União


President Marion G. Romney

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Marion G. Romney foi ordenado apóstolo em 11 de outubro de 1951. Foi membro da Primeira Presidência de 1972 a 1985 e tornou-se presidente do Quórum dos Doze Apóstolos em 10 de novembro de 1985. O Presidente Romney faleceu em 20 de maio de 1988, aos 90 anos de idade. O discurso abaixo foi proferido na conferência geral de abril de 1983.

Um dos temas centrais do evangelho de Jesus Cristo é a união. As escrituras ensinam que a igualdade e a união devem imperar entre os membros da Igreja.

Como devem lembrar, na noite da Última Ceia, ao Se reunir com os apóstolos, o Salvador orou para que fossem um com Ele, assim como Ele era um com o Pai. Orou não somente por eles, “mas também por aqueles que pela sua palavra [haveriam] de crer [Nele];

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:20–21).

A meta sempre foi a união, a unidade e a igualdade entre os membros da Igreja de Cristo. Como exemplo, chamo atenção para o registro de Enoque, no qual lemos que ele e seu povo alcançaram um estado de união num momento em que o restante do mundo estava em guerra.

“E caiu uma maldição sobre todo o povo que lutava contra Deus;

E daquele tempo em diante, houve guerras e derramamento de sangue entre eles; mas o Senhor veio habitar com seu povo e eles viveram em retidão.

O temor do Senhor estava sobre todas as nações, tão grande era a glória do Senhor que se achava sobre seu povo. E o Senhor abençoou a terra. (…)

E o Senhor chamou seu povo Sião.” Por quê? “Porque eram unos de coração e vontade e viviam em retidão; e não havia pobres entre eles” (Moisés 7:15–18; grifo do autor).

Durante Seu ministério mortal, Jesus ensinou a mesma doutrina a Seus discípulos. Após Sua Ascensão, “todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.

E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (Atos 4:31–32).

Após a Ressurreição, o Salvador ministrou aos nefitas e, depois disso, “todo o povo de toda a face da terra foi convertido ao Senhor, tanto nefitas como lamanitas; e não havia contendas nem disputas entre eles; e procediam retamente uns com os outros.

E tinham todas as coisas em comum; portanto não havia ricos nem pobres nem escravos nem livres, mas eram todos livres e participantes do dom celestial” (4 Néfi 1:2–3; grifo do autor).

Hoje somos a Igreja de Cristo, e o Senhor espera que alcancemos essa mesma união. Ele disse a todos nós: “Sede um; e se não sois um, não sois meus” (D&C 38:27).

Alguns membros acham que podem estar em plena harmonia com o espírito do evangelho e desfrutar plenamente da atividade na Igreja e ao mesmo tempo não estar em harmonia com os líderes da Igreja e o conselho e a orientação dados por eles. Essa postura é totalmente incoerente, pois a orientação desta Igreja não vem apenas da palavra escrita, mas também da revelação contínua, e o Senhor concede essa revelação à Igreja por intermédio de Seu profeta escolhido. Portanto, aqueles que professam aceitar o evangelho e que ao mesmo tempo criticam o conselho do profeta e se recusam a segui-lo estão assumindo uma postura injustificável. Essa atitude conduz à apostasia. Não é algo novo. Essa atitude prevaleceu nos dias de Jesus e nos dias do Profeta Joseph Smith.

É bom recordar a grande lição que o Salvador ensinou aos nefitas sobre esse assunto ao iniciar Seu ministério entre eles. Ele disse:

“E não haverá disputas entre vós, como até agora tem havido; nem haverá disputas entre vós sobre os pontos de minha doutrina, como até agora tem havido.

Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros” (3 Néfi 11:28–29).

Há somente um meio de nos unirmos: buscar o Senhor e Sua justiça (ver 3 Néfi 13:33). Alcançamos união ao seguirmos a luz que emana do alto, não as confusões vindas de baixo. Embora os homens confiem em sua própria sabedoria e trilhem seus próprios caminhos, sem a orientação do Senhor eles não podem viver em união. Tampouco podem ser unidos caso sigam homens sem inspiração.

O segredo da união é conhecer a vontade do Senhor e depois cumpri-la. Enquanto esse princípio básico não for compreendido e cumprido, não haverá união e nem paz na Terra. A influência positiva da Igreja no mundo dependerá do grau de obediência que nós, membros da Igreja, demonstrarmos a esse princípio.

O principal motivo dos problemas do mundo atualmente é que os homens não procuram conhecer a vontade do Senhor para depois cumpri-la. Na verdade, tentam resolver seus problemas segundo sua própria sabedoria e a seu próprio modo. Na primeira seção de Doutrina e Convênios, revelada como prefácio do livro de Seus mandamentos, o Senhor ressaltou esse fato e explicou que era uma das causas das calamidades que Ele previu que sobreviriam aos habitantes da Terra. Ouçam esta vigorosa declaração:

“Desviaram-se de minhas ordenanças e quebraram meu convênio eterno.

Não buscam o Senhor para estabelecer sua justiça, mas todo homem anda em seu próprio caminho” (D&C 1:15–16).

Irmãos e irmãs, não se estribem nos conselhos dos homens nem confiem no braço de carne (ver D&C 1:19), mas busquem ao Senhor para estabelecer Sua justiça (ver D&C 1:16).

Nós, membros desta Igreja, podemos alcançar unidade e união, que nos darão forças que transcendem tudo o que já conhecemos até agora. Para isso, precisamos ter uma compreensão mais aguçada dos princípios do evangelho e chegar a uma interpretação comum das condições e tendências do mundo atual. Podemos fazê-lo por meio do estudo fervoroso da palavra do Senhor, inclusive a que nos é dada pelo profeta vivo.

Essa é a forma de alcançarmos união. Seguramente, o caminho a seguir nos será revelado e poderemos enfrentar o mundo em união, se estudarmos a palavra do Senhor, conforme revelada nas obras-padrão e nas instruções do profeta vivo, se não endurecermos o coração, mas nos humilharmos e desenvolvermos o desejo sincero de compreender como ela se aplica a nós, em nossas circunstâncias individuais, e se, em seguida, consultarmos o Senhor com fé, acreditando que receberemos (ver D&C 18:18) e sendo sempre diligentes no cumprimento dos mandamentos do Senhor.

Não há dúvida de que necessitamos dessa unidade e força nos dias em que vivemos. Temos uma grande oportunidade, a oportunidade de erguer-nos em direção ao céu para desfrutar o espírito do evangelho como nunca sentimos antes. Podemos fazer isso desenvolvendo em nosso meio a união exigida pelas leis do reino celestial. (…)

Estou convicto de que, por estarmos envolvidos na obra do Senhor, poderemos realizar tudo o que Ele nos pedir: basta permanecermos unidos.

A pontuação e o uso de maiúsculas foram padronizados.