O Plano de Salvação: Um Tesouro Sagrado de Conhecimento para Guiar-nos

Élder Robert D. Hales

Do Quórum dos Doze Apóstolos

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A chave de nosso sucesso na vida pré-mortal foi o apoio que demos ao plano do Pai. Essa também é a chave de nosso sucesso na vida mortal.

Pondero com frequência sobre a desesperança dos filhos de Deus que vagam no mundo escuro e triste, sem saber quem são, de onde vieram, por que estão aqui na Terra ou para onde irão depois da vida mortal.

Eles não precisam vaguear sem rumo. Deus revelou verdades eternas para responder a essas perguntas. Elas se encontram em Seu grande plano para Seus filhos. Nas escrituras, esse plano é conhecido como o “plano de redenção,”1 o “plano de felicidade”2 o “plano de salvação”.3

THE BEECHES [AS FAIAS], DE ASHER BROWN DURAND, © THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART, FONTE DA IMAGEM: ART RESOURCE, NY, NÃO PODE SER COPIADO

Entendendo e seguindo obedientemente o plano de Deus, não nos desviamos do caminho que nos conduz de volta à presença de nosso Pai Celestial.4 Então, e somente então, poderemos viver o tipo de vida que Ele vive, que é “vida eterna, (…) o maior de todos os dons de Deus”.5

O dom da vida eterna vale todo o esforço que fazemos para estudar, aprender e aplicar o Plano de Salvação. Toda a humanidade ressuscitará e receberá a bênção da imortalidade. Mas, para alcançar a vida eterna — a vida que Deus tem6 —, vale a pena viver o Plano de Salvação com todo o coração, mente, poder e força.

Entender o Plano de Salvação

É muito revigorante conhecer o plano! O Plano de Salvação é um dos maiores tesouros de conhecimento já concedidos à humanidade porque explica o propósito eterno da vida. Sem ele, estamos realmente vagando pela escuridão. É por isso que o padrão de Deus é dar mandamentos a Seus filhos “depois de ter-lhes revelado o plano de redenção”.7

Meu desejo é ajudar cada um de nós a beneficiar-se com esse tesouro de conhecimento — entender melhor o Plano de Salvação e aplicar esse entendimento em nosso cotidiano.

Arbítrio

Como o arbítrio é essencial ao plano, vamos começar por ele. Nosso Pai nos deu a capacidade de agir ou de recusar-nos a agir8 de acordo com verdades eternas — verdades que fazem com que Deus seja quem Ele é e que fazem o céu ser o que ele é.9 Se usarmos o arbítrio para aceitar e viver essas verdades, teremos alegria eterna. Por outro lado, se usarmos o arbítrio para desobedecer, para rejeitar as leis de Deus, teremos sofrimento e tristeza.10

O arbítrio proporciona um pano de fundo adequado para os três capítulos do Plano de Salvação: a vida pré-mortal, a vida mortal e a vida pós-mortal.

A Vida Pré-Mortal

Conforme declarado em “A Família: Proclamação ao Mundo”, cada um de nós “é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam” com “natureza e destino divinos”.11 Num conselho pré-mortal, o Pai Celestial explicou-nos Seu plano de redenção.12 O plano se baseava em doutrina, lei e princípios que sempre existiram.13 Aprendemos que, se aceitássemos e seguíssemos o plano, precisaríamos deixar voluntariamente a presença do Pai e ser testados para mostrar se escolheríamos viver de acordo com Suas leis e Seus mandamentos.14 Regozijamo-nos com essa oportunidade15 e com gratidão apoiamos o plano porque ele nos oferecia um modo de tornar-nos semelhantes a nosso Pai Celestial e herdar a vida eterna.

