Decidir Viver: Como Vencer os Pensamentos Suicidas

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A Luz do Mundo ajudou-me a atravessar a escuridão de minha depressão sazonal.

woman sitting in the grass

Fotografia: © iStock/Thinkstock

Minha batalha contra os pensamentos suicidas começou pouco depois de eu me mudar para uma cidade fria, na Islândia, onde a falta de luz solar no inverno desencadeou um grave transtorno afetivo sazonal (TAS). À medida que minha dor foi ficando forte demais para eu conseguir lidar com ela, pensei em suicidar-me.

No primeiro ano, não quis aceitar que estava deprimida. Fiquei com medo de contar a alguém, até para meu marido, que estava tendo esses pensamentos. Ninguém da minha família ou na Igreja sabia que eu sofria de uma doença potencialmente fatal. Viam-me como um membro ativo da Igreja com um testemunho fervoroso que não enfrentava problemas importantes. Eu orava com frequência, suplicando alívio, e o Pai Celestial me fortaleceu. Comecei a tomar mais cuidado com a dieta, exercitei-me com frequência, mergulhei nas escrituras, servi ao próximo e guardei todos os mandamentos. Mas não foi suficiente.

A depressão avançou contra mim como uma onda gigantesca. Assim, comecei a correr mais depressa e a orar com mais fervor, mas nem sempre conseguia correr mais rápido que a onda. Nadei contra a corrente, orando para que sobrevivesse até que meus filhos voltassem da escola ou até o almoço. Em alguns dias, eu vivia de minuto a minuto, usando a pura força de vontade para derrotar meus pensamentos e minhas compulsões.

Lembro-me de sofrer intensa dor mental na primeira vez que quase cometi suicídio. Não planejei nem pensei com antecedência — perdi temporariamente a capacidade de pensar logicamente. Depois, dei-me conta do quanto tinha chegado perto de tirar a própria vida. Perguntei-me o que havia de errado comigo. Disse a mim mesma que não devia ter pensamentos suicidas e fingi que nunca ocorreram. Convenci-me de que jamais teria aqueles pensamentos de novo.

Mas os pensamentos suicidas continuaram a me vir à mente quando eu menos esperava. A tentação de dar fim a minha dor excruciante era muito forte. Mas eu queria ser curada. Embora não compreendesse na época que estava sofrendo de uma doença aguda (uma enfermidade severa e súbita), eu sabia que poderia ser curada. Assim, pedi uma bênção do sacerdócio.

Meu marido, sem saber dos meus problemas, disse muitas coisas durante a bênção que me mostraram que o Pai Celestial estava atento a mim. Prometeu-me que eu conseguiria lidar com minhas dificuldades. A cura imediata não foi a solução, mas aceitei que o Pai Celestial me ajudaria a vencer minha luta.

Chegou o verão, cheio de luz do sol e dias longos. Nunca ficava escuro nem mesmo à meia-noite. Fiquei feliz e me senti eu mesma novamente. Mas os dias rapidamente encurtaram em setembro, minha depressão voltou e pensamentos suicidas se infiltraram em minha mente. Fiquei com medo. A princípio, tentei fazer o que tinha feito no ano anterior: orar mais, exercitar-me mais e tentar esforçar-me mais em tudo. Mas a compulsão suicida foi ficando cada vez mais forte e severa. Debati-me por dois meses e por fim compreendi que não conseguiria sobreviver mais um inverno sem ajuda. Dei-me conta de que o Pai Celestial me havia abençoado com a medicina moderna e médicos. Para recuperar-me, eu precisava estar disposta a abrir-me em relação à minha depressão e consultar um médico.

Pedir ajuda foi a coisa mais difícil que já fiz. Mal consegui falar em meio às lágrimas quando contei a meu marido a respeito de minha depressão, dizendo que precisava de ajuda. Não consegui proferir a palavra suicídio em voz alta. Meu marido marcou uma consulta com um psiquiatra para mim.

Meu médico me receitou medicamentos, que me ajudaram a passar o inverno. Como para muitas pessoas, foi difícil encontrar a dose certa e lidar com os efeitos colaterais. Isso resultou em mais estresse em meu casamento e minha família, porém meu marido e meus filhos me apoiaram.

Quando chegou a primavera, minha depressão aliviou, e não precisei mais de medicamentos. Mudamo-nos para uma cidade ensolarada. Eu pensava que tudo estava bem e que deixaria minha doença mental para trás. Mas não estava completamente curada. Surgiram sentimentos de culpa pelos pensamentos, pelos sentimentos e pelas compulsões que eu tivera. Não gostei que meus filhos adolescentes tivessem percebido que eu tivera pensamentos suicidas. Senti como se tivesse desperdiçado um ano de minha vida.

