A Trindade Divina

Extraído de “The Father, Son, and Holy Ghost”, Ensign, novembro de 1986, pp. 49–51; utilização de maiúsculas e pontuação padronizadas.

Gordon B. Hinckley, o décimo quinto Presidente da Igreja, nasceu em 23 de junho de 1910. Foi ordenado apóstolo em 5 de outubro de 1961, aos 51 anos de idade; e em 12 de março de 1995, foi apoiado Presidente da Igreja.


Presidente Gordon B. Hinckley
Nossa crença em Deus, o Pai Eterno, em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo ocupa uma posição primordial em nossa religião.

Ao estabelecer os elementos básicos de nossa doutrina, o Profeta Joseph colocou o seguinte em primeiro lugar:

“Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo” (Regras de Fé 1:1).

[O Profeta também ensinou]: “O primeiro princípio do evangelho é conhecer com toda a certeza o caráter de Deus” (History of the Church, vol. 6, p. 305).

Essas declarações tremendamente significativas e abrangentes estão em harmonia com as palavras do Senhor (…): “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). (…)

Deus, o Pai Eterno

Creio, sem equívoco ou reservas, em Deus, o Pai Eterno. Ele é meu Pai, o Pai de meu espírito, e o Pai do espírito de todos os homens. Ele é o grande Criador, o Governante do Universo. (…) O homem foi criado a Sua imagem. Ele é pessoal. Ele é real. É individual. “Tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem” (D&C 130:22).

No relato da criação da Terra, “disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26).

Poderia uma declaração ser mais explícita? Será que Deus é rebaixado, como alguns querem que acreditemos, pelo fato de o homem ter sido criado a Sua expressa imagem? Pelo contrário, isso deve suscitar no coração de todo homem ou mulher um apreço maior por si mesmo como filho ou filha de Deus. (…)

Quando eu era missionário, estava fazendo um discurso [em Londres, Inglaterra, quando uma pessoa importuna me interrompeu], dizendo: “Por que você não se atém à doutrina da Bíblia que diz em João (4:24), ‘Deus é Espírito’?”

Abri minha Bíblia no versículo que ele havia citado e li para ele o versículo inteiro: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.

Eu disse: “É claro que Deus é espírito, e você também, na união do espírito e do corpo que faz de você uma alma viva, e o mesmo se dá comigo”.

Cada um de nós é um ser dual composto de uma entidade espiritual e uma entidade física. Todos sabem da realidade da morte (…), e cada um de nós também sabe que o espírito continua a viver como entidade individual e que em algum momento no plano divino possibilitado pelo sacrifício do Filho de Deus haverá a reunião do corpo e do espírito. A declaração feita por Jesus de que Deus é espírito não nega que Ele tenha um corpo, da mesma forma que a declaração de que sou um espírito também não nega que eu tenho um corpo.

Não equiparo meu corpo ao Dele em seu refinamento, em sua capacidade, em sua beleza e seu esplendor. O corpo Dele é eterno. O meu é mortal. Mas isso somente aumenta a reverência que tenho por Ele. (…) Procuro amá-Lo de todo o coração, poder, mente e força. Sua sabedoria é maior do que a sabedoria de todos os homens. (…) Seu amor engloba todos os Seus filhos, e é Sua obra e Sua glória levar a efeito a imortalidade e a vida eterna de Seus filhos e de Suas filhas (…) (ver Moisés 1:39). (…)

O Senhor Jesus Cristo

Creio no Senhor Jesus Cristo, o Filho do Deus eterno e vivo. Creio Nele como o Primogênito do Pai e o Unigênito do Pai na carne. Creio Nele como um indivíduo, separado e distinto de Seu Pai. (…)

Creio que em Sua vida mortal Ele foi o único homem perfeito a andar na Terra. Creio que em Suas palavras se encontram a luz e a verdade que, caso seguidas, salvarão o mundo e levarão a efeito a exaltação da humanidade. Creio que em Seu sacerdócio repousa a autoridade divina: o poder de abençoar, o poder de curar, o poder de governar nos assuntos terrenos de Deus, o poder de ligar nos céus o que for ligado na Terra.