Mas o plano não era isento de riscos: se decidíssemos na mortalidade não viver de acordo com as leis eternas de Deus, receberíamos algo menor do que a vida eterna.16 O Pai sabia que tropeçaríamos e pecaríamos ao aprender por experiência própria na mortalidade, por isso providenciou um Salvador para redimir do pecado todos aqueles que se arrependessem e para curar as feridas espirituais e emocionais daqueles que fossem obedientes.17

Jesus Cristo era o Filho amado, escolhido e preordenado do Pai desde o princípio.18 Ele apoiou o plano do Pai e ofereceu-Se para ser nosso Salvador, dizendo: “Eis-me aqui, envia-me”.19 Assim, Jesus foi designado pelo Pai para ser Aquele que levaria uma vida sem pecado na mortalidade, expiaria nossos pecados e nossas aflições e ressuscitaria para romper as cadeias da morte.

Lúcifer, que se tornou conhecido como Satanás, também vivia na existência pré-mortal.20 Por motivos egoístas, ele rejeitou o plano, procurou destruir o arbítrio do homem e rebelou-se contra o Pai.21 Em consequência disso, Satanás e aqueles que o seguiram nunca terão um corpo. Rejeitaram a oportunidade de participar do plano do Pai e perderam seu destino divino.22 Atualmente, eles continuam sua guerra de rebelião contra Deus e procuram voltar a mente e o coração da humanidade contra Ele.23

Esta Terra foi concebida e criada para aqueles que aceitaram o plano do Pai.24 Aqui obtemos um corpo criado à imagem e semelhança de Deus. Aqui somos testados e postos à prova. Aqui adquirimos a experiência necessária para herdar a vida eterna.25

A Vida Mortal

Deus criou Adão e Eva e uniu-os como marido e mulher, colocou-os no Jardim do Éden e ordenou-lhes que tivessem filhos.26 Exercendo seu arbítrio, Adão e Eva caíram juntos da presença de Deus e se tornaram seres mortais.27 Isso cumpriu o plano do Pai, possibilitando que tivessem filhos, algo que não poderiam ter feito no Jardim do Éden.28 Pela lei eterna, o divino poder de procriação deve ser usado dentro dos limites estabelecidos por nosso Pai Celestial. Fazer isso proporciona a oportunidade de termos alegria eterna. Qualquer uso desse poder sagrado fora dos limites estabelecidos por Deus acabará resultando em infelicidade.29

Satanás, que deseja que todos sejam “tão miseráveis como ele próprio”,30 procura afastar-nos das oportunidades que estão a nosso alcance por meio do plano do Pai. Por que o Pai Celestial permite que Satanás nos tente? Porque Ele sabe que a oposição é necessária para nosso crescimento e para o teste da mortalidade.31 A oposição nos dá uma oportunidade inestimável de nos voltarmos a Deus e de confiarmos Nele. Como o bem e o mal estão constantemente diante de nós, podemos claramente expressar os desejos de nosso coração aceitando um e rejeitando o outro.32 A oposição pode ser encontrada nas tentações de Satanás, mas também em nossas próprias fraquezas, as falhas mortais inerentes à condição humana.33

Para ajudar-nos a escolher com sabedoria, Deus revelou Seu plano de redenção e deu-nos mandamentos,34 a Luz de Cristo35 e a companhia do Espírito Santo.36 Porém, mesmo com todos esses dons, todos que estamos neste mundo decaído cometemos pecado e, portanto, somos todos incapazes de entrar na presença de Deus por nossos próprios méritos.37 É por isso que Seu misericordioso plano provê um Salvador.

Jesus Cristo veio à Terra como o Filho Unigênito de Deus e cumpriu Sua missão designada com perfeição, sujeitando-se à vontade do Pai em todas as coisas.38 De acordo com o misericordioso plano do Pai, os efeitos da Queda são conquistados por meio da Ressurreição do Salvador,39 as consequências do pecado podem ser vencidas e a fraqueza pode se transformar em força se nos valermos da Expiação de Jesus Cristo.40

Christ’s Image [A Imagem de Cristo], de Heinrich Hofmann, gentilmente cedida por C. Harrison Conroy Co.

