Servir os Outros

Manual de Sacerdócio Aarônico 1, 1992


Objetivo

Cada rapaz deverá expressar amor aos outros, servindo-os.

Preparação

  1. 1.

    Materiais necessários: Obras-padrão para cada rapaz

  2. 2.

    Prepare um cartaz com a mensagem do rei Benjamin (ver Mosiah 2:17.)

  3. 3.

    Prepare um lembrete para cada rapaz com a frase “Faça-o!”

  4. 4.

    Veja o conselho a respeito do serviço ao próximo dado na página 19 de Para o Vigor da Juventude.

Observação para o professor

Pense na possibilidade de dar esta lição para motivar os rapazes a planejarem um projeto de serviço. Você poderia organizar um debate para escolher um projeto para os alunos.

Sugestão para o desenvolvimento da lição

O Verdadeiro Serviço É uma Oportunidade, Não um Fardo

História

Leia a seguinte história:

“O súbito tranco que senti na perna à altura do joelho indicava que estava em sérios apuros. Minhas calças foram agarradas pela engrenagem em movimento. Mal tivera tempo de conscientizar-me do que acontecera, quando fui puxado pela máquina e enrolando nela…

Não sendo páreo para a força e obstinação da máquina, vi-me completamente indefeso quando ela me torceu o tornozelo até esfrangalhar minha resistente bota de trabalho. Tenho a vaga lembrança de ter sido puxado pelo pé e lançado por cima daquele eixo ameaçador, vindo a cair sobre a alfafa espalhada pelo chão.

Felizmente, minha bota foi arrancada do pé e, embora meu tornozelo bamboleasse desconjuntadamente, eu estava livre da máquina que continuava funcionando.

Manquitolei até o mourão de cerca mais próximo e nele me apoiei. Naquele momento, um caminhão fazia a curva e aproximava-se pela estrada. Acenei freneticamente e o motorista, meu vizinho, avistou-me e parou.

Permaneci consciente até chegar ao hospital, naquela rápida e dolorosa viagem de dezesseis quilômetros…

As intervenções cirúrgicas a que fui submetido, os moldes de gesso e as incômodas muletas são apenas algumas lembranças daquela trágica experiência. Entretanto, a mais significativa recordação não é de dor ou sofrimento, mas sim, reconhecimento aos jovens de um quorum de sacerdotes SUD, cujo serviço naquela hora de infortúnio foi inesquecível.

Percebendo que eu não poderia mais retornar para terminar o serviço de carpintaria naquela construção, os membros do quorum de sacerdotes, do qual eu era consultor, … reagiram com o entusiasmo da juventude e decidiram que terminariam o projeto, se alguém experiente os orientasse…

E assim, com a ajuda do bispo Stanton Barrett, que também era empreiteiro de obras, o valoroso quorum de sacerdotes, armado de martelos e serrotes, encarregou-se de terminar o vigamento de 111,50 m2 da casa.

‘Assim que o bispo explicava, nós pregávamos os pregos’, disse Michael (um dos organizadores do projeto) ao explicar como haviam conseguido terminar todo o madeiramento da casa, do alicerce ao telhado, em apenas dois dias…

Os proprietários da casa em construção, o Sr. e Sra. Bob Findlay, ajudaram também. ‘Bob trabalhava conosco e sua esposa trazia-nos lanche. Isso mantinha aquele grupo esfomeado trabalhando’, disse Michael. ‘Claro que houve alguns machucados e marteladas no dedo, mas havia um espírito especial presente, apesar do trabalho cansativo.’…

O bispo Barrett sugeriu uma razão para o sucesso do projeto: ‘Os jovens estavam trabalhando não porque seu consultor houvesse planejado um projeto de serviço para eles, mas porque eles planejaram um para ele… e essa era a diferença.’

Quando o último prego foi colocado no telhado, já na tarde do sábado, o trabalho físico estava terminado, mas a surpresa de anunciar o que haviam feito ainda estava para vir.

Fui recepcionado por um quorum estranhamente comportado de adolescentes, no primeiro domingo depois de minha alta hospitalar. Um membro do quorum, tímido e agindo de modo um tanto incomum, deu um passo adiante e disse: ‘Trouxemos algo para o senhor… porque quisemos ajudar.’ Entregou-me um cartaz, feito por eles mesmos, com uma seqüência de fotografias mostrando o seu trabalho na construção. A sala estava em silêncio, enquanto eles me observavam com ansiedade, ao examinar as fotografias.

Naqueles momentos de silêncio que se seguiram, minha mente voltou-se para as muitas vezes que, naquela mesma sala de aula, lhes falara sem muita persuasão sobre o tema ‘serviço’. De repente, estávamos experimentando a alegria do que antes tinha sido apenas um tema de debate. Naquele dia, a lição não estava sendo apresentada em palavras.

