“Amai-vos Uns aos Outros como Eu Vos Amei”

Manual de Sacerdócio Aarônico 1, 1992


Objetivo

Cada rapaz deve tratar os outros com bondade e respeito

Preparação

  1. 1.

    Materiais necessários:

    1. a.

      Obras-padrão para cada rapaz

    2. b.

      Lápis para marcar as escrituras

  2. 2.

    Prepare uma cópia de João 13:34-35 para cada rapaz

  3. 3.

    Estude o conselho sobre amizade dado na página 9 de Para o Vigor da Juventude.

Sugestão desenvolvimento da lição

Devemos Tratar os Outros com Bondade

História

Compartilhe a seguinte história com o quorum:

“Andy era um garotinho doce, divertido, de quem todos gostavam, mas que todos arreliavam, simplesmente porque essa era a maneira como se tratava Andy Drake. Ele aceitava bem quando o provocavam e sempre respondia com um sorriso naqueles olhos enormes que pareciam dizer: ‘Obrigado, obrigado, obrigado’, a cada piscadela. Quando qualquer um de nós… precisava desabafar suas frustrações, Andy era o objeto de nossa ridicularização; apesar disso, parecia grato por pagar esse preço especial para ser membro de nosso grupo…

… Fica bem claro agora que nossa atitude era de que pertencer ao grupo era nosso direito, mas que Andy estava nele por nossa permissão. Todos gostávamos de Andy, apesar de tudo, até aquele dia - até aquele preciso momento.

‘Ele é diferente! Não o queremos, não é?’ Qual de nós disse isso? … Não posso honestamente afirmar que me lembre de quem o disse, quem proferiu essas palavras que fizeram vir à tona a mesquinhez existente em todos nós. Não importa, porque o entusiasmo com que todos aderimos a elas nos revelou…

Aquele fim-de-semana deveria ser como tantos outros que o grupo tinha passado junto. Depois das aulas, na sexta-feira, nos encontraríamos na casa de um de nós -dessa vez seria na minha - para passar a noite em um bosque das redondezas. Nossas mães, que faziam a maior parte dos preparativos para essas ‘excursões’, sempre colocavam comida a mais para Andy, que se juntava a nós depois de terminar suas pequenas tarefas.

… Os outros disseram-me que, uma vez que era a minha excursão, eu deveria dizer a Andy que ele não estava convidado — eu que por tanto tempo acreditara que Andy secretamente tinha uma consideração maior por mim que pelos outros, porque, quando me olhava parecia um cachorrinho tentando revelar toda sua lealdade com os olhos. Eu gostava daquilo.

Ainda posso ver Andy vindo em nossa direção dentro do túnel longo e escuro formado pelas árvores, e que deixava passar a luz da noite apenas o suficiente para que se refletissem vários desenhos em sua velha camisa. Ele vinha na bicicleta velha e enferrujada, um modelo para meninas, com uma mangueira de jardim amarrada ao aro para substituir os pneus. Ele parecia feliz como eu nunca o havia visto, aquele garotinho que encontrava no grupo a primeira oportunidade de relaxar e de se divertir um pouco.

Ele acenou para mim ao me ver em pé, numa clareira do campo. Ignorei o seu cumprimento. Ele desceu da bicicleta e andou em minha direção, falando muito. Os outros, bem escondidos na barraca, estavam em completo silêncio, mas eu podia sentir que estavam escutando.

Por que ele não fica sério? Será que não entende que eu não sinto a sua felicidade? Será que não compreende ainda que não estou interessado no que ele está dizendo? Então, de repente, ele percebeu; seu rosto inocente revelava o quanto ele confiava em mim. Ele agia como se dissesse: ‘Vai ser muito ruim, não vai? Vamos lá, pode dizer.’ Sem dúvida, acostumado a enfrentar as decepções, ele nem mesmo se preparou para o golpe.

Inacreditavelmente eu me ouvi dizer: ‘Andy, não queremos você.’

Assustadoramente vívida ainda está a rapidez espantosa com que duas grandes lágrimas encheram seus olhos e simplesmente ficaram lá - vívidas, porque revi mentalmente aquela cena muitas vezes desde aí. O modo como ele me olhou - uma imagem para sempre congelada em minha memória - o que era aquilo? Não era ódio. Era choque, descrença ou - era pena de mim?

