se esforçando para encontrar o equilíbrio correto na vida.

O casa­men­to é uma ins­ti­tui­ção divi­na, orde­na­da por Deus. Alcançar suces­so no lar é um desa­fio subli­me — ­nenhum outro suces­so pode com­pen­sá-lo. Entretanto, a menos que o mari­do e a ­mulher apren­dam a ser um e tra­ba­lhem jun­tos, o casa­men­to pode tor­nar-se uma pro­va­ção insu­por­tá­vel. Existem casa­men­tos infe­li­zes em núme­ro dema­sia­do no mundo atual; casa­men­tos que não se man­têm no curso e ter­mi­nam pre­ma­tu­ra­men­te em divór­cio. Existe um exces­si­vo núme­ro de ­filhos que ­sofrem silen­cio­sa­men­te a falta de cari­nho e cui­da­dos, por­que o casa­men­to dos pais é infe­liz ou foi des­fei­to.


Antes de criar a ­mulher, Deus sabia que o homem não podia per­ma­ne­cer sozi­nho. Depois da cria­ção de Eva, a pri­mei­ra ­mulher, o Senhor ins­ti­tuiu o vín­cu­lo do casa­men­to e ins­truiu o pri­mei­ro homem, Adão, da seguin­te manei­ra: “Portanto dei­xa­rá o homem o seu pai e a sua mãe, e ape­gar-se-á à sua ­mulher, e serão ambos uma carne.” (Gênesis 2:24)


Adão apren­deu que os laços matri­mo­niais são mais for­tes que qual­quer outra rela­ção fami­liar. Os sagra­dos laços do matri­mô­nio pro­pi­ciam a união, a fide­li­da­de, o res­pei­to e o auxí­lio ­mútuos. Sabemos, por meio das escri­tu­ras, que Adão e Eva apren­de­ram essa lição. Ao serem expul­sos do jar­dim, regis­tra-se que “( . . . ) Adão come­çou a cul­ti­var a terra, a exer­cer domí­nio sobre as bes­tas do campo e a comer seu pão com o suor do seu rosto, como Eu, o Senhor, man­da­ra. E Eva, sua espo­sa, tam­bém tra­ba­lha­va com ele.” (Moisés 5:1)


Nenhum assun­to causa maior preo­cu­pa­ção aos líde­res das igre­jas e das ­nações do que o alar­man­te índi­ce atual de casa­men­tos des­fei­tos. As esta­tís­ti­cas mos­tram que os casa­men­tos está­veis pro­du­zem famí­lias está­veis. A dis­so­lu­ção da famí­lia é a causa de ­sérios pro­ble­mas ­sociais que estão des­truin­do nos­sas comu­ni­da­des, inclu­si­ve aumen­tan­do a pobre­za, o crime e a delin­qüên­cia.


A união entre mari­do e ­mulher não é algo a ser con­si­de­ra­do levia­na­men­te. O con­vê­nio do casa­men­to é essen­cial ao Senhor para o cum­pri­men­to de Seu pro­pó­si­to divi­no. Constantemente o Senhor decla­ra que Suas leis divi­nas foram ins­ti­tuí­das para a segu­ran­ça e pro­te­ção da união sagra­da entre mari­do e ­mulher.


Muito do que apren­de­mos, como mem­bros da Igreja, decor­re do exem­plo. Nossos pro­fe­tas têm-nos ensi­na­do tanto por aqui­lo que fazem quan­to pelo que dizem. Observando o Presidente Kimball, o Presidente Benson e o Presidente Hunter, os ­homens da Igreja apren­de­ram muito sobre como devem tra­tar a espo­sa: com gen­ti­le­za, bon­da­de e devo­ção. As mulhe­res da Igreja apren­de­ram uma lição seme­lhan­te ao obser­var as espo­sas des­ses gran­des pro­fe­tas. Aprenderam a ser uma pes­soa rea­li­za­da e equi­li­bra­da e, ao mesmo tempo, uma com­pa­nhei­ra dedi­ca­da ao mari­do. O terno rela­cio­na­men­to do Presidente Hinckley com a espo­sa ofe­re­ce tanto aos ­homens quan­to às mulhe­res da Igreja um mara­vi­lho­so exem­plo a ser obser­va­do e imi­ta­do. Muito será dito, escri­to e regis­tra­do a res­pei­to do Presidente Hinckley duran­te o tempo em que pre­si­dir a Igreja. Muito menos será regis­tra­do a res­pei­to de sua que­ri­da com­pa­nhei­ra, Marjorie. Para aque­les que não tive­ram a opor­tu­ni­da­de de conhe­cer a irmã Hinckley, gos­ta­ria de dizer algo a res­pei­to dela. Que exem­plo ela tem sido e con­ti­nua­rá a ser para as mulhe­res da Igreja e de todo o mundo! É uma com­pa­nhei­ra extre­ma­men­te leal e dedi­ca­da ao nosso Presidente.


