Até Voltarmos a Nos Encontrar

Limpos das Manchas do Mundo

Julie Thompson

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Perguntei-me por que estava no templo para fazer uma limpeza quando nada estava sujo. Mas em breve me dei conta de que a faxina não era realmente a coisa mais importante.

Há poucos anos, fui ao Templo de Bountiful Utah para cumprir uma designação de limpeza noturna. O número de pessoas que se apresentou foi impressionante, e me perguntei se alguém seria mandado de volta para casa. Eu estava mais do que pronta para me oferecer para sair mais cedo. Então, desconfiada, pensei comigo mesma: “É claro que não vão nos dispensar antes da hora. Vão encontrar alguma tarefa para todos, mesmo que inútil, achando que têm a obrigação de manter-nos aqui por duas horas inteiras”. Lembrei-me de uma designação anterior em que fiquei tirando o pó por mais de uma hora, para depois devolver um pano que parecia tão limpo quanto quando me foi entregue. Preparei-me para passar duas horas limpando coisas que não pareciam precisar de limpeza. Obviamente, eu tinha ido ao templo naquela noite mais pelo senso do dever do que pelo desejo de servir.

Nosso grupo foi levado a uma pequena capela para participar de um devocional. O zelador que dirigiu o devocional disse algo que mudou para sempre o modo como passei a encarar minhas designações de limpeza do templo. Depois de nos dar as boas-vindas, começou a explicar que não estávamos ali para limpar coisas que não precisavam de limpeza, mas para impedir que a casa do Senhor se tornasse suja. Como mordomos de um dos lugares mais sagrados da Terra, tínhamos a responsabilidade de mantê-lo imaculado.

Sua mensagem penetrou-me o coração, e fui para minha área designada com um novo entusiasmo de proteger a casa do Senhor. Passei o tempo utilizando um pincel de cerdas macias, espanando as frestas das portas, os rodapés e as pernas das mesas e das cadeiras. Se tivesse recebido aquela designação antes, eu a teria considerado ridícula, e teria espanado negligentemente os lugares, para parecer que estava atarefada. Mas, fiz questão de passar o pincel nas menores frestas.

Como aquela tarefa não era física nem mentalmente cansativa, fui abençoada com um tempo para ponderar enquanto trabalhava. Primeiro, dei-me conta de que nunca prestara atenção a detalhes tão pequenos em minha própria casa, mas que limpava apenas as áreas que os outros veriam, negligenciando as que somente a família e eu conhecíamos.

Em seguida, dei-me conta de que havia ocasiões em que vivemos o evangelho de modo semelhante: seguindo os princípios e cumprindo as designações que são mais visíveis para as pessoas a nosso redor, mas ignorando as coisas das quais aparentemente só a família ou nós mesmos temos conhecimento. Eu frequentava a Igreja, tinha chamados, cumpria designações, fazia visitas de professora visitante — tudo que era plenamente visível para os membros de nossa ala — mas negligenciava a frequência regular ao templo, o estudo das escrituras, a oração pessoal e em família e as noites familiares. Dava aulas e fazia discursos na Igreja, mas às vezes carecia da verdadeira caridade no coração quando tinha que interagir com as pessoas.

Naquela noite, no templo, olhei para o pincel que tinha na mão e perguntei-me: “Quais são as pequenas frestas da minha vida que precisam de mais atenção?” Resolvi que em vez de planejar limpar repetidas vezes as áreas de minha vida que precisavam de atenção, eu me esforçaria mais para nunca permitir que se tornassem sujas.

Lembro-me da lição que aprendi ao limpar o templo, toda vez que somos lembrados a “guardar-[nos] da corrupção do mundo” (Tiago 1:27).