Creio que, por meio de Seu sacrifício expiatório, a oferta de Sua vida no monte do Calvário, Ele expiou os pecados da humanidade, livrando-nos do peso do pecado se abandonarmos o mal e O seguirmos. Creio na realidade e no poder de Sua Ressurreição. (…) Creio que, por meio de Sua Expiação, (…) a cada um de nós foi ofertada a dádiva da ressurreição dos mortos. Creio que também por meio desse sacrifício foi dada a todo homem e mulher, a todo filho e filha de Deus, a oportunidade da vida eterna e da exaltação no reino de nosso Pai se (…) obedecermos a Seus mandamentos.

Ninguém tão grandioso jamais andou na Terra. Nenhum outro fez um sacrifício semelhante ou concedeu uma bênção que se compare. Ele é o Salvador e o Redentor do mundo. Creio Nele. Declaro Sua divindade (…). Eu O amo. Pronuncio Seu nome com reverência e assombro. (…)

As escrituras nos contam sobre [aqueles] a quem Ele Se mostrou e com quem conversou como Filho vivo e ressuscitado de Deus. Também nesta dispensação Ele apareceu, e aqueles que O viram declararam:

“E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!

Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai —

Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus” (D&C 76:22–24).

Esse é o Cristo em quem acredito e de quem testifico.

O Espírito Santo

Esse conhecimento vem da palavra da escritura, e esse testemunho vem pelo poder do Espírito Santo. É um dom, sagrado e maravilhoso, recebido por revelação do terceiro membro da Trindade. Creio no Espírito Santo como um ser de espírito que ocupa um lugar com o Pai e o Filho, e que os três formam a divina Trindade. (…)

O fato de que o Espírito Santo foi reconhecido na antiguidade como um membro da Trindade é evidenciado pela conversa entre Pedro e Ananias, quando este reteve parte do preço recebido da venda de um lote de terra.

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo (…)?

(…) Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3–4).

O Espírito Santo [é] o Consolador prometido pelo Salvador que ensinaria a Seus seguidores todas as coisas e faria com que se lembrassem de todas as coisas (…) (ver João 14:26).

O Espírito Santo é o Testificador da Verdade, que pode ensinar aos homens coisas que eles não podem ensinar uns aos outros. (…) O conhecimento da veracidade do Livro de Mórmon é prometido “pelo poder do Espírito Santo”. Morôni então declara: “E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas” (ver Morôni 10:4–5).

Creio que esse poder, esse dom, está a nosso alcance hoje.

Real e Individual

(…) Creio em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo.

Fui batizado no nome desses três. Casei-me no nome desses três. Não tenho dúvidas em relação à realidade Deles e a Sua individualidade. Essa individualidade se fez evidente quando Jesus foi batizado por João no Jordão. Ali na água estava o Filho de Deus. A voz de Seu Pai foi ouvida, declarando que Ele era Seu Filho divino, e o Espírito Santo Se manifestou na forma de uma pomba (ver Mateus 3:16–17).

Estou ciente de que Jesus disse que aqueles que O haviam visto tinham visto o Pai (ver João 14:9). Não se poderia dizer o mesmo de um filho que se assemelha a seu pai ou sua mãe?

Quando Jesus orou ao Pai, sem dúvida não estava orando para Si mesmo!

Perfeitamente Unidos

Eles são seres distintos, mas são um em propósito e empenho. São unidos como um em levar a efeito o grande e divino plano para a salvação e exaltação dos filhos de Deus.

(…) Cristo implorou a Seu Pai em relação aos apóstolos, a quem Ele amava, dizendo:

“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós” (João 17:20–21).

É essa perfeita união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo que une esses três na unidade da divina Trindade.