Casamento e Família: Nossa Responsabilidade Sagrada


W. Douglas Shumway
Em uma sociedade onde as pessoas se esquivam do casamento, a paternidade é evitada e famílias são degradadas, temos a responsabilidade de honrar nosso casamento, educar nossos filhos e fortalecer nossa família.

Pouco depois de casar-me meus três irmãos e eu estávamos sentados no escritório de meu pai para uma reunião de negócios. Quando a reunião terminou, ao levantarmo-nos para sair, papai parou, voltou-se para nós e disse: “Vocês, rapazes, não estão tratando sua esposa como deveriam. Vocês precisam ter por ela mais bondade e respeito”. Essas palavras de meu pai penetraram em minha alma.

Nos dias de hoje, assistimos a um interminável ataque ao casamento e à família, que parecem ser o principal alvo do adversário para zombaria e destruição. Em uma sociedade onde as pessoas se esquivam do casamento, a paternidade é evitada e famílias são degradadas, temos a responsabilidade de honrar nosso casamento, educar nossos filhos e fortalecer nossa família.

Honrar nosso casamento exige que os cônjuges dêem amor, respeito e devoção um ao outro. Recebemos instruções sagradas: “Amarás tua esposa de todo o teu coração e a ela te apegarás e a nenhuma outra”. (D&C 42:22)

O Profeta Malaquias ensinou: “(…) o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. (…) Portanto guardai-vos (…) e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade”. (Malaquias 2:14—15) Viver nossa vida com a mulher de nossa mocidade, guardar os convênios, adquirir sabedoria e desfrutar do amor hoje e por toda a eternidade é realmente um privilégio.

Lembro-me da expressão: “Quando a satisfação ou a segurança de outra pessoa se torna tão importante quanto a nossa própria satisfação ou segurança, é porque existe o estado do amor”. (Harry Stack Sullivan, Conceptions of Modern Psychiatry, 1940, p. 42–43.)

O casamento existe para que haja — e precisa haver — um relacionamento de amor, de união e harmonia entre um homem e uma mulher. Quando o marido e a mulher compreendem que a família é ordenada por Deus e que o casamento pode ser cheio de promessas e bênçãos que se estendem pelas eternidades, a separação e o divórcio raramente serão cogitados no lar santo dos últimos dias. Os casais compreenderão que as ordenanças e convênios sagrados feitos na casa do Senhor lhes proporcionarão os meios pelos quais poderão retornar à presença de Deus.

Os pais receberam o dever sagrado de: “criar [os filhos] na doutrina (…) do Senhor”. (Efésios 6:4) “O primeiro mandamento dado a Adão e Eva por Deus referia-se ao potencial de tornarem-se pais, na condição de marido e mulher.” (“A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 1998, p. 24.) Nossa responsabilidade, então, não se limita ao bem-estar de nosso cônjuge, mas estende-se ao cuidado amoroso que dedicamos aos nossos filhos, pois “os filhos são herança do Senhor”. (Salmos 127:3) Podemos decidir criar nossos filhos dessa maneira, e “[ensiná-los] a orar e a andar em retidão perante o Senhor”. (D&C 68:28) Como pais, precisamos considerar nossos filhos como dádivas de Deus e comprometer-nos a fazer do nosso lar um local de amor, de ensino e educação para nossos filhos e filhas.

O Presidente Thomas S. Monson nos lembra: “O manto da liderança não é o manto do conforto, mas o papel da responsabilidade. (…) Os jovens precisam de menos crítica e mais modelos [que possam seguir]. Daqui a cem anos, não fará diferença o tipo de carro que dirigimos, como é a casa onde moramos, qual é o saldo em nossa conta bancária, nem como são as roupas que usamos, mas o mundo poderá ser um pouco melhor porque fomos importantes na vida de um menino ou menina”. (Pathways to Perfection, 1973, p. 131.)

Embora a vida às vezes nos faça ficar cansados, impacientes, ou demasiadamente ocupados para nossos filhos, jamais devemos nos esquecer do valor infinito do que temos em nosso lar: nossos filhos e nossas filhas. O trabalho que estamos fazendo, um compromisso de negócios ou um carro novo são coisas úteis, mas sua importância diminui quando as comparamos ao valor da alma de um jovem.