Só podemos fazer jus à vida eterna por meio da obediência aos mandamentos. Isso exige que tenhamos fé no Senhor Jesus Cristo, que nos arrependamos, que sejamos batizados, que recebamos o dom do Espírito Santo e que perseveremos até o fim, seguindo o exemplo do Salvador.41 Em termos práticos, precisamos receber todas as ordenanças essenciais do sacerdócio e perseverar até o fim no cumprimento dos convênios a elas associados.

A Vida Pós-Mortal

Depois que morrermos, um dia estaremos diante do Salvador para ser julgados.42 Como Deus é misericordioso, aqueles que exercerem sua fé em Cristo para o arrependimento serão perdoados e herdarão tudo o que o Pai tem, inclusive a vida eterna.43 Como Deus é justo, toda pessoa que não se arrepender deixará de receber o dom da vida eterna.44 Cada pessoa será recompensada de acordo com sua fé, seu arrependimento, seus pensamentos, desejos e suas obras.45

Aplicar o Plano de Salvação em Nosso Cotidiano

Depois que entendemos o grande panorama do plano e nos vemos nele, adquirimos algo inestimável, sim, essencial: uma perspectiva eterna. A perspectiva eterna orienta nossas decisões e ações cotidianas. Estabiliza-nos a mente e a alma. Quando opiniões persuasivas, porém falhas em termos da eternidade, nos rodeiam, ficamos firmes e inamovíveis.

Como ensinou o Élder Neal A. Maxwell, do Quórum dos Doze Apóstolos (1926–2004): “Sem um entendimento do Plano de Salvação, que inclui nossa existência pré-mortal, o julgamento e a ressurreição, a tentativa de dar um sentido para esta vida em si mesma é como ver apenas o segundo ato de uma peça de três atos”.46 Precisamos entender o primeiro ato (a vida pré-mortal) para saber como fazer as melhores escolhas no segundo ato (a vida mortal), que determina o que acontecerá conosco no terceiro ato (a vida pós-mortal).

Em outras palavras, o entendimento do Plano de Salvação, aliado à sincera oração, muda o modo como vemos a vida, tudo a nosso redor e nós mesmos. O entendimento do plano esclarece nossa visão espiritual e permite-nos ver as coisas como realmente são.47 Tal como o Urim e Tumim permitiram que o Profeta Joseph Smith recebesse revelação e orientação,48 assim também o conhecimento do plano nos mostrará como “[agir], em doutrina e princípio relativos ao futuro, de acordo com o arbítrio moral” que o Senhor nos deu.49 Assim, nossa fé será fortalecida, e saberemos como traçar o curso da vida e tomar decisões condizentes com a verdade eterna.

Aqui estão alguns exemplos que são particularmente relevantes para nossos dias.

O Propósito do Casamento no Plano de Deus

ILUSTRAÇÃO DE: JAMES JOHNSON

O casamento e a família estão sob ataque porque Satanás sabe que são essenciais para alcançarmos a vida eterna — tão essenciais quanto a Criação, a Queda e a Expiação e Ressurreição de Jesus Cristo.50 Por ter fracassado em sua tentativa de destruir aqueles pilares do plano, Satanás procura destruir nosso entendimento e nossa prática do casamento e da família.

Com o plano do Pai Celestial como ponto de referência fixo, o propósito do casamento fica perfeitamente nítido. O mandamento de deixar pai e mãe, apegar-se um ao outro no casamento51 e multiplicar-se e encher a Terra52 torna o plano Dele possível. Por meio do casamento, trazemos Seus filhos espirituais para o mundo e nos tornamos parceiros Dele na tarefa de ajudar Seus filhos a participar de Seu plano.53

O plano do Pai nos proporciona o caminho para herdarmos a vida eterna, a vida que nossos pais celestes têm. No plano, “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor”.54 A própria essência da vida eterna inclui o casamento eterno de um homem e uma mulher, que é uma parte essencial do processo de tornar-nos semelhantes a nossos pais celestes.55

Casamento entre um Homem e uma Mulher

No casamento, completamo-nos um ao outro, como somente um homem e uma mulher com suas diferenças exclusivas e essenciais conseguem fazê-lo. Ao caminharmos pela mortalidade como marido e mulher, crescemos juntos, aproximamo-nos do Salvador ao obedecermos, sacrificamo-nos para fazer a vontade de Deus e edificamos Seu reino juntos. Sabendo que o casamento eterno é um mandamento de Deus e que Ele prepara um meio para que Seus filhos cumpram tudo que Ele nos ordena,56 sabemos que nosso casamento terá sucesso se nos unirmos no cumprimento dos convênios que fizemos.