Finalmente, havia um pequeno tremor em seus lábios e ele se foi sem protestar…

Então foi unânime. Nem um voto, nem uma palavra foi dita, mas todos nós sabíamos. Sabíamos que havíamos feito alguma coisa horrivelmente, cruelmente errada. Tínhamos destruído um indivíduo criado à imagem de Deus com a única arma contra a qual não tinha defesa - a rejeição.” (Ben F. Burton, tirado de Today’s Education, the Journal of the National Education Association, janeiro de 1967, pp. 33-34; publicado com permissão.)

Debate

• Como acham que Andy se sentiu? (Triste, desprezado, solitário, desencorajado, desesperado.)

• Como acham que os outros meninos se sentiram? (Culpados, envergonhados, mesquinhos, egoístas, tristes.)

• Como essa rejeição poderia afetar Andy?

Escritura e debate

• Quando o Salvador estava na terra, mostrou-nos como tratar os outros. Quando nos sentimos em dúvida a respeito de como agir em relação a uma outra pessoa - amigo, inimigo ou estranho - que diretriz podemos seguir?

Para encontrar uma resposta, peça aos rapazes que procurem João 13:34-35 e leiam silenciosamente.

• O que Jesus nos diz que devemos fazer?

Explique que se realmente amamos o Salvador, nós nos amaremos uns aos outros. Podemos demonstrar esse amor tratando todas as pessoas com bondade. Se dizemos que amamos Jesus Cristo mas não amamos as outras pessoas, não estamos sendo verdadeiros discípulos seus.

• Se os outros meninos da história tivessem sido gentis com Andy, como a história poderia ter terminado?

• Você já esteve em uma situação semelhante à de Andy e alguém tratou você bem? Como isso o fez sentir?

Se há alguém no quorum que não é ativo, talvez em parte por ser diferente e não ser bem aceito pelo grupo, esse pode ser um excelente momento para discutir a situação. Peça aos rapazes que se comprometam a seguir os ensinamentos de Jesus e tratar os membros inativos amavelmente.

Os Rapazes Bondosos Ganham o Respeito e Amor dos Outros

Perguntas para meditar

Peça aos rapazes que respondam silenciosamente às seguintes perguntas, salientando que devem ser honestos consigo mesmos.

• Como se sente, quando alguém o cumprimenta pelas coisas que faz?

• O que o faz sentir-se importante?

• Quer que os outros o apreciem sinceramente?

• Quer que os outros o reconheçam como alguém de valor?

Debate

• Como um jovem pode receber o amor e respeito que deseja? (Aqueles que são sempre gentis, ganham o amor e respeito dos outros e sentem-se bem consigo mesmos.)

Estudos de caso e debate Apresente os seguintes estudos de caso:

Estudo de Caso nº 1

Antônio tinha seu próprio grupo de amigos: Jair, Jaime, Marcos e Davi. Eles sempre estavam fazendo coisas juntos, na escola e na Igreja. É claro que havia desentendimentos ocasionais, mas eram rapidamente resolvidos e os meninos ficavam amigos de novo. Isto é, até que Beto se mudou para a ala. Antônio notou Beto no primeiro domingo em que ele estava lá e o cumprimentou. Mas os outros meninos não foram tão rápidos em fazer amizade com Beto. Eles simplesmente não queriam que ele fizesse parte do grupo. Aos poucos, Antônio se tornou cada vez mais amigo de Beto. Antônio percebeu que os outros meninos estavam se afastando cada vez mais dele. Percebeu que era porque ele estava tentando fazer Beto sentir-se bem recebido.

• Se você fosse Antônio ou Beto, como se sentiria?

• O que o Salvador gostaria que fizesse? Por que?

Estudo de Caso nº 2

Daniel jogou o melhor que pôde, mas, mesmo assim, seu time perdeu o jogo. Não perderam por muito, mas perderam. Quando os meninos do time de Daniel conversavam depois da partida, Daniel ouviu um deles dizer: ‘Se o Paulo não tivesse estado em nosso time, teríamos ganho. Paulo é tão desajeitado!’ Daniel olhou à sua volta, para ver se Paulo tinha ouvido o comentário. Paulo estava recolhendo o equipamento do jogo ali perto, e Daniel não ficou sabendo realmente se ele ouvira a crítica ou não.