John Gunther, um pai que perdeu seu filhinho, vítima de câncer cerebral, admoesta os que ainda têm filhos e filhas a “abraçá-los com um pouco mais de arroubo e uma consciência mais intensa de alegria”. (Death Be Not Proud: A Memoir, 1949, p. 259.)

O Presidente Harold B. Lee mencionou um grande educador, Horace Mann, que “foi o orador durante a dedicação de um colégio de meninos. (…) Em seu discurso, disse: ‘Esta escola custou centenas de milhares de dólares, mas se ela conseguir salvar um menino, terá valido tudo o que custou’. Um dos amigos do sr. Mann aproximou-se, ao final da reunião e disse: ‘Você se deixou levar um pouco demais pelo entusiasmo, não foi? Você (…) disse que se esta escola, que custou centenas de milhares de dólares, salvasse mesmo que fosse um só menino, valeria tudo o que custou? Com certeza não foi isso que quis dizer’.

Horace Mann olhou bem para o homem e disse: ‘Sim, meu amigo, valeria, se esse menino fosse meu filho; valeria tudo’”. (“Today’s Young People”, Ensign, junho de 1971, p. 61.)

Amar, proteger e educar nossos filhos encontram-se entre as coisas mais sagradas e eternamente importantes que faremos. As coisas do mundo desvanecerão, o filme ou música que estão em primeiro lugar hoje serão irrelevantes amanhã, mas os filhos e filhas são eternos.

“A família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos.” (“A Família: Proclamação ao Mundo”) Portanto, os pais e filhos precisam trabalhar juntos em união para fortalecer o relacionamento familiar, cultivando-o dia após dia.

Tenho um irmão que trabalha em uma universidade. Ele contou-me a respeito de um aluno, um atleta, que participava de corridas com obstáculos e era extraordinário. O rapaz era cego. Rex perguntou a ele: “Você nunca tropeça e cai?” “Preciso ser exato”, foi a resposta do atleta. “Faço medições todas as vezes, antes de saltar. Uma vez não fiz isso, e quase me matei.” O rapaz falou, depois, sobre as horas incontáveis que seu pai lhe dedicou durante anos, ensinando-o, ajudando-o e mostrando-lhe como correr com obstáculos, até tornar-se um dos melhores.

Como esse jovem poderia falhar, com uma equipe como essa: o pai e seu filho?

Rapazes e moças, vocês podem exercer uma grande influência para sempre em seu lar, ao ajudar a alcançar objetivos familiares dignos. Jamais esquecerei uma noite familiar, realizada há muitos anos, na qual o nome de cada membro de nossa família foi colocado em um chapéu. O nome retirado do chapéu foi o “amigo secreto” de cada um, durante aquela semana. Podem imaginar o amor que encheu meu coração quando cheguei em casa certa terça-feira, depois do trabalho, pronto para varrer a garagem, como havia prometido, e encontrei-a totalmente varrida! Havia um bilhete na porta da garagem, dizendo: “Espero que seu dia tenha sido bom. Seu amigo secreto”. E na noite de sexta-feira, ao afastar os lençóis para me deitar, encontrei uma barra do meu chocolate preferido, embrulhado cuidadosamente com fita adesiva e um papel branco comum, com um bilhete: “Papai, eu te amo muito! Obrigado. Seu amigo secreto”. E, para culminar, depois de voltar para casa bem tarde, depois de uma reunião domingo à noite, encontrei a mesa da sala de jantar lindamente arrumada, e no guardanapo colocado no meu lugar à mesa, os dizeres: “SUPER PAPAI”, em letras grandes e em negrito, e entre parênteses, “Seu amigo secreto”. Realizem sua noite familiar, pois é o momento em que se ensina o evangelho, se ganha um testemunho, e se fortalece a família.

Embora o adversário busque destruir os principais elementos necessários para um casamento feliz e uma família reta, quero garantir-lhes que o evangelho de Jesus Cristo oferece os instrumentos e os ensinamentos necessários para combater e vencer o agressor dessa guerra. Se simplesmente honrarmos nosso casamento, dedicando mais amor e altruísmo a nosso cônjuge, se criarmos nossos filhos por meio de bondosa persuasão e de nosso exemplo, que é o melhor professor, se fortalecermos nossa família com a realização constante da noite familiar, se orarmos, e se estudarmos as escrituras, testifico-lhes que o Salvador vivo, Jesus Cristo, nos guiará e nos dará vitória em nossos esforços em conseguir uma família eterna. É o que eu testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.