É por meio das ordenanças do sacerdócio e da decisão de cumprir os convênios associados que recebemos o poder da divindade ao lidarmos com os desafios da mortalidade.57 As ordenanças do templo nos investem com poder do alto e nos permitem retornar à presença de nosso Pai Celestial.58 A ordenança de selamento permite que marido e mulher cresçam juntos pelo poder de Deus e sejam um com o Senhor.59 Qualquer substituto desse tipo de casamento não cumprirá Seus propósitos sagrados para nós ou para as gerações de Seus filhos que virão.60

Atrações e Desejos

Cada um de nós vem para este mundo decaído com fraquezas ou desafios inerentes à condição humana.61 O entendimento do plano permite que vejamos todas as falhas humanas — inclusive as atrações e os desejos que não condizem com Seu plano — como temporárias.62 O conhecimento de que vivemos antes desta vida como amados filhos e filhas de pais celestes permite que baseemos nossa identidade pessoal em nossa origem divina. É nossa condição de filho ou filha de Deus — não nossas fraquezas ou tendências — que constitui a verdadeira fonte de nossa identidade.63

Com essa perspectiva, aumentamos nossa capacidade de esperar com humildade e paciência no Senhor,64 confiando que, por meio de nossa fé, obediência e perseverança até o fim, nossas predisposições e nossos desejos serão purificados, nosso corpo será santificado e realmente nos tornaremos filhos e filhas de Cristo, aperfeiçoados por meio de Sua Expiação.

A perspectiva eterna do plano nos dá a certeza de que, para os fiéis, chegará sem dúvida o dia em que “Deus limpará (…) toda a lágrima; e não haverá mais (…) dor; porque já as primeiras coisas são passadas”.65 Esse “perfeito esplendor de esperança”66 vai firmar nossa mente e nosso coração, permitindo-nos esperar paciente e fielmente no Senhor.

Promessas para os Que Perseverarem Fielmente

Aqueles que se perguntam se sua situação ou condição atual os impede de alcançar a vida eterna devem lembrar-se de que “Ninguém está predestinado a receber menos do que tudo o que o Pai tem para Seus filhos”.67

Nenhuma bênção será negada aos que forem fiéis. O Presidente Lorenzo Snow declarou: “Nenhum santo dos últimos dias que morrer, tendo sido fiel, perderá qualquer coisa por não ter cumprido certos mandamentos devido à falta de oportunidade. Em outras palavras, se um rapaz ou uma moça viver fielmente até o dia de sua morte e não tiver a oportunidade de casar-se terá todas as bênçãos, exaltação e glória recebidos por qualquer homem ou mulher que tenha tido essa oportunidade e a tiver aproveitado. Isso é absolutamente garantido”.68

Promessas para Todos os Que Conhecem o Plano e o Aplicam Diariamente

Cada um de nós apoiou do fundo do coração o plano do Pai na vida pré-mortal. Sabíamos que Ele nos amava e ficamos maravilhados com Sua generosa oferta da oportunidade de herdarmos tudo o que Ele tem, inclusive a vida eterna. A chave de nosso sucesso na vida pré-mortal foi o apoio que demos ao plano do Pai. Essa também é a chave de nosso sucesso na vida mortal.

Portanto meu convite é de que juntos apoiemos novamente o plano do Pai. Fazemos isso com amor por todos, porque o próprio plano é uma expressão do amor de Deus.

Ao aplicarmos diariamente nosso conhecimento do plano do Pai, nossa vida vai adquirir um significado mais profundo. Enfrentaremos nossos desafios com mais fé. Prosseguiremos com firmeza com a segura, brilhante e resplendente esperança da vida eterna.

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