• Se Paulo tivesse ouvido os comentários, qual poderia ser sua reação? Como se sentiria?

• Como esses sentimentos dolorosos poderiam ser evitados?

• Como uma ação indelicada pode levar a outra?

Debate

Deixe que os rapazes sugiram vários maneiras pelas quais poderiam ser mais bondosos com os outros no lar, na escola, ou na Igreja. Talvez você queira compartilhar uma experiência pessoal relevante para os jovens, na qual alguém o ajudou a sair de uma situação embaraçosa ou difícil, sendo atencioso.

Convide os rapazes a compartilharem experiências relevantes, se assim o desejarem.

História e debate

Compartilhe a seguinte história, que demonstra a consideração de um profeta de Deus para com os companheiros de viagem.

“Desde o momento da partida, fiquei comovido com a preocupação do Presidente e da Irmã Kimball pelos companheiros de viagem. Na Cidade do Lago Salgado, minha mulher e eu ocupamos assentos ao lado e um pouco para trás do Presidente Kimball. Assim que o avião decolou e apagou-se o sinal para manter os cintos de segurança, ele virou-se e perguntou se estávamos bem acomodados. Mostrava preocupação conosco, quando nós é que estávamos ali para servi-lo. Durante a viagem inteira, esse grande homem, bondoso e gentil, preocupou-se com o bem-estar dos que o cercavam. Sentimo-nos muito à vontade, viajando com ele, devido ao seu calor e gentileza.” (James O. Mason,

“Viajar com um Profeta Missionário”, A Liahona, junho de 1978, p. 35.)

• A consideração pelos outros é um hábito que pode ser aprendido? Como?

A Bondade com os Outros Mostra Nosso Amor pelo Salvador

Citação e debate

Explique a seguinte situação:

Para uma conferência de jovens, quatro rapazes receberam a designação de tomar parte no planejamento e dar uma aula chamada “O Valor do Serviço”. Era baseada no tema “As pequenas coisas”. Eles decidiram que deveriam viver realmente a mensagem, a fim de transmiti-las aos outros; assim, vários meses antes da conferência, tentaram prestar serviço, fazendo pequenas coisas - em suas famílias, para os vizinhos, amigos, bispo e outros. Um dos rapazes desse comitê prestou o seguinte testemunho:

“Eu estava acostumado a orar a cada dia, pedindo: ‘Pai, ajuda-me a ter um bom dia.’ Certa vez, decidi que era uma maneira muito egoísta de orar. Senti que gostaria de fazer alguma coisa pelo Pai Celestial; assim, em vez de pedir ‘ajuda-me a ter um bom dia’, pedi ao Pai Celestial o seguinte: ‘Como posso ajudar-te a ter um bom dia hoje? O que posso fazer por ti? Como posso fazer-te feliz?’

E então as palavras vieram-me à mente clara e lindamente. ‘Se quiser me fazer feliz hoje, vá e encontre alguém que precise de você e faça alguma coisa por essa pessoa. Se quiser me fazer feliz hoje, obedeça a meus mandamentos.’

Para fazer o Pai Celestial feliz é necessário simplesmente servir seus filhos e viver seus mandamentos.

• Como tratar os outros com bondade e respeito mostra nosso amor ao Pai Celestial?

Escritura e debate

Peça aos rapazes que abram as escrituras em Doutrina e Convênios 42:38 e a marquem. Dê a cada um uma cópia de João 13:34-35.

• Como podemos melhorar nosso relacionamento com as outras pessoas, lembrandonos dessas escrituras?

Conclusão

Desafio

Peça aos rapazes que pensem em coisas boas à luz dessas duas escrituras e que as pratiquem sempre que surgir a oportunidade. Relembre-lhes que as melhores oportunidades podem aparecer exatamente no lar, com membros de sua própria família ou com pessoas que no momento eles não conhecem muito bem ou de quem não gostam muito.

Relembre o conselho sobre amizade dado na página 9 de Para o Vigor da Juventude.

Desafie cada rapaz a encontrar maneiras de ser mais bondoso com as outras pessoas durante a próxima semana. Peça-lhes que contem suas experiências no início da próxima reunião do quorum.