As raí­zes genea­ló­gi­cas da irmã Hinckley remon­tam aos gran­des pio­nei­ros, que dei­xa­ram uma marca inde­lé­vel em sua vida e per­so­na­li­da­de. Ela escre­veu o seguin­te a res­pei­to de seu bisa­vô:


“Numa linda manhã de domin­go, no outo­no de 1841, meu bisa­vô, William Minshall Evans, então com dezes­seis anos de idade, cami­nha­va pelas ruas de Liverpool, na Inglaterra, a cami­nho de sua igre­ja. De repen­te, ouviu um canto que o emo­cio­nou mais do que tudo que já ouvi­ra até então. Seguiu o som até uma viela onde, subin­do uma esca­da inse­gu­ra, encon­trou uma sala na qual algu­mas pes­soas rea­li­za­vam uma reu­nião. John Taylor, que mais tarde veio a tor­nar-se pre­si­den­te da igre­ja e tinha uma bela voz de tenor, era quem can­ta­va. O hino era tão belo que William ficou para ouvir a pre­ga­ção.


Ao vol­tar para casa, William foi repreen­di­do pelo irmão mais velho, David, por não ter com­pa­re­ci­do ao coro no qual habi­tual­men­te can­ta­va. Instado a ofe­re­cer uma expli­ca­ção, William disse: ‘Estive onde devia ter esta­do e não me darei por satis­fei­to até que todos vocês ouçam a mara­vi­lho­sa men­sa­gem que ouvi esta manhã.’


( . . . ) William e David con­ver­te­ram-se ao evan­ge­lho e aju­da­ram ⌦na con­ver­são dos ­outros mem­bros da famí­lia” (Ensign, Julho de 1981, p. 48).


O Presidente Hinckley con­tou a seguin­te his­tó­ria a res­pei­to do avô da irmã Hinckley, duran­te a dedi­ca­ção do tem­plo de Manti após uma refor­ma (quin­ta ses­são, 15 de junho de 1985). Ele disse: “Ontem pela manhã, quan­do che­ga­mos, minha espo­sa e eu fomos con­du­zi­dos até a porta leste do tem­plo. Queriam levar-nos para den­tro do tem­plo sem cau­sar alar­de, creio eu. Seja como for, fomos con­du­zi­dos sozi­nhos até a porta leste do tem­plo e esta foi aber­ta (exis­tem duas por­tas ali, dois con­jun­tos) mas aque­la pela qual entra­mos foi aber­ta. Era uma porta extre­ma­men­te pesa­da, com quase oito cen­tí­me­tros de espes­su­ra. Era lin­da­men­te enta­lha­da, mon­ta­da e ins­ta­la­da, com fer­ra­gens de exce­len­te qua­li­da­de. Foi uma expe­riên­cia muito tocan­te pois o avô de minha espo­sa, que na época era um jovem de ape­nas 24 anos de idade, casa­do, pai de um filho e com outro a cami­nho, foi quem ins­ta­lou aque­las por­tas. Durante o tra­ba­lho de ins­ta­la­ção das por­tas extre­ma­men­te pesa­das, foi aco­me­ti­do de uma hér­nia que veio a ficar estran­gu­la­da. Sofreu dores ter­rí­veis por ­alguns dias e ­depois fale­ceu. Foi lite­ral­men­te um már­tir de sua fé, a qual o levou a tra­ba­lhar no tem­plo como mar­ce­nei­ro por um longo perío­do de tempo, sem rece­ber qual­quer paga­men­to além de meio quilo de man­tei­ga ou uma dúzia de ovos oca­sio­nal­men­te.”


A par­tir des­sas duas his­tó­rias sobre os ante­pas­sa­dos da irmã Hinckley, pode­mos ter uma idéia de sua heran­ça extraor­di­ná­ria e per­so­na­li­da­de única. A irmã Hinckley tem a mesma sen­si­bi­li­da­de ao Espírito que o bisa­vô e o mesmo espí­ri­to de tra­ba­lho e sacri­fí­cio do avô.