Por fim, quebrei o silêncio, dizendo: ‘Agora vocês conhecem a verdadeira alegria de servir - mas da próxima vez, vamos deixar a enfardadeira fora de nosso projeto.” (Paul Willie, “A Service Project with a Special Meaning”, New Era, maio de 1974, pp. 16-18.)

Debate

• O que tornou esse projeto de serviço diferente da maioria dos projetos desse tipo?

Para ajudar a responder à pergunta acima, peça a um membro da classe que leia Doutrina e Convênios 58:27.

• De acordo com essa escritura, o que devemos fazer de nossa própria e livre vontade?

• Qual é a diferença entre o serviço que temos que prestar e o que prestamos porque queremos?

Serviço É Qualquer Ação que Eleva, Encoraja ou Ajuda Outra Pessoa

Cartaz

Mostre o cartaz com Mosiah 2:17. Sublinhe a palavra serviço nos dois lugares em que ela aparece.

Peça aos rapazes que definam serviço. Use as idéias deles e coloque no quadro-negro uma definição semelhante à seguinte:

“Serviço é qualquer ação que eleva, encoraja, instrui ou ajuda uma outra pessoa.”

História

Relate a seguinte história a respeito de um homem que foi elevado e encorajado em um momento difícil de sua vida, graças ao serviço de um jovem.

“Terminada a reunião sacramental, o bispo chamou-me para uma conversa em seu escritório. É agora, pensei. Vou ser o novo presidente do quorum de mestres, aposto. Eu estava estourando de orgulho e entusiasmo. A ala inteira vai cumprimentar-me. E como mamãe ficará orgulhosa!

Sentei-me na grande poltrona diante do bispo, um homem simpático, sorrindo como sempre. Eu, porém, sentia que, apesar disso, nossa conversa seria importante.

‘Steve, nós temos uma designação para você’, começou. Meu coração disparou.

‘É um trabalho de “bom vizinho”. Estamos preocupados com o Hasty McFarlan. Como sabe, é um velhinho tristonho. Ele precisa de alguém que seja seu amigo. Não é membro da Igreja, mas Deus ama todos os homens indistintamente, e nós, membros da igreja, temos a responsabilidade de mostrar-lhes isso. Talvez fosse melhor dizer que temos o privilégio de demonstrar esse amor.’

Acho que devo ter parecido estar atônito. ‘Conhece o Hasty, não é, Steve?’, perguntou-me.

Meus pensamentos remontaram a algumas semanas, quando alguns colegas e eu caçoáramos do velho, cantando e gritando piadas a seu respeito.

‘Conheço, sim’, respondi, procurando esconder meu desapontamento e sensação de culpa. ‘É o velho eremita que mora fora da cidade.’

‘Isso mesmo. Gostaria que fosse visitá-lo umas duas ou três vezes por semana.’

‘Está bem’, foi a única coisa que consegui responder.

O bispo deve ter percebido meu desapontamento, pois, inclinando-se para o meu lado, comentou:

‘Mas se esta tarefa for demais para você, diga com franqueza.’

‘Pode deixar, vou cumpri-la’, prometi, suspirando.

‘Ótimo’, retrucou o bispo sorridente e logo prosseguiu: ‘Você poderia rachar lenha para ele, arranjar-lhe comida, roupas, qualquer coisa que o faça sentir-se querido. Seja amigo dele. Seu pai está a par dessa designação e prometeu ajudá-lo. O Pai Celestial também estará a seu lado.’

‘Sim, senhor.’

… Durante a longa caminhada naquela primeira tarde após as aulas, pareceu-me que cada árvore e arbusto à margem da trilha sussurrava a solidão do velho…

… A maioria dos meninos e até mesmo certos adultos costumavam caçoar dele ou mesmo pregar-lhe peças, quando o encontravam. Será que se lembraria de mim como um deles? Quando cheguei à cabana, estava assustado de verdade.

Bati. Nada. Voltei a bater. Eu sabia que estava em casa. Onde mais poderia estar?…

…’Hasty, você está aí?’

Ouvindo uns sons roucos, enfiei a cabeça pela porta e dei uma olhadela. Estava frio na cabana e muito escuro. Mal dava para perceber o corpo de um homem sobre a cama. Hasty estava todo encurvado… Parecia encolher-se todo por não haver nada mais a fazer. Notei que o cobertor sujo, bolorento, no qual se sentava, tinha mais buracos que tecido…

‘Hasty, posso fazer alguma coisa por você?’, consegui finalmente balbuciar. Disse-lhe meu nome e que o bispo da Igreja SUD me mandara ver como estava e em que poderia ajudá-lo. Ele nada disse…

‘Hasty, o fogo está apagado.’ Nenhuma resposta. Posso cortar um pouco de lenha? Nenhuma resposta.

Fui lá fora, descobri um machado e alguns tocos e pus-me a rachar umas toras para fazer fogo. A cada golpe de machado, perguntava a mim mesmo: O que eu estou fazendo aqui? Por que eu? Por que?