Além disso, estava com muito medo — principalmente quando chegaram novamente os dias mais curtos de setembro. Todos os dias, eu tinha momentos em que revivia intensamente o que me acontecera, temendo voltar a sofrer de depressão aguda. Mas pude ver a mão do Senhor em minha vida quando fui conduzida a um médico excelente e comecei a fazer terapia. Descobri que também sofria de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Com a orientação de meu médico, consegui lidar com meu TEPT.

E depois, vi um milagre acontecer. Depois de vigorosas orações e do empenho em aplicar a Expiação do Salvador em minha vida, o Senhor removeu meus sentimentos de culpa de modo rápido, distinto e tangível. A voz Dele me explicou que eu não precisava sentir-me culpada porque não tinha culpa da minha depressão. Jesus Cristo carregou esse fardo por mim pelo poder de Sua Expiação. Senti-me cheia de luz e esperança novamente.

Christ healing woman

Não sei todos os motivos pelos quais tive de enfrentar o desafio de uma doença potencialmente fatal. Embora ainda me lembre de tudo, as dores mentais e físicas desapareceram. Todos os dias, sinto-me grata por minha família, por meu médico e por meu tempo aqui na Terra. Graças à minha doença, adquiri empatia e amor por outras pessoas. Cresci emocional e espiritualmente, e adquiri conhecimento que não teria obtido de outra forma. Tive preciosos momentos espirituais com meu Pai Celestial e meu Salvador. Minhas experiências me incentivaram a abraçar a vida.

Como Criar um Plano de Segurança para Prevenção do Suicídio

Você pode criar um plano de segurança para que, caso tenha pensamentos de autoagressão, possa começar no passo 1 e prosseguir ao longo dos passos até se sentir seguro. A melhor hora para criar seu plano é antes de se ver numa crise. Guarde seu plano num lugar onde possa acessá-lo com facilidade, como no seu celular. Há sites da Internet e aplicativos que têm modelos úteis para preencher, ou você pode criar um plano com a ajuda de um especialista (ver passo 6 a seguir) ou sozinho usando estas sugestões:

1. Reconhecer os sinais de alerta.

Que tipos de pensamentos, estados de espírito e comportamentos o informam de que uma crise pode estar se desenvolvendo? Descreva-os com suas próprias palavras. Por exemplo: “Quando cancelo todas as minhas atividades e só quero dormir”. “Quando tenho pensamentos recorrentes de que sou um fardo.” “Quando me sinto agitado como se precisasse fazer algo imediatamente para livrar-me da dor.” Ao notar esses sinais de alerta, isso pode ajudá-lo a saber que precisa ativar seu plano.

2. Tente acalmar-se e consolar-se.

Crie uma lista de atividades tranquilizadoras e relaxantes que você pode realizar quando tiver pensamentos ou a compulsão de ferir-se. Exemplos disso podem incluir dar uma caminhada, tomar um banho quente, exercitar-se, orar ou escrever no diário.

3. Pense em motivos para viver.

Às vezes, a dor pode tragar os pensamentos positivos. Crie uma lista para lembrá-lo das pessoas que você ama, coisas que gosta de fazer e bênçãos pelas quais sentiu gratidão.

4. Estenda a mão para outros e peça ajuda.

Faça uma lista de várias pessoas (com o número de telefone) com quem você pode conversar ou que estão dispostas e disponíveis para ajudá-lo pelo restante de seu plano de segurança durante uma crise. Essas pessoas podem incluir amigos, membros da ala e familiares.

5. Certifique-se de estar num ambiente seguro.

Isso pode envolver pedir a alguém que remova coisas que você provavelmente usaria para ferir-se, ou ir para outro lugar até que os sentimentos mudem. Faça uma lista de ambientes sociais — como parques, ginásios, cinemas, etc. — que são seguros e que o distraiam.

6. Caso sinta vontade de ferir-se, contate um profissional.

Faça uma lista de nomes, telefones e endereços de clínicas, prontos-socorros e telefones de auxílio a emergências. O site suicide.org/international-suicide-hotlines.html tem uma lista de telefones de dezenas de países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número é 1-800-273-TALK.

7. Depois de fazer isso, se ainda não se sentir seguro, ligue para o serviço de resgate ou dirija-se ao hospital mais próximo e peça ajuda.

Nota dos editores: Um artigo da revista do mês que vem trará auxílios adicionais para aqueles que se debatem com pensamentos suicidas. O verbete “suicídio” do site topics.LDS.org também traz links, discursos e informações úteis.

Ele Pode Nos Curar

Élder David A. Bednar

“Não há dor física, tribulação espiritual, angústia da alma ou sofrimento, enfermidade ou fraqueza que enfrentaremos na mortalidade que o Salvador não vivenciou antes de nós. (…) Ele pode nos auxiliar, tocar, socorrer, curar e fortalecer para que sejamos mais do que jamais poderíamos ser e nos ajudar a fazer o que jamais poderíamos fazer se dependêssemos somente de nossa própria força.”

Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, “Carregar Seus Fardos com Facilidade”, A Liahona, maio de 2014, p. 90.