Ao longo dos anos, minha espo­sa e eu tive­mos o pri­vi­lé­gio de via­jar em mui­tas desig­na­ções com o Presidente e a irmã Hinckley. Em nos­sas via­gens, obser­va­mos que a irmã Hinckley sem­pre se mos­tra ale­gre e posi­ti­va. Seu entu­sias­mo e dedi­ca­ção niti­da­men­te ele­vam o ânimo de seu mari­do. Freqüentemente as via­gens são lon­gas e can­sa­ti­vas. Os rotei­ros nem sem­pre são os mais agra­dá­veis. As aco­mo­da­ções não são sem­pre de qua­tro estre­las, sendo às vezes, bem pior que isso. Mas em meio ao tumul­to, des­con­for­to e pro­va­ções, a irmã Hinckley sem­pre man­tém a tran­qüi­li­da­de e a ale­gre dis­po­si­ção que lhe é natu­ral. Sempre que des­ce­mos do avião para sau­dar os san­tos em nosso local de des­ti­no, seu amor e bon­da­de são con­ta­gian­tes. O apoio que dá ao mari­do líder do sacer­dó­cio tor­nou-se um ­padrão a ser imi­ta­do e sem dúvi­da tem o ­melhor dos efei­tos.


A irmã Barbara Smith fez o seguin­te comen­tá­rio quan­do o casal Hinckley, acom­pa­nha­do dos ­filhos, come­mo­ra­va as bodas de ouro duran­te o cum­pri­men­to de uma desig­na­ção: “Geralmente o Presidente Hinckley fica­va exaus­to no final de um dia reple­to de reu­niões, que ­incluía um jan­tar com os líde­res ­locais. [A irmã Hinckley] con­ver­sa­va um pouco com o mari­do e os líde­res, saía dis­cre­ta­men­te para ver se tudo esta­va bem com os ­filhos. Percebemos nessa roti­na o modo cui­da­do­so com que a irmã Hinckley con­se­guiu, atra­vés dos anos, aten­der às neces­si­da­des dos ­filhos e ao mesmo tempo ­apoiar o mari­do em seu impor­tan­te tra­ba­lho no reino de nosso Pai” [Barbara B. Smith e Shirley W. Thomas, Women of Devotion (Mulheres Dedicadas), Salt Lake City, Bookcraft, 1990, p. 5].


Que exem­plo para todas as mulhe­res cujo mari­do é líder do sacer­dó­cio!


Apesar de toda a pres­são do tra­ba­lho na Igreja que pesa sobre a famí­lia Hinckley, a irmã Hinckley sem­pre con­se­guiu man­ter um equi­lí­brio entre seus dois cha­ma­dos eter­nos: o de espo­sa e o de mãe. Seu suces­so como mãe é com­pro­va­do pelos ­filhos da famí­lia Hinckley: Dick, Clark, Kathleen, Virginia e Jane. Cada um dos ­filhos é moti­vo de honra para os pais.


A irmã Hinckley disse o seguin­te a res­pei­to de ser mãe:


“É às mães de crian­ças peque­nas que dese­jo falar pri­mei­ro. Estes são anos de ouro para vocês. São anos em que pro­va­vel­men­te farão o mais impor­tan­te tra­ba­lho de sua vida. Não dese­jem que o tempo de cui­dar dos ­filhos peque­nos passe depres­sa. A vida são as coi­sas que lhes acon­te­cem enquan­to estão fazen­do ­outros pla­nos. Esta época é uma gran­de opor­tu­ni­da­de para aju­da­rem na edi­fi­ca­ção do reino. Quando ensi­nam seus ­filhos a amar o Pai Celestial, estão desem­pe­nhan­do uma das mais impor­tan­tes tare­fas de sua vida. Se pude­rem ser donas de casa de tempo inte­gral, agra­de­çam por isso. Caso con­trá­rio, devem fazer o que lhes pare­cer ­melhor para sua famí­lia. Quanto a mim, ­jamais senti a neces­si­da­de de des­cul­par-me pelo papel de dona de casa de tempo inte­gral.