Pare de resmungar, respondeu-me uma voz interior. ‘O velho está com frio e só você pode ajudá-lo.’

Acendi o fogo e tentei conversar com ele, mas, passados alguns minutos, cheguei à conclusão que ele não prestava atenção. Como precisava de um cobertor novo, disselhe que lhe arranjaria um bem grosso, quente e limpinho, o que realmente fiz no dia seguinte. Depois disso, aparecia lá dia sim, dia não. Nas semanas, seguintes, ele pouco a pouco começou a falar comigo.

Um dia, depois de conversarmos um pouco, ele perguntou: ‘Diga-me, por que vem aqui? Acho que um jovem de sua idade tem coisas melhores para fazer do que visitar um velho doente e imprestável como eu. Mas gosto que venha!’, e sorriu.

No dia de Ação de Graças, convidei-o para jantar em casa, mas ele não apareceu. Então nossa família levou-lhe o jantar. Havia lágrimas nos olhos dele, quando tentou agradecer.

Continuando a visitá-lo, acabei descobrindo que Hasty fora pastor de ovelhas. Tivera também mulher e filhos, mas eles contraíram uma febre terrível e não resistiram. Achando que sua vida fora destruída, Hasty pôs-se a vagar pelo país inteiro como andarilho. Um tumor na face provocara cegueira num dos olhos e assim começaram as caçoadas e brincadeiras de mau gosto.

Mas a mim, o velho já não mais parecia feio e assustador. Na verdade, mal conseguia esperar o fim das aulas para ir correndo ajudá-lo e ouvir suas histórias.

No Natal, voltamos a convidá-lo para jantar conosco. Desta vez ele apareceu, bem limpo e arrumado, de terno e com um sorriso nos lábios. Hasty sentia-se feliz, porque sabia que era esperado e querido.

Terminado o jantar, o ancião curvou a cabeça por um instante, ergueu-a e falou: ‘Vocês são uma gente maravilhosa. Minha vida andava uma droga há muito tempo, mas o amor que me demonstraram transformou-me num homem diferente. Muito obrigado.’

E quando disse isso, pude sentir um calor muito grande dentro do peito. Um calor gostoso.” (Terry Dale, “Hasty”, A Liahona, janeiro de 1982, pp. 23-25.)

Debate

• De que modo a vida desse homem teria sido diferente, se Steve, seu bispo e sua família não tivessem demonstrado interesse por ele?

• Conhecem alguém que poderiam tornar mais feliz, servindo-o de alguma forma?

Cartaz e debate

Peça a um rapaz que leia o cartaz de Mosiah 2:17.

• A quem essa escritura diz que devemos ajudar?

• Por que quando servimos ao próximo estamos servindo a Deus?

Ajude os jovens a entenderem que o Pai Celestial ama todos os seus filhos e ele aprecia tudo o que fazemos para ajudá-los.

Explique que às vezes achamos que, para ter valor, o nosso serviço tem que ser grande e impressionante. Entretanto, pequenos serviços são importantes também. Freqüentemente, coisas pequenas, mas bem intencionadas, podem trazer enormes bênçãos tanto para nós como para aqueles a quem servimos.

• Como podemos servir aos outros todos os dias? Talvez queira fazer uma lista das sugestões dos rapazes no quadro-negro.

Escritura

Peça aos rapazes que abram em Mateus 7:21 e leiam a escritura para si mesmos.

• De acordo com esse versículo, qual é a chave para prestarmos serviço? (Os rapazes devem descobrir a palavra “faz”.)

Apresentação

Diga aos rapazes que o Presidente Spencer W. Kimball sempre deixava sobre sua escrivaninha uma plaquinha com os dizeres: “FAÇA-O!”

Consultor e lembrete

• Por que acham que o profeta do Senhor poria esse lema em sua escrivaninha? Distribua os lembretes com a frase “Faça-o!”

Conclusão

Desafio

Examine o conselho a respeito do serviço, dado na página 19 de Para o Vigor da Juventude. Desafie cada portador do Sacerdócio Aarônico a procurar maneiras específicas de servir aos outros.

Prometa-lhes que, à medida que servirem os outros, não apenas farão os outros felizes, mas eles próprios ficarão mais felizes, sentir-se-ão mais satisfeitos com a vida e esquecerão muitos de seus próprios problemas. Incentive cada jovem a ajudar ou encorajar alguém diariamente, registrando seus sentimentos no diário.

Dê tempo para que os jovens escolham um projeto de serviço para o quorum. Selecione um projeto e obtenha a aprovação do bispo. Peça à presidência do quorum que organize e esboce o projeto. Os jovens podem pensar na possibilidade de oferecer serviço periódico a uma organização de caridade, tal como um albergue para desabrigados.

Acompanhamento Antes de começar a aula na próxima semana, talvez queira gastar alguns minutos para que os rapazes falem sobre o serviço que prestaram durante a semana.