Os Rapazes e o Poder do Sacerdócio

Élder Tad R. Callister

Da Presidência dos Setenta


Tad R. Callister
O sacerdócio do menino é tão poderoso quanto o do homem, quando exercido em retidão.

Em 1878, meu bisavô George F. Richards tinha 17 anos de paraID=ade. Como acontecia às vezes naquela época, ele já tinha sido ordenado élder. Num domingo, sua mãe gemia, sentindo muita dor. Como seu pai não estava presente, o bispo e vários outros foram convidados a dar-lhe uma bênção, mas ela não obteve alívio. Por isso, ela recorreu a seu filho George e pediu-lhe que impusesse as mãos sobre a cabeça dela. Ele escreveu em seu diário: “Em meio às lágrimas por ver minha mãe sofrendo e por ter que realizar uma ministração que nunca tinha feito até então, retirei-me para outro quarto, onde chorei e orei”.

Quando ele se recompôs, impôs as mãos sobre ela e deu-lhe uma bênção bem simples. Mais tarde, ele escreveu: “Minha mãe parou de gemer e sentiu alívio de seu sofrimento enquanto eu ainda estava com as mãos em sua cabeça”. Posteriormente, registrou em seu diário esta observação muito ponderada. Disse que sempre sentiu que o motivo pelo qual sua mãe não obtivera alívio com a bênção do bispo não foi porque o Senhor tivesse deixado de honrar a bênção do bispo, mas porque o Senhor havia reservado aquela bênção para um menino, a fim de ensinar-lhe a lição de que o sacerdócio do menino é tão poderoso quanto o do homem, quando exercido em retidão.

Nesta noite, gostaria de falar sobre esse poder. Embora me dirija aos presidentes de quórum de diáconos, os princípios abordados se aplicam a todos os jovens do Sacerdócio Aarônico e seus respectivos líderes, inclusive nossos presidentes de quórum de mestres e assistentes dos quóruns de sacerdotes.

Enquanto servia como presidente de missão, observei que há um drástico desenvolvimento na espiritualidade e nas habilidades de liderança dos rapazes durante seus anos de missão. Se pudéssemos quantificar essas qualidades ao longo dos anos do Sacerdócio Aarônico e da missão, elas se pareceriam com esta linha azul que vocês veem no gráfico abaixo. A meu ver, há pelo menos três fatores importantes que contribuem para esse drástico desenvolvimento nos anos da missão: (1) confiamos nesses rapazes como jamais fizemos antes, (2) temos expectativas elevadas, porém amorosas em relação a eles e (3) os treinamos inúmeras vezes para que possam cumprir essas expectativas com excelência.

Poderíamos muito bem nos perguntar: “Por que esses mesmos princípios não podem ser empregados com os presidentes de quórum de diáconos?” Se isso fosse feito, talvez esse desenvolvimento começasse bem antes e se pareceria com a linha verde do gráfico. Rapidamente, gostaria de falar como esses princípios podem se aplicar ao presidente do quórum de diáconos.

Primeiro — confiança. Podemos confiar grandes responsabilidades a nossos presidentes de quórum de diáconos. O Senhor sem dúvida o faz — como demonstra Sua disposição de conceder-lhes chaves, ou seja, o direito de presidir e de dirigir o trabalho do quórum. Como prova dessa confiança, chamamos o presidente do quórum de diáconos por revelação, não apenas por ele ser o mais velho ou por outro fator semelhante. Todo líder desta Igreja, inclusive o presidente do quórum de diáconos, tem o direito de saber, e deve saber, que ele foi chamado por revelação. Essa certeza o ajuda a saber que Deus confia nele e o apoia.

O segundo e o terceiro atributos estão interligados entre si — altas expectativas e o correspondente treinamento para cumpri-las. Aprendi uma grande lição no campo missionário: os missionários geralmente se elevam ou caem até o nível de expectativa do presidente da missão, e o mesmo acontece com os presidentes de quórum de diáconos. Se esperamos apenas que dirijam as reuniões do quórum e participem das reuniões do comitê da juventude do bispado, então é só isso que farão. Mas vocês, líderes, podem dar-lhes uma visão maior — a visão do Senhor. E por que essa visão é tão importante? Porque com uma visão maior há mais motivação.