É uma época muito ata­re­fa­da para vocês. Já vi mulhe­res enfren­tan­do todo tipo de con­di­ções: mulhe­res chi­ne­sas con­ser­tan­do estra­das, mulhe­res euro­péias tra­ba­lhan­do nos cam­pos, mulhe­res asiá­ti­cas var­ren­do as ruas. Em minha opi­nião, porém, ( . . . ) a ­mulher mór­mon é uma das mais tra­ba­lha­do­ras do mundo. Ela plan­ta hor­tas e faz con­ser­vas do que colhe; cos­tu­ra em casa e pechin­cha nas com­pras; par­ti­ci­pa de obras de cari­da­de; leva o jan­tar para as mães com ­filhos recém-nas­ci­dos e para os enfer­mos da vizi­nhan­ça; cuida dos pais já ido­sos; esca­la mon­ta­nhas com os lobi­nhos; vai assis­tir ao cam­peo­na­to de junio­res de que os ­filhos par­ti­ci­pam; senta-se ao lado da filha enquan­to ela estu­da piano; faz o tra­ba­lho do tem­plo; e preo­cu­pa-se em atua­li­zar seu diá­rio. Sinto o peito arder de orgu­lho ao ver essas mulhe­res na Igreja no domin­go, algu­mas che­gan­do às 8h30 da manhã, com os ­filhos arru­ma­dos e assea­dos, os bra­ços car­re­ga­dos de mate­rial didá­ti­co, diri­gin­do-se para a sala de aula onde ensi­na­rão os ­filhos de ­outras mulhe­res. Mantêm a casa limpa com pouca ou nenhu­ma ajuda, pro­cu­ran­do ser a namo­ra­da do mari­do quan­do ele volta para casa à noite. Lembrem-se, porém, ­minhas ­jovens ami­gas, que estão hoje fazen­do o tra­ba­lho que Deus espe­ra de vocês. Sejam gra­tas por esta opor­tu­ni­da­de.” [“Building the Kingdom from a Firm Found­ation” (Edificar o Reino em Firme Alicerce), Mary E. Stovall e Carol Conrwall Madsen, orga­ni­za­do­ras, As Women of Faith: Talks Selected from BYU Women’s Conferences (Mul­heres de Fé: Seleção de Discursos das Conferências de Mulheres da Universidade Brigham Young), ⌦Salt Lake City, Deseret Book Co., ⌦1989, p.5].


Ser mãe é o mais nobre e impor­tan­te de todos os cha­ma­dos.


Irmã Hinckley, a senho­ra é uma ins­pi­ra­ção para todos nós, pro­cu­ran­do sem­pre as ver­da­des que o Senhor nos reve­lou para nosso cres­ci­men­to e desen­vol­vi­men­to aqui na mor­ta­li­da­de. Seu dese­jo de conhe­cer essas ver­da­des fez com que se empe­nhas­se no estu­do do evan­ge­lho. Sempre que havia opor­tu­ni­da­de, a senho­ra se matri­cu­la­va em cur­sos do ins­ti­tu­to para apro­fun­dar seus conhe­ci­men­tos. Esse conhe­ci­men­to é cla­ra­men­te evi­den­te em seus dis­cur­sos e aulas para os san­tos. É espe­cial­men­te evi­den­te em seus dis­cur­sos para peque­nos gru­pos de mis­sio­ná­rios de tempo inte­gral. Esses são os seus melho­res dis­cur­sos. Como suas pala­vras ins­pi­ra­do­ras, e como eles ­seguem suas ins­tru­ções!


Em meio a toda a con­fu­são exis­ten­te no mundo atual acer­ca do papel da ­mulher, a senho­ra se ergue como exem­plo digno para aque­las que ainda se esfor­çam para encon­trar o equi­lí­brio cor­re­to na vida. Que elas pos­sam ouví-la decla­rar quão mara­vi­lho­so é ter oiten­ta anos de idade, poden­do olhar para trás e ver uma vida plena de rea­li­za­ções, cres­ci­men­to, com­preen­são, fé, devo­ção e satis­fa­ção. São suas as pala­vras: “Ao con­trá­rio do que se cos­tu­ma dizer, estes são anos dou­ra­dos, se tiver­mos boa saúde. Nesta idade, ­minhas caras con­tem­po­râ­neas, já não pre­ci­sa­mos com­pe­tir com nin­guém. Não pre­ci­sa­mos pro­var mais nada. Só pre­ci­sa­mos des­fru­tar tudo que a vida nos dá. Quantas já con­ta­ram aos ­filhos como é mara­vi­lho­so ter esta idade?” [“Building the Kingdom” (Edificar o Reino), p.10.]


O Presidente Hinckley elo­giou-a quan­do o Quórum dos Doze Apóstolos reu­niu-se no Templo de Salt Lake, no dia em que foi orde­na­do e desig­na­do Presidente da Igreja. Lembro-me de ouvi-lo dizer o seguin­te: “Ela é uma ­mulher de gran­de fé, uma mãe mara­vi­lho­sa. Como eu a amo!”


Irmã Hinckley, que mara­vi­lho­so exem­plo para todos nós. Que o Senhor con­ti­nue a aben­çoá-la com boa saúde e vida longa. Que todos tenha­mos o mesmo entu­sias­mo que sente pelo evan­ge­lho de nosso Senhor e Salvador, é minha humil­de ora­ção em nome de Jesus Cristo. Amém. 9