A Importância de um Nome

M. Russell Ballard

Do Quórum dos Doze Apóstolos


M. Russell Ballard
Vamos criar o hábito (…) de deixar claro que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o nome pelo qual o próprio Senhor instruiu que devemos ser conhecidos.

Élder Hales, em nome de todos, expressamos nosso profundo amor e nos sentimos gratos por tê-lo aqui conosco.

Desde a conferência geral de abril passado, minha mente se concentrou repetidas vezes na questão da importância de um nome. Nesses últimos meses, vários bisnetos chegaram a nossa família. Embora pareçam chegar mais rápido do que consigo acompanhar, todas as crianças são muito bem-vindas em nossa família. Cada uma delas recebeu um nome especial, escolhido pelos pais, um nome que será conhecido por toda a vida dela, distinguindo-a de todas as outras pessoas. Isso acontece em toda família e em todas as religiões do mundo.

O Senhor Jesus Cristo sabia como era importante definir claramente o nome de Sua Igreja nestes últimos dias. Na seção 115 de Doutrina e Convênios, Ele próprio dá um nome à Igreja: “Pois assim será a minha igreja chamada nos últimos dias, sim, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” (versículo 4).

E o rei Benjamim ensinou o seguinte a seu povo, na época do Livro de Mórmon:

“Quisera, portanto, que tomásseis sobre vós o nome de Cristo, todos vós que haveis feito convênio com Deus de serdes obedientes até o fim de vossa vida. (…)

E quisera que também vos lembrásseis de que este é o nome que eu disse que vos daria e que nunca seria apagado, a menos que o fosse devido a transgressão; portanto tomai cuidado para não transgredirdes, a fim de que o nome não seja apagado de vosso coração (Mosias 5:8, 11).

Tomamos o nome de Cristo sobre nós nas águas do batismo. Renovamos o efeito desse batismo a cada semana, ao tomar o sacramento, declarando nossa disposição de tomar Seu nome sobre nós e prometendo sempre lembrar-nos Dele (ver D&C 20:77, 79).

Será que nos damos conta do quão abençoados somos por tomar sobre nós o nome do Filho Amado e Unigênito de Deus? Será que compreendemos como isso é significativo? O nome do Salvador é o único nome dado debaixo dos céus pelo qual o homem pode ser salvo (ver 2 Néfi 31:21).

Como se lembram, o Presidente Boyd K. Packer abordou a importância do nome da Igreja na conferência geral de abril passado. Ele explicou que: “Obedientes à revelação, chamamo-nos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e não a Igreja Mórmon” (“Guiados pelo Santo Espírito”, A Liahona, maio de 2011, p. 30).

Como o nome completo da Igreja é tão importante, repito as revelações das escrituras, as instruções das cartas da Primeira Presidência de 1982 e 2001 e as palavras de outros apóstolos que incentivaram os membros da Igreja a declarar e ensinar ao mundo que a Igreja é conhecida pelo nome do Senhor Jesus Cristo. Esse é o nome pelo qual o Senhor vai chamar-nos no último dia. É o nome pelo qual Sua Igreja será distinguida de todas as outras.

Pensei muito sobre o motivo pelo qual o Salvador deu esse nome de dez palavras para Sua Igreja restaurada. Pode parecer longo, mas se pensarmos nele como uma visão geral descritiva do que é a Igreja, de repente ele se torna maravilhosamente breve, sincero e direto. De que modo uma descrição poderia ser mais direta e clara e ainda ser expressa em tão poucas palavras?

Toda palavra é esclarecedora e indispensável. A palavra A indica a posição exclusiva da Igreja restaurada entre as religiões do mundo.

As palavras Igreja de Jesus Cristo declaram que ela é Sua Igreja. No Livro de Mórmon, Jesus ensinou: “E como será a minha igreja, se não tiver o meu nome? Porque se uma igreja for chamada pelo nome de Moisés, então será a igreja de Moisés; ou se for chamada pelo nome de um homem, então será a igreja de um homem; mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho” (3 Néfi 27:8).

Dos Últimos Dias explica que é a mesma Igreja que Jesus Cristo estabeleceu em Seu ministério mortal, mas que foi restaurada nestes últimos dias. Sabemos que houve um afastamento da verdade, ou apostasia, tornando necessária a Restauração de Sua Igreja verdadeira e completa em nossos dias.

Santos significa que seus membros O seguem e se esforçam para fazer Sua vontade, guardar Seus mandamentos e preparar-se novamente para viver na presença Dele e de nosso Pai Celestial no futuro. Santo refere-se simplesmente ao que procura tornar sua vida santa, fazendo o convênio de seguir a Cristo.

O nome que o Salvador deu a Sua Igreja nos diz exatamente quem somos e no que acreditamos. Cremos que Jesus Cristo é o Salvador e Redentor do mundo. Ele expiou os pecados de todos os que se arrependerem, rompeu as cadeias da morte e proporcionou a ressurreição dos mortos. Seguimos Jesus Cristo. Tal como o rei Benjamim disse a seu povo, reafirmo a todos nós hoje: “Quisera que vos lembrásseis de conservar sempre o [Seu] nome escrito em vosso coração” (Mosias 5:12).

Foi-nos pedido que servíssemos de testemunha Dele “em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares” (Mosias 18:9). Isso significa que precisamos estar dispostos a fazer com que as pessoas saibam quem seguimos e de quem é a Igreja a que pertencemos: a Igreja de Jesus Cristo. Sem dúvida queremos fazer isso em espírito de amor e testemunho. Queremos seguir o Salvador declarando de modo simples e claro, porém humilde, que somos membros de Sua Igreja. Nós O seguimos sendo santos dos últimos dias — discípulos modernos.