Inerente a todo chamado nesta Igreja está o direito de receber revelação. Portanto, esses presidentes de quórum de diáconos precisam saber que têm o direito de receber revelação para seu quórum. Eles têm o direito de receber revelação para recomendar seus conselheiros, o direito de receber revelação no tocante ao resgate dos que se perderam e o direito de receber revelação para treinar os membros do quórum em seus deveres.

Um líder sábio ensina ao presidente do quórum dos diáconos os princípios que serão úteis para o recebimento de revelação. Podem ensinar a ele esta promessa segura feita pelo Senhor: “Se pedires, receberás revelação sobre revelação” (D&C 42:61). O Senhor é muito generoso em conceder revelação. Acaso Ele não lembrou a Joseph Smith e Oliver Cowdery: “Tantas vezes quantas inquiriste, recebeste instruções de meu Espírito” (D&C 6:14)? E o mesmo pode acontecer com seus presidentes de quórum de diáconos. O Senhor os ama e quer revelar-lhes Sua mente e vontade. Conseguem imaginar o Senhor tendo um problema que não possa solucionar? Eu não consigo. Como vocês têm direito à revelação, Ele pode ajudá-los a resolver toda preocupação que tiverem como presidente de seu quórum, se simplesmente buscarem Sua ajuda.

Vocês, líderes maravilhosos, podem ensinar a seus presidentes de quórum de diáconos que a revelação não substitui o trabalho árduo e as lições de casa. O Presidente Henry B. Eyring perguntou certa vez ao Presidente Harold B. Lee: “Como faço para receber revelação?” O Presidente Lee respondeu: “Se quiser receber revelação, faça a sua parte primeiro”.1 O líder sábio pode discutir com seu presidente do quórum de diáconos algumas das tarefas espirituais que ele pode fazer a fim de preparar-se para recomendar seus conselheiros. Talvez precise fazer e responder perguntas como estas: Quem seria um bom exemplo que poderia inspirar os outros rapazes? Ou quem estaria atento às dificuldades daqueles que têm necessidades especiais?

E por fim, aquele líder sábio poderia ensiná-lo a reconhecer e a colocar em prática a revelação, quando ela viesse. Vivemos num mundo agitado e apressado no qual luzes brilhantes e alto-falantes potentes são a norma. Mas esse rapaz precisa saber que essa é a maneira de agir do mundo, não a do Senhor. O Salvador nasceu no relativo anonimato de uma manjedoura. Ele realizou o mais magnífico e incomparável feito de todos os tempos, na serenidade de um jardim, e Joseph recebeu sua Primeira Visão no isolamento de um bosque. As respostas de Deus vêm pela voz mansa e delicada — um sentimento de paz ou consolo, uma inspiração para fazer o bem, um esclarecimento — às vezes na forma de pequenas sementes de pensamento que, se forem reverenciadas e nutridas, podem crescer até se tornarem sequoias espirituais. Às vezes, essas impressões ou esses pensamentos podem até fazer com que seus presidentes de quórum de diáconos recomendem como conselheiro um rapaz que esteja atualmente menos ativo ou deem uma designação a ele.

Há vários anos, como presidência de estaca, sentimo-nos inspirados a chamar um bom homem como secretário da estaca. Na época ele estava temporariamente tendo dificuldades para frequentar a igreja regularmente. Sabíamos, porém, que se aceitasse o chamado, ele faria um trabalho maravilhoso.

Fizemos o chamado, mas ele respondeu: “Não, não creio que consiga fazê-lo”.

Então, tive uma inspiração. Eu disse: “Ora, nesse caso acho que a Estaca Glendale vai ficar sem um secretário da estaca”.

Chocado, ele respondeu: “Do que você está falando? Vocês têm que ter um secretário da estaca”.

Repliquei: “Você quer que chamemos outra pessoa para servir como secretário da estaca, quando o Senhor nos inspirou a chamar você?”

“Está bem”, disse ele, “eu o farei”.

E ele realmente o fez. Não há apenas muitos homens, mas também muitos rapazes que vão atender ao chamado se souberem que o Senhor os chamou e que o Senhor precisa deles.

Em seguida, vocês podem fazer com que esse presidente de quórum de diáconos saiba que uma das expectativas do Senhor em relação a ele é a de que resgate os que estão perdidos, tanto os menos ativos quanto os não membros. O Senhor declarou Sua principal missão nestes termos: “Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mateus 18:11). Se é uma prioridade para o Salvador resgatar o que se perdeu, se é uma prioridade para o Presidente Thomas S. Monson fazer o mesmo, como ele demonstrou a vida inteira, será que não deveria ser uma prioridade para todo líder, todo presidente de quórum de diáconos desta Igreja fazer o mesmo? No cerne de nossa liderança, como parte central de nosso ministério, deve estar a determinação ardente, forte e inexorável de procurar os que se perderam e trazê-los de volta.

Um rapaz que foi visitado pelos membros de seu quórum disse: “Fiquei surpreso hoje quando (…) 30 pessoas apareceram em casa. Isso me fez ter vontade de ir à igreja agora”. Como um jovem pode resistir a tanto amor e atenção assim?

Sinto-me emocionado quando ouço as muitas histórias de presidentes de quórum de diáconos que entenderam seu papel e que de vez em quando dão a aula, em parte ou integralmente, nas suas reuniões de quórum. Há várias semanas, assisti a uma aula de um quórum de diáconos. Um menino de 12 anos deu uma aula de 25 minutos sobre a Expiação. Ele começou perguntando a seus colegas diáconos o que eles achavam que era a Expiação. Depois, compartilhou algumas escrituras significativas e fez perguntas inteligentes, às quais os outros responderam. Dando-se conta, entretanto, de que havia mais tempo sobrando do que material de aula, ele teve suficiente presença de espírito, ou talvez isso lhe tenha sido sugerido previamente por seu pai, para perguntar aos líderes presentes o que lhes havia sido perguntado sobre a Expiação na missão e quais foram suas respostas. Depois, encerrou com seu testemunho. Ouvi tudo muito admirado. Pensei comigo: “Não me lembro de ter dado uma parte significativa de uma aula quando era um jovem do Sacerdócio Aarônico”. Podemos elevar as expectativas e a visão para esses rapazes, e eles vão responder à altura.

Vocês, líderes, inspiram mais esses presidentes de quórum de diáconos quando vocês os deixam liderar e ficam observando. Vocês magnificam mais seu chamado não quando dão uma excelente aula, mas quando ajudam os rapazes a dar uma excelente aula; não quando resgatam alguém, mas quando ajudam os rapazes a fazê-lo.

Há um velho ditado: não morra com sua música ainda dentro de você. De igual modo, gostaria de dizer a vocês, líderes adultos, não sejam desobrigados com suas habilidades de liderança ainda dentro de vocês. Ensinem nossos jovens em todas as oportunidades. Ensinem nossos jovens a preparar uma agenda, a dirigir uma reunião com dignidade e calor humano, a resgatar o que se perdeu, a preparar e a dar uma aula inspirada, e a receber revelação. Essa será a medida de seu sucesso — o legado de liderança e espiritualidade que vocês deixarem gravado no coração e na mente desses rapazes.

Se vocês, presidentes de quórum de diáconos, magnificarem seu chamado, serão um instrumento nas mãos de Deus desde já, porque o sacerdócio do menino é tão poderoso quanto o sacerdócio do homem, quando exercido em retidão. E depois, quando fizerem convênios do templo e se tornarem os futuros missionários e líderes desta Igreja, vocês saberão como receber revelação, como resgatar os que se perderam e como ensinar a doutrina do reino com poder e autoridade. Então, terão se tornado jovens de nobre estirpe. Disso presto testemunho, em nome de Jesus Cristo, que é o Salvador e Redentor do mundo. Amém.

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  1.  

    1. Henry B. Eyring, “Waiting upon the Lord”, Brigham Young University, 1990–91, Devotional and Fireside Speeches,1991, p. 17.