As pessoas e as organizações com frequência recebem apelidos. Um apelido pode ser uma forma abreviada do nome ou pode derivar de um acontecimento ou alguma característica física ou de outra natureza. Embora os apelidos não tenham a mesma importância ou significado dos nomes verdadeiros, eles podem ser usados adequadamente.

A Igreja do Senhor, tanto no passado quanto no presente, teve seus apelidos. Os santos da época do Novo Testamento eram chamados de cristãos porque professavam a crença em Jesus Cristo. Esse nome, a princípio usado de modo pejorativo por seus detratores, hoje é um nome de distinção e nos sentimos honrados por sermos chamados de igreja cristã.

Nossos membros são conhecidos por mórmons porque acreditamos no Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo. Outros talvez tentem usar a palavra mórmon de modo mais abrangente, inclusive referindo-se aos que saíram da Igreja e formaram vários grupos separados. Esse tipo de uso só gera confusão. Somos gratos pelos esforços da mídia em abster-se de usar a palavra mórmon de modo que possa levar o público a confundir a Igreja com os polígamos ou outros grupos fundamentalistas. Quero afirmar claramente que nenhum grupo polígamo — inclusive os que se denominam mórmons fundamentalistas ou outras derivações de nosso nome — tem qualquer filiação com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Embora mórmon não seja o nome correto e completo da Igreja e tenha originalmente sido dado por nossos detratores nos primeiros anos de perseguição, ele tornou-se um apelido aceitável, quando aplicado aos membros, em vez da instituição. Não precisamos parar de usar o nome mórmon, quando adequado, mas devemos continuar a enfatizar o nome completo e correto da Igreja propriamente dita. Em outras palavras, devemos evitar e desencorajar o termo “Igreja Mórmon”.

Ao longo dos anos em que cumpri designações no mundo todo, foi-me perguntado muitas vezes se eu pertencia à Igreja Mórmon. Minha resposta era: “Sou membro da Igreja de Jesus Cristo. Como acreditamos no Livro de Mórmon, que recebeu esse nome por causa de um antigo profeta e líder das Américas e é outro testamento de Jesus Cristo, às vezes somos chamados de mórmons”. Em todas as ocasiões, essa resposta foi bem aceita e, de fato, deu-me muitas oportunidades de explicar a Restauração da plenitude do evangelho nestes últimos dias.

Irmãos e irmãs, pensem só no impacto que podemos exercer simplesmente ao responder usando o nome completo da Igreja, como o Senhor declarou que devemos fazer. E, se não puderem imediatamente usar o nome completo, pelo menos digam: “Pertenço à Igreja de Jesus Cristo” e depois expliquem o termo “dos santos dos últimos dias”.

Alguns podem perguntar: E quanto aos sites da Internet como o Mormon.org e outras campanhas de mídia patrocinadas pela Igreja? Como eu disse, às vezes é adequado referir-nos coletivamente aos membros como mórmons. Em termos práticos, as pessoas que não são de nossa religião nos procuram pesquisando esse termo. Mas depois que abrem o site Mormon.org o devido nome da Igreja é explicado na página principal e aparece em cada página adicional do site. Não é prático esperar que as pessoas digitem o nome completo da Igreja quando procuram encontrar-nos ou quando entram em nosso site.

Embora essas questões práticas continuem, elas não devem impedir os membros de usar o nome completo da Igreja, sempre que possível. Vamos criar o hábito em nossa família, em nossas atividades da Igreja e em nossas interações cotidianas de deixar claro que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o nome pelo qual o próprio Senhor instruiu que devemos ser conhecidos.

Uma recente pesquisa de opinião indicou que um número demasiadamente grande de pessoas ainda não compreende de modo correto que o termo mórmon refere-se aos membros de nossa Igreja. E a maioria das pessoas ainda não tem certeza de que os mórmons sejam cristãos. Mesmo quando leem a respeito de nosso trabalho do Mãos Que Ajudam no mundo todo, em resposta a furacões, terremotos, inundações e fome, não associam nosso esforço humanitário conosco, como uma organização cristã. Sem dúvida, seria mais fácil para eles compreenderem que acreditamos no Salvador e que O seguimos, se nos referíssemos a nós mesmos como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Desse modo, aqueles que ouvissem o nome mórmon passariam a associar essa palavra ao nosso nome revelado e às pessoas que seguem Jesus Cristo.

Conforme a Primeira Presidência pediu em sua carta de 23 de fevereiro de 2001: “O uso do nome revelado, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (…), é cada vez mais importante em nossa responsabilidade de proclamar o nome do Salvador no mundo todo. Por esse motivo, pedimos que, ao referir-nos à Igreja, usemos seu nome completo, sempre que possível.

Em 1948, na conferência geral de outubro, o Presidente George Albert Smith disse: “Irmãos e irmãs, quando saírem daqui, talvez tenham contato com várias denominações do mundo, mas lembrem-se de que há somente uma Igreja no mundo todo que, por mandamento divino, leva o nome de Jesus Cristo, nosso Senhor” (Conference Report, outubro de 1948, p. 167).

Irmãos e irmãs, que também nos lembremos disso, ao sairmos da conferência. Que nosso testemunho Dele seja ouvido e que nosso amor por Ele esteja sempre em nosso coração. Oro humildemente em Seu nome, o Senhor Jesus Cristo. Amém.